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O sexo dos anjos

Jane “Barbarella” Fonda e John Phillip Law, o anjo cego “Pygar”, que perdera o amor ao voo. Sci-sexfi de Roger Vadin, 1968.

Quando a minha quase namorada Gloire está entediada ela me WhatsAppeia para atualizarmos as nossas implicâncias. Dessa vez ela comentou um encontro casual com certa figura pública, nossa ex-colega de trabalho, que deletou o maridão para juntar sua grife com outra, digamos, precatória sexual.

Desde o Watergloir – o grampeamento do seu o celular – La Goire não identifica online ninguém em situação passível de assédio. Insinuei um nome, não colou. Sugeri outra pessoa mas o caso era oposto: foi o patrão (aliás avô) quem encantou-se por outro bofe e o casal, de aliança e tudo, estão sendo feliz para sempre, na saúde e na pandemia. La Gloire me deu uma melhor eu descrevi a criatura de testa ampla, voz quase rouca, pérolas no sorriso, lábios elásticos, olhar azul violeta, cabelos selvagens, pernas ágeis (dizem) e La Gloire confirmou o RG da moça de fala breve que caiu na tentação de Safo.

Jura?

Ha-ha-ha… deixa de ser cínico. Todo mundo já sabe. Tá na rede!”

Nas asas da poesia

Eu só sabia que a Suprema Corte da Grécia rejeitara em 2008 uma petição contra a adjetivação das homossexuais como lésbicas, deturpando o gentílico tradicional das nativas da ilha de Lesbos, no Mar Egeu. Causa perdida! E as impetrantes sentiram-se ainda mais insultadas pelos € 230 euros de custas processuais para cada uma. A importância histórica de Lesbos prevaleceu sobre a identificação original das discípulas da poetisa Safo como safadas, termo lírico que foi depravado pela desmoralização persistente da cultura feminina. Safo nasceu por volta de 630 A.C. em Eresus, na costa sudoeste de Lesbos, água cristalina, praia de areia cinza, onde um dia a sua lira tangeu palavras aladas:

Vênus de Milo, esculpida em torno de 130 A.C autoria discutível, beleza magna na Grécia, marca de sutiã no Brasil

“Morto o doce Adônis, o que nos resta, Citeréia? Lacerai os seios, rasquem suas túnicas, donzelas.”

Citeréia é um dos nomes de Afrodite, aliás Vênus, deusa do amor, da beleza, da sexualidade, do prazer e da alegria. Por fatalidade humana, ninguém pode amar nos seus braços. O ponto G da questão é que todos nós saímos de um útero e a Eva latente no DNA humano aflora mais do que os “enrustidos” admitem. Eles camuflam o próprio alter ego ridicularizando os homo com termos femininos: biba, boneca, bicha, baitola, fruta, marica, menina, donzela… Mas a tendência gay deveria lhes encher o peito com orgulho e silicone, pois a condição que os tranca no armário já foi costume e virtude na civilização mais charmosa da História.

A pederastia era institucionalizada na Grécia Clássica. As famílias incentivavam o relacionamento romântico entre tutores maduros (erastes) e meninos na puberdade (eromenos), no rito didático de passagem para a fase adulta. Esse costume da elite determinava a formação filosófica, religiosa e militar dos jovens, com ênfase no culto à beleza física e desempenho atlético nos jogos helênicos.

Pankration, a luta dos selvagens brasileiros, civilizada na versão da cultura grega. Foto colegioweb.com.br.

Os competidores olímpicos lutavam pelados e a semelhança entre a Pankration e a Huka-Huka dos antropófagos brasileiros surpreende pelos milênios de diferença cultural. Mas entre os nossos selvagens as mulheres tinham voz, vez e lugar na festa, ao contrário das gregas, que eram proibidas até de assistirem aos jogos. As restrições impostas ao sexo feminino justificam vingança a vingança do prazer pelo prazer da vingança.

Na desvantagem contra a força bruta, as fêmeas vão às forras sexualmente desde o primeiro estupro, a primeira surra, a primeira traição; da suas reduções como objeto, artigo de uso, abuso e ostentação. Consta que Mehmet IV colecionou 700 concubinas no harém do Palácio Topkpi, na antiga Constantinopla, cenário do sexo dos anjos. O que elas faziam enquanto esperavam a vez de servir ao sultão?

O Movimento Feminista escancarou as opções sexuais das mulheres que, aliás, são cúmplice e aliadas históricas dos homossexuais. Imaginação, semelhanças dos problemas e 50% de DNA masculino fizeram a nossa amiga Barbarella descartar o seu bofe. Sobram outros 50% para explicar a popularidade da expressão 100% lésbica (em português) numa atividade masculina, na qual o homossexualismo é tabu.

Almirante Tamandaré, patrono da Marinha. Alegoria a “Safo” como curiosidade cultural. Flagrante do autor na Praça Cívica, Natal/Rn

Safo é palavra mais comum na Marinha do Brasil. É adjetivo e verbo; pedra de toque para tudo, com conotação positiva. Almirante que sabe almirantear, é safo; marujo bom é marujo safo; vento de popa, mar calmo, navio no rumo ou no porto, tudo é safo. Essa informação muito safa é do Ministério da defesa. Só não está safo como a Marinha incorporou ao seu vocabulário a referência expressa à poetisa de Lesbos. Palpite: o safo naval é uma reminiscência dos aspectos homossexuais de guerreiros mitológicos.

Aquiles, personagem central da Ilíada, é o melhor exemplo, da cabeça ao calcanhar. O semideus se disfarçou de mulher para escapar da guerra de Troia. Adotou nome de Pyrra (a ruiva) e se escondeu entre as filhas de Lycomedes, rei a ilha de Skyros. Mas foi descoberto por Ulisses e teve que ir à luta. Durante o cerco de Troia, apaixonou-se por ambos os sexos. O príncipe Troilos resistiu à sua tara e foi degolado. A morte do amante, Patroclo, desencadeou a cólera que entroniza a Ilíada há dez séculos entre as obras magnas da literatura universal.

O espanto pela longevidade da Ilada´ aumenta no vazio informações sobre o autor. Consta que o grego ou turco Homero era cego e memorizou as estrofes transcritas não se sabe por quem. A medula do poema é a paixão homosssexuasl de Aquiles por Patroclo, cuja morte em batalha desencadeou a derrota de Troya, após 20 anos de guerra.

Fragmentos da poesia de Safo. Coleção da Universidade Oxford

De volta ao da Gloire, Safo é mais atual hoje do que há 2 600 anos, graças à sua audácia lírica numa época em que que as mulheres podiam ser deusas e musas, mas o sexo era privilégio masculino. Aliás, o homossexualismo da poetiza é apenas insinuado nos retalhos remanescentes dos seus versos . Dionísio de Halicarnasso reconstituiu a única ode inteira e nada justifica a reputação sensual. O Hino a Afrodite e uma súplica à deusa do amor pela volta do amor platônico, não identificado, como a nossa amiga que trocou o marido por um rabo de saia. E se ainda era o mesmo cretino que eu conheci, dou o maior apoio. Safo não chega nem perto de ser erótica, e continua na berlinda como musa lésbica por comodismo e tradição.

As rosas não falam”, mas dizem muito. Foto do autor.

As minhas conversas com a Gloire evocam rosas e espinhos. Divergimos sobre quase tudo, mas amigos do peito são como sutiãs: apertam aqui, marcam acolá, mas levantam a moral. Fofocamos sobre conhecidos que inverteram suas opções sexuais e lembrei do E., rapaz doce como uma mariola que se chama Ramona Duna desde que Código Civil legalizou a mudança de sexo. Até o Supremo Tribunal Federal, super careta, passou por baixo do arco-íris em 2011, sacramentando a união homo afetiva. A maioria dos machos mostra o muque e faz pose de helicopéterosexual, diz que arrasa o mulherio, mas todo Adão é metade Eva, tanto quanto Eva é Adão.

Foto original PB do Facebook – edição/arte do autor HBy

Pai e mãe tiveram seus estados civis horizontalizados em papai e papai, mamãe e mamãe. As militâncias gay e antirracista se apoiaram na luta por leis que a situam a jurisprudência brasileira entre as mais bem feitas de corpo. O Direito da Personalidade, por exemplo, nos garante o domínio jurídico e uso de todos os aspectos físicos, legais, e psicológicos, protegendo a essência de cada um.

O passo a passo da alteração do Registro Civil na troca de sexo se encontra no Vade Mecum, manual cuja tradução é “Vem comigo.” Porém a bíblia dos juristas é omissa sobre a transição sexual das autoridades públicas, aspecto detalhado na Grécia antiga. A pederastia e a prostituição masculina eram perfeitamente legais porém os prostitutos não podiam exercer cargos públicos, com considerando-se que quem alugara o próprio corpo não hesitaria em negociar os interesses públicos. Com a palavra os políticos que vendem a alma.

Hermafrodito – @Lady Lever Art Galery. Cópia de um afresco do Herculaneum. Domínio público.

O homossexualismo e as suas variantes LGBTQIA+ se encaixam ao sexo do anjos na luta por reconhecimento, respeito e dignidade. A sigla começou com quatro letras, entre quatro paredes, como no samba canção, e cresce como um pênis na hora agá. Por falar nela, está faltando a letra da horas no transalfabeto, o H correspondente a Hermafrodito, o filho de Hermes (Mercúrio) com Afrodite (Vênus), cuja beleza intensa atiçou a luxúria da ninfa Salmacis, num estupro que os fundiu numa sexualidade ambígua. H à parte, L, se refere a lésbicas. G, gays. B, bissexuais. T, transexuas/travestis. Q, queer (esquisito, relativo aos que não conseguem se encontrar. I, Inter sexos (pessoas com hormônios e órgãos sexuais fora do padrão orgânico). A, assexuais, indivíduos zero libido, alheios ao sexo. O sinal de soma (+) ofereceu a inclusão de outros grupo e tendências, o P agregou os pansexuais, esticando o maior palavrão do sexo dos anjos, a heterocisnormatividade.

Acha pouco? Então abaixe as calças para o que vem por aí, por trás e pela frente, a seu critério. Segundo o @Blog da Printi (fonte excelente) a sigla completa é “LGBTT2QQIAAP”, pela incorporação de “2 Spirits”, referente à dualidade espiritual das pessoas, conforme o xamanismo indígena americano. A gloriosa Cavalaria do Exército considerava que “índio bom era índio morte”, os peles vermelhas louvavam índio gay como índio bom; e soldado da cavalaria era genocida mesmo.

Esse assunto é exemplar desde em maio de 1453, na queda de Constantinopla, capital do Império Bizantino. As autoridades discutiam firulas teológicas enquanto os turcos-otomanos cercavam a cidade que haveriam de tomar, mudando a historia do ocidente. Documentos da época revelaram que, entre outras coisas, os religiosos ali presentes discutiam se os anjos tinham sexo ou não sexo. Nunca chegeram a um acordo mas “o sexo dos anjos” define até hoje o bla-bla-bla inútil das autoridades, sempre elogiando-se mutuamente na bajulação corporativa.

Pela ordem, sexo é tema prioritário, assunto de saúde mental, relacionado ao bem estar à segurança pública. Peço a palavra para lamentar usar o apelo do sexo dos anjos nesse alerta sobre os preconceitos travestidos de patriotismo e fé. Os exemplos mais constrangedores são do presidente da república, com voz estridente -“Ai… a… tô com Covid, ha ha ha”, no deboche e ameaça da inversão sexual pela vacinação. Isso, sim é perversão. Tara! Induzir a “contaminação de rebanho” que matou muitos dos quase 650 mil defuntos da pandemia Sars-Covid tem outro nome: genocídio!.

Os ataques mais recentes foram contra os anjos, na obstrução à vacina para as crianças. A fobia científica e a homofobia ideológica se conjugaram instrumentalizadas pelo presidente do ” Brasil acima de tudo e Deus acima de todos.” O país arde no purgatório econômico, geme no inferno social e os políticos continuam discutindo o sexo dos anjos. O ranço autoritário me dispersou do tititi com a Gloire sobre a transição da nossa amigo, ou nosso amiga.

Minha intenção era propor o reconhecimento da Síndrome de Barbarella, diagnosticada pelo tesão da heroína que desmantelou a máquina do sexo. Enfim, deixa a bonita calçar a botina e o bonitão subir no salto alto. Pois Adão foi feito de barro e Eva da sua costela, a serpente muito saphada misturou-os numa panela, os dois perderam o juízo, ela virou e ele, e ele agora é ela.

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Confiteor

Eu, brasileiro, confesso ao leitor, seja lá quem for, que sou testemunha do progresso para trás do velho Brasil pra frente. Todo santo dia, queira ou não queira, assisto a roubos, assaltos, arrastões, golpes digitais, estelionatos, tráfico de drogas, assassinatos, latrocínios, sequestros relâmpagos, avanço das milícias, covardias por policiais, massacres de bandidos, inocentes achados por balas perdidas, multidões ao relento, velhos vítimas de maus tratos, abusos de crianças, juventude abandonadas, drogados sem rumo, doentes empilhados nos hospitais, parentes implorando ajuda, famílias desagregadas.


Apesar dos efeitos negativos da Covid, a arrecadação brasileira bateu recorde em 2021: cerca de R$ 1 trilhão e 600 bilhões, um acréscimo de 20%. Essa tributação financiou o retrocesso social inegável do país

Um dia sim, outro também, eu vejo com os meu olhos, cheiro no ar, sinto na pele, ouço falar dos políticos omissos, das autoridades incompetentes, da corrupção oficial e das mentiras acima de todos no Brasil abaixo da crítica. Aí um flagelado pelas enchentes chora ao receber uma a cesta básica, agradece a Deus pela própria desgraça. O presidente da república dá um cavalo de pau nas férias, passas longe da tragédia, decreta que seus ministros e os marajás do serviço público sentarão seus ilustres traseiros nas poltronas da primeira classe nos voos internacionais, com as passagens às custas das pessoas acima mencionadas… então eu confesso ao leitor, seja lá quem for, que sinto pena do meu povo e do nosso país.

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O enterro do lorde e a imortalidade do vagabundo

Neve nova sobre os Alpes Suíços. O inverno começara há quatro dias. A luz filtrada por nuvens cor de giz projetava sombras pálidas das lápides nas alamedas do cemitério de Corsiers sur-Vevey. Coroas de flores perfumavam o luto em torno da cova aberta no cascalho. Ciprestes solenes decoravam o cenário da cerimônia simples como um filme do cinema mudo!

Sir Charles Spencer Chaplin, Cavaleiro do Império Britânico, Oficial da Legião de Honra francesa, Doutor Honoris Causa pela Universidade de Oxford, morrera de infarto cardíaco, durante o sono, aos 88 anos, no domingo, 25 de dezembro de 1977. Talvez no último sonho ele interpretasse a pantomima predileta do seu alter ego vagabundo: chutar o traseiro de alguém. Eu era correspondente do Jornal do Brasil na Europa, cobri as exéquias do lorde e revivo a vida do moleque inglês que saiu de um orfanato em Londres para se consagrar na América entre as personalidades mais importantes da história do cinema.

Charlie, aos sete anos, no meio da foto no orfanato Hanwell – Domínio Público

A Radio Télévision Suisse divulgara o apelo de privacidade da viúva Oona e a ausência de curiosos foi exemplar. Mas a minha cambada não tem jeito. Duas dúzias de repórteres e fotógrafos disputavam a fila da frente no confinamento reservado para a imprensa. Eu devolvi uma cotovelada nas costelas e não pude seguir a recomendação que resume a existência do falecido. Não dava para sorrir. O adeus do Vagabundo entristeceu até Papai Noel. Desde então, todo Natal me lembra do gênio que fez o mundo chorar de tanto rir e a sorrir do próprio pranto. A geração Hollywood lhe deve muitas gargalhadas e lágrimas.

Em 2019, reeditei aqui as reportagens publicadas há 44 anos, numa homenagem extensiva ao também falecido JB. Apenas onze leitores, nenhum comentário e zero compartilhamento me obrigam a pedir desculpas póstumas a Charles Chaplin e ao meu velho jornal. O desempenho dos sites influi no vale tudo da www e @WordPress também merece uma satisfação. Celebridades comoventes e personagens imortais imortais atraem a curiosidade geral, então atribuo os poucos acessos a este site ao tamanho do texto. Mas a falta de tempo, ou preguiça de ler, encolhem as ideias e o vocabulário. Tais fatos, vc. tb. sabe, kkk, empobrecem a cultura. Quanto à qualidade do texto, recorro ao talento do xará francês de Chaplin, Charles Aznavour:

Ce n’est pas ma faute mais celle du public qui n’a rien compris” – a culpa não é minha, mas do público que não entendeu nada.

A ciência do humor e o humor da ciência. Foto pirata Facebook

O fiasco das nossas crônicas eletrônicas dimensionam, por contraste, o sucesso das filmagens com câmeras de madeiras, sobre tripés bambos como os bêbados interpretados por Chaplin. Um encontro entre ele e Albert Einstein resume o assunto: o autor da Teoria da Relatividade enalteceu o artista por ser entendido em todos os idiomas, sem dizer uma palavra. “A sua glória é ainda maior – respondeu Chaplin – a humanidade o reverencia e não compreende nada do que você diz.”

Um século depois, Einstein se agiganta entre entre os gênios, apesar da equação E=mc² ser entendida por quase tão poucos quanto os seguidores deste site. E o talento mudo de Chaplin é cada dia mais eloquente nesse mundo estridente, surdo ao bom senso. Historyleaksbrasil perde no placar do sucesso por bilhões de fãs do Vagabundo a onze leitores, e isso só não é mais engraçado porque a plataforma @WordPress abduziu todas as fotografias que fiz do enterro.

O JB do dia seguinte ao enterro

Até as fotos publicadas no Jornal do Brasil foram substituídas por quadros em branco com a legenda “Esta imagem é um atributo vazio. O nome do arquivo é images png...” e um número quilométrico. Pouco depois de rascunhar o que você acaba de ler, a WP substituiu os espaços das imagens removidas pela moldura do comando de seleção para ilustrações, uma manobra sem graça. O que vem ao caso é a suspeita de que o exemplo de Chaplin na conscientização social e política através da arte continua a incomodar, por exemplo, aos fanáticos de direita e esquerda. Sim, não há mímica ou equação que os faça entender a necessidade da convivência entre o sim e o não. Há também os chauvinistas inconformados até até hoje com as lições de moral dadas por um comediante estrangeiro ao Tio Sam.

Chaplin foi perseguido na América por ser mais querido do que o presidente e ter uma causa. Aliás, várias, embutidas na sua comédia, com a coragem de insistir e insistir e insistir e insistir e insistir e insistir além do limite patético. O Vagabundo Charlie elevou o sentimentalismo barato às raias do sublime, identificando-se com os mais simples uma maneira inteligente. Ele arranjava um problema e o seu personagem tinha que sair da enrascada. A massa adorava as sátiras do homenzinho de pés espalhados contra as arrogâncias, preconceitos e desigualdades do sistema. A mensagem de justiça social é especialmente contagiosa quando propagada por um ídolo dos humilhados e ofendidos. Então, o vagabundo com trejeitos aristocráticos tornou-se insolente demais e a classe dominante o chutou do país.

A elite esculachada pelo sósia bêbado de um ricaço no filme Classe Ociosa (1921) engoliu a caricatura da própria imagem até instigar o descarte político da sua… posso usar a palavra nêmesis? Obrigado! Foi só pra provocar a turma do kkk! A vingança começou atacando a recusa de Chaplin em se naturalizar no país de imigrantes. Depois, as distribuidoras de filmes foram ameaçadas. Houve atentados contra salas de exibição e gorilas contratados em várias cidades dispersavam as filas das bilheterias. Os tacos de baseball também eram úteis fora de campo, nos filmes de gangsteres e nas tacadas do submundo institucional.

O cinema falado já aposentara o Vagabundo quando Chaplin embarcou em Nova Iorque para lançar Luzes da Ribalta na Europa, em setembro1952. Logo que o HMS Queen Elizabeth cruzou o limite das águas territoriais, o ministro da Justiça, James McGranery, enviou um telegrama condicionando o regresso de Chaplin a outros inquéritos além dos que ele já respondera, com vereditos condenatórios decididas antes dos julgamentos. Mais processos complicariam a liquidação dos negócios de Chaplin nos Estados Unidos e, pra variar, ele ficou mudo, só comentando o assunto na autobiografia publicada em 1964.

Minha volta àquele país, infeliz ou não, tinha poucas consequências para mim. Eu gostaria de ter-lhes dito que desejava me libertar da atmosfera de ódio o quanto antes, pois estava saturado dos insultos e da pompa moralista americana.”

Mr. S. Foto oficial. Domínio público.

