Não confunda o general da banda com a debanda dos generais

Toque de caixa: trtrtrtrtrtrtrtrtrtrtrtrt…Bum! Atenção batalhão para a Ordem do Dia 1º de abril/2021: O Regulamento Disciplinar do Exército, R-4, informa que o negão Otávio Henrique de Oliveira foi um general de araque, mas consagrou a estratégia capaz de derrubar Napoleão Bonaparte com uma pernada:

“Cutuca por baixo que ele cai!”

Passarola”, do padre Bartolomeu de Gusmão, precursora do Passaralho que caiu do galho no Planalto Central – pt.wikipedia.org – fair copyright

O ministro da nossa defesa, Fernando Azevedo e Silva, general de quatro estrelas, não acreditou na cutucada e caiu. O general Edson Leal Pujol, outro quatro estrelas, também não fez fé e desabou do comando do “meu Exército” do capitão Bolsonaro. O almirante de esquadra Ilques Barbosa Júnior, ex-comandante da nossa Marinha, mais quatro estrelas e uma âncora, foi torpedeado abaixo da linha d’água e posto a pique. Virou titanique no Lago de Brasília. E o comandante da sua Aeronáutica, o tenente brigadeiro do ar Antônio Carlos Moretti Bermudez, outro quatro estrelas e um sabre alado, despencou do firmamento federal, como o balão apagado de Bartolomeu de Gusmão. A derrubada conjunta da cúpula militar não tem precedente histórico no Brasil, e os silêncios do Senado e Câmara revelaram outra queda ainda mais constrangedora: a do rabo entre as pernas do Congresso.

O 1º de abril de 2021 caiu numa sexta-feira 13, data fatal, pois as provas anexadas à Ordem do Dia da Mentira negam a suposta convicção direitista do presidente que escolheu o 57º aniversário do golpe militar de ’64 para chutar os traseiros dos quatros milicos mais graduados da nossa pátria amada, salve… salve… salve-se quem puder. Jair Bolsonaro sempre negou a existência da ditadura no Brasil e, neste aniversário bizarro, exigiu do Ministro da Defesa – o qual demitiu em seguida – a redação da a Ordem do Dia para leitura em todos os quarteis, celebrando o golpe que – segundo o presidente apologista da tortura – nunca aconteceu!

Sim meu, capitão: “Como faces de uma mesma moeda, tanto o comunismo quanto o nazi fascismo passaram a constituir as principais ameaças à liberdade e à democracia naqueles anos. Contra esses radicalismos, o povo brasileiro teve que defender a democracia com seus cidadãos fardados… E as Forças Armadas, atendendo ao clamor da ampla maioria da população e da imprensa brasileira, assumiram o papel de estabilização daquele processo, e em estrita observância ao regramento democrático, vêm mantendo o foco na sua missão subordinadas ao poder constitucional”.

Desde a Revolução Bolchevique de outubro1917, na Rússia, quem esculacha o Estado e suas instituições é comunista de carteirinha. Lênin, Trotsky, Kerenky ficariam orgulhosos com a desqualificação institucional deliberada passo a passo – passo de ganso – especialmente através da nomeação de prepostos absurdos, escolhido a dedo – dedo duro – para sabotar setores prioritários, como educação saúde, meio ambiente, etc. O mais recente, relações exteriores, incompatibilizou o Brasil com a União Europeia, Estados Unidos, China e a República da Rudraguiubarriudorudra, a qual ainda não existiu – com a Redentora de ’64 – mas já é nossa inimiga. Todos continuam impunes pelos danos causado à nação, outros são comprados no varejo dos cargos, das emendas parlamentares, das negociatas no tapetão do capitão. Os rabos presos (ou entre as pernas), as ameaças e intimidações acuaram a oposição es nem Il Duce Mussolini chutou o armário de leite condensado de quatro generais sem dar satisfações a ninguém. Bajulado vergonhosamente pelo entrevistador que elegeu como moleque de recados, Jair Bolsonaro minimizou o aparelhamento político das Forças armadas, aplicando a tática de desqualificar coisas sérias, a como pandemia Covid, ou, no caso, a ditadura militar.

Temos de conhecer a verdade. Não quer dizer que foi uma maravilha, não foi uma maravilha de regime. Mas qual casamento é uma maravilha? De vez em quando tem um probleminha, é coisa rara um casal não ter um problema, tá certo?”

O terrorista e o esquema da sabotagem com sua letra atestada por várias perícias – imagem Revista Veja, 4/11/87 – Fair copyright para fins educativos

Bem, eu era cabo e não casei com a Redentora; apenas namorei a neta do coronel. Os meus probleminha foram chulé no coturno e os piolhos das camas nojentas do Corpo da Guarda, nas noite de prontidão. Mas o nosso capitão teve problemões: foi excluído com desonra em 1988 por complô político e sedição terrorista. O Superior Tribunal de Justiça Militar confirmou seu protagonismo na “Operação Beco Sem Saída:” o plano era explodir bombas em banheiros da Vila Militar, da Academia das Agulhas Negras e outros quartéis, além de sabotar a Adutora do Guandu, principal fonte de abastecimento de água do Rio de Janeiro. O réu já fora preso em 1986, também por reivindicar salario publicada na imprensa que agora insulta publicamente como “safada, Filha da Puta.” A justiça militar o absolveu e o Exército nunca justificou a sua reforma remunerada com apenas 11 anos de serviço efetivo.

Foi nesse contexto, em plena ditadura, que o hoje presidente desenvolveu a mentalidade a favor da tortura, da pena de morte, de arrebentar homossexuais na porrada, de armar a população, de obstruir a justiça e acobertar a corrupção dos filhos a até de condecorar miliciano preso por assassinato. Mas não concedeu nem uma medalhinha de São Judas Tadeu para o general Otávio Henrique de Oliveira, o mais democrático, vencedor de muitas batalhas de confete, cérebro da tática infalível que pode consagrar o vice presidente Hamilton Mourão como o Nicoló Machiavel do Planalto Central.

O pleito é urgente, pois o presidente está com o Congresso na gaveta, empilha mutreta sobre mutreta. Derrubou e substituiu seis ministros numa dança de cadeiras, ao som de um hino gospel. O Chefe da Casa Civil, quatro estrelas na reforma, general Walter Braga Neto, caiu para cima, nomeado ministro da defesa. E assumiu puxando o saco do patrão, com a “Ordem do Dia Alusiva ao 31 de Março de 1964” sobre a grandeza das país na salvação nacional das garras de João Goulart, o latifundiário que decretou a reforma agrária paralela ao trilhos do país sem rede ferroviária. O ministro da secretaria de governo – bota quatro estrelas no pijama do general Luís Eduardo Ramos – caiu para o lado. Ele assumiu o puxadinho desocupado pelo general Braga Neto. Mas o queixo do país desabou mesmo com a nomeação da deputa de primeiro mandato Flávia Carolina Pérez, PL-DF, codinome Flávia Arruda, autora de sete propostas legislativas apreciadas em três anos de mandato e zero discursos neste 2021.

As credenciais da nova ministra da Casa Civil são ser cupincha do presidente das Câmara, Arthur Lira, vulgo crocodilo das Alagoas, e mulher do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda. Flávia Carolina caiu do Centrão num gabinete do palácio, provavelmente conduzida pelo marido. O ex governador do DF é notório no cenário salafrário desde 2001, ao adulterar o painel de votação do Senado, em conluio com o falecido Antônio Carlos Magalhães, o Toninho Malvadeza, seu cúmplice no escândalo mensalão do DEM. Arruda também foi preso por participar no rateio da propina de R$ 900 milhões surrupiados do Estádio Mané Garrincha nas obras para a Copa de 2014.

Raposas sempre rondam os galinheiros, e o rebaixamento do comando supremo das Forças Armadas para politizar as Forças Armadas lembra um cabo que fez isso: dividiu o exército desmoralizado pela derrota na Primeira Guerra Mundial e mobilizou milícias de camisas pardas chamadas de Destacamento Tempestade, Sturmabteilungen, ou SA, encarregadas do terror e intimidação. Depois incendiou o Parlamento – Bundestag -, assumiu o poder pelo voto e converteu a Wehrmachct nas Schutztaffel, o exército dos camisas pretas, célebre na história universal da infâmia como Waffen SS. Quem vê alguma semelhança com o projeto das milícias que assediaram o Supremo Tribunal Federal gritando Brasilien über alles levante a mão. Quem não vê, é melhor abrir o olho. O forno já está morno.

O cabo 1328, da CCAC, do 16º Regimento de Infantaria Motorizada, RI da 7ª RM, em Natal, RGN, BR, nome de guerra “Carioca”, este vosso correspondente, se declara chocado pela derrubada do ministro da Defesa e seus subordinados imediatos. Antiguidade é posto nas fileiras militares, vide o palpite em tom de advertência do vice-presidente da República: o general Mourão, notável por suas compressas de panos quentes. Ele tenta desinflamar o esculacho hierárquico, tendo sugerido a nomeação da toque de caixa dos próximos comandantes das Forças Armadas por esse critério. Daí a citação nesta quartelada do cabo 1328, praça de 1964, portanto “herói” do golpe de 1° de abril. Ele mandava mais no 16 RI do que urubu em Manaus, é mais veterano do que os quatros generais derrubados e salienta a perigosa coincidência do cabo Hitler ter servido na 1ª Companhia ( a CCAC) do 16º Regimento Infantaria Bávara.

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Otávio Henrique de Oliveira , Blecaute o famoso General da Banda. Não confunda com a debandada dos generais. Foto anônima.