O expurgo ocorreu no mandato de Harry S. Truman, o vice e sucessor de Franklin Delano Roosevelt, cuja humanismo progressista viabilizou o enfoque social dos filme de Chaplin, desde a Grande Depressão até a II Guerra. FDR odiava Mr. S. mas na sua quarta candidatura, em plena II Guerra Mundial, o Partido Democrata tinha que atrair os conservadores e neutralizar os nacionalistas fanáticos. A solução foi Truman, o dono de um armarinho em Kansas City que se filiou à Ku-klux-Klan no Missouri e ascendeu na política como capacho de Tom J. Pendergast, o big boss da corrupção e das fraudes eleitorais na “máquina” do Centro Oeste. A morte súbita de Roosevelt em abril de 1945 empossou Truman. Quatro meses depois ele ordenou os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki. O S. da sua assinatura não era abreviação, porém nome próprio, de origem obscura. O certo é que sadismo se escreve com S em todos os idiomas.

Após expelir Chaplin, governo obstruiu a sagração dele como Cavaleiro do Império Britânico. O boicote foi atribuído aos aspectos diplomáticos da Guerra Fria, mas o propósito era camuflar a fobia ideológica e cultural americana no contexto da caça à bruxas de Hollywood. Ele fora o primeiro da lista da honraria em 1931 mas o stablishment o descartou sob a justificativa de não ter combatido na Primeira Guerra Mundial, encerrada 13 anos antes. A França relutou em condecorá-lo por motivo semelhante, mas rendeu-se à evidência de que o recruta do filme Ombro Armas (1918) contribuiu mais do que os tiros para a derrota moral alemã, e concedeu-lhe a Cruz de Cavaleiro da Legião de Honra, em 27 de março de 1931.

A Rainha e o Sir incapaz de se ajoelhar como exige o protocolo. Foto Pinterest

Chaplin voltou à lista nobiliárquica em 1956 e a Corte de St. James recuou outra vez. Em linguagem diplomática, conveniências bilaterais no contexto da Guerra Fria. Na crivo da História, submissão aos interesses ideológicos americanos. O veto persistiu até Elizabeth II ungir Sir Charles Spencer Chaplin como Cavaleiro do Império Britânico numa cadeira de rodas, aos 86 anos, em março de 1975; ou seja, 44 anos após o refugo da primeira condecoração. A homenagem tardia fez justiça ao vagabundo com trejeitos de lorde, cuja crítica nos estimula e o otimismo comove. Então, eu pego o bonde verde da adolescência, salto na Cinelândia, compro ingresso no Cine Odeon. As luzes diminuem, a cortina de veludo vermelho se abre em duas partes, a plateia escurece, o público faz shsishsishs.

Tempos Modernos, cena clássica grevista por engano

Um relógio com números em algarismos romanos enche a tela e os créditos deslizam sobre os ponteiros apresentando “Tempos Modernos. Uma história da indústria – do empreendedorismo individual – cruzada humana em busca da felicidade”. A juventude também passa na tela da memória, as luzes da plateia acendem, cortina se fecha. Aí eu saio do sonho no Cine Odeon para a realidade no cemitério de Corsiers-sur Vevey, onde a primeira pá de terra sobre o caixão do Sir Charles Spencer Chaplin é despejada por um policial, o inimigo coadjuvante da glória do Vagabundo. Essa exigência da Lei Suíça ironizou o adeus ao plebeu agraciado com as maiores honras da França e da Inglaterra.

A saudade convertida em primavera no inverno suíço – foto do autor/JB

Ele sofria do Mal de Alzheimer e uma gripe o debilitara a ponto dele não ter forças para desembrulhar seus presentes. O Dr. Henri Perrier atestou o óbito na manhã do Natal no Solar de Ban, em Corsiers-sur Vevey, refúgio da família desde o seu banimento da América. Quatro limusines fúnebres trouxeram o caixão e as corbeilles de rosas margaridas, de rosas, tulipas, cravos, lírios, gerânios, antúrios, avencas e palmas de primaveras distantes. A viúva Oona surgiu de um Rolls Royce negro, com o rosto oculto sob véu.

A tristeza de Oona no adeus ao seu Charlie após 34 anos de casamento. Foto do autor para o JB

Outra limusine trouxe os filhos, menos os mais velhos, Geraldine e Michael. O rapaz chegou a pé, de blazer com botões dourados e calça azul, traje mais adequado a um ambiente náutico. Embora a Suíça seja um país discreto como as contas estrangeiras nos seus bancos, alguém espalhou que Michael fugira na adolescência com uma amante sete anos mais velha e, após resgatá-lo, Chaplin aplicou-se uma surra nada cômica.

A primogênita Geraldine não apareceu no velório nem no enterro. Tabloides sensacionalistas publicaram que ela lamentava ter sido enclausurada num convento aos 15 anos e que o pai nunca assistia às suas apresentações como bailarina, associando o fato ao bloqueio artístico de Oona, que tinha 18 anos quando eles se casaram. O noivo era 36 anos mais velho, diferença de idade que não os impediu de gerar oito filhos.

Geraldine, não. Josephine e Victoria, sim. As caçulas da família fizeram pontas no último filme, A Condessa de Hong Kong (1966), um fracasso apesar do elenco estrelado por Marlon Brando e Sofia Loren. E Brando descreveu Chaplin como um egocêntrico mesquinho, especialmente em relação a Sidney Earl, seu filho com Lita Grey, também coadjuvante no filme. Porém os motivos mais íntimos da ausência de Geraldine no cemitério de Vevey estavam prestes a serem enterrados no caixão de pinho branco.

Seis filhos cercavam Oona e o reverendo anglicano Richard Thompson encomendou a alma numa voz sumida. O paparazzi que eu conhecera na véspera cercando a mansão da família me cutucou as costelas e fez mímica de um pontos de interrogação. Eu também não tinha escutado e me livrei da pergunta com o arremate óbvio: “Descanse em paz!” O cara tinha bom humor e respondeu num inglês napolitano: “Eu ou o defunto?”

Agentes funerários removeram as flores, a manta negra e arriaram o caixão em câmera lenta. Um policial perfilou-se em continência, de cabeça erguida, indiferente à chuvinha gelada que começara. Outro policial pegou a pá espetada ao lado da cova e eu desconfiei de uma desforra dos chutes do vagabundo dera nas bundas dos seus colegas. Convenhamos no sarcasmo do agente do sistema que o defunto insultou até as pessoas chorarem de tanto rir ter jogado a primeira pá de terra. Depois o policial Paul Gaillad disse que apenas obedecera à lei Suíça. O ritual era sua obrigação e eu merecia um chute no traseiro pela suposição maliciosa, mas calei o bico na terra dos cucos.

Germaine e Buenzold, os coveiros. Ao fundo (dir.), o policial Paul Gaillard. Foto do autor/JB

O enterro do “príncipe eloquente do silêncio” (definição do jornal France Soir) demorou uns 15 minutos. A família saiu antes do soterramento do caixão e eu fiquei garimpando detalhes no cemitério vazio. Os coveiros se chamavam Germain Paul e Buenzold Etienne. Após entupirem a sepultura eles me ofereceram um copo de vinho branco, seco, no pequeno depósito de ferramentas. Disseram ser vinho das parreiras de Vevey e perguntei-lhes se a morte era mais ou menos trágica no enterro de um comediante.

Non – respondeu Germain Paul – Se ele fosse jovem seria uma tragédia. Mas monsieur Chaplin estava bastante velho e, afinal, sempre chega o dia de morrer. Aqui ele era uma pessoa comum. Nós o víamos muitas vezes.” Comentei que a maioria dos presentes era de jornalista, personagens que também perseguiram o vagabundo toda a vida. O total entre familiares coveiros, policiais e colegas não passava de 50 pessoas. Buenzold Etienne, o mais calado, encheu o meu copo outra vez e resmungou que suíços só vão onde os chamam. Respondi que se eu tivesse esperado um convite não provaria o vinho delicioso daquela terra.

Muito obrigado, senhores, pelo vinho e o pão no sepultamento de tantas lágrimas e sorrisos. Eu nunca imaginara gostar de um cemitério e o de Corsiers sur-Vevey ficou no meu coração. O pessoal da funerária havia levado a manta negra do féretro, deixando as flores, e elas estavam molhadas. Pareciam tristes. Não sei dos outros repórteres, mas no meu caso, os assuntos sempre morriam após serem publicados, mas os melhores ressuscitam da memória. Lá se foram 44 anos e exumo o adeus ao Vagabundo porque a sua mensagem continua atual: “Sorria!”

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Carta para o bom velhinho

Original Japan Times- Alteração pirata do autor HBY

Querido Papai Noel, saudações polares:

Eu nasci sem pai nem mãe, aí uns portugueses me encontraram numa praia da Bahia e perguntaram o meu nome. “Não sei” – respondi. Então me deram um monte de apelidos baianos: ilha disso, terra daquilo, gigante pela própria natureza, florão da américa e até paiszinho de merda. Acabei com o nome de um pau e quando querem saber se eu gosto mais do papai ou da mamãe, digo a verdade: gosto mesmo é de comida.

Eu passo o dia de pires na mão; eu e os meus 15 milhões de desempregados, mais 40 milhões de invisíveis. O governo os declara como invisíveis mas todo mundo vê milhões com a flanela na mão. Eu alugo o espaço público nas cidades, limpo para-brisas nos sinais, de vez em quando vendo umas garrafinhas de água da torneira, e, enquanto o rapa não vem, tô com a mercadoria na calçada. Vivo de bico. Me viro. Sou sivirista sim senhor, senão os barrigudinhos que a vizinha ficou tomando conta vão chorar de fome.

Mas um dia fico esperto, grilo um pedaço da terra pública, toco fogo no mato, cerco a globo, digo, a gleba, compro o pessoal do cartório, um bocado de políticos, de ministro, de juízes e de burocratas. Tem muitos à venda no mercado. Pensando melhor, talvez eu me candidate a vereador, prefeito, deputado ou senador. Tenho até o lema da campanha: eu também sou ficha suja! Que tal? Enquanto não arranjo um patrono nem uma vaga no gabinete do filho dele pra dividir a rachadinha, continuo na corda bamba, como todo bom oportunista.

Charge pirateada por uma causa justa

Tenho chances de ser eleito, meu bom velhinho, afinal atrasei o pagamento de um bocado das contas, esqueci prestações, estourei o cartão de crédito, estou pendurado SPC, o banco agiota não larga do meu pé. Isso tudo me identifica com a maioria. Vale voto. Mas não roubei, não escondi dinheiro na cueca, não corrompi ninguém nem fui corrompido. Muito menos legislei em causa própria, ou participei de negociatas parlamentares.

Pior ainda: nunca obstruí a justiça ou ataquei a imprensa; jamais menti para o povo, nem ensaiei um golpe contra a democracia. Não fui contra a ciência, não impingi panaceias que mataram muita gente. Não sou genocida, não ofendo homossexuais, não insulto a esquerda, não elogio torturadores, não sou ultra reacionário, não estimulo desmatamentos na Amazônia, não sou contra a vacina nem faço campanha contra o uso de máscara, nunca defendi a contaminação de rebanho, não acendo uma vela para Deus e outra pro bispo Edir Macedo, e também não sei andar de motocicleta. Preciso de mudar rápido, ou perco a eleição.

Mudo ou acabo com os privilégios dos políticos que aprovaram cinco bilhões e meio para o fundo eleitoral. Vão se eleger com o dinheiro dos mais pobres para ficarem mais ricos. Se o povo cair na real e não vota neles, aí sobrarão cadeiras no Congresso, aquele portal solene para imoralidade institucional, a partir das emendas secretas, dos fundos eleitorais e dos desvios de bilhões do orçamento para os currais de votos.

Todo Natal o Senhor fica de saco cheio com tantos pedidos, então vou reduzir a lista ao mínimo indispensável. Se eu for atendido, o meu presente será extensivo a todos os brasileiros e esqueço a candidatura, porque a política deixa de compensar. Papai Noel, eu quero apenas que se cumpram as leis e que os infratores sejam punidos. Só isso. Muito obrigado, do seu netinho: Brasil.

P.S. Não vou deixar o sapatinho na janela, porque roubaram o que deixei no ano passado.

Destaque

A moça do tempo, o AI-5 e o clima do golpe

A moça do tempo trabalha em pé, diante do mapa meteorológico, sempre objetiva, útil como exige o bom jornalismo. Chove-não-chove, golpistas e retardatários políticos degradam o clima político brasileiro, mas a moça do tempo não pode se envolver em precipitações dessa natureza. Então convém recapitular o dia que choveu m* no território nacional.

Charge da pirateada da @Revista Piauí.com por uma causa nobre

A novidade é que o presidente Jair M* Bolsonaro, sucessor retardado do golpe de 1964, distorceu a isenção da moça do tempo, atribuindo ao “calor do momento” os seus insultos e ameaças à democracia no 199º aniversário da Independência do Brasil. A Justiça(?) ignorou os crimes explícitos na instigação pública contra o Supremo Tribunal Federal e o Congresso aplaudiu o desfile de tanques na Praça dos três Poderes, em Brasília, DF, feito para exibir o controle das Forças Armadas e intimidar as instituições civis.

A maioria “dos filhos deste solo” ignora, “ó pátria amada,” que há mais militares aquartelados no governo Bolsonaro do que nos mandatos de todos os ditadores do golpe de 1964. O alarme democrático dispara quando o próprio chefe de Estado desmoraliza o “florão da América,” declarando escatologias do tipo “Caguei pro STF,” mas a M* logo escoa pelas valas das carências e o “povo heroico,” na fila do Auxílio Brasil, esquece rápido as boçalidades do presidente. No momento deste calor, “verás que um filho teu não foge à luta” e refresca a memória do “gigante pela própria natureza” sobre uma atitude meteorológica notável da imprensa brasileira.

JB 14/12/68. Os quadrinhos históricos

Na época dos jornais de papel os quadrinhos ao lado do título, no topo da primeira página, eram chamados de “olhos.” O olho esquerdo do JB resumia o clima no Rio de Janeiro, chamando para a coluna do tempo. O olho direito informava o número de páginas, de cadernos e algum destaque da edição. Sendo o redator mais novo eu redigia os olhos e outras banalidades, enquanto os veteranos se encarregavam dos assuntos importantes. Eu adoraria ter escrito os olhos da edição daquela sexta-feira, 13 de dezembro de 1968, quando o Conselho de Segurança Nacional decretou o Ato Institucional n° 5 do regime militar de 1964. Mas o editor chefe assumiu a minha tarefa e os olhos do Jornal do Brasil brilharam nas trevas da censura que a acabava de ser oficializada.

Olho esquerdo na edição do AI-5

O locutor da Voz do Brasil ainda irradiava resolução do Conselho de Segurança Nacional quando os censores fardados invadiram a redação. Eram oficiais da Marinha e da Força Aérea, nitidamente constrangidos pela obrigação, sem saberem quem fazia o que nem onde ou como as coisas aconteciam. Aquilo atrasou a impressão e quem visse algum zumbi na Av. Rio Branco, com olheiras negras e dedos amarelos de nicotina, podia apostar: era gráfico ou jornalista.

A reunião do AI-5, na sexta-feira 13, presidida pelo marechal que os redatores se recusaram a identificar.

A temperatura “Max.: 38°, em Brasília, Mín.: 5º, nas Laranjeiras” se deve ao número do Ato assinado à tarde pelos 25 integrantes do Conselho de Segurança Nacional na sede do governo do Rio, na época, Estado da Guanabara. A ideia do protesto surgiu na reunião das “putas velhas” – como chamávamos os veteranos – para decidir as notícias da primeira página e a manchete da edição. Lá se foram 53 anos e vieram as gerações X, Y e Z, mais interessadas nos memes e games eletrônicos.

Entre um touch screen e outro é necessário relembrar que o AI-5 suprimiu direitos os direitos humanos, a partir das liberdades fundamentais. Impôs as prisões arbitrárias, o exílio, o confisco de bens e a tortura. Estabeleceu o absolutismo como prerrogativa de Estado, em nome da democracia, sob a alegação de salvar a sociedade cristã do comunismo ateu. Os brasileiros estavam longe de sonhar que elegeriam democraticamente um capitão da direita terrivelmente evangélica, apologista da tortura, herdeiro ideológico do general Ernesto Geisel, o primeiro ditador linha dura evangélico do nosso “lábaro estrelado.”

Os olhos da tiragem n°213 do Ano LXXVIII do Jornal do Brasil são atribuídos ao editor-chefe, Alberto Dines, que, por ironia, era estrábico. Eu lhe devo a minha inclusão na equipe notável e ele merece o respeito da geração que modernizou a imprensa brasileira, porém a audácia dos olhos poderia resultar no confisco da edição e a palavra final coube ao diretor presidente, M. F. do Nascimento Brito.

O marechal marcha em passo de ganso

A foto principal do JB no sábado 14/12/68 estampa o passo de ganso do ditador na cerimônia de entrega de espadins aos guardas-marinha na Escola Naval, palco do Último Baile do Império, (que ironia) na Ilha das Cobras. Não o identifico em homenagem aos profissionais que se recusaram a redigir o nome do gorila que cassou os direitos civis dos brasileiros e instituiu a tortura. Os censores cortavam o que quisessem mas não podiam acrescentar nada, nem a patente do marechal ditador que nós rebaixamos a general.

Os censores foram sacaneados com as sutilezas da edição, cuja foto no pé da primeira página lamentava a expulsão de Garrincha… “quando o Brasil vencia o Chile na Copa de 62”. E a legenda da ilustração da reportagem sobre a “perda da compostura e dignidade” do presidente da Câmara, José Bonifácio”, justifica a consagração do Jornal do Brasil como lenda da imprensa:

O colored Pelé e o alvo Jeftrets se despem, após renhida porfia, diante de operadores de câmaras fotográficasestampava a legenda bizarra, enfiada goela abaixo da censura .

A lucidez do olho direito

A legenda também se referia supostamente a Copa do Mundo de 1962, dois anos antes, com o detalhe do colored Pelé e do alvo Jefrets não aparecerem na foto até porque os dois jamais se enfrentaram. Pelé fez um gol nos 2 x 0 na estreia contra o México, sofreu um estiramento na virilha no jogo contra a Tchecoslováquia e o tal Jefreys nunca existiu. Outro detalhe pouco mencionado é o olho direito, mais contundente que o da previsão do tempo. Essas outra sutilezas resultaram na perseguição da ditadura ao JB, em benefício do seu maior concorrente, O Globo.

JB – pg. 2 – cabeça da pesquisa que driblou a censura

O regime não estava totalmente aparelhado para impor o AI-5, a censura ainda “interna” foi atribuída à própria imprensa. Os censores podiam ser os mais cultos da Forças Armadas, é provável que fossem leitores do JB, mas a indecisão típica das transições institucionais permitiu o retrospecto do golpe. A página dois do primeiro caderno publicou uma pesquisa excelente sobre a sexta-feira 13 de março de 1964, data do comício de João Goulart na Central do Brasil, Rio, gota d’água para o golpe militar o golpe do 1º de abril, o dia da mentira.

O comício da Central foi manipulado para justificar a derrubada do governo legítimo de Jango Goulart, planejada pela Central Intelligence, vulga CIA, no governo de Lyndon Johnson, através da Operação Brother Sam. Jair Bolsonaro não se destaca pela cultura ou capacidade intelectual, mas os seus sete mandatos federais lhe deram a oportunidade visitar a biblioteca do Congresso. É possível que soubesse das coincidências convenientes ao “calor do momento” em que cagou para o Supremo Tribunal Federal.

Fedeu geral! O candidato a ditador pretendia implodir as urnas eletrônicas nas eleições de 2022, meio século após o deputado Márcio Moreira Alves, do extinto MDB, acender o pavio do AI-5 instigando o boicote aos desfiles das Forças Armadas no 7 de Setembro de 1968. No desfile de 2021, além do povo faltou o apoio dos coronéis para o golpe.

A reação democrática nas redes sociais desmobilizou o personalismo evidente na ausência das reivindicações contra a corrupção, o desemprego, os desmatamentos, a fobia ambiental, o boi verde, a espiral inflacionária, o negacionismo científico, o incentivo estridente ao kit Covid, os insultos à Organização Mundial da Saúde, o charlatanismo dos tratamentos com vermífugos, o estímulo às aglomerações, a contaminação de rebanho, o combate às máscaras, mentalidade bélica, os elogios à tortura, a veneração a Donald Trump, a propagação das fake news, o esculacho da imprensa, os deboches contra a pandemia.

Os insultos do presidente contra os tribunais supremos e seus ministros, além da instigação à desobediência civil, foram muito mais graves do que o discurso de Jango ou o apelo civil de Márcio Moreira Alves, nas respectivas sextas-feiras 13. Porém a maioria no Congresso troca a honra, a dignidade e a justiça por vantagens eleitorais, favores corporativos e as verbas das emendas parlamentares e do orçamento secreto. Justificar abusos pelo “calor do momento” é infame como o patriotismo de segunda mão, travestido de verde e amarelo.

Lamento chover no molhado, mas as distância políticas e ideológicas são imensa entre os caras-pintadas das Diretas Já e da militância de motoqueiros, no clima conturbado pelo chato de galochas com a cabeça quente. Enfim, o tempo continua escuro. Temperatura desagradável. O ar está contaminado. O país é varrido pela pandemia reacionária. Max. 38°. carga dupla nos assaltos do dia a dia. Min. abaixo da crítica. Chove cobras e lagartos em Brasília, as eleições de 2022 prometem mais chuvas de M* e a moça do tempo recomenda: vista um casaquinho e não esqueça do guarda-chuva.

P.S. Na lenda das redações, jornalista só é notícia quando morre. Muitos colegas daquela edição já morreram e eu quero homenageá-los, agradecendo a honra de haver integrado a equipe que foi, na época, a menina dos olhos da imprensa brasileira. Saudades de Alberto Dines, Carlos Lemos, Sérgio Noronha, José Silveira, Hélio Pólvora, Emile Zola, Roberto Quintaes, Charles Cofield, Luís Carlos Mello, Etienne Arregui, Almeida Filho, Tobias Pinheiro, Anderson Campos… representantes de todos profissionais que ajudaram o país a atravessar o “Tempo negro, de temperatura sufocante, ar irrespirável…”

Destaque

O rabo made in BR

Espalha: a verdade não falha! Foto HBy

Diga a palavra rabo e a maioria dos brasileiros pensa em bunda. No nosso caso, a fixação prioritária é o rabo de palha made in BR deixado na 26ª. Conferência das Nações Unidas Sobre as Mudanças no Clima, em Glasgow, Escócia. O povo, porta voz de Deus, define rabo de palha como ficha suja, culpa no cartório, sujeira no rastro, má fama. Qualquer reclamação deve ser encaminhadas à Academia Brasileira de Letras. Historyleaksbrasil prefere as palavras inteiras, todas as sílabas da verdade.

Não confunda rabo de palha com o ícone anatômico nacional. Arte e foto do autor.

O presidente Jair Messias Bolsonaro participava da cúpula anual do G20, em Roma, a três horas de voo da Escócia, mas não teve coragem para encarar sua rejeição internacional na COP- 26. Preferiu o turismo na Itália, onde foi alvo de protestos furiosos, e fez-se representar pelo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, um ruralista improvisado como defensor da natureza, que concluiu o seu discursos na cara de pau:

O futuro verde já começou no Brasil.”

Brasileiros à sombra do Pau Brasil – Praça da Cidadania, Natal, RN, 2021 – Foto HBy

Cafeicultor de sobrenome lácteo, membro destacado da Sociedade Rural Brasileira, consultor da indústria farmacêutica, o Sr. Joaquim Leite aquarelou o Brasil como se a fina flor da ecologia fosse um buquê de ignorantes sobre a nossa tradição predatória. A primeira providência do conquistador português foi lavrar um pau para fazer o cruzeiro que plantou na Terra de Santa Cruz. Desde então, nós, penitentes da ecologia, carregamos aquela e outras cruzes feitas com os 87,6% devastados da Mata Atlântica. O que resta definha ao longo da costa. É mais fácil encontrar a árvore da nossa identidade numa praça urbana do que no mato, mas o ministro estava ali para reflorestar a realidade.

Jair Bolsonaro nunca perdeu uma chance exposição e se fez substituir no fórum mais visível do ano porque plantou insultos a granel no passado e colhe a rejeição geral. Nações e entidades atreladas ao destino da Amazônia contestam as atitudes do presiente como se a floresta fosse patrimônio exclusivo do Brasil, onde o termo meio ambiente significa, ao pé da letra, ambiente pela metade. O fruto do pé de letra é uma ambiguidade inteira.

Vitória Régia” – Acrílico sobre cartão, Jorge Eduardo/2003- Foto HBy

Apenas 60% dos 6.7 milhões de Km² da Floresta Amazônica se encontram no território nacional; nós partilhamos o “pulmão do mundo” com a Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, as Guianas, o Suriname e resto do planeta. Devemos satisfações a todos que respiram, e os estadistas foram à COP para se explicar.

Na berlinda Joe Bidem, presidente dos Estados Unidos, o maior emissor de CO2, principal gás do aquecimento tóxico que cozinham a Terra. Mr. Biden teve peito para enfrentar os outros 195 países signatários do Acordo de Paris, enquanto o Sr. Bolsonaro, muito macho para insultar a imprensa no Brasil, considerava as advertências como a do seu vice, o general Hamilton Mourão:

“Sabe que o presidente Bolsonaro sofre uma série de críticas. Então, ele vai chegar em um lugar em que todo mundo vai jogar pedra nele…”

Não chegou onde supostamente seria apedrejado, e a justificativa oficial foi pífia como uma bolinha e papel: “Por motivo de agenda, o presidente da República participará da COP 26 por meio de vídeo, gravado e já enviado aos organizadores do evento.”

O comunicado empalhou ainda mais o rabo por duas semanas, na quais a agenda do presidente se resumiu ao turismo na Itália. Ele fugiu do evento definido pela ONU como “A corrida contra o tempo para salvar o planeta,” preocupado com o vazamento do relatório do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais- Impe – acusando o abate de 13 235 Km² de matas virgens, entre agosto e julho (20/21): recorde dos últimos 15 anos.

Charge de Renato Aroeira, pirateada por justa causa

Jair Bolsonaro escondia os 22% desmatados em 2020, desmentindo o discurso de Pinóquio que Joaquim Leite repetiu em Glasgow. Mas o governo também diz verdades: “É Simples assim, senhores: um manda, outro obedece” – pontificou o segundo dos quatros ministra d Saúde, general Pazuello, enquanto receitava Cloroquina, obedecendo ao boicote ás vacinas. Jair M. Bolsonaro mandou o ministro do 1/2 ambiente ser “apedrejado” em seu” lugar, com medo de mais reações como as dos italianos.

Sterco alla prefetura

I cittadini arrabiatti pela concessão da cidadania ao capo braziliano estercaram a prefeitura de Anguillera. As máscaras nem a perda do olfato adiantaram contra o fedor de M. no ar. O futuro verde/BR amarelou e Bolsonaro fugiu das vaias qualificadas da COP26. A caatinga perfumada do Planalto Central não aliviou a atmosfera no Conselho Nacional da Amazônia Legal, cujo coordenador, o vice presidente Hamilton Mourão botou lenha no fogueira:

O ministro Joaquim Leite é a cara do combate ao desmatamento. Ele sabe muito bem que o Ministério do Meio Ambiente é o carro chefe disso aí, e ele está convicto que tem que haver uma ação permanente … para que a gente cumpra a nossa obrigação nacionalmente determinada de chegar a 2028 tendo zerado o desmatamento ilegal.”

Nenhum dos presentes à prestação de contas da Amazônia defendeu o ministro. Um colega questionou o envolvimento das Forças Amadas na fiscalização e a impunidade para aos crimes ambientais e o general Mourão ofereceu-se como mártir na fogueira da opinião pública.

Se você quer um culpado, sou eu. Não vou dizer que foi o ministro A ou ministro B. Fui eu que não consegui fazer a integração (das Forças Armadas com os órgão civis, Funai etc.) de forma que funcionasse.”

Uma confissão honesta é rara em Brasília, mas, ao substituir nomes por letras, o vice presidente omitiu as ausências dos Ministro do Meio Ambiente, da Ciência e Tecnologia e da Justiça. Joaquim Leite, Marcos Pontes e o da Justiça eu também esqueci, são membros do Conselho da Amazônia, cada qual com seu respectivo rabo de palha, inclusive o do general, revelado na sua candidatura a vice de Jair Bolsonaro:

O general Mourão às ordens do capitão Bolsonaro: “Quem manda sou eu, certo?” Imagem pirateada Metrópoles

O Brasil herdou a indolência dos indígenas e a malandragem dos negros… Ainda existe o famoso complexo de vira-lata no nosso país, infelizmente. Temos que superar isso. Temos uma herança cultural, uma herança em que muita gente gosta de privilégio. Existe uma tendência ao camarada querer o privilégio para ele. Essa herança do privilégio é uma herança ibérica. Temos uma certa herança da indolência, que vem da cultura indígena. Eu sou indígena, minha gente. Meu pai é amazonense e a malandragem, Edson Rosa, nada contra, mas a malandragem é oriunda do africano. Então, esse é o nosso cadinho cultural. Infelizmente, gostamos de mártires, líderes populistas e dos macunaímas.”

Edson Rosa foi o primeiro negro eleito vereador em Caxias do Sul, onde o general garimpava votos. Suas declarações emolduram a malandragem e a indolência ambientalista oficial. Mas a esperança será a última vítima da moto serra. Ainda há o que comemorar e Jair Bolsonaro perdeu a chance devolver algumas pedradas na COP26.

A notícia do momento era a Operação Dó, Ré, Mi, do Ibama e da Polícia Federal contra nove empresas do Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo que faturavam o abate clandestino de Pau Brasil e Jacarandá. A madeira mais nobre da flora remanescente era usada na fabricação dos arcos para instrumentos de cordas apreendidos antes das remessas ilegais para a Alemanha, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, França e Japão. Os dois principais responsáveis pelo efeito estufa, e outros dois países enfáticos nas suas acusações amazônicas, estimulam a devastação ao facilitarem o contrabando de… Me desculpem, estou escrevendo com raiva. Meia dúzia de agentes americanos participaram do Operação Dó-Ré-Mi.

O autor confessa que também desafina, espantando os gatos com um aro de Pau Brasil. Foto de Glória Alvarez.

A Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção regula a proteção da matéria prima dos melhores instrumentos sinfônicos. Fora do palco, os virtuoses são receptadores (inocentes?) da forma mais requintada de devastação do que resta da Mata Atlântica. Arcos de violino eram vendido por até US$ 2 600,00 dólares, a bagatela de R$ 14.600,00. Quer madeira de primeira? Plante, cultive por uns 25 anos e colha conforme a lei. Detalhe: a cerda dos arcos é feita com a crina do rabo de cavalos. Rabo de palha é outra história.

Nos 13 235 Km² devastados neste ano no Brasil havia índios, plantas e animais à beira da extinção. Havia pássaros nos ninhos, onças com as patas queimadas, paca, tatus e cotias. Havia tamanduás, ariranhas, jabutis, sapos e pererecas. Uirapurus, harpias, araras, caititus e antas. Insetos de todas as cores, sapos e pererecas. Cada macaco em seu galho e, segundo o general, a encarnação de índios e negros no bicho preguiça. Criaturas que somem para sempre; espécimes da flora medicinal, ervas capazes de curar, por exemplo, a memória dos que já esqueceram o envolvimento do ministro anterior do 1/2 Ambiente Ricardo Salles. Ele desmontou dos serviços de fiscalização e controle, acobertando, registros ilegais de matas e o tráfico da madeira de derrubadas ilegais.

O aquecimento global foi a vedete da COP26 e ausência de Jair Bolsonaro, além de ocultar o recorde do desmatamento, legitimou o apelido do pavilhão brasileiro em Glasgow como “Maquiagem Verde.” Alecrim também é verde e bom para memória. Tome um chá de alecrim e não esqueça do Sr. Salles na reunião ministerial mandando “passar a boiada” dos projetos ruralistas enquanto a Covid-19 dispersava as atenções, devastando pessoas e instituições:

Tem uma lista enorme, em todos os ministérios que têm papel regulatório aqui, para simplificar. Não precisamos de Congresso.”

Jair Bolsonaro e Ricardo Salles – criador e criatura. Imagem @www1. folha.uol.com.br

O pupilo dileto do presidente extrapolou na sua arrogância, e caiu. A Polícia Federal encaminhou notícia-crime ao Ministério Público, indiciando-o por peculato, advocacia administrativa e organização criminosa no tráfico da madeira pirata apreendida da Operação Handroanthus GLO. Apesar disso, Salles negocia sua candidatura atrelada à reeleição de Bolsonaro, para passar a impunidade pela porteira dos foro privilegiado, da imunidade parlamentar e de outras rachadinhas políticas.

Em terra de madeira de lei, quem tem moto serra é rei. Semeia pastagens e planta grana no terreno fértil da corrupção. Compra deputados, senadores, prefeitos, fiscais, terras griladas; compra licenças, garimpos, cartórios, autoridades e votos. Tupã, cadê você? Os pássaros não cantam mais, os papagaio emudecem, até o arco-íris desbota na agonia da mata. Daí o imenso e inflamável rabo de palha made in BR e a ameaça da natureza morta ser o quadro do futuro.

Destaque

The rat e os ratos!

Mickey Mouse completou 93 anos ontem. O mais famoso dos ratos, ícone americano, estreou nas telas em 18 de novembro de 1928 no desenho “Steamboat Willy”. Segundo o falecido Jorge Ferreira, câmera brilhante da antiga TVE, “O Walt Disney, ficou milionário às custas de um rato, um cachorro e um pato,” e a reciclagem nacional desse aforismo é a sorte vira-latas dos patos brasileiros que enriquecem as ratazanas oficiais da República.

Imagem pirata – Fool.com

Vide o Fundo Eleitoral, o Fundo Partidário, o Orçamento Secreto, as emendas de relator, as emendas individuais, as ajudas de custo, as verbas de representação, o auxílio moradia, os automóveis com motoristas, a restituição dos combustível, das passagens aéreas, as rachadinhas nos gabinetes, os banquetes e as mordomias… além dos salários de marajás, os recessos, férias dobradas e o cafezinho! Daí esse estranho ruído de dentes nos orçamentos, nas licitações, nos palácios, nas repartições, nas estatais, nos cartórios, nas prefeituras, nas câmaras e assembleias. Mas as eleições se aproximam, meu caro Mickey, e as urnas podem virar ratoeiras.

Destaque

Cada King Kong no seu galho

1933 -Acervo da RKO Pictures sem reclamação de copyright. Domínio público

 O cinema emocionou o Século XX até a televisão e o preço do ingresso esvaziarem as filas nas bilheterias. A tecnologia digital troca cenários milionários e astros temperamentais por efeitos eletrônicos, afinal um computador é mais econômico do que a multidão de técnicos, toneladas de equipamentos e quilômetros de película. As igrejas messiânicas ocupam as salas de exibição e o púlpito no lugar da tela converte a ficção em farsa. Ingresso virou dízimos no The End do ciclo cultural mais influente da história e o título do filme é “Adeus Hollywood”.

Cinema é bijuteria cultural, teatro editado na moviola, mas o público chorou de tanto rir e sorriu do próprio pranto até a www colocar as telas nos bolsos das pessoas, e o ingresso virar dízimo. Daí essa lágrima de celulose pela decadência da indústria que estreou quando os irmãos Auguste e Louis Lumière exibiram dez filmetes sem enredo,  na primeira sessão comercial de cinema. Isso aconteceu no Salon Indien du Grand Cafe de Paris, no Boulevar des Capucines, em 28 de dezembro de 1895. 

O nome de batismo da Sétima Arte, cinematographie, significa escrever o movimento e 40 curiosos pagaram um franco para ver cenas do cotidiano, sem enredo, cujo foco dava a impressão do projetor estar com conjuntivite. Mas a novidade evoluiu no sucesso que hipnotizou a humanidade e agora assistimos ao seu final melancólico. Felizmente, as emoções persistem na memória das matinês, e o que aconteceu no cine poeira de Bananal desfila no tapete vermelho da saudade.

BANANAL-SP - 87.9 FM - AQUI O SUCESSO É VOCÊ!
A pracinha de Bananal, romântica como um filme de amor

O coreto na Praça da Matriz faz Bananal parecer uma caixinha de música, ao pé da Serra da Bocaina, na divisa Rio-São Paulo. A cidade era rica, orgulhosa dos seus cafezais e fazendas históricas. Tinha até um cine-teatro, cujos espetáculos só perdiam em público para a Igreja do Senhor Bom Jesus do Livramento porque as missas eram de graça… amém!

E quem insiste em classificar os filmes silenciosos como cinema mudo é surdo ou nunca participou da algazarra nos cine poeira que o vento levou. Emílio Turco, dono do Cine Bananal, alugava fitas antigas para esticar as sessões, e sua patroa os sonorizava com maxixes e modinhas. “O piano tá com cupim… toca outra, tia!”

Giuseppe Tornatore reconstituiu essa época no Cinema Paradiso, mas o filme poderia se chamar Cine Bananal, com a mesma janelinha da bilheteria, a urna dos ingressos na entrada, os moleques iguais em todo mundo e o trêmulo foco da imagens. O projetista Pedro Luís fazia cera nas trocas dos rolos dos filmes para aumentar o faturamento do baleiro, e o baleiro só não vendia chicletes, por causa da goma grudada nas cadeiras. Mas a guerra de pipocas era certa, com estouros dos sacos de papel e tudo.

 Antes da tevê nos imobilizar no sofá, as pessoas contavam os filmes imitando os artistas. O boca a boca na praça do coreto era a rede social caipira e Emílio Turco antecipava o filme da semana com sua imaginação das mil e uma noites.  Depois, sempre alguém resmungava que o filme era outro.  O aluguel da cópia de um campeão de bilheteria só baixava depois de esgotadas as exibições nas grandes cidades, e King Kong chegou a Bananal antes da Segunda Guerra, depois de rodar um mundo e meio mundo. A estreia lotou o cinema na sexta-feira, a bilheteria do sábado foi razoável, mas por algum mistério hollywoodiano, os bananalenses deram bananas no resto da semana para o gorila já meia sola no circuito do Vale do Paraíba.

 O turco mais esperto off Istambul  alugara o filmes por duas semanas, pois os quase três mil habitantes o município não cabiam ao mesmo tempo no Cine Sta.Cecília. Diante prejuízo, Emílio Turco investiu no carro de som, mandou o Pedro Luís calar o bico, coisa difícil para o projetista que também era barbeiro, e a fila se estendeu na bilheteria para ver o novo filme que prometia fazer o King Kong virar mico.  

Pedro Luís apertou a cigarra de anúncio do começo da sessão, a molecada fez o silêncio dos grandes momentos e a primeira cena mostrou os aviões metralhando King Kong no alto do Empire State Building. O Turco Jorge invertera a ordem de exibição dos rolos, e o gorila morto em New York reapareceu cabeludíssimo na Ilha da Caveira, onde fora capturado no começo do filme original. O cartaz na fachada do Cine Bananal anunciava:

Sensacional. Eletrizante, Extraordinário. Espetacular. Não Perca… O MACACO AMERICANO” 

  O enredo que mata mata King Kong no primeiro rolo e o ressuscita no último ficou incoerente como a conversão das casas de espetáculos em templos de falsos milagres. A fonte dessa história  é o sobrinho do Emílio Turco, meu amigo, o advogado Almir Delfino, que, como todo macaco velho dos tribunais, é rico, meio careca e só mente para quebrar o galho dos seus clientes.

P.S. A reprise desta postagem é uma homenagem à memória à caipirinha mais adorável de Bananal. Clúdia Barros está entre as 611 mil vítimas fatais da Covid, a maioria devido ao retardo deliberado da vacinação pelo governo federal.

Destaque

O pecado capital das precatórias

Com todo o respeito aos glúteos federativos do Brasil, 314 deputados empurram outra imoralidade entre as pernas da mamãe República. Trata-se da “emenda aglutinativa” ao Projeto de Emenda Constitucional (PEC) das Precatórias, manobra do Centrão que autoriza o calote das dívidas públicas sacramentadas pela Justiça, para financiar programas assistenciais com sobras para os candidatos na próxima campanha eleitoral. É o caso do Auxílio Brasil, substituindo a Bolsa Família como sacolão de votos.

Charge pirateada por precatória

Centrão é a máfia majoritária de apoio ao governo no Congresso; legendas parasitas do mercado político gerenciadas pelo senador piauiense Ciro Nogueira, terceiro titular da Casa Civil no atual mandato. Ele deve garantir o engavetamento dos 126 pedidos de impeachment do presidente Jair M. Bolsonaro e negocia as manobras eleitoreiras camufladas como providências do Executivo. Ciro Nogueira é indiciado em duas denúncias criminais e três inquéritos de suborno que hibernam no STF.  Se você também está enojado mude de site. Não precisa de me pagar nem um like, a nova moeda social; mas perde informações atuais sobre como a miséria nacional elege oportunistas manipulados pelo alagoano Arthur Lira, o presidente daquela casa de tolerância mais conhecida como Câmara. Ciro Nogueira e Arthur Lira, ambos do Partido Progressista, se completam como um crocodilo e a bolsa da sua pele.