Está certo que duas tirinhas da divisa não se comparam com as estrelas de um capitão, e o salário é mais mixuruca do que a tanga do Rei Zulu; mas o cabo 1328 nunca sacaneou nenhum general, muito menos quatro de uma vez, como certo capitão terrorista. O chamego com a Dorinha é outra conversa: o avô dela era apenas coronel, e na nova hierarquia do exército o posto mais alto é de capitão, o resto é de general pra baixo. Quanto à Ordem do Dia deste cabo veterano, a intenção é resgatar do esquecimento o general Otávio Henrique de Oliveira, para levantar o astral deste ano sem carnaval; de Páscoa sem coelho e com um auxílio emergencial escalafobético. E animar o povo era a missão do meu general predileto, vencedor de todas as batalhas de confete e serpentina, gente fina, brasileiro como jabuticaba. Seu codinome é Blecaute, o famoso General da Banda, cuja estratégia é um recado que dispensa comentários:

Chegou o general da banda eê. Chegou o general da banda, êa. Mourão, mourão, é vara madura capitão; Mourão, Mourão, cutuca por baixo que ele cai.

Filomena leu a bula e deu no pé!

Ema não é jornalista mas ambas as espécies estão ameaçados de extinção. A bula da cloroquina oferecido pelo presidente do Brasil à ema do palácio informa que a panaceia deve ser ingerida pelo lado oposto. A ave recusa pois quem tem aquilo para onde o Sr. Bolsonaro mira a tem medo. Inclusive os jornalistas e a ema Filomena. Imagem Sérgio Lima/Poder 360 – Fair Copyright

Qual é a população do Brasil? Talvez, 212 milhões. A adivinhação se baseia no censo que completou 10 anos. Dados obsoletos induzem, por exemplo, ao diagnóstico de doentes maduros com exames clínicos feitos na sua juventude, induzindo a prescrição de remédios que funcionam como veneno. Mas o orçamento recém aprovado pelo Congresso inviabilizou o recenseamento obrigatório de 2021, desviando 96% da dotação do @Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, para a peste que assola o Brasil há muito: política e suas metástases; oportunismo, corrupção parlamentar e impunidade!

O IBGE se alinha entre os órgão mais confiáveis da administração federal. É responsável pela coleta, processamento, análise e divulgação de estatísticas sócio econômicas e antropológicas do país. Sua diretora, Susana Cordeiro Guerra, demitiu-se imediatamente após a sabotagem do censo. PhD em Ciência Política pelo Massachusetts Institute of Technology, mestre em administração pública e graduada em desenvolvimeto social pela Harvard Kennedy School, ela alegou “motivos pessoais”. Na falta de bom senso e do censo eu também me ofereço para chutar:

Cientistas qualificados amam entender e explicar coisas complexas como um país. A reputação da Doutora Susana mostra que ela nunca abandonaria atoa a pesquisa à qual dedicou-se por por dois anos à frente do IBGE. Outro chute: ele concluiu que o diagnóstico correto do Brasil contraria os interesses políticos do do Congresso, caso contrário viabilizariam o censo. Outros colaboradores graduados do governo também pegaram o boné nesses idos março: o presidente do Banco do Brasil, quatro membros do Conselho da Petrobrás, o ministro da saúde e até Jesus Cristo, inconformado com a exploração da sua imagem na base evangélica presidencial.

J.C. foi crucificado por motivos políticos. Pegou pesado com a imprensa da época (“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que devorais as casas das viúvas, sob pretexto de prolongadas orações; por isso sofrereis mais rigoroso juízo – Mateus – 23-14). O apelido do erário nacional é “a viúva” e o filho de Deus nunca abençoaria um governo que manda os escribas atuais “para a puta que pariu,” com latas de leite condensado “no rabo,” como mandou o falso Messias que nos toca. “Annus horribilis” – comentaria a ema Filomena, plagiando Elizabeth II, rainha bem educada apesar das restrições ornitológicas: ela adora penas no chapéu.

O orçamento que detonou o censo foi aprovado em 25 de março, com três meses de atraso. A alegação dos riscos da segunda onda da pandemia Covid-19 para receber R$ 33.763,00 de salário, mais os puxadinhos, sem trabalhar, insulta as multidões não recenseadas que entopem os transportes públicos de cabo a rabo. Não confunda com o rabo preso dos ficha suja dos cúmplices do Messias que nos insulta: “Ai tô com covid” – voz histérica – “tô com covid…” – gargalhada. O deboche do “mimimi” dos contaminados se encaixa na estratégia de instigar conflitos e escândalos para dispersar a atenção de assuntos estratégicos como o retardo do orçamento.

O vácuo do recesso ocultou as negociatas para as eleições das presidências da Câmara e do Senado, favorecendo as prioridades corporativas dos parlamentares. A primeira providência do presidente recém eleito da Câmara, Arthur Lira, vulgo crocodilo das Alagoas, foi obstruir o direito do público à informação independente, isolando jornalista e deputados. Após 60 anos de vizinhança, a sala de imprensa foi removida das imediações do plenário para o porão da Casa do Povo!

“Me dá uma cloroquina aí que essa me entubou” – reagiu Filomena, a ema do palácio.

O corte de R$ 1.7 bilhão dos R$ 2 bilhões indispensáveis ao recenseamento ressalta os R$ 8 bilhões a mais alocados para o Ministério de Defesa, o corte de R$ 13,5 milhões da Previdência Social e os aumento de R$ 20 bilhões para R$ 48,8 bilhões da dotação para as emendas parlamentares. Esse valor dividido pelos 594 deputados e senadores resulta num rateio cujos algarismos parecem lágrimas: R$ 8.080.808, 08… Esta dízima periódica não inclui os R$ 10.8 bilhões para sustentar o segundo legislativo mais caro do mundo. O primeiro é o dos Estados Unidos mas o orçamento brasileiro ainda não foi sancionado pelo presidente e ainda pode piorar batantes: as despesas previstas ultrapassam o teto de gastos e é possível que o erro grosseiro, ilegal, tenha sido engendrado para justificar o veto presidencial e devolver o pacote ao Congresso, onde as emendas geralmentel são piores do que os sonetos.

O IBGE nunca incluiu a honestidade dos políticos entre os quesitos do censo porque a resposta óbvia contraria os interesses do sistema em que as dotações parlamentares são as moedas de troca por cargos, comissões, concorrências e outras mecanismos da corrupção. As verbas escoam pelas brechas da burocracia e abastecem as campanhas que se perpetuam em mandatos lamentáveis como o corte das 204 307 vagas temporárias oferecidas pelo IBGE a pesquisadores concursados. A alternativa dos barrados no censo será a análise dos currículos de candidatos à reeleição. Podem começar pelo desempenho do relator geral do Orçamento, senador Márcio Bittar (MDB-AC).

Enquanto não nos deixam saber quem, como, quando, onde, quantos e porque somos tão conformados e omissos, os privilégios e injustiças prevalecerão sobre o direito do povo que foi contada pela última vez em 2011. O boicote do censo viabiliza manipulações como o eclipse dos ” 40 milhões de invisíveis” citados pelo ministro da economia, cujo nome eu esqueci como ele esqueceu de mais 20 milhões no total de 60 milhões citados pelo governo para capitalizar a ajuda emergencial na primeira leva da pandemia que nos atrofia os pulmões e mata de tristeza.

O Brasil tem salvação? A resposta depende da saúde, de educação/cultura/consciência cívica e atitude socio/política. O levantamento mais recente do IBGE mostra que 2.374 municípios brasileiros (42,7% do total) contavam com pelo menos uma livraria em 2001. Vinte anos depois elas são 985 nos 5.570 municípios brasileiros (17,7%). Povos mais educados precisam de menos remédios porque educação e saúde andam e mãos dadas. Lave as mãos meu filhos, cuidados com os micróbios. Use máscara. Não cuspa na rua. Respeite as pessoas. Não fale palavbrões. Associação Brasileira das Redes de Farmácia, Abrafarma, informa que há 89.071 farmácias no Brasil. Na sua rua deve haver uma drogaria e nenhuma livraria.

Diário, eu não sabia que as emas eram comunistas - Rede Brasil Atual
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As farmácias não vendem remédios contra a indignação e eu peço emprestado um palavrão à maior autoridade no assunto, o intelectual federal que se pronuncia diante de uma estante de livros. Seu linguajar demonstra que não leu nenhum, mas o deboche contra a vacina, o deboche sobre o uso de máscaras e o insulto aos distanciamento social convenceram a milhões de brasileiros e brasileiras.

Isso demonstra o sucesso da orientação que custou R$ 23,4 milhões à Secretaria de Comunicação da Presidência apara divulgar o “tratamento precoce” que derrubou o 3º dos quatro ministros da saúde em um ano. A verba da palaceia fez falta para o IBGE diagnosticar e o Brasil e a campanha não não convenceu a todos. A ema oficial do Palácio do Planalto, por exemplo não frequenta farmácias e tudo indica que leu a bula. Ela está quase extinta mas não é jornalista. Cantou pneu e Deu no pé.

Jânio, o dicionário e o vocabulário bolsonário, porra!

Jânio, o quadro”- Humberto B. 2016 – Escultura sobre tela, acrílico 50 x 30 cm, à venda pela melhor oferta: hbcomborges@gmail.com

Estamos orgulhosos: o senhor presidente da República não manda nenhum jornalista “para a puta que o pariu” desde (27/01), quando insultou a “imprensa de merda” para justificar o gasto de R$ 1,8 bilhão ano passado com o cartão corporativo presidencial.

A culpa do insulto coube aos jornalistas obrigados por dever de ofício a publicar as despesas do governo. No caso, R$15 milhões com leite condensado, R$ 2,2 milhões com chicletes, R$ 32,7 milhões com pizzas, refrigerantes e vinhos. A pizza se explica pela impunidade na falta de decoro da autoridade que personifica o Estado e representa você perante o mundo.

“Quando a imprensa me ataca, dizendo que comprei dois milhões e meio de latas de leite condensado, vai para puta que o pariu. Imprensa de merda essa daí. É para enfiar no rabo de vocês aí.