A proposta inconstitucional foi parido na quinta feira dia 4 de novembro, na moita da madrugada casuísta. O pai de aluguel é o relator @Hugo Mota (Republicanos, PB) e a criança se chama Emenda Parlamentar; é a cara da cidadania desmoralizada pela propina de R$ 20 milhões do Orçamento Secreto (RP9) para cada padrinho da coitadinha extraída a fórceps, sem a anestesia dos trâmites regimentais. Resumindo o trambique de bilhões a uma pedalada, (cartas) precatórias são dívidas do governo com sentenças de pagamentos sacramentadas definitivamente pela Justiça, nos termos da Constituição. A proposta oficial é parcelar essa despesa já previstas no Orçamento, empurrando-a para o próximo mandato e, provavelmente, outra manobra protelatória.

A PEC prevê o estabelecimento de um “teto” anual para o pagamento de precatórias. Em 2022, esse valor seria de R$ 41 bilhões. Considerando a dívida de R$ 89,1 bilhões, isso deixaria em aberto um total de R$ 48,1 bilhões para o ano seguinte. Desses R$ 89,1 bilhões, pelo menos R$ 16 bilhões são devidos à Bahia, Ceará, Pernambuco e Amazonas por erro do governo no repasse de recursos do antigo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), atual Fundo de Manutenção da Educação Básica (Fundeb).

Glúteos e fundos se confundem, afinal o Governo Federal não monopoliza o mal. Os credores mais necessitados ou menos pacientes vendem suas cartas precatórias com um tremendo deságio devido aos atrasos de anos nas quitações do governo. Em termos populares, agiotas credenciados exploram a dívida pública acumulada por incompetência ou má fé, e paga com o seu pichulé.

RETROSPECTO

Os nobres mafiosos do Centrão aprovaram a Lei das Diretrizes Orçamentárias a toque de caixa para permitir o recesso do Congresso e sabotar a Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia. Apostaram no encurralamento do presidente pela CPI do Senado para extorquir verbas eleitorais. Pobreza e fome degeneram a memória e os eleitores na fila do auxílio emergencial já esqueceram que o presidente Jair M. Bolsonaro exigiu o voto impresso, sob ameaça de impedir as eleições acionando as Forças Armadas. Ele desqualificou simultaneamente o uso de máscaras, as vacinas e as urnas eletrônicas, numa espécie de cloroquina política. Era o tratamento preventivo para replicar golpe de Donald Trump no caso de derrota eleitoral. Quem o elegeu foi vítima de estelionato cívico, neste país onde – obrigado @Chico Buarque – promessa política é “passagem desbotada na memória.”

Embora os brasileiros alimentem muito bem a Jair M.Bolsonaro e seus três filhos parlamentares, a memória do presidente também desbotou. Ele prometeu governar com 15 ministros e o 23º ministério, o MEP, Ministério do Emprego e Previdência (MEP) foi entregue ao caixeiro de barganhas Onix Lorenzano para acomodar Ciro Noqueira, velho freguês da Polícia Federal, amigo do peito do Ministério Público do baiano Augusto Aras, parceiro que manipula a omissão do MP relativa ao presidente como trampolim para o STF.

Tudo o que é ilegal na administração custa muito dinheiro, dinheiro público, o seu dinheiro, o dinheiro das precatórias, dinheiro injetado no Fundo Eleitoral e no Fundo Partidário. Isso vincula os fundos aos glúteos aglutinativos da PEC das Precatórias, no saco sem fundo dos interesses políticos federais, estaduais e municipais. Só o Fundo Partidário ensaca R$ 937 milhões para repartir entre as 23 siglas credenciadas às fatias do bolo. Outros 10 partidos sem o mínimo de votos indispensáveis para participar da rachadinha arrebanham legendas de aluguel, satélites do “Centrão”, empenhados na briga de foice por cargos e comissões em troca de votos no plenário.

Para aplacar tantas ambições e ciúmes, o deputado paraibano Hugo Mota remendou a PEC das Precatória e a própria opinião tanto quanto o seu tutor trocou de partido: Arthur Lira já foi fiel ao PFL, PSDB, PTB, PP, PMN e voltou ao Partido Progressistas, herdeiro da Aliança Renovadora Nacional, a Arena, o braço político da ditadura militar de 1964. A propósito, a legenda do PP é “Oportunidades para Todos”. Lira é fiel ao oportunismo entre a extrema direita e a direita, atuando como deputado pecuarista, advogado, empresário, etc.

Etc. no caso foi manobrar a aprovação da PEC da Precatórias sem submeter as mudanças ao exame indispensável nas comissões e somar os votos de parlamentares ausentes do país que se desmoralizam na COP26, na Escócia, tapando (com todo respeito) o buraco do presidente escorraçado pelos líderes e a opinião pública mundial. Em vez de encarar as consequência da sua política incendiária, negacionista, latifundiária, ultrarreacionária, Jair Bolsonaro preferiu a chuva de bosta e os protestos contra a sua presença na reunião do G20, na Itália.

Para higienizar rápido esse assunto fétido, a PEC das precatórias também imuniza o governo pelo mesmo motivo do impeachment da presidenta Dilma Dilma Rousseff: o rombo no teto do orçamento federal. Os 314 padrinhos da PEC aglutinados nos glúteos do Centrão (que ironia) apostam na miséria dos milhões que trocam seus votos por uma cesta básica, pagas com os R$ 72 bilhões das emendas parlamentares já inclusas no Orçamento, mais R$ 10 bilhões do calote das precatórias.

O dinheiro público desviado da PEC para a compra dos parlamentares é oculto na sigla RP9, o orçamento secreto do Governo Federal. Cento e quarenta e quatro deputados votaram contra, seis apelaram para o STF impugnar a votação e impedir as cartas marcadas do segundo turno na Câmara, previsto para a próxima quarta-feira, 10 de novembro, o “Dia da Penitência” no calendário Católico. O responsável em última instância pela Proposta de Emenda Constitucional das Precatórias é o “terrivelmente evangélico” Jair Messias Bolsonaro, arauto da filosofia político futebolística do jogo “dentro das quatro linhas da Constituição.”

Aparentemente, o presidente da República, Jair M. Bolsonaro, desistiu de impedir as eleições de 2022, portanto precisa articular coisas como a PEC das Precatórias para tirar algum proveito da situação. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, @Luís Roberto Barroso, impediu o candidato Jair M. Bolsonaro de mudar a apuração dos votos de acordo com o seu interesse espelhado no assalto ao Congresso Americano por Donald Trump. É por isso que procura-se um palavrão compatível com o vocabulário presidencial. Vá à M. não é tão sujo quanto as atitudes oficiais, mas, por enquanto, quebra o galho. Assunto encerrado: quem quiser já pode vomitar.

P.S. Segundo o Jornalista Epaminondas Lima de Amorim, que conheço desde a redaçãpo do JB na Rio Branco e nunca soube que alguma das suas informações fosse desmentida, “Dados oficiais apontam que quase R$ 1 bilhão foram gastos em apenas dois dias com as emendas obscuras, sem identificação dos parlamentares beneficiados, na semana que antecedeu a aprovação em primeiro turno da PEC dos Precatórios.”

Destaque

O ovo de Colombo – 1

O ovo do Mundo Novo – HBy

Lá se foram 529 outubros desde que Cristóvão Colombo, os três irmãos Pinzón, frei Bartolomé de Las Casas mais 83 navegantes desembarcaram na ilha Guanahani, a leste das Bahamas. Eles vinham das trevas no Velho Mundo nas caravelas Santa Maria, Pinta e Niña, após 12 semanas de suor e medo no Mar Tenebroso. Ostentavam cruzes, espadas, estandartes e arcabuzes; fediam como as ratazanas dos porões, mas foram acolhidos pelo nativos como criaturas divinas. Retribuiriam apropriando-se de tudo naquele paraíso, inclusive das almas ingênuas e nuas como um ovo.

Colombo chega a Guanahani com as ferramentas de domínio das Américas. Imagem abcnews.go. com

Quem considera Ganahani, atual San Salvador, como berço da América repete o engano de Colombo. Ele delirava com as narrativas de Marco Polo sobre Cipango e Cathay, com ruas calçadas de jade e pagodes dourados, mas só havia choças no suposto reino do Grande Khan. Decretou o corte da língua de quem negasse estar na Ásia e insistiu no erro até morrer destituído da própria glória, 14 anos depois. Hoje, os revisores da História o acusam de genocídio e os novos humanistas vandalizam os monumentos em sua homenagem.

Meu avô Potiguar assa um português, conforme o relato de Américo Vespúcio sobre a expedição de Gaspar Coelho, em 1502. Mapa de domínio público.

Cristóvão (portador de Cristo) Colombo revolucionou a História e a Geografia, porém perdeu a honra de denominar as Américas quando o impressor e cartógrafo alemão Martin Waldseemüller anexou ao planisfério que produziu em 1507 a tradução do relatório de Américo Vespúcio sobre suas duas expedições às terras no Atlântico concedidas a Portugal pelo Tratado de Tordesilhas (1494). “Quattour Americci Vespucci Navigationes” identificou o Brasil como América e o alvoroço europeu pela ilustração de canibalismo no mapa Kunstmann II (atribuído a Vepúcio) contribuiu para popularizar o batismo americano do Mundo Novo.

O atual território dos Estados Unidos só surgiu no horizonte da História 21 anos após a descoberta de Colombo, quando Juan Ponce de León buscava a fonte da Juventude. Ele acompanhara Colombo na segunda viagem a “Ásia”, sendo recompensado com o governo de Boriquén, atual Porto Rico, onde foi encantado pela lenda dos Taínos sobre a fonte de águas mágicas que jorrava na Terra de Bimini. Fernão de Aragão, viúvo da rainha Isabel de Castela, completava 61 anos, e a esperança de rejuvenescer influiu na concessão ao aventureiro de três anos de direitos exclusivos na exploração do que descobrisse.

Ponce de León partiu de Boriquén em março de 1513. Seguiu a Corrente do Golfo no contorno do Grande Canal  Bahamas para noroeste e, em 2 de abril, na Páscoa das Flores, chegou à “ilha” que batizou de Florida. A fama brutal dos conquistadores o antecedera e, ao contrário da hospitalidade na acolhida de Colombo, os recém chegados foram repelidos pelos nativos Seminole. Fernando de Aragão já havia morrido quando Ponce de León voltou à Florida oito anos depois, foi flechado na coxa e morreu do ferimento. 

Colombo jamais pisou no continente norte-americano. Esteve apenas em Darién, atual Panamá, América Central, na sua quarta e última viagem ao Caribe, 1502/1504, sempre insistindo estar estar no Oriente. Na mesma época Vespucci mapeava o litoral da terra que Cabral batizara como Ilha de Vera Cruz, desfazendo o maior engano português de todos os tempos. Juan Ponce de León seria o primeiro espanhol a desembarcar no território dos Estados Unidos, mas é considerado apenas como descobridor da “Flórida” – com o acento que desvirtua o perfume do castelhano e não significa nada.

O mesmo critério exige que Colombo só tenha descoberto as Bahamas e outras ilhas do Caribe, inclusive Cuba. Pedro Álvarez Cabral, por sua vez, esteve apenas uma semana na costa da Bahia, mas a história luso-tupiniquim lhe atribui a descoberta do Brasil. Assim, a América original era o Brasil, enquanto os Estados Unidos ostentam o sobrenome do cartógrafo florentino que lhe foi  atribuído por um impressor alemão. Os dois países entraram para a história como ilhas, durante a Páscoa (florida) e o primeiro acidente avistado no Brasil, permanece como em 1500, graças a reserva do índios Pataxó, no Parque Nacional de Monte Pascoal, em Porto Seguro,  no sul da Bahia. 

Portanto, meus caros antropófagos, o Brasil era a América e os dois países entraram para a história como ilhas, durante a Páscoa, quando os coelhos não punham ovos de chocolate. A geografia é vítima da História, então, com licença das memória de Colombo e Vespúcio, os testes de Carbono-14 em utensílios e resíduos encontrados em L’Anse aux Meadows, Terra Nova, Canadá, confirmam que os nórdicos antecederam aos portugueses, espanhóis e italianos nas Américas.

A datação científica confirma a Saga Islandesa de Eirikr Hinn Raudi, segundo a qual Erik Thorvaldson, o Vemelho, matou outro viking, foi banido e partiu com seu clã para a Groenlândia. Num dia gelado por volta do ano 1000 da Era Cristã, o norueguês Bjarni Herjólfsson apareceu no fiorde do exílio falando sobre os confins do Oeste, onde avistou terra durante uma tempestade. Leif Erikson (filho de Erik) comprou o barco de Bjarni, reuniu 35 homens e foi confirmar a existência de Vinland, a Terra das Videiras. 

Groenlândia ano 1000 – por Jens Erik Carl Rasmussen. Cortesia http://www.pbslearningmedia.org

Dez anos depois, Thorfinn Karlsefni liderou outro grupo até Vinland, onde sua mulher, Gudridr, pariu o menino Snorri – provavelmente o primeiro branco nascido nessa parte do mundo. Não se sabe a causa dos estrangeiros louros como o trigo maduro terem abandonado a colônia. Especula-se que os peles vermelhas seriam mais ferozes que eles. O certo é a hibernação de Vinland no folclores islandês até 1961, quando a UNESCO reconheceu vestígios vikings deixados em L’Anse aux Meadows, na Terra Nova, Canadá, cinco séculos antes da chegada, conquista, posse e escravização das Américas pela Espanha e Portugal.

Eu percorri a rota da descoberta como repórter e tripulante do Lisa, um veleiro de 28 pés do piloto Fernando de Faria. Nós partimos de Miami para o Rio de Janeiro e navegamos na esteira da flotilha de Colombo desde o sudeste das Bahamas até Cuba, na borda sul da Corrente do Golfo. Esta postagem relativa ao aniversário da América é parte de O Complexo de Cuba, livro cuja publicação interrompi para participar do enfrentamento à pandemia Covid que matou, até agora matou 608 211, brasileiros, segunda maior letalidade mundial, atrás apenas dos Estados Unidos, apesar da população 1/3 menor: 212 milhões.

A Comissão de Inquérito do Senado sobre a atuação do governo no genocídio oficial entregou ontem às diversas instâncias judiciais o relatório que recomenda o indiciamento do presidente Jair Messias Bolsonaro por nove crimes, mais 79 pessoas, entre elas três dos seus filhos, ministros, ex-ministros, deputados federais, médicos, funcionários públicos e empresários. O documento será encaminhado à Corte |Internacional de Justiça das Nações Unidas.

O acompanhamento da CPI atrasou a postagem deste trabalho, mas nunca é tarde para lembrar uma das maiores aventuras humanas. Reconstituí episódios demais, então vou dividi-los em dois ou três. E, como nas velhas séries, não perca o próximo capítulo: O Lisa na Tempestade.

Destaque

O país das maravilhas

Guterres, a cara do mundo” Alegoria e foto do autor

O Secretário Geral António Guterres abriu a 76ª Assembleia da Organização das Nações Unidas disparando o alarme: “Nós estamos à beira do abismo.” Em compensação, o presidente Jair Bolsonaro apresentou ao mundo o país das maravilhas. Fez da tribuna mais importante do planeta um poleiro de papagaio, repetindo conquistas e virtudes democráticas que projetam o Brasil como uma piada:

ONU, 21/09/2021 – Desculpe a piada, louro, mas o Bolsonaro também só diz palavrão e besteira- foto pirata da www

O Brasil mudou, e muito, depois que assumimos o governo em janeiro de 2019. Estamos há dois anos e oito meses sem qualquer caso concreto de corrupção… Venho aqui mostrar o Brasil diferente daquilo publicado em jornais ou visto em televisões.”

Então mostrou um país formidável, onde…”milhões de brasileiros, foram às ruas, no último 7 de setembro, data de nossa Independência, na maior manifestação da nossa história, para mostrar de forma pacífica e patriótica, que não abrem mão da democracia, das liberdades individuais e de apoio ao nosso governo.

Panelaços à parte, 14 milhões de desempregados (40% mais do que a população do Portugal de Antônio Guterres), 40 milhões de “invisíveis” abaixo da linha da pobreza, inflação e juros acelerados, serviços públicos precários, violência fora de controle, o novo cangaço assediando cidades, 600 mil mortos na pandemia Covid até este momento, a Comissão Parlamentar de Inquérito que denuncia o boicote à prevenção sanitária e desmascara a corrupção oficial, o gabinete do ódio, o recorde de rejeição ao governo… não, nunca, nada disso jamais existe no éden do Messias redentor do Brasil .

Charge HERB , pirateada por uma causa justa do jornal norueguês no Dagningen – Fair copyright

Ele não ouviu António Guterres lamentar as consequência da desinformação e desconfiança que aprofundam a competição entre as potências econômicas, antecipando uma ruptura geopolítica “muito mais previsível do que a Guerra Fria.” Se ouviu, ignorou o alerta sobre a crise humanitária, as sequelas da pandemia Sars-Covid, guerras, multidões de refugiados, fome, desastres ambientais, egoísmo político, conflitos entre as grandes potências.

Eu estou aqui para soar o alarme. O mundo deve despertar…” Nós estamos num beco sem saída para a destruição.”

Os apelos e advertências dos estadistas que o antecederam, ressaltaram a limitação política do presidente, cujo preconceito ideológico angariou mais antipatias para o Brasil… “Se levarmos em conta que estávamos à beira do socialismo…Tudo isso mudou. Apresento agora um novo Brasil com sua credibilidade já recuperada.

A credibilidade democrática ficou explícita na atitude do ministro das Relações Exteriores, Carlos França, ao intimidar os manifestantes que assediaram a comitiva apontando-lhes a mão em forma de pistola. O chanceler teria sido mais útil se houvesse informado ao presidente que o anfitrião do Brasil na ONU foi Primeiro Ministro socialista de Portugal por dois mandatos, ex-presidente da Internacional Socialista e Alto Comissário para Refugiados. @António Guterres dificilmente apoiará a pretensão declarada na tribuna pelo presidente:

Apoiamos a Reforma do Conselho de Segurança ONU, onde buscamos um assento permanente.”

O “novo Brasil” é um velho conhecido, e “a sua credibilidade já recuperada” incorpora e identifica os brasileiros com o líder que elegeu e nos representa. Qualquer cidadão dos 193 países da ONU podem esfregar na nossa cara que o presidente novo Brasil homenageou no Congresso Nacional, impunemente, o maior torturador da ditadura brasileira, o coronel Carlos Brilhante Ulstra, (codinome doutor Tibiriçá). Vide a sua declaração no volto pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rouseff.

Ele se elegera vereador pelo Rio de Janeiro e deputado por sete sete mandatos, com oito filiações partidárias. Deve os 29 anos de carreira parlamentar à intermediação de vantagens militares e apoio a grupos milicianos, tendo introduzido três filhos na política com as mesmas características: falcatruas nos gabinetes, rechadinhas, leilão cargos, comissões, influências e vantagens. O toma lá, cadê o meu, dá cá.

O deputado Bolsonaro apresentou 171 projetos, aprovou dois: um para isentar bens de informática do Imposto sobre Produtos Industrializados, IPI. Em 2016, ele subscreveu o projeto do Partido Progressista que o projetou no cenário nacional, autorizando a fosfoetanolamina sintética para o tratamento do câncer. A ex-presidente Dilma Houssef sancionou o projeto mas a Associação Médica Brasileira denunciou a ineficácia da “pílula do câncer” e o STF revogou a permissão.

O kit Covid (cloroquina & azitromicina) é o segundo escândalo “científico” do presidente acusado de genocídio no Tribunal Penal Internacional, em Haia, Holanda. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil relaciona os crimes ambientais do presidente do “novo Brasil:”

Nenhum país do mundo possui uma legislação ambiental tão completa. Nosso Código Florestal deve servir de exemplo para outros países...Antecipamos, de 2060 para 2050, o objetivo de alcançar a neutralidade climática. Os recursos humanos e financeiros, destinados ao fortalecimento dos órgãos ambientais, foram dobrados, com vistas a zerar o desmatamento ilegal. E os resultados desta importante ação já começaram a aparecer! Na Amazônia, tivemos uma redução de 32% do desmatamento no mês de agosto, quando comparado a agosto do ano anterior. Qual país do mundo tem uma política de preservação ambiental como a nossa?

Apoiamos a vacinação, contudo o nosso governo tem se posicionado contrário ao passaporte sanitário ou a qualquer obrigação relacionada a vacina. Desde o início da pandemia, apoiamos a autonomia do médico na busca do tratamento precoce, seguindo recomendação do nosso Conselho Federal de Medicina. Eu mesmo fui um desses que fez tratamento inicial. Respeitamos a relação médico-paciente na decisão da medicação a ser utilizada e no seu uso off-label. Não entendemos porque muitos países, juntamente com grande parte da mídia, se colocaram contra o tratamento inicial. A história e a ciência saberão responsabilizar a todos.”

A ciência já responsabiliza o governo brasileiro por grande parte das 600 mil mortes na pandemia, resultado da obstrução pessoal, pública, do Sr. Bolsonaro à compra de vacinas. Seu negacionismo científico foi proporcional ao empenho na propagação receita do kit Covid, o tratamento precoce de tantos mortos por falta de ar, sufocados nas próprias secreções. E a velha história relaciona a ” pílula do câncer” à cloroquina, porém perplexa com a obstinação do presidente em defesa da charlatanice comandada por um general tão subalterno quanto incompetente.

Parece castigo que o 4º ministro da Saúde, o substituto de general Pazuello, tenha sido diagnosticado com Covid durante a missão na ONU. Ele já estava contaminado quando viajou para a Conferência e preferiu desfrutar a quarentena em New York, onde respondeu aos mesmos manifestantes que assediaram a comitiva oferecendo-lhes o dedo médio, bem esticado. O gesto cafajeste sugere ao desafeto a introdução do dedo no, digamos, buraco de ozônio. Menos mal que, agora, o dr. Marcelo Queiroga pode se auto medicar com o mesmo dedo.

O vexame terminaria na dedada do dr. Queiroga se Dona Michele Bolsonaro não tivesse resolvido se vacinar em Manhattan, privilégio que insultou aos milhões de brasileiros nas filas de vacinação e aos heróis da Saúde desqualificados por sua escolha e privilégio. Ela é a madrasta da prole Bolsonaro e o seu enteado 03, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, do Partido Liberal, foi diagnosticado com a Covid na volta à utopia do pai.

Um terceiro membro da comitiva também foi infectar as Nações Unidas. A identidade dessa é resguardada sob sigilo, restrição que se encaixa à ausência do presidente na cerimônia de reeleição do procurador geral da República, Augusto Aras, e à vacinação da madame Bolsonaro. António Guterres fez uma diagnóstico sombrio da atualidade, mostrando a Terra na UTI. Apesar da sinceridade que desagrada a muitos, arrematou as boas vindas à Assembleia Geral de 2021 com esperanças: “Os problemas que nós criamos são problemas que podemos resolver”.

Os brasileiros também podem solucionar os seus problemas. Nesta viagem do presidente não houve, por exemplo, nenhum flagrante como na comitiva do presidente Jair Bolsonaro ao Japão em junho de 2019 para a reunião do G-20,quando o sargento da Força Aérea Brasileira Manoel Silva Rodrigues foi flagrado em Sevilha, Espanha, com 39 quilos de cocaína num dos aviões da comitiva presidencial.

Era a sétima vez que o sargento Manoel servia de mula para tráfico, cujo chefe continua anônimo e impune. A mula da FAB continua presa na Espanha e recebe R$ 8 mil de salário. Dessa vez a comitiva traficou apenas a variante brasileira do vírus Corona e o discurso que infectou o brasileiros com vergonha. Enfim, o paraíso oferecido à comunidade das nações pelo Sr. Jair Messias Bolsonaro é mais falso do que receita de kit-Covid.

Destaque

Quem com setembro feriu com setembro foi ferido

Torture a história e ela confessará a “verdade” que você deseja, menos negar a relação entre o mortos americanos e chilenos, em tragédias terroristas, na mesma data fatal: 11 de setembro. A importância do Pentágono, o glamour de NY e o extermínio instantâneo 2 296 pessoas, ao vivo na TV, minimizam o genocídio chileno, 28 anos antes, quando o golpe do general Augusto Pinochet “suicidou” o presidente Salvador Allende. As imagens dos impactos nas torres gêmeas, a fumaça, o colapso, os escombros e as homenagens às vítimas camuflam a memória de 40 mil torturados anônimos nas duas décadas da ditadura que foi instalada pela Central Intelligence Agency, CIA, para romper o elo político/ideológico entre Santiago e Havana.

Coincidência? Apesar dos 28 anos entre tragédias de New York e de Santiago do Chile, a mesma data apenas acentua que o terror não é exclusividade de nenhum credo ou ideologia. Enquanto a humanidade não se humanizar, seremos todos reféns da maldição de Caim. A foto acima é de Mate Eric J. Tilford, da divisão Navy do exército dos Estados Unidos. Imagem de domínio público. 

Praça da Cidadania, Santiago do Chile, terça-feira 11 de setembro de 1973. As janelas do Palácio La Moneda choravam labaredas quanto os tanques arremataram o bombardeio aéreo. Padioleiros com as caras sujas de fuligem, vergonha e culpa removeram, pelos fundos da sede do governo, o cadáver do presidente Salvador Allende. O golpe do “Abutre do Andes” foi pago pelos contribuintes do Tio Sam para encadear o Chile às ditaduras aquarteladas pelos Estados Unidos na América Latina nos Anos de Chumbo. As provas são referendadas pelo Senado dos Estados Unidos da América no Report nº 94-755 da 2ª Sessão do 94º Congresso, o Relatório Church.

Destaque

A Independência rachadinha

A conflagração orquestrada pelo governo para rachar a legalidade no dia 7 de setembro e restaurar o autoritarismo é criminosa mas serve para comparar, 199 anos depois, o grito de Independência do imperador com o berro do presidente contra a democracia. As semelhanças entre os protagonistas tem aspectos engraçados, não é jacaré? Mas prepare o lenço, o que é ridículo também dá pra chorar.

” Pedro I e a Constituição” – Esta Litografia do Museu Histórico Nacional insinua algo mais autêntico que o zelo pela carta magna.

Anauê nativos e inativos. Olá assinalados lusitanos. Sarava africanos. Todos nós, ingredientes da noss feijoada étnica/cultural, devemos uma parte do Brasil ao suposto proclamador da Independência, Dom Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, príncipe da Beira, imperador do Brasil, era porra-louca de uma ponta a outra do bigode. E o seu atual sucessor republicano não tem bigode mas também precisa de ser reavaliado.

O caráter do imperador revelou-se na adolescência, quando mandava ferrar pangarés vadios com a marca da cavalariça real e os vendia usando em sociedade com laranja o barbeiro do palácio, Plácido Pereira de abreu. Outro cúmplice famoso das taras e trapaças do príncipe herdeiro era Francisco Gomes de Silva, o Chalaça, também barbeiro, dentista e sangrador, com negócio aberto na Rua do Piolho, belo endereço para o sanguessuga alcoviteiro. Os mais zelosos com reputação aristocrática do que com a verdade preferem exaltar o vulto intrépido do Grito do Ipiranga, mas eco histórico de Dom Pedro I foi só um pio na Proclamação da Independência.

O Brasil deve o rompimento decisivo para sua autonomia nacional ao ministro do Reino e dos Negócios Estrangeiros, José Bonifácio de Andrade e Silva, e à princesa consorte Carolina Josefa Leopoldina de Habsburgo-Lorena, filha de Francisco I da Áustria, cunhada de Napoleão Bonaparte. Aquela flor em pessoa casou por procuração com o espinho da sua breve existência; o sonho de uma noite de verão tornou-se num doloroso pesadelo. A pompas e as circunstâncias do noivado encantaram em Viena. Duas fragatas com utensílios para instalar a embaixada austríaca no Rio antecederam a noiva. Ela chegou ao Rio seis meses depois, em novembro de 1817, com 40 do caixões de enxoval, sua biblioteca, presentes, pajens, a camareira-mor, o mordomo-mor, seis damas, guardas austríacos, músicos, cientistas, um capelão, um secretário particular, um médico, um esmoler-mor e o barão Ludwig von Eschwege, pioneiro da siderurgia no brasil. O barão comentou o casamento numa carta para o estadista mais proeminente da época, Klemens von Metternich:

Por falar no Príncipe Herdeiro, posto que não seja destituído de inteligência, é falho de educação formal. Foi criado entre cavalos, e a princesa cedo ou tarde perceberá que ele não é capaz de coexistir em harmonia.

O garanhão só pensava naquilo, mas esquecia o que não lhe convinha, inocentado pelos ataques epiléticos. A crise mais constrangedora aconteceu na lua-de-mel. Ninguém avisara a noiva sobre a doença neurológia e a tara sexual do marido. Sem contar os abortos, Pedro I gerou 28 filhos confirmados. Os dois primeiros, com a bailarina francesa Noemy Thierry Valency. Ambos morreram após o parto, livrando a família imperial de dois descendentes de uma puta como eram consideradas as francesinhas do teatro. Noemy seria expulsa da corte e teve sua memória apagada

O terceiro filho nasceu de outra francesa, Clèmence Saisset, parto alcovitado pelo marido corno, o negociante Pierre Félix Saisset, com loja de papéis e modas na Rua do Ouvidor. O flagrante do adultério lhe valeu o contrato para empapelar as paredes do Palácio, o status de Fornecedor da Casa Imperial (em todos os sentidos), em enteado bastardo, a indenização do seu negócio, mais uma bolsa de 75 mil francos para volta da família à França e uma pensão vitalícia para o pequeno parisiense Pedro de Alcântara Brasileiro. A uruguaia María del Carmen García teve um menino cisplatino. A prole cresceu no ventre de outra mulher casada: Maria Benedita de Castro e Canto, baronesa de Sorocaba.

A lista aumenta com os cinco filhos de dom Pedro com Domitila de Castro e Canto Melo, a marquesa de Santos, irmã da baronesa de Sorocaba, que atentaria contra a vida da irmã pela exclusividade do amante. A filharada oficial são sete da princesa Leopoldina e um da segunda imperatriz, Amélia Augusta Eugénia de Leuchtenberg. Houve outro menino com Ana Steinhausser, mulher do bibliotecário do palácio; mais o guri de Andozinha Carneiro Leão, sobrinha de Fernando Carneiro Leão, um dos supostos amantes de Carlota Joaquina. A mulher de Carneiro Leão, Gertrudes Angélica, foi assassinada a tiros. Nunca se apurou a autoria do crime, mas o viúvo recebeu o título de conde da Vila Nova de São João.   

Luísa Meireles gemeu no parto da penúltima criança de Pedro I gerada no Brasil, e Gertrudes Meireles de Vasconcelos teria fechado a maternidade nacional. Teria porque o garanhão imperial gerou dezenas de bastardos nas alcovas, nas senzalas, na cozinha do palácio, nos bordéis e nos encontros arranjados pelo proxeneta Francisco Gomes da Silva, o Chalaça. “Foguinho”, como o apelidou a marquesa de Santos, nascera em Portugal, mas, no que diz respeito à sacanagem, era louco por uma “jaca” e brasileiro como jabuticaba.   

 A mais humilhada das suas mulheres foi a imperatriz Leopoldina, a quem os súditos amavam pela bondade e o protagonismo na Independência do Brasil. Dona Leopoldina nascera em Viena, Áustria, filha de Francisco I e Teresa Maria da Sicília. Era sobrinha de Maria Antonieta, a imperatriz decapitada na Revolução Francesa, e também sofreu morte cruel. Ela resistiu a ser arrastada à força pelo marido para a própria humilhação no ritual do beija mão público montado para legitimar a Marquesa de Santos como concubina favorita na corte, e a surra aplicada pelo valente Pedro I teria provocado o aborto aos quatro meses de gravidez. Os historiadores documentam esta denúncia citando as cartas que ela escreveu para a irmã, Marie Louise, a segunda mulher de Napoleão Bonaparte.”

Leopoldina, agredida e humilhada

Minha adorada mana! Reduzida ao mais deplorável estado de saúde e tendo chegado ao último ponto de minha vida em meio dos maiores sofrimentos, terei também a desgraça de não poder eu mesma explicar-te todos aqueles sentimentos que há tanto tempo existiam impressos na minha alma. Minha mana! Não tornarei a vê-la! Não poderei outra vez repetir que te amava, que te adorava! Já que não posso ter esta tão inocente satisfação, igual a outras muitas que não me são permitidas, escuta o grito de uma vítima que reclama – não vingança – mas piedade, e o socorro do fraternal teu afeto para meus inocentes filhos, que órfãos vão ficar, em poder de si mesmos ou das pessoas que foram autores das minhas desgraças, reduzindo-me ao estado em que me acho, de ser obrigada a servir-me de intérprete para fazer chegar até tu os últimos rogos da minha aflita alma…”

Leopoldinha completava 29 anos e estava grávida pela nona vez ao ser espancada, causa do abordo e da infecção fatal, como se depreende no arremata da carta para a irmã: “Há quase quatro anos, minha adorada mana, como a ti tenho escrito, por amor de um monstro sedutor me vejo reduzida ao estado da maior escravidão e totalmente esquecida pelo meu adorado Pedro. Ultimamente, acabou de dar-me a última prova de seu total esquecimento a meu respeito, maltratando-me na presença daquela que é a causa de todas as minhas desgraças. Muito e muito tinha a dizer-te, mas faltam-me forças para me lembrar de tão horroroso atentado que será sem dúvida a causa da minha morte…” 

Os 199 anos do grito da Independência valem para recapitular como a aristocracia lusitana veio civilizar a maloca de Tupã, mato de pau Brasil, infestado de feras, palmeiras, araras, papagaios, antropófagos, Tupis, Tupiniquins, pajés, cunhãs, carapanãs, maruins, muriçocas, piuns, sacis, pé de moleque, bicho de pé, massapê, cana, rapadura, pão de açúcar, café, macaxeira, farinha, pirão, pimenta, tatus, tamanduás, formigas, macacos, jenipapo, jabutis, jabuticaba, degredados, piranhas, pirarucu, cururus, piratas, náufragos, jesuítas, bandeirantes, garimpeiros, traficantes, escravistas, escravos, carapinhas, cafuzos, ouro, ganga bruta, mau agouro, catimba, angu, quilombos, chocalhos, tambor, Xangô, filhas de santo, afoxés, capitães do mato, cangas, chibatas, capoeiras, macumbeiros, mucamas, sinhô, incestos, mulatas, cio, suor, amas de leite, caboclos, moleques, bastardos, sinhás, sinhazinhas de anáguas engomadas, sabiás, sanhaços e outras aves que gorjeiam do lado de cá do além mar, terra povoada por degredados do reino e pretos da costa d’África.

A dinastia dos Orleans e Bragança caiu real tropical porque o príncipe regente, Dom João VI, trapaceou no bloqueio à Inglaterra imposto por Napoleão Bonaparte. Propôs inclusive uma declaração de guerra… para inglês ver. Então o imperador predileto dos doidos mandou o general Jean-Andoche Juneau invadir Portugal. Mas George III, outro maluco que falava sem parar, vítima de uma desordem neurológica grave, foi muito lúcido ao avaliar que a experiência marítima portuguesa convinha aos interesses britânicos na América do Sul. O embaixador em Lisboa, lord Strangford, mandou a corte fugir em novembro de 1807, ou teria o mesmo destino da Espanha, onde Napoleão depôs o rei Carlos IV e entregou o trono entregue seu irmão, Giuseppe Bonaparte.  

O problema era convencer a rainha-mãe, também louca, a cruzar o mar tenebroso para viver na selva. Ela perdera o juízo após a morte do filho primogênito, também seu primo e sobrinho, por ela haver casado com o próprio tio, o duque de Bragança. Tantã por tantã, dona Maria I  era paciente do reverendo Francis Willis, o mesmo alienista que tratava a porfiria de George III. O regente dom João precisava proteger o trono português contra as conspirações de Carlota Joaquina, sua mulher espanhola, filha de Carlos IV. A galeria dos Bragança mostra um sujeito baixo, balofo, de olhos caídos, bochechas flácidas e boca mole. Tornou-se herdeiro da coroa devido às mortes dos dois irmãos mais velhos e à insanidade. A decisão britânica resolveu o dilema e o regente emitiu um édito: “… Tenho resolvido em benefício dos meus vassalos a passar com a Rainha minha Senhora e Mãe, e com toda a família real, para os estados da América, e estabelecer-me na cidade do Rio de Janeiro, até a paz geral”. 

Maria I, interpretação senil de uma alegoria da desciclopedia.org

Dona Maria I esperneou ao ser arrastada para o navio… “Não corram tanto. Podem pensar que estamos a fugir…” e os números também esperneiam entre 14 mil e 15 mil no “Deus nos acuda” do dia 29 de novembro de 1807. A dignidade ficou no cais. Os franceses entraram em Lisboa no dia seguinte e o general Jean-Andoche Junot ainda viu as velas da armada no Rio Tejo, e daí o dito popular para quem perde uma chance: “ficou a ver navios”. Ao todo, 19 embarcações lusitanas, além da escolta do contra-almirante Sidney Smith. O Atlântico teve mais juízo que  Maria I e todos os navio chegariam a São Salvador, Bahia, em 28 de janeiro de 1808.  

No dia seguinte, o príncipe regente decretou a abertura dos portos às nações amigas. Isto é: a Inglaterra. Outros países só teriam a mesma permissão dois anos depois, com 25% de tarifa sobre seus produtos, o dobro do 12,5% concedido aos ingleses. A viagem terminou em 7 de março  no Rio de Janeiro, cidade com uns 60 mil habitantes, sendo 40 mil escravos. A nobreza infestada de pulgas e piolhos foi recebida com fogos, missas, ladainha, novenas, procissões, banquetes, diarreia e muito calor e indignação disfarçada pelos súditos mais ricos, dos quais o vice-rei Marcos de Noronha e Brito havia confiscado as propriedades para alojar o séquito recém chegado. Ela marcara as casas com P.R. – indicativo do confisco em nome do príncipe real – o povo leu “Ponha-se na rua.” Enquanto a corte se instalava, dom João VI tinha que proteger o trono da própria mãe, tia e prima contra, as conspirações de da sua mulher, filha de Carlos IV, o rei espanhol deposto por Napoleão.

Carlota Joaquina, a “Megera de Queluz”

Lua de fel! Carlota Joaquina Teresa Cayetana de Borbón y Borbón, feia como uma cólica, definiu o casamento negociado para aliar Espanha e Portugal contra a França na noite das núpcias. Ela atacou marido a dentadas, a afinal ele também era um bofe, balofo, com a cara flácida como o seu temperamento. Ela tinha 10 anos e ele 18 quando se casaram em maio de 1785. O frade José Agostinho de Macedo, confessor da corte, satirizou escândalo no panfleto “O Gato Que Cheirou e Não Comeu,” e foi punido com injeção de pimenta no ânus, além de desfilar nu pelo Bairro das Marafonas de Lisboa. O estupro matrimonial explica a rejeição de Carlota Joaquina ao filho Pedro e sua preferência pelo caçula Miguel, com quem haveria de conspirar na tentativa de tomar as coroas portuguesa e brasileira do marido e do seu primogênito. Carlota Joaquina consagrou uma convicção profunda dos lusitanos: “de Espanha nem bom vente nem bom casamento”. Temperamento seco como suão que sopra da África para a Península, peçonha no sangue e a ambição ibérica explica o nojo da “megera de Queluz” pelo marido, a ojeriza ao filho Pedro e ódio a este pedaço de Portugal.

Enquanto os Estados Unidos a América lutava o Brasil beijava a mão a Inglaterra venceu a França, exilou Napoleão em Santa Helena e lhe restituiu o trono do rei que até da própria mulher, português. A Revolução Liberal do Porto impôs o retorno da corte e Dom João VI raspou o Tesouro  antes de partir, levando na bagagem os restos da mãe que morrera no Rio, em março de 1816. Carlota Joaquina também se foi sem deixar saudades. Bateu os sapatos ao embarcar, gesto interpretado como daqui não quero nem a poeira. Ela odiava o Brasil quase tanto quanto ao marido, sempre conspirando para destroná-lo. Tramou ser coroada no vice-reinado do Rio da Prata (Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia), em conluio com o almirante Sydney Smith, um dos seus supostos amantes. 

Na volta de D. João VI para Portugal, Pedro ficou como príncipe regente, solto na gandaia, encangado com o Chalaça. Escândalo atrás de escândalo, as Cortes exigiram seu regresso à Lisboa, então a princesa Leopoldina e José Bonifácio insuflaram o Dia do Fico… “para o bem da nção e felicidade geral do povo” causa do ultimato das Cortes, motivo da mitológico Grito do Ipiranga. Dom Pedro tinha transferido a regência para a mulher muito mais competente, responsável, e farreava para as bandas de São Paulo no momento histórico. Quem recebeu a intimação das Cortes e redigiu a carta da Independência foram Leopoldina e Bonifácio. Se tivesse obedecido às Cortes e ao pai, (como havia jurado) os movimentos separatistas rachariam as províncias brasileiras como ocorreu no resto da América do Sul.