Meia dúzia cantores, quatro ministros, vários parlamentares e dezenas de outros capachos foram convocados para inflamar a estratégia de confronto que desvia a atenção pública da incompetência oficial. Quatro ministros da saúde e 300 mil mortes em um ano! A imprensa levou a culpa no churrasco de palavrões pago com aquele cartão generoso, mas o evento foi divulgado na plataforma Telegram pelo assessor especial da presidência, Tércio Arnaud Tomaz.

Fake news com fake foto se paga. Tércio e o patrão. Máscara de papel toalha, arte do autor, montada sobre imagem pirateada do Facebook. Fair copyright

Tercio se destacou no núcleo agregado à presidência para atacar adversários e coordenar a comunicação informal. Mas boa parte dos serviços do chamado gabinete do ódio têm sido anulados pelo baixo nível intelectual e falta de educação evidentes no linguajar do presidente. O português truncado do Sr. Jair Bolsonaro evoca por contraste o refinamento de outro doidão presidencial que perdeu tudo, menos a dignidade, a compostura no cargo e a consideração por seu povo.

Jânio da Silva Quadros presidiu os “Estados Unidos do Brasil” entre janeiro e agosto de 1961, pois o país se tornou República Federativa pela Emenda Constitucional n°1, promulgada em 1969 pelo General Artur da Costa e Silva. Jânio Quadros era doido da Silva e renunciou por engano na tentativa de conquistar poder discricionário: a rima não é mera coincidência. Entre os seus desatinos, ele proibiu que as mulheres usassem biquíni. Coisa de doido varrido, tanto que adotou como símbolo uma vassoura, e foi eleito por uma maioria mais desequilibrada do que previdente. Outra coincidência entre tantas diferenças. Porém Jânio tonou-se mais folclórico por seus bilhetes administrativos, o respeito ao nosso idioma e o zelo gramatical. É provável que tivesse ganas de mandar os jornalistas que sabotaram seu mandato para progenitora de má fama que os concebeu, mas tinha sido professor de Português e nunca se rebaixou arrotando palavrões em público.

Na manhã em que eu o entrevistei ele curtia uma ressaca enciclopédica. Só me atendeu porque eu trabalhava na hoje extinta TV Educativa, canal 2, a rede pública que disputava audiência com as emissoras comerciais, trincheira da nossa cultura antes de ser retalhada por políticos sem escrúpulos. Quase fiquei de pileque com o bafo de cana do presidente que cunhou uma frase famosa ao ser questionado sobre sobre gostar de beber uma dose, ou duas, talvez três… enfim, deixa a garrafa e me arranja um limão:

“Bebo-a porque é líquida. Se fosse sólida comê-la-ia.”

O atual presidente é abstêmio, messiânico, e isso talvez influa no seu humor radical. Suspeito que se algum colega desavisado questioná-lo sobre o consumo de álcool ele o mandaria enfiar a garrafa de Pitú no menor de todos os palavrões, aquele que todo mundo tem… e quem tem tem medo. Outra pérola de Jânio da Silva Quadros ocorreu quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, seu adversário à Prefeitura de São em 1968, sentou na cadeira de prefeito às vésperas do eleição. Jânio venceu, foi posar no gabinete e passou uma flanelinha no assento, declarando:

“Desinfeto-a porque nádegas indevidas sentaram nela”.

Jânio: uma foto que interpretou a história — Senado Notícias
Ponte da Amizade, Uruguaiana 21/04/61 Prêmio Esso de Fotografia – Agência Senado Fair Copyright

Outro político desafeto da administração paulista talvez mandasse o professor Cardoso mobiliar algum lugar estranho com a cadeira municipal. Os repórteres amavam Jânio. Seu humor oxigenava a política. Era o próprio oxijânio. Humano, humilde como uma vassoura. Entrevistá-lo garantia a manchete na próxima edição, sem ser chamado de “boiola” em público e não poder a processar a autoridade por assédio moral. O exemplo faz escola e as manifestações orquestradas em apoio ao presidente atacam reputações e a imprensa, exibindo-se sem máscara na esperança de serem reconhecidos para faturar algum favor. As ofensas mais grosseiras se propagaram pelo Congresso, onde paira uma questão de ordem imoral: o país agoniza, carente de vacina, o povo implora para respirar-ar-ar-ar nas filas hospitais super lotados, enquanto demagogos acumulam privilégios, acovardados ante a opção do impeachment para devolver a dignidade ao Brasil. Isto posto, eu também sigo o exemplo do responsável pela rejeição às vacinas, ao uso de máscaras sanitárias, ao distanciamento social e às 300 mil mortes mortes que enlutam o país, oferecendo um palavrão digno do irresponsável pelo colapso no sistema de saúde e aos seus cúmplices que se locupletam no poder. Com todo respeito, que vossas excrecências merecem, vão todos para a…

paraaflavirrachacondensaspadinhamiliciqueirosiawasseduarpulgarigrossuradoowasefilhodumacadesmoralidoideducarlaforavergodemelouquinsanopiramiolobosofusotantarrogadesequilirreaçalitrumpaclorolambebotandolunátizurelédaculucosenoridiorrubacamíacretiadanáticaliemariquinzoadivanadébilalburrúpidignoracretapavagavazigrossimbecidiotanalhatolamascadalermababatetotusautoritlenerglorpavascácionéscibabacoburracomumcoicegenocharlatogantopradopropademiaobstrautoriadvermendatíficareceitaceiinócuaglomeparalocuplevaidementidólatravocadoletaloruscarraproparoxigêniofalpulmopamunizalamentamorféticapicentromundipanderretroputalecidendecompatracorogresivastasonralaiamalafaianarofinedraçogasíduorruimmelcatrevabiltrolíticuecaimpostodevgrejaplaudeologistoturassinomilicidrilhaparlavancargomamatetimopunescapodrevalimpunicertagramutrecutaiadezatênciamoiatretrutassacanamedocovarmescladinterespúriocaradepaudetogadepanopomproteladesqualijustiçacursogonhopulhoculhatifesquizonaro.

Esquisito? Sim. Contraditório? Também, mas humano, cordial, bem ducado. Foto de autor desconhecido – Faceboock – Fair Copyright

Enfim, este país é um hospício. Tem de sobra maluco torto, desengonçado, mas se todos fossem muito retos, donos da verdade, como a extrema direita e a esquerda rançosa, chatear-nos-iam com suas certezas obsessivas. De médico e louco todo mundo tem um pouco, ninguém é perfeito, nem proprietário da verdade gramatical. Todos temos os nossos defeitos, mas ninguém tem o direito de ser tão grosseiro, arrogante e autoritário. Quem sabe porque e a quem se refere este verborragielogio concorre a uma vacina chinesa, uma bolsa de couro de jacaré, um diploma de jornalista, anestésicos, latas de leite condensado e uma consulta paga no psiquiatra.

Recall: a ausência de vírgulas provoca falta de ar. O único “boiola” ansioso que se atreveu a ler o palavrão universal de um só fôlego teve que ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Médico de Urgência, o valente SAMU. As Unidades de Tratamento Intensivo, UTIs, estavam 100% ocupadas, mas o paciente sobrevive aos cuidados dos verdadeiros heróis da pátria nesse instante: o pessoal da linha de frente. A eles todo o nosso respeito e mais uma palavrinha: obrigado!

O bundalelê da cloroquina: vacina já, ou nádegas!

O vírus me alucina então fui batalhar por vacina na garupa do Osório general Manoel Luís, ilustre marquês do Herval, herói da guerra Cisplatina, que virou um edifício, na esquina da Avenida Central. A sorte assim quis, montei no corcel de bronze, com decisão sacramentada: basta da negação assassina: vacina…vacina…vacina… ou nada! Mas, lá encima, nu, bunda pelada, um histórico bundalelê, cadê a espada esguia, do patrono da cavalaria? Martelo, talhadeira, serra, lima, a quadrilha do ferro velho roubou o cutelo, a grade, as balas dos canhões, as letras e pedaços dos painéis das fragorosas batalhas de Tuiuti, Passo da Pátria, Itororó, Avaí, Monte Caseros, Riachuelo e Uruguaiana, em parceria com o Uruguai e Argentina, guerra nada bacana, como a falta de vacina.

Quase caí do cavalo, morto de desgosto, galopando com o rabo exposto e medo de ser ser entubado. Já pensou, meu irmão? Latas de leite condensado, sob falsa acusação, empurradas no lugar errado, por ordem do capitão aloprado. Logo eu, patriota radical, direitista, bolsonarista de pedra e cal, que escolhi o monumento, em desagravo general, devido ao chute ingrato, no bundão ministerial. Era como se, em vez da agonia por vacina, eu protagonizasse outra rapina, maracutaia cloroquina, no Congresso Nacional.

Agora preciso de advogado; qualquer um, menos os que escondem na cueca assessores fugitivos, milicianos, políticos, como se fossem peidos ou cocô. Sou ficha limpa, seu delegado! Nunca fui senadô, muito menos deputado. Olha eu lá, descuecado, sem saber com que roupa que vou, para a fila da previdência, dando pulo feito sapo, pra ver se escapo de morrer sem respirar-ar-ar-ar. “Vai comprar vacina na casa da mãe”- ordenou o mandatário. Calma capitão, eu posso ser doidão mas nunca fui otário, só saio armário e for pro STJ, que fica ali na esquina, pertinho da Assembleia carioca, que devia ser carieca, picadeiro das rachadinhas, enfurnadas na cueca.

Na falta da imunização, vou garantir a impunidade, e, desde já, peço desculpas ao celebrado general, ferrenho monarquista, que é praça em Ipanema mas cavalga no logradouro errado: a Praça XV homenageia a Proclamação República. Manoel Luís Osório é um herói enganado. E a quem interessar possa: ainda não roubaram as ferraduras do brioso garanhão. Boa oportunidade para quem distribui coices aos que reivindicam a vacina, como neste protesto febril, contra a sacanagem que nos desanima: o boicote oficial, à saúde do Brasil.