A “inversão metropolitana” desenvolvera o Brasil  em 13 anos muito mais que nos três séculos anteriores. A população do país atingia uns 4,5 milhões de habitantes. Cerca de 80% eram negros ou mestiços; escravos e braços de aluguel. O gentílico de brasileiro tinha conotação pejorativa e o retorno da família real consumava ideal lusitano de enriquecer e voltar à “santa terrinha”, deixando parentes no controle das propriedades aquém-mar. 

No mês de abril de 1808, sua majestade “P.R.” lavrou o Alvará de Liberdade Industrial, permitindo a tecelagem, a manufatura de metais e de alimentos. A Inglaterra admitiu a concorrência mas era credora das despesas com a mudança da corte e estabeleceu a taxa de 16% sobre as mercadorias brasileiras. Os portugueses concordam que a “transmigração da corte” salvou o Brasil de um destino africano. Mas eu vejo a África nas favelas que colocaram o Brasil na 84º posição entre os 189 países analisados em termos de Desenvolvimento Humano. Caiu cinco posições em 2020.

As verdades sobre certos episódios e personagens mitificados por ufanismo desmoralizam a nossa história. É mais cômodo manter as farsas e aparências, condições que explicam a personalidade e o caráter do homem a quem devemos devemos o grito que rachou o Reino Unido de Portugal e Algarves em 7 de setembro de 1822, no episódio celebrado com a Independência do Brasil. Porém as vantagens da colonização e imperial português podem ser avaliadas numa comparação inquestionável.

 O quinto presidente americano, James Monroe, iniciava o segundo mandato quando a família real chegou a Lisboa em 4 de julho de 1821, dia do 45o aniversário da Independência dos Estados Unidos, país que começou a se colonizado 120 anos depois da descoberta do Brasil. As Cortes Gerais Extraordinárias de Portugal hostilizavam do João VI por haver deixado aqui o filho Pedro de Alcântara como príncipe regente, apesar da promessa escrita e assinada pelo rapaz :   

“… Juro a Vossa Majestade, escrevendo nesta com o meu sangue, estas seguintes palavras: juro ser sempre fiel a Vossa Majestade, à Nação Portuguesa e à Constituição Portuguesa“. 

 Dom Pedro de Bragança era herdeiro de dois impérios, sem a mínima intenção separatista. O rompimento lhe custaria no mínimo uma coroa. Pedro não era confiável, e Cortes Gerais temiam perder a mina que sustentava Portugal e a “alta linhagem do príncipe tornava sua permanência no Brasil indecorosa”. A menção ao decoro por ser aplicada à tara do regente de 22 anos por mulher de qualquer cor e condição. No Brasil os súditos   se escandalizavam com suas safadezas e pouca honestidade. Mas a ausência dele rebaixaria  o  Brasil do status de Reino Unido a Portugal e Algarves. 

A Igreja Católica avaliou os prejuízos no retrocesso à condição de colônia e aderiu à campanha da maçonaria, cujo grão-mestre do Grande Oriente do Brasil era José Bonifácio de Andrada e Silva, futuro Patriarca da Independência. Frei Francisco de Sampaio redigiu a petição e 8 000 súditos capazes de garatujar o próprio nome assinaram embaixo. Dom Pedro de Bragança recebeu o documento em 9 de janeiro de 1822, e a resposta foi publicada no Edital da Municipalidade do dia seguinte:      

Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Diga ao povo que fico”.   

José Bonifácio servira por 36 anos à coroa, ocupando cargos importantes na metrópole. Era o administrador mais competente disponível e o príncipe lhe pediu que organizasse o ministério. As Cortes reagiram decretando um boicote comercial e dom Pedro suspendeu as taxas das importações de outros países. A província das Minas Gerais esboçou um levante, o príncipe foi a Juiz de Fora e os líderes se ajoelharam aos seus pés. Na chegada ao Rio, a maçonaria o declarou Defensor Perpétuo do Brasil. Em 14 de agosto, ele foi confirmar a lealdade dos paulistas. Houve uma farra em Santos e, no dia seguinte, dom Pedro partiu para São Paulo contorcendo-se nas cólicas. Os biógrafos são unânimes a respeito da diarreia e os historiadores cronométricos cravam as 16h 30m do sábado 7 de setembro de 1822 o recebimento do despacho do palácio, informando-o sobre as ordens recém chegadas de Lisboa

O Rio de Janeiro perdia o foro de capital e os governos provinciais deveriam   obedecer apenas às Cortes. O ministério fora extinto. Dom Pedro estava destituído da regência e do comando das tropas, devendo voltar via Espanha, França e Inglaterra, para educar-se à altura da sua nobreza. Os envolvidos na petição do “Fico” seriam processados. José Bonifácio era um deles e apresentou duas alternativas: dom Pedro obedecia às Cortes, submisso como o seu pai, ou libertava o Brasil. A carta da princesa Leopoldina resolveu dilema: 

Senhor, o pomo está maduro. Colhe-o já.” 

José Ferreira de Castro ensina no seu Livro-Texto de História do Brasil (muito pirateado sem crédito) que o príncipe amarrotou as cartas com as mãos nervosas. Imagino o uso da correspondência naquele tempo em que sabugos de milho serviam como papel higiênico. E os higienistas didáticos o imaginaram galante após o “serviço”, montado num puro-sangue, ordenando à escolta que arrancasse da farda de gala a fita azul e branca das cores portuguesas: 

Laços fora, soldados. Independência ou morte seja a nossa divisa; verde e amarelo sejam as cores nacionais”. 

 O príncipe notabilizou-se como arrogante, autoritário,  temperamental, grosso, e que se foda o resto. Se estivesse indignado o discurso nunca seria refinado como ensinam nas escolas. Com ou sem palavrão, a coisa aconteceu numa colina às margens do córrego Ipiranga, hoje na área metropolitana de SP. Daí o título do painel de Pedro Américo que celebrizou o Grito do Ipiranga. A pintura reconstitui a cena observada por um carreteiro de bois com chapéu paia, de camisa rasgada, descarço, as perna das carça enrolada. Os Dragões da Independência esporeiam seus corcéis no carrossel equestres em torno do moço montando num garanhão castanho, e ele espeta o céu da pátria com uma baita espada. 

A diarreia é unanimidade histórica, mas a cena é falsa. Pedro Américo pintou o Grito 66 anos depois do episódio, em Florença, na Itália, por encomenda de Dom Pedro II, para colorir a reputação pai. Segundo o professor Ferreira da Costa, o príncipe viajava numa mula, e, nos termos  termos simples do carreteiro caipira, dom Pedro I acabava de cagar no mato. 

Fica deselegante espiar um príncipe fazendo cocô, e quem já sentiu “necessidade” durante uma cavalgada sabe que a tropa se adianta. Havia  engenhos na redondeza e faz sentido que, enquanto esperava, a comitiva comentasse o piriri de sua alteza, lavando a goela com cachaça.  A realidade contribui para a baixa estima nacional, o deboche muito repetido sobre “esse país de merda”. A história imperial brasileira foi pouco higiênica, e muito servil, contribuindo para o trocadilho infame da “América latrina”. E a independência improvisada atrás da moita se consuma na ameaça autoritária de um tal de Jair que tem a cabeça monárquica, a vocação autoritária, é um tremendo porra-louca e só falta se chamar Pedro . 

  

O império recém proclamado precisava ser reconhecido, mas a Doutrina a Monroe das “Américas para os americanos” era conversa para inglês ver. O governo dos Estados Unidos só reconheceria a independência brasileira em maio de 1824. A Inglaterra, por sua vez, exigiu a restauração dos seus privilégios comerciais concedidos por dom João VI na Abertura dos Portos, e impôs tribunais exclusivos para os ingleses no Brasil, com juízes subordinados apenas às cortes de George IV. O embaixador britânico Charles Stuart negociou os onze parágrafos do Tratado de Paz e Aliança, assinado em 29 de agosto de 1825, pelo qual… 

 “Em nome da Santíssima e Indivisível Trindade”:   

“I) Sua majestade fidelíssima (dom João VI) reconhece o Brasil na Categoria de Império Independente, e separado dos reinos de Portugal e Algarves, e o seu sobre todos muito amado e prezado filho, dom Pedro, por Imperador, cedendo e transferindo de sua livre vontade a soberania do dito Império ao mesmo seu filho, e a seus legítimos sucessores, sua majestade fidelíssima toma somente e reserva para sua pessoa o mesmo título” 

“II) Sua majestade imperial (Pedro I) em reconhecimento e amor ao seu augusto pai, o senhor dom João VI, anui a que sua majestade fidelíssima tome para sua pessoa o título de imperador”. 

Pois pois, dom João VI continuava legalmente a reinar sobre o Brasil. Além da raridade de um  império com dois imperadores, o negócio de pai para filho obrigava o falido tesouro brasileiro a indenizar Portugal no valor de $ 2 000 000 de libras esterlinas. Quem falou em assalto, lorde Cochrane? A independência do Brasil foi emprestada, vendida, comprada e alugada. Os outros oito parágrafos do acordo prometiam perdão recíproco e amizade eterna, definindo pendências sobre propriedades e regras mercantis. Lisboa foi imposta como foro legal e os  portugueses continuaram dominando a economia agrícola, o comércio e tudo mais o que justifica a alcunha do Gigante Adormecido. 

João VI morreu em 10 de março de 1826, supostamente envenenado por laranjas injetas com arsênico. Pedro I herdou a coroa portuguesa pelo tempo suficiente para outorgar uma Carta Constitucional e abdicar e favor da filha de sete anos: 

Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança, aliás Maria II, rainha de Portugal, era carioca, nascida no bairro de São Cristóvão. Os absolutistas e a Igreja Católica, partidários de dom Miguel e Carlota Joaquina, negavam o direito de Pedro I em Portugal devido ao rompimento na Independência do Brasil. A irmã dele, Isabel Maria de Bragança, assumiu a regência num acordo para pacificar liberais e absolutistas até o matrimônio da carioca Maria da Glória com o próprio tio. O acordo durou até dom Miguel usurpar o trono em julho de 1828, num complô com a mãe e madrasta de Portugal, Carlota Joaquina. 

Em 7 de abril de 1831, Pedro I abdicou ao trono do Brasil em favor do filho de cinco anos, Pedro II, e foi entronizar a filha em Portugal. Na passagem pelos Açores engravidou Ana Augusta Toste, freira do Convento da Esperança, na Ilha Terceira, desvirginado, ainda, a noviça negra Andressa dos Santos. Desembarcou no Porto, venceu o irmão após dois anos de lutas, mas as farras e a guerra lhe custaram a saúde. Pedro IV morreu tuberculoso aos 35 anos, no Palácio de Queluz, na mesma câmara onde nascera, o quarto do Quixote. 

Os portugueses o culpam pela perda da colônia e os brasileiros se dividem a sobre o caráter do imperador, mas não lhe podem negar a integridade territorial do Brasil. Pedro I impediu o desmembramento do império como os domínios espanhóis nas Américas. A  Amazônia, o Planalto Central, o Pantanal, o cerrado, a caatinga, as serras, o clima, a língua, a mistura de raças e a raça dessa mistura são o verdadeiro milagre brasileiro. Mas, acima da preguiça cívica, da apatia política, do descaso social, do deixa pra lá com a própria história, os herdeiros do Reino Unido a Portugal e Algarves devem a Pedro I uma República Federativa de proporções continentais. E ele, que país preferia? 

Na festa dos 150 anos da Independência do Brasil, eu cobri a exumação dos restos  do imperador doados pelo Governo Português para guarda definitiva na cripta do Monumento do Ipiranga, em São Paulo. O esqueleto estava em Lisboa, no Panteão dos Bragança, no mosteiro de São Vicente de Fora. Nesse périplo mórbido, fui à cidade do Porto onde ele deixou seu coração. Não o músculo cardíaco do rei, mas o que batia no peito do general que venceu o irmão usurpador, dom Miguel, para coroar a filha, dona Maria II. Ele nem imaginava que o filho Pedro II abdicaria do trono brasileiro. 

Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon quis se dividir entre O Porto e Lisboa, na eternidade comprida como seu nome. Na época em que lhe abriram o peito, o coração era o sacrário da alma. O traslado dos ossos para o Brasil separou a matéria da substância em dois hemisférios. Mas a cânfora da história preserva a paixão que une os reinos Pedro IV e Pedro I, com um oceano de saudades no meio, porque navegar é… 

Destaque

PP-L: o partido dos porra-loucas

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O ex-presidente Jânio Quadros, foto de autor não identificado.

Quem precisa de sigla para as próximas eleições é bem-vindo ao PP-L, o partido póstumo do ex-presidente Jânio da Silva Quadros, modelo bizarro que inspira o atual pomba–lesa sem partido aquartelado no Palácio do Planalto. Jânio Quadros notabilizou-se na História do Brasil pelo fracasso do golpe que engendrou para assumir poderes ultra-bolsonários.

A estratégia de forçar a ruptura institucional e envolver as Forças Armadas é peculiar até pela escolha das datas: Jair Bolsona arma a espoleta do seu golpe para o próximo 7 de Setembro, Dia da Independência, assim como Jânio tentou detonar a legalidade institucional no Dia do Soldado, há exatos 60 anos, através deste bilhete endereçado ao Congresso, certo de que povo exigiria sua volta ao governo, dando-lhe plenos poderes: Ao Congresso Nacional. Nesta data, e por este instrumento, deixando com o Ministro da Justiça, as razões de meu ato, renuncio ao mandato de Presidente da República. Brasília, 25.8.61.”

Foto de Erno Schneider – Ponte da Amizade em 04/ 61 Ag. Senado – Fair copyright

O Congresso deu uma rasteira em Jânio, o que não era difícil julgar pela foto ao lado, e as minhas bolas de cristal mostram que Jair Bolsonaro corre o mesmo risco. Há, diferenças acumuladas pelo tempo, como a manipulação “terrívelmente evangélica” da política e novas cuecas para enfurnar a propina camuflada nos fundos parlamentares. O Centrão (que nome!) diz que não há nádegas a declarar, porém aprovou R$ 937 milhões de fundo partidário, mais R$ 5,7 bilhões de fundo eleitoral para a rachadinha entre os 23 partidos credenciados às fatias do bolo. Há outros 10 partidos sem o mínimo de votos e falta uma legenda para hospedar a recandidatura de Jair Bolsonaro. Daí a oferta do aglutinador PP-L, o Partido dos Porra-Loucas, sigla que já vem com a rachadinha do ífem para facilitar os negócios da famiglia.

Este assunto  se inflamará nas próximas duas semanas, mas como está difícil de aturar o ranço político, historileaksbrasil.home.blog recapitula aspectos pitorescos da lambança golpista de Jânio. Trata-se do extrato de capítulo do meu livro O Complexo de Cuba, cuja publicação na @WordPress.com eu interrompi temporariamente para engajar do site na campanha de conscientização contra o Covid-19. A história é comprida, mas dá tempo de ler até o 7 de setembro. Depois a gente vê o que acontece:

Capítulo 46 – O mistério da pistola

 Jânio da Silva Quadros era vesgo, míope, magro, de cabeleira poética, bigode patético e um vocabulário esdrúxulo. Havia sido professor de gramática. Esbanjava próclises, ênclises, mesóclises e apossínclises. Tomava cachaça por ser líquida, pois se fora sólida comê-la-ia. Na única vez em que  o entrevistei (às nove horas da manhã) seu bafo de ressaca ter-me-ia derrubado, não fora eu apoiar-me num aparador de repórteres na casa do  ex-deputado José Aparecido.  

Na campanha presidencial, Jânio Quadros viajou para apresentar-se com estadista à comunidade latino americana. Apesar das suspeitas dos Estados Unidos, a Revolução Cubana empolgava o mundo e o embaixador Leitão da Cunha, decano do corpo diplomático em Havana, promoveu o encontro entre Jânio e Fidel. Uma fotografia do evento mostra Castro e a embaixatriz a sós, olhos nos olhos, tão enlevados que ruborizavam as rosas do jardim. Ela pousa no busto sua mão esquerda, sustentando um suspiro no decote. A mão direita apalpa o bíceps do comandante rebelde.

O banquete terminou com um pequeno escândalo: a  pistola do herói sumiu! Sem malícia. A nossa bela embaixatriz não teve nada a ver com o desaparecimento do pau de fogo revolucionário. O secretário-de-redação do velho Jornal do Brasil, José Silveira, cobria a viagem de Jânio na comitiva de imprensa e, conversando sobre Cuba, ele comentou que a pistola apareceu após um sermão do embaixador ao grupo de jornalistas.

José Silveira, de saudosa memória, me disse que quem desarmou Fidel Castro sem dar um tiro (coisa que os Estados Unidos não conseguiram) foi o escritor (na época repórter) Fernando Sabino, autor de O Grande Mentecapto. O encontro entre Jânio e Fidel repercutiria na história no Brasil porque naquela recepção Castro vangloriou-se do povo exigir que ele assumisse plenos poderes sua renúncia ao cargo de primeiro ministro. O movimento vitorioso havia empossado na presidência provisória o decano do judiciário Manuel Urrutia LLeó, para agilizar o reconhecimento da Revolução pelos Estados Unidos.

Quando o juiz presidente começou  a condenar os fuzilamentos dos tribunais revolucionário no paredón, Fidel Castro sumiu. Criou um suspense sobre seu paradeiro e reapareceu no auge de comoção para incitar o povo contra o “traidor da pátria”. O linchamento institucional dee Urrutia Lleó ocorreu no sétimo mês de mandato, logo após ele ter marcado novas eleições.  

Jânio condecora o Che e sela o seu futuro político. Foto histormundi. blogspot.com

A influência da manobra de Castro na tentativa golpista de Jânio é evidente no envio do vice João Goulart para a China às vésperas da renúncia bisonha, por um bilhetinho pitoresco. O afastamento de Jango impediria a passagem do cargo ao sucessor constitucional, dando tempo para a comoção popular exigir a volta de Jânio ao poder. O nosso “homem da vassoura” suicidou-se institucionalmente na terça-feira 25 de agosto de 1961, uma semana depois de condecorar Guevara com a Ordem Naciional do Cruzeiro do Sul. Ele era ministro do exterior cubano, vinha de uma reunião da OEA em Punta del Leste e seu encontro “secreto” com o presidente Arturo Frondizi provocara um motim nas Forças Armadas da Argentina.

 Onde está o povo? Onde está o povo para me apoiar?”      

Os berros de Quadros no desembarque em São Paulo, vindo de Brasília insinuam que Castro só revelara o pulo, escondendo o gato.  Ele havia instigado os cubanos contra “o traidor da Revolução”. Personificou o inimigo, induzindo a escolha entre ele, o guerrilheiro mitológico da Sierra Maestra, e o magistrado sem nenhum carisma. Jânio Quadros, por sua vez, plagiou Getúlio Vargas: atribuiu a própria desgraça política às “forças ocultas,” entidade confusa como seu  governo através de bilhetes. As forças ocultas eram claras:

Jânio estava na lista negra da CIA desde o veto do Brasil à proposta dos Estados Unidos de expulsar Cuba da Organização dos Estados Americanos. A condecoração do Che com a Grã Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul a maioria conservadora e a pressão das forças (aí sim) políticas, econômicas e armadas levaram o Congresso legitimar o blefe como renúncia. Jânio enviara o vice João Goulart para a China, de modo a impedi-lo de assumir o governo… o que só ocorreu devido à Campanha da Legalidade, liderada por Leonel Brizola, cunhado e governador do Rio Grande do Sul. Porém as reformas nacionalistas do governo Jango precipitariam o golpe de 1964, e 20 anos de ditadura militar, “A Redentora!” 

O brigado Cazo, desculpe a pirataria, mas é por uma casa justa. Imagem jeonline.com.br

O ensaio golpista de Bolsonaro recapitula a estratégia de Jânio como piada de mau gosto. As circunstâncias mudaram, os meios evoluíram a partir da substituição dos bilhetes por “lives”, postagens de fake news, ameaças, mentiras, chantagens, suborno parlamentar e doutrinação eletrônica. A influência conservadora da Igreja Católica foi substituída pela mobilização “terrívelmente evangélica.”

Os pastores são cabos eleitorais, as passeatas e carreatas viraram uma coisa de motocicleta sem nome ainda, que lembra os hells angels. Enfim, Jair Messias Bolsonaro deve evitar o erro de Jânio Quadros, e, com ou sem golpe, precisa de uma legenda para faturar as generosas verbas eleitorais. Partido dos Porra-Loucas aceita adesões, dependendo é lógico da bufunfa enfurnada na cueca. 

Destaque

A solidão da nota só

O craque de Nazaré – Lápis e aquarela sobre papel – HBy/87

Patriotas verdes e nacionalistas amarelos dizem que Deus é brasileiro. O polonês Karol Jósef Wojtyla, aliás João Paulo II, foi além: “Se Deus é brasileiro o papa é carioca”. Então, até Nosso Senhor roeu suas unhas divinas na final da Copa do Mundo de 1994, entre os tri campeões Brasil e Itália. O jogo no Estádio Rose Bowl, em Los Angeles, valia o tetra campeonato para ambos e os italianos apelaram para San Genaro, San Giovanni, San Francesco, tutti i santi; até para a Madonna, cujo filho bateu um bolão em Nazaré.

No Brasil-ziu-ziu rolou promessa para São Judas Tadeu, figa de guiné, praga de mãe, feitiço, mandinga, mau-olhado, macumba, bruxaria, ebó, quebranto, coisa feita, olho gordo, defumador, ziquizira, velas, vodu, padê, amuleto, patuá, banho de cheiro, pajelança, marafo, charuto, galinha preta, arruda, incenso, cabeça de bode, gira de nega veia, aruê, obrigação, enguiço, sapo enterrado, oferendas para os orixás, garrafada, pito, guias, fumo de rolo, frutas e flores nos despachos das cachoeiras e encruzilhadas. Mas se reza forte fizesse gol, êh-êh zinfi, bastava amarrar as chuteiras com fitinhas do Senhor do Bonfim. 

Jules Rimet, a taça derretida

Zero a zero! Não houve santo que mudasse o marcador no tempo normal, nem na prorrogação: 120 minutos de olhos arregalados e coração no pé… pé de cana; claro. Meio mundo encheu a caveira naquela tarde de domingo, 17 de julho de 1994. O “esquadrão de ouro” não dava no couro há 24 anos – castigo pelo desleixo da Confederação Brasileira de Futebol no roubo e fundição da Taça Jules Rimet, 11 anos antes. Além do mais, o Brasil era o único país que disputara todos os quinze mundiais de futebol a aquele era o primeiro decidido nos pênaltis.

Franco Baresi, o capitão da squadra azzurra, tinha consciência do chute histórico e tratou a bola como se pousasse o globo terrestre na marca de cal. O suspense da popular penalidade máxima congelava o chope nas veias da torcida que entupia o Garota de Ipanema. Não mais que de repente, um sofredor perdeu a coragem e, ao virar sua cadeira de costas para a tevê, esbarrou na pessoa mais importante da festa… ou velório?

Imagem da www. Autor anônimo-Fair copyright

O garçom segurou a louça, mas uma caneca caiu da bandeja e ele se encolheu atrás da gravata borboleta, franzindo uma cara de quem atura muitos bêbados por pouca gorjeta. A caneca bateu com o fundo de vidro grosso no piso de cerâmica, tóinnn, e o bar que estava rouco ficou oco. Zero decibel. As azeitonas arregalaram os seus olhos verdes. As louras batatas fritas empalideceram. As caipirinhas suaram guaraná.

A caneca quicou outra vez, tóinnn, e quem ainda tinha ar prendeu o fôlego. Baresi soltava a musculatura das pernas dando pequenos chute no vento, enquanto o árbitro húngaro Sándor Puhl prolongava a agonia do juízo final. Acho que desfrutava o suspense das multidões ansiosas pelo seu apito. Aí a caneca se estilhaçou e todos a aplaudiram, rompendo o silêncio nervoso com o fino do humor carioca. O pessoal incorporou o espírito da Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil, berço do samba e das lindas canções, coração do meu Brasil.

O Veloso, na antiga Montenegro, 49. Foto anônima e cheia de graça

Nem Tom Jobim, o maestro com cadeira cativa sob a sua partitura famosa, regeria melhor a transição da zorra para o silêncio, os quiques da caneca e os aplausos para seus cacos. Vinícius de Moraes, outro “sócio” do bar desde quando o Garota se chamava Veloso, fora premonitório: “A felicidade é como a pluma que o vento vai levando pelo ar.” Baresi isolou a bola sobre o travessão de Taffarel, os tiffosi da azzurra arderam no Inferno de Dante e a galera ensandeceu até o locutor ilustrar a imagem do zagueiro Márcio Santos a caminho da “nossa” primeira cobrança, levando “o Brasil inteiro no pé direito… haja coração.” Outro silêncio impregnado de medo e o cardiologista esportivo continuou:

Vinícius e Tom no Veloso, o Garota Original. Foto de Paulo Scheuensthul

“…Os jogadores todos de mãos dadas. Marcio Santos partiu, bateu… pegou Pagliuca! Peeegou Pagliuca. Eu, se sou técnico, boto logo o meu especialista para fazer um a zero.” Alguém reclamou que, em vez de narrar o jogo, o locutor filosofava sobre as jogadas e ra própria biografia profissional. Enquanto isso, Albertini beijou a bola, bateu sem tomar distância, e o goleiro Taffarel, não saiu nem na fotografia, caído junto à trave esquerda. O cardiolocutor censurou: “Quis adivinhar o canto. Adivinhar o canto é difícil. Defendo sempre a tese de que o goleiro tem que ficar parado, esperar a cobrança e pegar o pênalti mal batido”. O comentarista Pelé não se manifestou e o locutor continuou:

Rrrrrromário vai pra a cobrança. Ele e Pagliuca. Beija também a bola, a exemplo do que fez Albertini. Momento de angústia. Partiu Rrrrrromário, pé direito, bateu… É GOU…É GOOOOOOU. GOU DO BRASIUUUU… É DO BRASIUUUUUU” – narrou, ao vivo, em cores, o discreto locutor, acrescentando a informação mais original da 15ª Copa: “Quem sabe sabe, quem conhece conhece. Pelé, aqui a meu lado disse, que teve paradinha!”

A torcida explodiu como uma erupção do Vesúvio. Dois pênaltis e um gol para ambos os times. As unhas brasileiros, as italianas e as celestiais já estavam no sabugo quando Evani ajeitou a bola… “Ele e tafarell. Não toma muita distância. Autoriza o juiz. Sai que é suuuuua Tafarell… Bateu no meio do gol! Prá que se mexer.! É aquilo que eu digo. Quer adivinhar o canto. A bola foi batida rigorosamente no meeeio do gol. É o que eu sempre falo do Goicochea, goleiro Argentino. Ele não sai. Pega os mal batidos.”

Ué, narro eu. Carlos Alberto Parreiro e Jorge Lobo Zagalo treinavam a seleção, mas foi o porta voz dos 160 milhões de técnicos brasileiros quem mandou: “vai que é suuuuua, Taffarel.” O goleiro foi e mereceu e outra bronca, em cores, ao vivo! Itália dois, Brasil um. E ele prosseguiu:

Lá vai Branco. Vai partir a bomba na perna esquerda. Partiu Branco, é gou, é gou, é gou, é goooooouuuu! É gou do Brasil. É gou de Branco. Quem sabe sabe, e conhece” – enfatizou o locutor. Seria legal ouvi-lo narrar a euforia dos pastéis, o alívio das empadinhas, coadjuvantes da caneca malabarista. A galera hipnotizada pela televisão explodiu quando Taffarel defendeu a cobrança de Massaro e foi canonizado no ato: “Grande Taffarel, Grande Taffarel. Caiu na hora certa, no momento exato…” justamente porque não esperou o chute no meio do gol, como queria o catedrático dos palpites.

A Itália perdera duas de quatro cobranças. Dunga tinha feito o terceiro gol brasileiro. O craque Roberto Baggio, a quem os fãs chamavam de O Divino, precisava de marcar o último pênalti da série italiana, torcendo para Pagliuca defender o quinto chute brasileiro e mandar a decisão para o gol de ouro.  Segundo Neném Prancha, filósofo do futebol, “Pênalti é uma coisa tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube.” Porém a autoridade máxima neste mundo redondo, o próprio inventor da bola, roía as unhas na eternidade, no dilema entre a devoção italiana e ser brasileiro.

Taffarel agradece ao céu e “O Divino” Baggio lamenta ter devolvido a copa que tomara do Brasil 12 anos antes. Foto Daily Telegraph

Baggio era Budista mas o técnico Arrigo Sacchi não o escalou como último dos cinco batedores italianos pelo fator Zen. O mais provável foi a carga psicológica dele ter eliminado o Brasil com três gols na Copa de 1982, em Barcelona. Futebol é mais passional do que briga de marido e mulher e Carrasco de Sarriá tinha a vantagem moral de haver dado o tri para a Itália. Ele bateu na bola de pé direito, e ela, vingativa, levitou sobre a trave de Taffarel. O Brasil conquistava o ‘TÉEEETRA,” a Itália chorou fel e Ipanema, capital da Bossa Nova, continuou cheia de graça, ao sol, de cuca fresca, tanga de croché e fio dental.  

Tantos anos depois, a pandemia Covid-19 confinou o humor carioca. Todavia, os últimos seis governadores do Rio de Janeiro presos ou afastados por corrupção tinham sido piores. O exemplo e mau-caráter contaminou o serviço público. Marginais oficiais lotearam o Legislativo, o Judiciário, a Segurança, a Educação e a Saúde. A impunidade viabilizou o controle das milícias que exploram o vácuo do Estado, cuja reforma social mais evidente nos últimos tempos foi trocar o nome de favela por comunidade. O tráfico de drogas se apropriou da cultura, impondo o pancadão na cidade que se distinguia pelo bom gosto, a classe das porta-bandeira, o requinte dos mestre-sala, espelho cultural do país, berço da Bossa Nova. Se as rosas falassem diriam que o funk está para o samba assim como o deboche está para o humor carioca.

O barquinho vai, a tardinha cai e eu fui! Foto HBy

 Tchau, Rio. Parti para outra praia, mas sempre volto aonde deixei a juventude e trouxe as saudades. O vírus mascarou a minha peregrinação mais recente, tirando a graça de aplaudir o sol poente lá da Pedra o Arpoador. Então subi a Vieira Souto, margeando a praia. Sob o meu chapéu iam as memórias de pessoas e episódios que insistem em nos acompanhar mesmo quando se foram para muito, muito além do por do sol. O tempo me esqueceu aqui, por enquanto, e eu só queria uma caipirinha de limão, coada, com pouco açúcar e muito afeto.

Caminhei pela tarde vazia rumo ao bar na esquina de Moraes com Morais, Vinícius e Prudente, um trovador e um presidente, então o meu espanto foi melancólico como bruma na tarde fria.  O bar que sempre foi notável pela animação estava abandonado. Sem viva alma além do garçom, atrás da sua gravatinha borboleta. Ele segurava o cardápio na porta, triste chamariz de uma época que também veio, foi e não volta mais. Passei direto, sem coragem de enfrentar os fantasmas abandonados.

José, o garção de um freguês só

No meio do quarteirão, entre Prudente de Moraes e Visconde de Pirajá, me senti péssimo, vazio como o Garota. Voltei. O garçom fingiu não perceber o meu embaraço e lhe pedi uma caipirinha. Nada de comida. Nem ninguém para conversar. A única intimidade no ambiente era a minha caderneta de capa azul, velha amiga de fé, a quem confesso as bobagens que me ocorrem.

Vasculhei ideias vadias e o som do copo pousado pelo garçom no tampo de mármore da mesa fez tóiinn. O tempo estava na marca do pênalti. O caneco do tri, do tetra e do penta já eram nossos, e quando eu reparei na garota propaganda do bar impressa na toalha de papel a tive vontade de berrar como um Bueno desmamado: É CANEÉÉÉCA, É CANÉÉÉCA, É CANÉÉÉCAAA… uma linda e loura caneca de chopp como aquela que se estilhaçou no tempo da carioquíssima felicidade.

Aí, na falta da torcida, confraternizei até com o pano de chão. Pedi ao seu José para fotografá-lo, de colete vermelho, camisa branca e gravata borboleta. Puxei assunto e acho que ele quis me animar, afinal todo garçom é um terapeuta da solidão. Talvez tenha percebido que eu voltara penalizado pelo abandono do bar, ruminando a tristeza que já não é só minha, que também passa sozinha...

Destaque

Os anéis dos dedos do mundo

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 A chama que uniu a humanidade no pandemônio da Covid agora ilumina as lembranças do Japão, aonde eu, menino pensava chegar cavando um buraco bem fundo na areia. Voar é mais fácil e perdi a ingenuidade a jato. No fim de uma longa curva no rumo Leste sobre o Oceano Pacífico, vi o sol, escarlate como um tomate, no céu de cetim, tela do Fujiyama. Hoje, toco no screen e tenho o vulcão sagrado na palma da mão. Volto ao império samurai e me inclino diante da sua dignidade ao honrar os aros entrelaçados que simbolizam aliança e jogo limpo entre os povos dos cinco continentes: Azul (Europa), amarelo (Ásia), preto (África), verde (Oceania) e vermelho (Americas). São os anéis dos dedos do mundo.

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O Japão desafiou o vírus fatal para unir 205 países mais uma equipe de refugiados na 32ª Olimpíada da era moderna. Domo arigatô, Nippon. Aceite a minha saudade como tributo ao esforço, eficiência, dignidade e arte na realização dos jogos. Banzai: “vida longa” ao exemplo que continuará nas Paraolimpíadas. Em outro grande trauma global, a crise de energia de 1973, o Jornal do Brasil me mandou cobrir os efeitos do boicote árabe ao fornecimento de petróleo e o quintal da minha infância virou a estação Shimbashi, onde Policiais com luvas brancas comprimiam as pessoas para o interior dos vagões do metrô como quem força mais roupas numa mala já cheia.

Fiz conexões aleatórias pensando em escrever sobre a volta ao jornal, partindo de onde eu não nem conhecia nada e ninguém. O lugar mais distante e estranho que eu já estivera. O vento cinzento do outono me soprou até a vitrine de um cardápio bilíngue de “comida venenosa”. Resolvi me envenenar com saquê. O sininho da sorte tilintou e deixei os sapatos no vestíbulo do ambiente colorido por lanternas de papel. 

Tsuru, a ave venerável

Os clientes sentados no tatame, em torno de mesas baixas, pescavam a comida com pausinhos, como as garças mariscam na água rasa. Quem come com bico tem a essência de ave, como o Tsuru, símbolo da fortuna, vida longa e felicidade. Pedi saquê e mostrei a minha Nikon ao sushiman que autopsiava um baiacu, numa mímica de permissão para fotografar. Ele apontou o cardápio ilustrado e um cliente coreano que acompanhava a cena traduziu a minha intenção

O velho que meditava sentado sob o altar de um buda rechonchudo despertou do transe e disse algo. O tradutor, Mr. Wu Shao Pai, sul coreano, informou que Shimizo San, dono do Sharaku, perguntava por um “sobrinho com frutas” no Mercado Público de São Paulo. Pedi desculpas por não conhecer a todos na colônia japonesa de SP, mas as fotos foram permitidas. Depois de vários filmes, Shimizo San ordenou a cágada culinária. 

O sushiman Watanabe e o cágado decapitado – foto HBy

O sushiman caçou o bicho numa caixa com serragem e colocou-o de costas na prancha. Ao contrário das tartarugas, que retraem a cabeça como um carro entra na garagem, os cágados as encaixam nas laterais dos cascos. Era um cágado de água doce, a criatura mais tímida do oriente. O sushiman esticou-lhe o pescoço e tsluch, com o cutelo. A cabeça decepada abria a boca num pires, com os olhinhos atônitos, enquanto o sangue esguichava num pote de cerâmica.

O pote de Shimiso San

Shimizo San me entregou o pote, inclinando-se com a dignidade dos carvalhos, e o coreano sussurrou que a homenagem era irrecusável. Sangue de cágado é desbotado, com coágulos brancos, mas bebi aquela gosma. Depois a garçonete me entregou o pote embrulhado num lenço de seda, gratidão de Shimizo San pela hospitalidade brasileira ao seu “sobrinho com frutas”. Ele queria saber quem me indicara o Sharaku. Expliquei que havia me perdido de propósito para escrever sobre como encontraria o caminho de casa, lá no outro lado do mundo, no fundo do buraco que cavara no quintal quando era menino, e fora atraído pela placa de comida venenosa. 

 – Tira veneno, senão mata cliente, né? 

 A garçonete somou a despesa numa calculadora e Shimizo San conferiu a conta num ábaco. O sangue do cágado foi gratuito e a conferência da operação eletrônica na tabuada secular explica a convivência entre a tradição e tecnologia no país onde o ritual do chá é mais complicado que uma placa mãe. 

Tsai Sen Yu @catch_shot – free copyright

O tradutor coreano perguntou aonde eu me hospedava. Respondi que me desfizera do mapa de propósito, sabendo apenas o nome do hotel. Mr. Wu Shao Pai sorriu redondo como um sushi e me levou até a porta para apontar o reflexo verde do letreiro do Dai-Ishi, três quarteirões adiante. Caminhei na neblina, entre origamis de sombras, sorrindo da incompetência em não conseguir me perder na megalópole samurai. 

Sayonara, Fujiyama! Segui o Sol no regresso ao ocidente, chegando a Los Angeles na data anterior à partida do Japão. Desentortei o fuso horário ao som dos Beatles. A banda havia rompido. John Lennon proclamava o fim do sonho, mas o meu sleeping bag era azul, com forro de cetim dourado. E quando os cantores dos cinco anéis do entoaram Imagine na cerimônia de abertura da Olimpíada de Tokyo, a paz de John Lennon e Yoko Ono me envolveu, então abracei a todos os povos do mundo. A cerimônia do encerramento foi ainda mais comovente. Acho que vou cavar outro buraco no quintal.

Destaque

“Nádegas a declarar”

Chico Rodrigues, vice líder do governo no Senado, flagrado com a propina na popa. Charge de Clayto para o Portal Mais Castanha. –

Procura-se um palavrão em português, ou qualquer outra língua suja como a do presidente da nossa república mal falada e pouco lida. O novo vocábulo elogiará aos 287 deputados e 40 senadores que triplicaram o Fundo Eleitoral/2022, na calada da noite mais imoral deste anus ignoblis no Congresso Nacional.

Segundo o porta voz popular Francisco Buarque de Holanda, “Dormia, a nossa pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída, em tenebrosas transações“, como os R$ 5,7 bilhões aprovados para rachadinha eleitoral de 2022. “Vai passar”, não Chico, o rombo de R$ 702,9 bilhões nas contas do setor público já passou; aumento recorde de 1.036% no déficit primário do ano passado. Inclua a grana para eleger quem nos roubará na próxima legislatura ao déficit fiscal de R$ 177,5 bilhões previstos para este ano, e comemore o pior resultado da série histórica do Banco Central.

Nessa “página infeliz da nossa história”, o Congresso Nacional triplicou a verba para financiar profissionais da política que se perpetuam nos plenários com a grana dos otários que trocam seus votos para um dentadura para rir da própria desgraça. Uns 40 milhões de desempregados “erravam cegos pelo continente, levavam pedras feito penitentes,” implorando pelo auxílio emergencial, enquanto a nova geração dos anões do orçamento planejavam suas reeleições com os R$ 48,8 bilhões das emendas eleitorais que racharam neste ano.

O Congresso Nacional, passarela dos anões do orçamento

Ai que vida boa, olerê… ai que vida boa, olará,” os pigmeus do Eixo Monumental apressaram a aprovação da Lei das Diretrizes Orçamentárias para permitir o recesso do nobre Congresso e sabotar a Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia. Eles apostaram na ansiedade do presidente para desviar as suspeitas de prevaricação nas negociatas da vacina Covaxin. O dinheiro para os candidatos à reeleição confirma em prosa e verso as acusações ao presidente Jair M. Bolsonaro sobre as fraudes nas urnas eletrônicas. Quem o elegeu foi vítima de estelionato eleitoral, neste país onde promessa política é “passagem desbotada na memória:”

Na véspera das sua eleição sem o voto impresso, portanto “fraudulenta”, o candidato Bolsonaro declarou: “Nós temos tudo para ganhar no primeiro turno e ganharíamos três semanas para montar um ministério enxuto, com no máximo 15 ministros, que possa representar os interesses da população, não de partidos”. Dito e não feito, ele nomeou 22 ministros. Em junho de 2020, negociou com o Centrão a volta do Ministério das Comunicações, continua mentindo sobre as urnas que pretende fraudar e minimiza a compra de votos parlamentares através da distribuição de ministérios:

Algumas coisas nós exageramos, né. Num país continental como esse, a gente queria 15 ministérios. Montamos um número, depois chegou a 22. E o orçamento em si não tem muita despesa a mais, sendo criado ou não mais um ministério.