O epitáfio da rachadinha

Aqui jaz a reputação vulgar, escandalosa, agressiva, louca, doida, desaforada, demente, insana, mentecapta, pirada, confusa, tantã, desmiolada, biruta, boba, arrogante, desequilibrada, pancada, doidona, lunática, zureta, lelé da cuca, pomba lesa, maluca, desatinada, sem juízo nem rumo, desnorteada, fanática, alienada, mariquinha, zoada, doidivana, débil mental… coitada; além disso, era burra estúpida, ignorante, cretina, tapada, vaga, vazia, grossa, imbecil, idiota, canalha, tola; desmascarada, palerma, babaca, pateta, obtusa, autoritária, lesada, energúmena, lorpa, parva, pascácia, néscia, babaca e burra com um par de coices. É o que consta no epitáfio da falecida, a reputação bizarra, genocida, charlatã, arrogante, aloprada de quem riu do medo dos contaminados, estimulou a propagação da pandemia por obstrução autoritária das advertências e recomendações científicas, receitando panaceias inócuas e aglomerações para locupletar sua vaidade e demonstrar poder, mente doentia, escarnecendo a exposição dos seus idólatras equivocados e inconscientes da letalidade do Sars-Cov, o vírus carrapicho que se propaga no ar, o oxigênio que falta nos pulmões do país que era exemplo de imunização e agora lamenta a fama morfética de epicentro mundial da pandemia. Vá de retro reputação imoral, falecida, em decomposição, patética, rancorosa, agressiva; arrasta consigo a desonra cúmplice de oportunistas da sua laia, a laia da mala, malafaia, que o Novo Dicionário da Didiconário da Língua Potuguesa (Livr. Ed. Tavares Cardoso & Irmão, Lisboa, 1899, vol. II, página 77) define como “Cadraço, bagaço, resíduo dos frutos, cachaça ruim, sinônimos de melcatrefe, vadio, biltre) como os políticos que enfurnam dinheiro roubado na cueca, os que perdoam os impostos devidos das igrejas caça-níquei, aplaudem apologistas de torturadores que condecoram assassinos milicianos mancomunados em quadrilhas parlamentares que compram mandados para faturar vantagens, cargos, mamatas, tetas, cabides, comissões, puxadinhos, verbas e proteção para escaparem dos próprios julgamentos. Suas memórias apodrecem na vala comum da história, posto que a impunidade é quase certa, graças às mutretas, maracutaias, leniência, corrupção, safadeza, incompetência, tramoia, treta, truta, sacanagem, medo, covardia, mescladas aos interesses espúrios, cara de pau, toga de pano, pomposa, oculta na capa preta, imune, protelatória, provedora da impunidade magistral, ministerial, imoral que desqualifica a Justiça pela pela infinidade de recurso e falta de vergonha, pudor; carente de escrúpulos, sem honra ou decência; pulhas, patifes, engavetadores, mesquinhos, daninhos, aproveitadores, incompetentes, imorais que estupram a justiça, sem o mínimo remorso das vantagens e mordomias que acumulam; indiferentes à aflição dos impotentes, assaltados pelos próprios votos; desanimados, desatinados diante dos semelhante na calçada cinzenta; pacotes raquíticos largados no cimento que concreta os corações. Qualquer semelhança neste velório triste, peremptório, cabal, competente, idôneo, certo definitivo, taxativo, inteiro, perfeito e lamentável, com personagens vivos e ativos, muito ativos, que se locupletam em instituições atuais não é mera coincidência nem acusação vazia. A prova disso é verídica, real honesta, clara, irrefutável, evidente, estridente, definitiva, direta, explícita, indubitável, compreensível, clara, cristalina, inequívoca, literal, simples e verdadeira como o rito urgente na apreciação de uma PEC (projeto de emenda à Constituição) apresentada pelos nossos representantes, no cenário rarefeito de pudor dos legisladores em causa própria, nos plenários dos três poderes.

EM VOTAÇÃO: Aqueles que sabem do que e de quem quem estamos falando; os que julgam em sã consciência os responsáveis pela aflição social merecedores das mesmos castigos e ofensas que infligem aos brasileiros mais carentes, desprotegido e indefesos…. permaneçam como se encontram. APROVADO.

P.S. Todo plágio é uma homenagem e o autor agradece a Mariliz Pereira Jorge, articulista da Folha de São Paulo, o aprimoramento do post acima na sua coluna, dois dias depois, porém sem o devido crédito, como exige a ética e a reputação profissional deste valente jornal. Reproduzo o artigo como medida preventiva de um possível interpelação judicial pela identificação explícita do “genocida”.

Este assunto prosperou: Lucia B. Lamberti publicou, “Para quem tem interesse na coluna do Ruy Castro, que é de 18/1. Curiosamente o Ruy diz que está reproduzindo lista do produtor musical João Augusto.” E Maria Cecília Lapertosa publicou hoje (19/03/21) a VERSÃO NORDESTINA dos elogios ao presidente da República Federativa do Brasil: e bota feder-ativa nisso:

Pode ser uma imagem de texto

Maria Cecília Lapertosa se revela uma filóloga enciclopédica muito bem humorada; só não é dicionária pra não rimar com bolsonária, pois é honesta e dá o crédito a quem merece: Maria Cecilia LapertosaHumberto Borges , não são meus. São de @olimpiorocha:

Nenhuma descrição de foto disponível.

E a onda adjetiva se propaga:

Pode ser uma imagem de texto que diz "Luís Fernando Neis Blaschke 7 min Ó o plágio. #Genocida #Poema Me processa, Ruy Castro. Beócio. Ignóbil. Sevandija. Abutre. Obsceno. Biltre. Vil. Soez. Bufão. Labrusco. Atroz. Chorume. Infame. Futre. Sandeu. Sádico. Reles. Mandrião. Oportunista. Escroque. Valdevinos. Néscio. Embusteiro. Ególatra. Canalha. Asqueroso. Energúmeno. Cretino. Repulsivo. Misólogo. Merdalha. Obtuso. Brutamontes. Ímpio. Insano. Parlapatão. Jumento. Pulha. Inculto. Abominoso Estúpido. Tirano. Urubu. Ogro. Mau. Verdugo. Estulto. Nojento. Nauseabundo. Salafrário. Oligofrênico. Maldito. Burro. Calhorda. Abjeto. Parvo. Rude. Otário. Ultra-arrombado. Pífio. Peste. Enxurro."
Os lados opostos dos fatos, aspectos polêmicos e versões conflitantes são fundamentais para um julgamento justo. Mas, por enquanto só os críticos do presidente desafiaram suas ameaças judiciais. Ainda não vi nenhuma relação de elogios autênticos, sem ironias ou vergonha das virtudes do Sr. Jair Bolsonaro.

O Complexo de Cuba -7

As manipulações políticas da Covid-19 exigem a mescla das postagens do Complexo de Cuba com réplicas às farsas, enquanto recordes sucessivos de mortes caracterizam o Brasil (ex-modelo de imunização) como flagelo mundial. hbcomborges@gmail.com

A CORTINA DE TORTILHA

Asfalto com biscoitos, desde o café da manhã em Banning, Califórnia, até o jantar em Tucson, Arizona. A sobremesa foi a despedida daquela caminhoneira vestida de couro, cujas buzinas musicais fizeram os seus colegas devoradores de hambúrgueres uivarem como coiotes no cio, yuhuu. As vidraças do restaurante Hi-Chief espelhavam a carreta dela, enfeitada com guirlandas de luzes coloridas como o trenó de Papai Noel. Bitola 94-61-92cm de busto, cintura e para-choque. A Nutty, o Crazy e o Fernando se hospedaram no motel anexo ao estacionamento. Eu compartilhei a motor home da Big Mamma com o chulé do Jack.

Jack Bluebird decolou no lusco-fusco da madrugada, disposto a descarregar o Lisa na Florida em tempo de voltar ao Canadá para curtir o ano novo com a família. A US-10 é reta, larga, plana, rápida, porém muito longa; e nós rodávamos na direção oposta ao desejo do motorista. Era sábado e o plano do Jack dependia da entrega do outro barco em Dallas, no meio do Texas, naquela tarde; ou teríamos que esperar até a segunda-feira. Em vez de voar na pista vazia, arriscando-se a ser multado, seria melhor pernoitar em Dallas e ir de avião para casa, enquanto a Boat Transit agenciava outra carga. Ele disse que concordava com a sugestão, desde que eu pagasse as passagens dele e da cachorrinha Dahn Dahn, mais o estacionamento da Big Mamma na Flórida durante a sua viagem.

“Não? O.K. guarde o seu sermão para outro, seu pregador fodido.”

O raiar do dia no Deserto de Sonora, Arizona – Foto do autor

Paramos para encher o tanque e a pança em El Paso, onde o oitavo capítulo de On The Road narra uma farra bem ali, fronteira Tex-Mex, lugar passional como as relações entre gringos e cucarachos. Kerouac assumiu na própria novela a persona de Sal Paradise, guru literário do desajustado Dean Moriarty, o marido de Marylou, “…Loura, linda, com imensos cabelos encaracolados, num mar de tranças douradas.” Apesar da hora e das circunstâncias opostas, Kerouack também buscava o espírito da América eu comparava o que via com a ambientação das cenas no livro. Sal Paradise, Dean e Marylou chegaram a El Paso à tardinha, vindos do Leste via Van Horn, num Hudson ’49, após o trecho da US-10 paralelo ao Rio Grande; os três pelados no banco da frente do carro, só para sacanear os caminhoneiros.

“…De vez em quando um caminhão grande passava zunindo. Do alto da cabina o motorista via, de relance, uma beleza dourada, nua, entre dois homens também nus. E nós o víamos guinar na estrada, sumindo pelo para-brisa traseiro… Depois da planície imensa do Rio Grande, o entardecer avermelhava a crista das montanhas na fronteira mexicana, terra dos Tarahumara. Longe, em frente, piscavam as luzes de El Paso e Juarez, como se fosse o vale do mundo, onde os trens sopravam fumaças em todas as direções.”

Marylou, a “beleza dourada” era a pós adolescente Luanne Henderson, mulher de Neal Cassady, o pupilo literário que Kerouac personificou como Dean Moriarty. Na biografia real, Cassady era cria dos pardieiros de Denver, ex presidiário em San Quentin, doidão como um busca-pé aceso, “…para quem a única coisa sagrada, realmente importante, era fazer sexo”. Kerouac e Cassady eram defuntos há cinco anos, os poucos beatniks sobreviventes estavam grisalhos como a livreira hippie que me vendera o livro consagrado pelo naturalismo saltitantes como improvisos de jazz, em contraponto com o arremate do primeiro capítulo de On The Road:

“… Ao longo da estrada haveria garotas, visões e tudo o mais. A pérola me seria oferecida em algum lugar; eu sabia.”

A minha pérola era a própria estrada, mas não vi nada em El Paso semelhante à bipolaridade beat de Kerouac. O cara perambulava em torno do seu umbigo desajustado, alheio aos limites convencionais, e (talvez não tenha visto) ignorou a cicatriz histórica que os texanos apelidaram de cortina de tortilha. O deboche insinuava que os mexicanos comeriam até a cerca que hoje é famosa como o muro de Trump; Donald Trump, o 45° presidente dos Estados Unidos, protótipo do ultra americano, antítese beatnik. A coisa era uma base de concreto sobre a qual se estendia um rodapé de lâminas metálicas, dessas que dividem as rodovias, sustentando postes curvos para o lado mexicano. Entre os postes havia folhas de zinco arrematadas por tela de galinheiro.

Da águila mexicana para the american eagle com todo carinho. Daril Cagle cartoons – Fair copyright

Dois milhões e 140 mil Km² do território ao norte da cerca e a oeste do Mississipi foram compradas de Napoleão Bonaparte por Thomas Jefferson, em 1803. Outro tanto foi tomado do México e dos povos indígenas das Grandes Planícies, nos termos do… “Destino Manifesto pela Vontade Divina dos Estados Unidos da América de se expandirem através do continente, tendo em vista a multiplicação e o livre desenvolvimento dos seus cidadãos”. Essa doutrina foi concebida no mandado do 11º presidente, James Knox Polk, para legitimar a anexação do Texas aos estados escravistas do sul, antecipando em 175 anos a promessa de Trump de fazer o México pagar pelo muro que ele começou a construir.

Primeiro, Mr. Polk ratificou o Tratado do Oregon, partilhando a América do Norte com Inglaterra na linha do paralelo 49º, atual fronteira com o Canadá. Em seguida, o governo acelerou o extermínio dos Navajo, Pueblo, Hopi, Hute e Apaches, enquanto seu enviado, John Slidell, oferecia ao México de U$ 25 milhões pela compra da Califórnia. O presidente Valentín Gómez Farias recusou a proposta e os estrategistas imobiliários dos Estados Unidos tramaram o retorno do caudilho Antonio López de Santa Anna ao poder, sob o compromisso dele ceder o território desejado. Negociatas não impedem guerras entre povos que gostam de matar. Ofensas e acusações mútuas degeneraram em escaramuças na fronteira, James Polk denunciou “o derramamento de sangue Americano em solo Americano” e o Congresso declarou guerra ao México em 13 de maio de 1846.

Batalha de Buena Vista – 23 de fevereiro, 1847- Imagem de domínio público. Fonte: Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos

A cavalaria cruzou o Rio Grande comandada pelo general Zachary Taylor, ele tomou Santa Fé, e a fama militar o elegeria para suceder James Polk. A Marinha bloqueou a Baixa Califórnia, as tropas do general Winfield Scott invadiram a Cidade do México e os derrotados renegam o nome invertido de Guerra Mexicano-Americana. No fim das contas, o tratado Guadalupe-Hidalgo cedeu ao vencedor 2 206 084 Km2 ao norte do atual Muro de Trump, estabelecendo U$ 18 milhões de compensação pelo território tomado. O valor (U$ 7 milhões abaixo da oferta anterior à guerra) ainda foi reduzido a US$ 3 milhões, sob alegação de reparo aos prejuízos causados na fronteira pelos Apaches. O território era americanos mas os índios continuaram mexicanos.

Engolir arame arranha até a alma, mas, justiça seja feita, os Estados Unidos honraram seu compromisso: Santa Anna voltou à presidência para vender o território combinado. A cerca passou para o lado americano os territórios do Texas, do Arizona, do Novo México, da Califórnia, de Utah; mais partes do Colorado, do Wyoming e de Oklahoma. Santa Anna, suborno, pólvora, sabres e sangue incorporaram aos Estados Unidos 55% do território dos Tarahumara, os guerreiros corredores mencionados por Kerouac. Curiosamente, 100% dos índios que sobreviveram e seus descendente continuam sendo mexicanos no território incorporado.

O único índio que eu vi nos Estados Unidos era de madeira e segurava charutos na porta de uma loja de souvenirs. Três séculos e meio de colonização exterminram quase todos os nativos, até os cara pálidas serem surpreendidos por sinais de fumaça propondo paz, amor, liberdade e um barrufo naquele mato com cheiro de pano queimado. O hippies dublaram os americanos originais numa alegoria naturalista. No começo dos anos ’60, o sonho americano incluía um quarto na casa dos pais, com a luva de basebol na estante, a flâmula na parede, leite com cereais, cesta de basquete no quintal, a mesada e o Ford que o velho emprestava pra levar Nancy, Daisy, Judy, Betty, Jane ou Lucy ao baile da escola, ou ao cinema para e assistir O Vento Levou… e assanhou o topete engomado com de brilhantina.

Montagem de autor desconhecido exposta em um cartório de Natal, RN/BR – Foto Humberto B.

De repente, Miss Lyberty fundiu a cuca. Deixou de ser aquela virgem de meia soquete, pulôver e rabo de cavalo. Tomou a pílula e logo queimaria o sutiã em praça pública, solidária com as reivindicações feministas lideradas por Betty Friedam. Os coroas não entendera o auê psicodélico, turbinado pelo ácido professor de Harvard, Thimoty Leary, guru do LSD. E deu no que doeu: os patriotas radicais alegam que houve um empate no Vietnam, mas, no duro, incinerar vietnamitas com napalm era genocídio, “os falcões” do Pentágono perderam a guerra e Richard Nixon perdeu o bonde da História..

O nome hippie veio de “hip”, a versão beat do termo “cool”, que significa legal, calmo, cabeça fria. A contestação inspirada nos beatniks alastrou-se numa epidemia musical, florida, cabeluda, descabelada; com mochilas, barracas, flautas, guitarras, artesanato tribal, remendos nas roupas e a proposta de vida comunitária. A maioria daquela minoria era estudante, filhinho e filhota do papai classe média, cortador da grama do jardim no bangalçô suburbano. Um dia ele encontrou na caixa do correio o telegrama da convocação do seu boy para lutar no Vietnam e aderiu contestação pacifista.

Bater de frente com a juventude nunca foi bom negócio e o sistema bolou um rótulo engajado para desqualificar o movimento: contracultura. O termo implicava em agredir os princípios e valores cultivados na formação do caráter nacional. Porém o tiro da sociedade mais armada do planeta saiu pela culatra. O pacifismo colou. Experimente contar os pássaros de um bando em revoada. A natureza nômade dos hippies criou o mesmo problema. A imprensa chutou uns 8% da população de 200 milhões em 1968, o que corresponde a 16 milhões. Essa conta é incerta, mas está 100% garantido que San Francisco tornou-se na Mecca da doideira; que o festival de Woodstock foi o marco histórico da revolução de costumes que desbundou a caretice americana.

Se a contestação fosse apenas estética, cultural, os festivais resolveriam o assunto. Mas os cordões invisíveis da história mobilizaram os negros pela igualdade dos direitos civis, e a bronca contra a guerra no Vietnam potencializou uma desobediência sem precedentes, apoiada pela maioria silenciosa. Milhares de convocados resgaram o chamado do Tio Sam e o circo se armou sem domador nem bilheteria. Só tinha trapezistas, mágicos, bailarinas e palhaços. O endereço podia ser qualquer parque. Comunidades e happenings se improvisavam ao Deus dará. A troupe sobrevivia vendendo incenso, roupas, artesanatos outras transas para queimar marijuana na sedinha listrada de azul e vermelho. Os bichos grilos surfaram na onda natural que rola até hoje, e o intérprete mais notório do movimento foi o maluco beleza Jerry Rubin. Sente o bafo da fera numa declaração em rede nacional de TV:

Você sabe, você sabe. América é obcecada com o mau hálito e o cheiro das axilas. Estes são os maiores problemas do mundo. Se você assistir televisão no horário nobre, a propaganda não se importa com a pobreza, a pressão racista, a polícia. Não. A preocupação é se o seu cabelo está penteado, se o seu sovaco não fede e o hálito cheira bem. Estas são as obsessões americanas. ”

Hare Krishna, hare Krishna; Krishna Krishna, hare hare. Hare Rama, hare Rama, Rama Rama, hare hare. O mantra soa nostálgico. As flores murcham. Os cabelos caem. Os hippies coloridos dos anos 60 desbotaram. A maturidade os confrontou com a real racional. Foi o caso de Jerry Rubin. Mais ou menos na época da nossa viagem, ele enriquecia como corretor da Bolsa de Nova Iorque, a medula do sistema que havia renegado, e justificou a contradição com um trocadilho:

Hoje eu posso ser mais eficiente usando terno e gravata em Wall Street do que seria dançando fora da muralha (wall) do poder” .

Por falar em muralha, a capital alemã esteve dividida por 28 anos, até novembro 1989, quando o maior obstáculo à reunificação nacional começou a ser derrubado por civis bêbados de felicidade. A artilharia de rolhas e fogos de artifício demoliu rancores, na situação rara de ser honroso estar em cima do muro. Os que haviam tombado ali em busca da liberdade podiam descansar em paz… ao contrário dos mortos na divisa Tex-Mex. Aliás, a primeira cerca surgiu de uma disputa por terras entre vizinhos, e quem tirou maior proveito da rixa fundiária que acabou com o Paraíso foi Joseph Farwell Glidden: ele patenteou o arame farpado em 1874 e ficou podre de rico.

Há muito mais cruzes na fronteira entre os Estados Unidos e o México do que ao pé do “Muro da Vergonha”, em Berlim. Mas seria injusto acusar o Tio Sam pela atração que exerce sobre os subdesenvolvidos ou pelas as mortes de todos os penetras. Muitos foram vítimas da própria imprudência e da matilhas de coiotes contrabandistas dos iludidos pelo sonho americano. Os cartéis do narcotráfico também infiltram por ali grande parte da droga consumida nos Estados Unidos e narcotráfico é assunto de segurança nacional.

Mais ou menos 40 milhões cidadãos de origem hispano-latina vivem na América, população quase igual à da Argentina. A ânsia por uma vida melhor explica uma parte da opção de tantos latino americanos. Há ainda mais descendentes de outras nacionalidades. O último censo geral (2010) contou 37.144. 530 de afro-americanos, num total de 42 milhões; inclusive negros de outra origem, como os cubanos. Os indígenas são amostras de estrangeiros na própria terra, quase extintos ou assimilados. E restam uns 5 milhões de descendentes dos escravos que serviram de álibi oficial para justificar a disputa regional por poder político e econômico rotulada como Guerra Civil.”

Exemplo: ironia de Che Guevara na VIII Reunião da OEA, em Punta del Este, Uruguai, 1961.

O que vem ao caso do Complexo de Cuba é atração que o colosso capitalista exerce sobre as populações dos demais países das Américas. O poder econômico e a influência cultural explicam parcialmente o deslumbramento dos primos pobres pan-americanos. Mas o sacrifício, a humilhação e o risco da própria vida no assédio insistente ao país que os escorraça me parece uma variante geopolítica da fascinação das vítimas de crueldades e abusos por seus algozes, a Sídrome de Stocolmo. Os especialistas concluíram que abusos na infância e traumas familiares podem induzir deformações afetivas sob estresse e fortes transtornos.

A afinidade com o opressor é um mecanismo de defesa inconsciente, associado à tentativa de seduzir ou negociar algum acordo. O caso mais sensacional foi o de Patricia Campbell Hearst, neta do magnata da imprensa William Randolph Hearst, aliás Cidadão Kane, o principal instigador da Guerra Hispano Americana, pela qual os Estados Unidos tomaram Cuba. Em 1974, Patrícia foi sequestrada pelo Exército de Liberação Simbionês, e tornou-se militante da organização terrorista, anticapitalista, antirracista. A influência da família livrou-a da encrenca com a Justiça.

O deslumbramento americano dos “alienígenas” latinos parece emanar do domínio suave intercalado por intervenções abusivas e sedução econômica/cultural, aspectos decisivos do Complexo e Cuba. Caso clássico: os revolucionários que comoveram o mundo acusam o “gigante capitalista” pelo isolamento e degradação do país, porém aceitam as mesada dos 12% de parentes exilados na América. Quanto às caravanas que assediam a fronteira americana, porque tantas criaturas marcham milhares de quilômetros, imploram por aceitação, se arriscarem na clandestinidade? Se, em vez se humilharem na ânsia de um acolhimento improvável, os latino americanos marchassem por seus direitos direitos nos próprios países com a mesma disposição, viveriam com mais dignidade. Eles aceitam isso tanto como as mariposas arriscam suas asas na chama que as atrai.

As circunstâncias e as características coloniais explicam parcialmente a disparidade nos níveis de desenvolvimentos entre as Américas do Norte, Central e do sul, mas os fatores decisivos foram mantidos como tabu. Fala baixo: a coisa tem implicações com as diferenças que compelem os novos retirantes latino-americanos a porem o pé na estrada. O Texas é um bom lugar para discutir esses assuntos e vamos cruzar terra de Dwight Lindon Eisenhover George Baynes Bush Johnson no próximo capítulo, para entregar o outro barco e abastecer em Dallas, a cidade fatal de John Kennedy.

A propósito, a bandeira da Independência e da Revolução Cubana foi concebida no Texas por Narciso López, um mercenário pago por escravocratas do Sul os Estados Unidos para invadir a ilha que eles cobiçavam tanto quanto as terras tomadas do México. A semelhança entre as pavilhões do Texas e de Cuba não é mera coincidência. Confira no próximo capítulo: Texas, o X da questão.

A vaca, a vacina e o BRejo

  A vaca malhada vai bem, obrigada, vacinada; e o boi da cara preta viaja sem medo da careta aduaneira: A carne tem passe livre porque 98,33% dos rebanhos bovino e bubalino estão imunizados, enquanto os brasileiros imploram por vacina, repelidos em todo mundo, devido à agressividade letal da linhagem P.1 do SARS-CoV-2, propagada como “variante da Amazônia”. A saúde vai de mal a pior. Em compensação, a carne exportada alavanca o preço da arroba do boi em pé e a inflação transforma o bife em ficção. Quem achar ruim que espere sentado. A fila é comprida! Até agora – 14:52hs de 10/03/2021 – demorou o resto da vida de 268 568 pessoas no Brasil.

Vaca Malhada: a musa da economia avacalhada. Lápis cera sobre papel cançon – imagem do autor

Proteína meu amor! Proteína é o sonho de consumo na economia avacalhada pelas mordomias oficiais. A massa pé de boi se aglomera na faixa do salário mínimo, R$ 1.100,00 desde janeiro/21, R$ 32 663,00 menos que o ordenado dos senadores e deputados, com direito a carro oficial, jeton e recessos. A lei votada por eles acrescenta R$ 111.675,59 por mês de verba para cada gabinete, podendo contratar 25 assessores – a galera das rachadinhas. Encargos trabalhistas, 13º salário, férias, diárias de viagens, auxílio alimentação, verbas de representação, o elegante auxílio paletó; punhos engomados e colarinho branco. Isso tudo, mais assistência médica, é pago com as dotações orçamentárias da Câmara e do Senado, sem suor, no ar refrigerado!

Brasileiros e brasileiras de todos os sexos sustentam o segundo – depois dos Estados Unidos – parlamento mais caro e notório entre os menos honestos do mundo: um terço dos 594 senadores e deputados respondem a processos judiciais, inclusive o presidente recém eleito, Arthur Lira, indiciado por corrupção, peculato, lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e sonegação de impostos. Suas primeiras providências no cargo foram boicotar a oposição, dificultar o acesso da imprensa, removendo-a das proximidades do plenário, e pautar a toque de berrante uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para garantir a impunidade parlamentar. Os parlamentares retribuíram, elegendo a deputada @Bia Kissis, ultra-bolsonarista indiciada no STF por incitação antidemocrática, para presidir a Comissão de Constituição Justiça. @Arthur Lira, agropecuarista, vulgo “o crocodilo de Alagoas,”  identificado pela Polícia Federal como um político “sem limites para usurpar dinheiro público”, preside a Câmara dos Deputados no toma lá dá cá das negociações do pastor institucional dos currais eleitorais evangélicos, autor desta declaração:

Pretendo beneficiar meu filho sim. Se eu puder dar filé mignom pro meu filho eu dou”–  Jair Bolsonaro, presidente de 252,28 milhões de bois (Projeção @Farmnews / 2021) 

Disse que dava e deu! Além do filé mignon, a influência de papai Bolsonaro deu seis condecorações oficiais a dois dos seus cinco filhos cronologicamente numerados: o “zero um” Flávio, empresário no ramo de chocolates e senador da República, ganhou a Ordem do Rio Branco e a Ordem do Mérito Naval. O “zero três”, Eduardo, deputado federal, recebeu a Ordem do Mérito da Advocacia Geral da União, a Ordem do Mérito da Defesa, a Ordem do Rio Branco e a Ordem do Mérito Naval… honrarias em memória de Rui Barbosa, do Barão do Rio Branco, do Duque de Caxias e do almirante Tamandaré. Nenhum deles se vacinou na vida, e a cambada de jornalistas FDP (filhos da pec) só falam mal do capitão carne de pescoço.

Flávio e Eduardo são políticos profissionais, assim como o “zero dois”, Carlos Bolsonaro, eleito aos 17 anos como o mais jovem vereador da história carioca. Ele exerce o quinto mandato consecutivo sem ter recebido nenhuma medalha, fato que homossexuais verdes, bichas vegetarianas e drag queens crudívoras atribuem à raridade das suas propostas legislativas. Tal omissão lhe valeu um apelido do apelido: “número zero”- zero à direita na ideologia e no contracheque. Isso é questionável, tendo-se em vista sua combatividade fanática em apoio à campanha do pai contra a introdução da educação sexual no currículo estudantil, o kit gay. Cruzes! Enfim, trata-se do único vereador federal no Brasil republicano, pois exerce suas funções em Brasília, zelando pela imagem do capitão mais filé e menos vacina.

Diário do Centro do Mundo - Condecorações. Charge de Jota Camelo  (@jota_camelo_charges). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  #dcm #diariodocentrodomundo #moro #sergiomoro #governobolsonaro | Facebook
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Governos decentes só homenageiam cidadãos à sua altura, no caso, da própria laia, como Adriano Magalhães da Nóbrega, expulso da Polícia Militar e agraciado na cadeia com a maior honraria do Rio de Janeiro, a Medalha Tiradentes. Seu elogio foi ditado pelo pai do então deputado Flávio Bolsonaro, autor do ato legislativo que condecorou o assassino; cabeça da milícia carioca Escritório do Crime. Entre os méritos de Adriano consta as instruções de tiro de Flávio Bolsonaro, a quem apresentou Fabrício Queiróz, o articulador das rachadinhas na Assembleia do RJ. A mulher de Adriano, sua mãe, e a filha de Fabrício, participavam do esquema. Na mosca! Ninguém as via no gabinete. E Fabrício revelou-se um assecla tão discreto que se escondeu sem ser percebido na casa do advogado de defesa da família Bolsonaro. Ele até se esqueceu o nome do sujeito, e @OAB nunca se lembrou do questionar Frederick Wassef.

Eu é que pedi para o meu filho condecorar para que não haja dúvida. Ele era um herói. O meu filho, recém-eleito, eu que determinei, pode trazer para cima de mim isso aí. O meu filho condecorou centenas de policiais. Não tem nenhuma sentença transitada em julgado condenando o capitão Adriano por nada, sem querer defendê-lo. Naquele ano ele era um herói da Polícia Militar. Como qualquer Policial Militar em operação, mata vagabundo, mata traficante e a imprensa em grande parte vai em defesa do marginal e condena o policial” – esbravejou o presidente, uma semana após a polícia baiana executar o “herói” implicado no assassinato da vereadora Marielle Franco… outra insinuação maldosa dos jornalistas “canalhas” que o presidente Mandou para a PEC que os pariu.

Condecoração, meu coração, enalte o decoro, o caráter, a integridade, serviços relevantes, atos heroicos. O mérito do deputado Eduardo Bolsonaro reflete a esperança de 1 843 735 eleitores; o mais votado na História do Brasil!  Que país é este? Mugiu o boi bumbá. A resposta está no noticiário do dia. Este é o país do senador que tem direito a R$ 4.253,00 de auxílio moradia e investiu R$ 5.970.000,00 num puxadinho de 2 400 metros quadrados na beira do lago de Brasília. Contribui patrioticamente na recuperação do mercado imobiliário, setor devastado pela pandemia sem teto. Nesses termos, o filhão mignon do presidente merece o medalhão de ouro, com bastante molho; homenagem ao ponto das instituições ameaçadas por veganos perigosíssimos como o meu primo Paulinho Batata Doce.

Vegetarianos mascarados, comedores de capim, propagam calúnias na moita, mas o Superior Tribunal de Justiça/RJ anulou provas da ficção montada no Coaf – o Conselho de Controle das Atividades Financeiras – para desmoralizar o senador e suas medalhas. Quatro dos cinco juízes da 5ª Tuma do STF sentenciaram que ninguém pode vasculhar o cofrinho do senador. Por meretríssima coincidência, o vendedor do imóvel, Juscelino Sarkis, é noivo da juíza Claudia Silva Andrade Freitas. Macrobióticos inimigos do filé propagam insinuações contra o casal pelo fato irrelevante da doutora Cláudia exercer as funções de juíza auxiliar na presidência do Superior Tribunal Justiça.

Dura lex sed lex, as sentenças do egrégio tribunal presidido pelo ilustre ministro João Otávio Noronha concederam prisão domiciliar a Fabrício Queiroz e a sua mulher, Márcia Aguiar, embora ela estivesse foragida; caso peculiar de benefício prévio. O STJ também proibiu o uso das provas Coaf contra o comprador do imóvel do namorado da doutora Cláudia. Tudo conforme o decreto judiciário nº 1.452/2018, desembargador Gilberto Marques Filho, do Tribunal de Justiça de Goiás, que transferiu a doutora Cláudia Silva Andrade Freitas, titular da 1ª Vara da Comarca Criminal da Comarca de Águas Lindas de Goiás.

Águas Lindas, meu belo, fica 52 Km a Oeste de Brasília e15.6 Km de Brazlandia, onde foi lavrada a escritura, cuja inconsistência constatada das informações configura o crime de falsidade ideológica. E o desembargador do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), Gilberto Marques Filho é investigado por irregularidades durante a recuperação judicial de uma usina em Inhumas, na Região Metropolitana de Goiânia. O Ministério Público Federal (MPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigam os atos do juiz Gilberto Marques Filho, corregedor de Justiça do TJ-GO, na recuperação judicial da usina Centroálcool, afastando todos os magistrados do processo para impingir sua filha, Caroline Ávila Marques Sandre, como interventora.

A aceitação do cargo subalterno de juíza auxiliar no STJ, pode-se explicar por interesses de carreira da doutora Cláudia; ou seu deslumbramento na mudança do serrado goiano para Cidade Maravilhosa. O que deve ser explicado é a blindagem no STF do senador que comprou a propriedade milionária do noivo juíza, e as razões administrativas do do doutor João Otávio Noronha ao acatar a transferência. Ele é apontado entre os candidatos favoritos à sinecura vitalícia do Supremo Tribunal Federal, prerrogativa do presidente que lhe declarou “…Amor à primeira vista.”

Voto de Cabresto: coronelismo na República Velha e as práticas atuais
Fonte: Gazeta do Povo – jornal digital de Curitiba, Paraná – Citação, fair copyright

Ovolactovegetarianos maledicentes acumulam suspeitas contra o filhão mignon condecorado que o presidente mandou condecorar um bandido na cadeia. A iniciativa ressalta a omissão cívica do senador cuja principal atividade é obstruir a justiça, usando a máquina oficial e recursos sobre recursos para burlar a lei, completamente alheio aos milhões que reclamam da falta de vacina para a “gripezinha” e da inflaçãozinha de 34,2% no preço da carne. Essa massa sem paladar nem olfato rumina ressentimentos contra o osso jogado de má vontade no fundo do poço pelo ministro Paulo Guedes. Tem sido assim: os vira-latas latem, a caravana passa, o gado brasileiro pasta votos e alimenta a corrupção (vide JBS/Operação Lava Jato) porque a cotação da arroba do boi em pé abastece as campanhas eleitorais e os medalhões se locupletam.

A boiada engorda no ciclo das águas com a brotação do capim braquiária semeado nas cinzas das queimadas. Adubo mineral. Após as chuvas apagarem os incêndios, e o que era floresta vira pasto devido ao crescimento rápido do capim africano que mata a diversidade silvestre aonde se enraíza. A flora nativa nunca mais se recupera. Adeus pau Brasil. Baibai jatobá. Se ferrou jabuti. Que se dane o sabiá do Tom Jobim.  

“Voto de cabresto”: o autor sem vacina e o boi da cara preta, exemplar do rebanho 98,33% vacinado.

 Não perca os passo. Um boi tem cinco bocas: a que mastiga e quatro patas que compactam o solo. Nas áreas inclinadas a erosão é fatal. Se houvesse interesse político em apurar responsabilidades e punir os incendiários para formar pastos bastava rastrear as sementes de braquiárias vendidas pelas multinacionais que dominam o mercado de insumos agrícolas. Quem as comprou está plantando agora, nas águas de março. O problema é que os políticos adoram o jabá. A Frente Parlamentar Agropecuária, maior bancada no Congresso, reúne uns 250 deputados e senadores. A contagem varia porque os “ruralistas” pulam a cerca do centrão quando lhes convém. Migram para a bancada da bala, a bancada evangélica, a bancada onde de passa boi passa a boiada do ministro pela metade, desculpe, do meio a meio, perdão, do meio ambiente, cumplice das queimadas.

Essa constatação irrefutável caçaria os mandados dos responsáveis por tais circunstâncias em países onde há critério nas atribuições de cargos e respeito às memórias dos próceres da pátria amada, salve, salve! O decoro parlamentar exige que os distribuidores de honrarias se dirijam uns aos outros nos plenários como “vossa excelência”, enquanto o chefe do executivo manda os jornalista para ” a puta que os pariu”, com latas de leite condensado enfiadas “na bunda” e diz para o resto da manada “parar como a frescura e o mimimi… com esse negócio de compra da vacina. Mas não tem vacina pra vender. Vai comprar na casa da mãe.”

Você também refugou a vacina? – Charge pirateada: The New Yorker Cartoons of the Year – legenda apócrifa. Fair Copyright

Neste lábaro estrelado, 4,3% do povo foi parcialmente (uma dose) vacinado até este 10 de março/2021 contra o vírus que matou mais de 268 mil pessoas em confronto com a imunização de 98,33% do rebanho bovino. Repito, filé, todo o rebanho bovino está vacinado contra endemias que possam atrapalhar as exportações & lucros latifundiários e o país bate recordes sucessivos de mortes diárias. Me segura senão eu começo a pastar, pois sou taurino e o gado deste país goza de mais assistência sanitária do que as pessoas. A cobertura vacinal atestada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) se torna mais eloquente porque há 40 milhões de cabeças de gado a mais do que cidadãos à mercê da pior pandemia desde a peste bubônica, na Idade Média. Pior do que a influenza, vulga gripe espanhola, que surgiu nos Estados Unidos, durante a Primeira Guerra Mundial.

Pode-se argumentar que a Covid 19 é recente e o gado vem sendo vacinado há anos, porém o Brasil é pioneiro na vacinação humana; já liderou o planeta nas campanhas de imunização. Erradicou a poliomielite, o sarampo, a varíola e outras epidemias. Agora, 220 milhões de brasileiros afundam no brejo aonde a vaca vacinada atola, implorando pela bendita vacina que o presidente e seus filhos condecorados condenavam como uma gripezinha disseminada pela China para controlar o mundo. E depois dizem que louca é a vaca! Maiores informações com dona Tereza Cristina, a ministra da Agricultura. Ei, isso é uma fábula. Nas fábulas os bichos falam e o arremate tem que ser moral. Com a palavra o boi da cara preta:

É melhor ter a cara preta do que ser cara de pau. Porque não usar a infraestrutura da produção de vacina agropecuária para imunizar o gado humano? Porque em vez de só reclamar da vida, vocês não trocam o general inoperante da saúde por um médico competente e o capitão que é contra a vacina por um veterinário? Ovacionar significa jogar ovos? Taí um boa ideia!”

O jacaré chinês

O presidente de uma república tropical notável por seus políticos deploráveis, enriqueceu o idioma nacional, com uma declaração insofismável: 

Não me vão fazer desistir, porque, afinal de contas, eu sou im-bro-chá-vel!” 

          Essa pétala da flor do Láscio ecoou na caatinga cearense em 26.2.2021, onde e quando o inflexível mandatário foi autorizar a continuidade da obra  de um viaduto fuleiro; emenda parlamentar que liga o nada à sua campanha antecipada à reeleição. Isso é imprescindível para evitar o indiciamento na Corte Internacional de Justiça, devido ao boicote à vacinação contra a pandemia Covid-19, explorando ignorância popular, conforme o comício do dia 17.12. em Porto Seguro, Bahia:  

      “Tá bem claro lá no contrato (da Pfizer): nós não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar um jacaré o problema é de você, pô. Não vou falar outro bicho para não falar besteira aqui. Se você virar super homem, se nascer barba em alguma mulher aí; ou algum homem começar a falar fino, eu não tenho nada a ver com issoO que é pior: mexer no sistema imunológico das pessoas…” 

        As sequelas homossexuais devido à origem da “vachina” comunistas, assustou aos baianos, as baianas dos jacarés, digo acarajés, após o capitão imbrochável ameaçar aos governadores e prefeitos de obrigá-los a pagar o auxílio emergencial se insistirem nas restrições administrativas contra a propagação da pandemia. Então o jornalista demitido por perguntar que a flotr do Láscio tem a ver com tudo isso:

      Sei lá, Crô – respondeu o português da padaria – Fica na tua e toma a vacina, senão você vai virar bolsa da Lacoste. 

Fábula oficial: Te cuida jacaré!

Caríssimos hackers: seus ataques continuam multiplicando os acessos a este blog anônimo. Por favor, insistam na sabotagem.

        As queimadas de 2020 devastaram a flora de Pindorama, antigo Brasil, e a fauna sobrevivente está condenado pelo decreto presidencial que estimula a compra, a coleção, o porte das armas de fogo e a caça. A lei do tiroteio entrará em vigor no próximo dia 13 de maio, estigmatizando a data comemorativa da Abolição da Escravatura, Lei Áurea.   

Por enquanto, os caçadores, atiradores e colecionadores podem comprar, por ano, 1 000 munições para cada arma de uso restrito (controladas pelo Estado) e 5 000 munições para as de uso permitido. A partir da vigência do decreto Nº 10 629 (dezena da cobra no jogo do bicho) os colecionadores e atiradores poderão ter cinco trabucos  de cada modelo; os caçadores 15 unidades;  e os atiradores esportivos 30 – inclusive armas restritas ao uso militar. A multiplicação do arsenal vai prejudicar ainda mais flora devastada pelo fogo, graças à tolerância incendiária do governo, e, além do extermínio inevitável de espécies indefesas, uma dúzia de “laranjas” podem comprar material bélico suficiente para armar um batalhão de infantaria (500 soldados). 

O presidente escancarou as portas do arsenal para as milícias e o papagaio da piada comentou que a caça só seria esportiva se a cotia tivesse uma matilha de cães, o mesmo número de espingardas e de cartuchos do covarde que atira de tocaia. Eu, no lugar da paca, me esconderia num posto de vacinação, esperando os caçadores, atiradores e colecionadores virarem jacarés para serem caçados no meu lugar. Aí o papo amarelo do planalto e o crocodilo do Capibaribe, presidente do Congresso, trocaram ideias no Lago de Brasília.

Imagem pirata – Wallpaper Access

O crocodilo do Capibaribe, puxa saco profissional, entronizado na presidência da câmara pelo suborno das emendas parlamentares, elogiava a erudição do presidente notável pela verborragia que adornou o idioma nacional, com uma pérola insofismável: 

Não me vão fazer desistir, porque, afinal de contas, eu sou im-bro-chá-vel!” 

          Essa pétala da Flor do Láscio desabrochou na caatinga cearense em 26.2.2021, onde e quando o mandatário mais arrogantes da história deste país foi autorizar a obra  interrompida num viaduto fuleiro, ligando o nada ao que lhe interessa: sua reeleição para escapar do indiciamento na Corte de Strasburgo, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, sob a acusação que brocha até o capitão Marvel: genocídio. O processo tem como bases o boicote à vacinação; disseminação do vírus Covid pelo estímulo às aglomerações sem máscaras; ataques à Organização Mundial da Saúde; charlatanismo na imposição de tratamentos inócuos por Cloroquina; obstrução da saúde pública na troca de dois ministros médicos por um militar tão incapaz quanto subserviente e outras imbrochalidades brochonarianas.. 

         “Eu só queria estar em Porto Seguro no dia 17 de dezembro, para aplaudir o seu discurso tão eloquente que até acordou os baianos. Você é muito corajoso, mas não precisa de se expor tanto” – disse o crocodilo bajulador, repetindo cada palavra do jacaré na Bahia na aglomeração eleitoral de Porto Seguro:  

“Que vacina você tomou, querida?” – Cartoons of the Year , The New Yorker, 2011 – Fair copyright

 “Tá bem claro no contrato (Pfizer): nós não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar um chi… um jacaré, o problema é de você, pô. Não vou falar outro bicho para não falar besteira aqui. Se você virar super homem, se nascer barba em alguma mulher aí; ou algum homem começar a falar fino, eu não tenho nada a ver com issoO que é pior, mexer no sistema imunológico das pessoas…

        A motivo do comício eram os protestos contra o retardo na aprovação das vacinas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa. E a insinuação de sequelas genéticas para desestimular a vacinação evoluiu na ameaça feita na aglomeração sem máscara do veaduto, digo, viaduto capenga do Ceará: cobrar dos governadores e prefeitos o pagamento do auxílio emergencial prometido de R$ 250,00 dos que tomassem providências antieconômicas para conter a propagação do vírus que já caçou as vidas de 255 mil brasileiros. Aí o jacaré enxugou uma lágrima comovida do lírico crocodilo e disse:  

Eu já tive a Covid. Estou imunizado e não vou me vacinar. Mas te cuida com essa vacina chinesa, Crô. Se você virar perereca nunca chegará a ser uma bolsa Lacoste.”  

      “E a flor do Láscio também virou cinza nas queimadas daquele ministro Salles que mandou passar a boiada? – perguntou o crocodilo. 

      “Sei lá, Crô – respondeu o jacaré. Pergunta pro português da padaria, antes que ele vire chinês e comece vender vacina

         P.S. La Fontaine ensinou que a característica desabrochável das  fábulas é o arremate moral. Então vamos lá: bicho de boca grande não entra no céu.    

Negassepsia minha nega: o negacionismo está na pia

Caro hacker: seus ataques aumentam muito os acessos a este blog que era anônimo. Muito obrigado pela ajuda.

A @BBC.com lembrou a propósito da Covid-19 que o obstetra austríaco Iganaz Philip Semmelweis morreu após ser espancamdo no manicômio de Oberdobling, onde fora internado em julho de 1865 por insistir que seus colegas deviam lavar as mãos numa solução de cloro para evitar as mortes por infecção pueral pós parto no Hospital Geral de Viena – o maior da Europa na época.

Lavar das mãos e usar máscara teria evitado grande parte das 250 mil mortes no Brasil em um ano de pandemia, mas o científico presidente da república bolsonariana negacionista estimulou a falta de higiene, as aglomerações, a promiscuidade social. Ridicularizou o uso das máscaras assépticas e a pandemia fatal como sendo uma “gripezinha… coisa de mariquinha,” demitiu dois ministros médicos, substituindo-os por um general notável pela incompetência.

Em vez de reduzir os 35.25 % de impostos sobre os desinfetantes, preferiu isentar os impostos de importação sobre as armas de fogo. O STF barrou o decreto, a imprensa abriu o verbo e eu, nesse bolo, fui mandado “Para a Puta que Pariu” , com uma lata de leite condensado enfiada lá onde o vice líder do governo no Congresso, o senador Chico Rodrigues, escondeu a propina da corrupção.
Honestamente, quase achei graça. Já pensou? Leite condensado é a matéria prima dos brigadeiros. Talvez o brigadeiro Francisco de Assis Corrêa de Mello aprovasse a sugestão, afinal entrou para o folclore militar como Mello Maluco, e os doidos se entendem.

Porém não sorri com mais essa estupidez do presidente porque a minha mãe, Maria Câmara Borges, era enfermeira. Ela trabalhou até os 88 anos no Hospital dos Servidores do Estado, no Rio de Janeiro, onde morreu. Não a deixaram se aposentar porque nunca faltou a um dia de trabalho. O HSE fica na Rua Cadura Cabral, Praça Mauá, onde joguei as suas cinzas. Ela não era uma “puta” e me ensinou a lição do honorável doutor Iganaz Semmelweis:

Lave as mãos, meu filho, lave as mãos!”

Voltando à pia da verdade, os milhões de brasileiros que imploram a esmola oficial pagam 31,25% de ICMS, IPI, PIS e COFINS na compra de sabão. Mas o filho do presidente lave a grana das “rachadinhas” no seu gabinete com chocolate. O Superior Tribunal de “Justiça” lava as provas do COAF contra o senador Flávio Bolsonaro. Os parlamentares lavam a burra vendendo votos para eleger os presidentes do Senado e da Câmara. A lava a jato foi lavada institucionalmente para facilitar a corrupção. O presidente que politiza a vacinação precisa de lavar sua boca suja, e quem ama este país há de lavar a alma nas próximas eleições.

An engraved portrait of Semmelweis: a mustachioed, balding man in formal attire, pictured from the chest up.

P.S. Essa lavagem de roupa suja é uma homenagem à coragem de um médico quase esquecido, o Dr. Semmelweis, morto a pauladas por negacionistas da ciência, do bom senso, do humanismo.