Extra… Extra! A memória do presidente desbotou. Ele acaba de criar o 23º ministério, o MEP, Ministério do Emprego e Previdência (MEP). O caixeiro desse novo balcão de barganhas será Onix Lorenzano, secretário geral da Presidência. O careca com nome de minério será substituído por um velho freguês da Polícia Federal, o senador piauiense Ciro Nogueira, presidente do Partido Progressista, articulador do Centrão, o bloco majoritário que sustenta o governo.

Ciro Nogueira responde a três inquéritos que hibernam no Supremo Tribunal Federal, entre eles a acusação de embolsonar R$ 7,3 milhões da Odebrecht. Outro é sobre o suborno pelo Grupo J&F para viabilizar o impeachment da presidente Dilma Rousseff. A Polícia Federal aguarda a liberação inquéritos para prosseguir nas investigações e encaminha-las à Procuradoria da República, no dia em que nevar em Teresina, PI. A sua nomeação para secretaria geral da presidência libera seu titular na CPI da Pandemia, e eu aposto R$ 5,7 bilhões que, oportunamente, ele será substituído pelo senador Flávio rachadinha Bolsonaro.

Fair Copyright – Obrigado, Duke

Não confunda fundo eleitoral com o fundo partidário, que são mais R$ 937 milhões para a rachadinha entre os 23 partidos credenciados às fatias do bolo. Há outros 10 partidos sem o mínimo de votos indispensáveis para embolsonar o Fundo Partidário e o tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV. Esses partidos nanicos congregam os pigmeus do Eixo Monumental nas legendas de aluguel, satélites do “Centrão”, empenhados na briga de foice por cargos e comissões.

Os filiados à base do governo mudam de bancada conforme as ofertas do Palácio do Planaltos. Alguns compartilham a propina oficial, legal, imoral, em bancadas folclóricas folclóricas como a bancada da bola. Outras são perigosas, tipo a bancada da bala. No conjunto, formam a bancada bolada… o bloco do carnaval político, com suas máscaras descaradas. Enfim, um palavrão adequado ao discurso presidencial seria sujo como pukxtraquiteprevaribolzoguiu-vos. O rótulo sujo é aplicável aos 287 deputados e 40 senadores que triplicaram o Fundo Eleitoral/2022 e preparam novo remendo no Código Eleitoral para facilitar roubos e garantir a impunidade. Enquanto isso, os brasileiros choram 569 901 mortos pela “gripezinha” ridicularizada pelo presidente boca suja que recusa a a própria vacinação, estimulando um provável recrudescimento da pandemia com o vírus replicante nos países que se julgavam imunizados.

A Câmara dos Deputados elabora novas regras no meio do jogo para “flexibilizar” o uso da verba do fundo partidário, impedir a divulgação de pesquisas na véspera da eleição e encurtar o prazo para a Justiça Eleitoral analisar as contas partidárias. O texto protocolado no dia dois de agosto/21 propõe a mudança da Lei dos Partidos, a Lei das Eleições, o Código Eleitoral e da Lei da Inelegibilidade para as próximas eleições. O projeto precisa ser aprovado até outubro próximo por 257 deputados, 30 menos dos que triplicaram o Fundo Eleitoral.

E o presidente da República, Jair M. Bolsonaro, insiste na ameaça de impedir as eleições de 2022 se o Tribunal Superior Eleitoral não mudar a apuração dos votos de acordo com o seu interesse espelhado no assalto ao Congresso Americano por Donald Trump. É por isso que procura-se um palavrão compatível com o vocabulário presidencial. Vá à M. não é tão sujo quanto as atitudes oficiais, mas, por enquanto, quebra o galho.

Destaque

Chiqueirinho news: o rabo da porca

Selfie: o autor e Dona Maria, a sua panela. Pau nela!

Os panelaços nos pronunciamentos do ilustríssimo Sr. Jair M. Bolsonaro em rede nacional de TV anteciparam sua avaliação como “ruim ou péssimo” pela maioria dos brasileiros, e “horroroso” no conceitos dos panelistas militantes. Em poucas palavras e muitos palavrões, o presidente mais vaiado na História do Brasil culpa “a imprensa de merda que só atrapalha.” 

É verdade. Atrapalha porque informação é poder e a divulgação dos seus atos amplifica os próprios desacatos. Atritos acumulados desde que o deputado Bolsonaro homenageava torturadores e defendia milicianos no plenário da Câmara frustraram suas tentativas de seduzir a imprensa, e o “gabinete do ódio” elimina as possibilidades de entendimento.  

 O barraco desabou definitivamente quando o presidente aproveitou a confraternização de capachos numa churrascaria em Brasília, DF, para contestar a denúncia de R$ 1,8 bilhão gastos pelo governo em 2020 só com alimentos, sendo R$ 15 milhões com leite condensado, R$ 2,2 milhões com chicletes, R$ 32,7 milhões com pizzas, refrigerantes e vinhos. Em poucas palavras e muitos palavrões… 

Quando a imprensa me ataca, dizendo que comprei dois milhões e meio de latas de leite condensado, vai para puta que o pariu. Imprensa de merda essa daí. As latas de leite são pra enfiar no rabo de vocês aí.” 

 Pai, afasta de mim esse cale-se, porque a imprensa também chafurda nos chiqueiros políticos, depósitos da matéria prima sensacionalista. Escândalos, quanto mais sujos “melhor”, atraem o público desde a disputa entre Joseph Pulitzer e Randolph Hearst pelo conquista dos leitores americanos. Suas cadeias de jornais precipitaram a Guerra Hispano-Americana em 1898, no apogeu da “imprensa amarela”. O fenômeno foi traduzido no Brasil como imprensa marrom, para não comparar a cor de M. com o “Auriverde pendão da minha terra, que a brisa beija e balança” (obrigado Castro Alves.) Patriotas de aluguel nos veículos de comunicação beijam a mão e balançam os bagos do capitão; mentem e omitem a sujeira que escoa dos palácios para os barracos, alheios ao “Estandarte que a luz do sol encerra, e as promessas divinas da esperança” …nessa terra onde plantando tudo dá, se aluga e vende. Inclusive reputações.

Ilustração pirateada de @pensarpiauí.com por causa justa e com a melhor das intensões

A relação ideal entre governo e imprensa funciona como peso e contrapeso numa democracia, o sistema que consagra as liberdades de credo e expressão da minha vizinha, Dona Decibel, e sua estridente caixa som evangélica. Idem, idem, o volume do bate-boca com repórteres é o nó mais complicado nas tripas políticas do Sr. M. Bolsonaro, a quem Dona Decibel deseja o restabelecimento da obstrução intestinal que o levou no nosso avião exclusivo dele para desatar outro nó nas tripas num hospital particular paulista. Foi ingrato com o SUS de Juiz de Fora. Quanto à verborragia crônica, essa é incurável. Apesar da obstrução intestinal, ele defecou verbalmente sobre a carta da Comissão Parlamentar de Inquérito do Congresso Nacional, pedindo seus esclarecimentos sobre corrupção na compra de vacinas:

Você sabe qual é a minha resposta, pessoal, caguei. Caguei para a CPI. Não vou responder nada.”

O ministro Marcos Pontes, um cabeludo anônimo, o presidente com diarreia verbal e a intérprete de libras. Imagem @carta caoital.com.

A intérprete de libras, à esquerda do cagão, nos ensinou que a primeira pessoa no pretérito perfeito do verbo cagar na linguagem dos surdos mudos é um murro no peito, e tchau! O ministro da Ciência e Tecnologia, sentado à direita, fez cara de papel higiênico e deu um sorrisinho marrom. O mais constrangedor é que o arremate da carta cita o Santo Evangelho, João 8:32 – “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.” Bolsonaro não especificou se a cagada na autoridade abrangia o Novo Testamento.

Cala a boca. Vocês são uns canalhas. Vocês fazem um jornalismo canalha, que não ajuda em nada. Vocês não ajudam em nada. Vocês destroem a família brasileira, destroem a religião brasileira. Vocês não prestam.”

Charge de @miguelpaiva, pirateada por uma boa causa – fair copyright

 Os destruidores da família e da religião não respondem nos mesmos termos porque precisam sobreviver e bons advogados custam caro! Mas o cordão dos puxa-sacos sacos cada vez encolhe mais. Ninguém gosta do confronto com as próprias grossuras, mas o Sr. Jair M. Bolsonaro arrota ofensas ao repórter que diz ter “uma cara de homossexual terrível”, manda outro perguntar à mãe pelos os recibos que ela dá para o pai. A alternativa para o contato público necessário, os recados sem a interferência “da imprensa canalha” ou o constrangimento dos panelaços recicla da censura; é a máscara a máscara da mordaça. Habemus chiquerinho.   

 A coisa surgiu do assédio ao presidente por turistas e correligionários diante do Palácio do Planalto. Ele mandou o motorista parar, os repórteres barrados na sala de imprensa aproveitaram a oportunidade, um deles perguntou sobre aquela grana que o policial Fabrício Queiróz – operador da rachadinha do senador Flávio Bolsonaro – depositou na conta da primeira dama. A resposta está nos anais do chiqueirinho:  

          “Minha vontade é encher essa sua tua boca de porrada.”  

 A “imprensa de merda” repercutiu o desequilíbrio do chefe de estado, o ritual de sedução dos eleitores atraiu mais curiosos e a segurança a gradeou o local, encurralando as pessoas como animais domésticos. Apesar dos incidentes, a assessoria do excelentíssimo Sr. Jair M. Bolsonaro constatou o aumento na audiência e bonecos de ventríloquo foram enchiqueirados com perguntas prontas e o coro de louvação sob encomenda.

Mito… mito… mito…”  

 Mito muito! Os pronunciamentos na confraternização do presidente com o povo funcionam sem panelaços e o descarte dos jornalistas na interlocução com o governo estabeleceu a síndrome de Bonner. Ele mesmo, a cara da TV Globo, alvo prioritário da nova censura caracterizada pelo silêncio do perguntado e a frustração do perguntador: “A presidência da República não respondeu ao nosso questionamento.” 

Bolsonaristas cumprimentam o presidente no chiqueirinho com a saudação fascista – imagem @revista forum.com.br

Justiça lhe seja feita, o digníssimo Sr. senhor presidente da República Federativa do Brasil  não manda nenhum coleguinha “para a puta que o pariu” desde aquele churrasco em 27 de janeiro/2021, e o esculacho dos jornalistas no chiqueirinho evita velhos questionamentos sobre mais armas e menos vacinas, os deboches da pandemia, o charlatanismo da cloroquina, o estímulo à contaminação que matou a té agora 540 039 “mariquinhas”, os ataques pessoais a Ministro do STF, as mentiras sobre mentiras, as obstruções à Justiça, a desestabilização institucional nos ataques à confiabilidade das urnas eletrônicas, as ameaças de golpe, o rabo preso na apologia à tortura, a manipulação política das Forças Armadas, a militarização dos cargos públicos civis, as negociatas com o legislativo, o escárnio ao Congresso Nacional e a variante do vírus da censura na aglomeração de correligionários nos chiqueirinhos, para catequiza-los e torcer o rabo da imprensa. 

 Só pra constar, o porco que tiranizou seus seguidores na sátira de George Orwell a Revolução dos Bichos (Animal Farm) não se chama Jair. O nome dele é Napoleão, mas a ambição é a mesma, e é aí que a porca torce o rabo.

Destaque

“Chi… eu tô com covid!”

Postagem no Facebook s/autoria

Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez brasileiros. Onze, doze, treze, quatorze, quinze, dezesseis, dezessete, dezoito, dezenove, vinte humilhado e ofendidos.  

 Vinte e um vinte e dois, vinte e três, vinte e quatro, vinte e cinco, vinte e seis, vinte e sete, vinte e oito, vinte e nove brasileños, à mercê do crime e castigo. Crime de deboche da pandemia e  o castigo da impunidade. 

Trinta e um, trinta e dois, trinta e três, trinta e quatro, trinta e cinco, trinta e seis, trinta e sete, trinta e oito, trinta e nove brasilians sem oxigênio na casa dos mortos, nas UTIs   

Quarenta, quarenta a um, quarenta e dois, quarenta e três, quarenta e quatro, quarenta e cinco, quarenta e seis, quarenta e sete, quarenta e oito, quarenta e nove brasilianos entre guerra e paz; a guerra do dia a dia e a ânsia por paz social. 

Cinquenta e um, cinquenta e dois, cinquenta e três, cinquenta e quatro, cinquenta e cinco, cinquenta e seis, cinquenta e sete, cinquenta e oito, cinquenta e nove brésiliens acossados por demônios salvadores da pátria. 

 Sessenta, sessenta e um, sessenta e dois, sessenta e três, sessenta e quatro, sessenta e cinco, sessenta e seis, sessenta e sete, sessenta e oito, sessenta e nove brasil’sky à mercê de um idiota sem compaixão.

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Setenta e um, setenta e dois, setenta e três, setenta e quatro, setenta e cinco, setenta e seis, setenta e sete, setenta e oito, setenta e nove, oitenta brasilianers tutelados pelo crocodilo legislativo. 

 Oitenta e um, oitenta e dois, oitenta e três, oitenta e quatro, oitenta e cinco, oitenta e seis, oitenta e sete, oitenta e oito, oitenta a nove baxiren doentes de tristeza, no subsolo social. 

 Noventa, noventa e um, noventa e dois, noventa e três, noventa e quatro, noventa e cinco, noventa e seis, noventa e sete, noventa e oito, noventa e nove burajiru traídos como o eterno marido

 Cem, cento e um, cento e dois, cento e três, cento e quatro, cento e cinco, cento e seis, cento e sete, cento e oito, cento e nove البرازيلي sujeitos às trapaças do jogador desonesto. 

 Cento e um, cento e dois, cento e três, cento e quatro, cento e cinco, cento seis, cento e sete, cento e oito, cento e nove brasiliaans iludidos pelos demagogos que elegeram.  

 Cento e dez, cento e onze, cento e doze, cento e treze, cento e quatorze, cento e quinze, cento e dezesseis, cento e dezessete, cento e dezoito, cento e dezenove البرازيلي, gente pobre, simples, injustiçada. 

 Cento e vinte, cento e vinte e um, cento e vinte e dois, cento e vinte e três, cento e vinte a quatro, cento e vinte e cinco requerimentos de impeachment ao mandato do maior responsável pelo genocídio brasileiro mofam na gaveta do presidente da Câmara dos Deputados. A pauta das votações em plenário depende da sua sua vontade exclusiva, o poder de controle e condução do legislativo conforme suas conveniências e interesses. O engavetamento do 125º pedido de impeachment do presidente acusado de prevaricação e negociatas imorais subordina todos brasileiros à vontade de um deputado medíocre cujo cargo foi negociado pelo seu messias, digo, mecenas, Jair M. Bolsonaro.   

 A monotonia desta contagem cai no vácuo espiritual dos 525 229 mortos no Brasil pela Sars-Covid-19, até as 12:35 hs. desta terça-feira 03.07.21. Imagine a angústia na contagem do tempo por cada brasileiro agonizante na ausência dos seu entes queridos, uma tortura acentuada pelo deboche do presidente da República: “Chi, tô com covid… tô com covid…ha,ha,ha.”

       Cumplicidades, negociatas partidária e ambições políticas explicam o engavetamento dos 125 pedidos legítimos de impeachment protocolado na mesa da Câmara. Resta um consolo provisório pela decisão do deputado Athur Cesar Pereira de Lira (PP-Al), vulgo Crocodilo das Alagoas. A procrastinação da posse na Presidência da República de outro general omisso, subordinado a um capitão que desonrou o Exército brasileiro.

Quanto aos que nos chamam de brasilians, brasileños, brasilianos, brésiliens, brasils’ki, brasilianers, baxiren, burajiro, brasiliaans, البرازيلي e outros estrangeiros, eles já nos admiraram. O nosso país foi um dos mais queridos antes do atual presidente ofender e insultar meio mundo

P.S. Humilhados e Ofendidos, Crime e Castigo, A Casa dos Mortos, Guerra e Paz, Notas do Subsolo, O Eterno Marido, O Jogador, Gente Pobre, Os Demônios, O Idiota e O Crocodilo são, entre outras, obras de Fyodor Dostoyevsky, o russo do século 19 que, sem desconfiar, escrevia sobre o Brasil e os brasileiros de 2021. Vide O Crocodilo, sátira na qual o burocrata Ivan Matviéitch é engolido vivo por um réptil como o nosso da Câmara dos Deputados. Eu concordo com o autor (que também era jornalista) sobre não haver um assunto velho ao ponto de ser impossível dizer nada de novo sobre ele.

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A vacina contra a histeria do capitão piti

“O pequeno jornaleiro” – Escultura de Anísio Mota (Fritz), Rio 1933. Foto HBy

Extra, extra! Outro surto histérico aumentou a lista dos ataques de pelanca e agressões verbais à imprensa, perpetradas pelo responsável por dar aos brasileiros o exemplo de equilíbrio, dignidade e controle emocional. 

     Jair Messias Bolsonaro, 55 anos, presidente sem partido nem o decoro exigido pelo cargo, insultou a sociedade outra vez, ao ser questionado por infringir as recomendações da Organização Mundial de Saúde e o Decreto nº 64 959 do Estado de São Paulo, que obriga o uso coletivo de máscaras como defesa sanitária contra a propagação do Sars-CoV-2, vulgo covid. 

    Na segunda-feira, 21/06, a pandemia ultrapassava meio milhão de mortes no Brasil, 6ª maior letalidade mundial, quando o presidente desembarcou sem máscara em Guaratinguetá, SP. Ele já fora multado no Maranhão e em São Paulo (R$ 552,71) por provocar aglomerações sem usar a máscara, mas colocou-a a ser assediado pela imprensa ao sair de uma formatura da Escola de Especialistas da Aeronáutica; e o questionamento da repórter Laurene Santos, da @Rede Vanguarda de Televisão, desencadeou a ira presidencial: 

     “Deixa, deixa eu falar, porque eu sou o alvo de canalhas do Brasil… Dá pra calar a boa aí atrás por favor? Eu chego como quiser, onde quiser. Tá certo? Eu cuido da minha vida. Pare de tocar no assunto”. 

 Então presidente retirou a máscara e prosseguiu: “Você quer botar? Me bota no jonaci#nal (pronúncia truncada pelo descontrole). Vai botar agora? Estou sem máscara em Guaratinguetá. Tá Feliz agora? Essa Globo é uma merda de imprensa. Vocês são uma porcaria de imprensa.” 

        A repórter quis contestar mas o presidente alterou a voz: 

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       Parte da comitiva retirou as máscaras enquanto o chefe radicalizava o ataque à repórter: “A Rede Globo não presta. É um péssimo órgão de imprensa. Se você não assiste à @ Rede Globo não tem informação. Se  assiste está desinformado. Vocês tinham que ter vergonha na cara em prestar um serviço porco que é esse o que você faz na Rede Globo. Obrigado aí.” – agradeceu com o semblante crispado por ódio, e deu as costas para a prestadora do “serviço porco”, sem “vergonha na cara.” 

O presidente fora a Guaratinguetá prestigiar a formatura da Escola de Especialistas da Aeronáutica, outro remendo das suas relações puídas com as Forças Armadas no processo de sedução ao retrocesso institucional, evidente nas suas ameaças golpe. No âmbito civil, a campanha eleitoral antecipada multiplica inaugurações irrelevantes como palanques. A base da estratégia é posar como vítima das acusações ideológicas ao governo. Porém a virulência do capitão Bolsonaro na instigação contra quem o questiona, especialmente os jornalistas – por dever de ofício – desonra a memória do Marechal Eurico Gaspar Dutra, o presidente signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, ratificada pelo Brasil em 10 de dezembro de 1948.

Artigo 19: “Todo homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; esse direito inclui a liberdade de se manufestar sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios, independentes de fronteiras.”  

A nova agressão em Guaratinguetá, amplia a lista de 469 ataques, insultos e ameaças à imprensa perpetradas pelo presidente e seus herdeiros apenas em 2020. Tal pai tal filhos, o mais viperino foi o deputado federal Eduardo Bolsonaro, 208 ataques; seguido pelo patriarca, 103 ataques. O vereador Carlos Bolsonaro atacou 89 vezes e o primogênito, senador Flávio Bolsonaro, em 69 ocasiões. Os número são da ONG @Repórteres Sem Fronteiras, entidade que monitora os abusos contra imprensa em todo o mundo. 

A Declaração Universal dos Direitos Humanos me permite afirmar que o Sr. Jair Messias Bolsonaro não é um débil mental comum, ou idiota sem rumo; muito menos um porra louca gratuito. Ele manipula a própria histeria para ocupar espaço nas mídias sociais, estratégia comum aos líderes carismáticos obcecados pelo poder, atormentados pela síndrome de Nero. Propõem o incêndio do circo, ou de Roma, como alternativa para as frustrações e carências das pessoas que se identificam com suas vaidade e fobias. A síndrome de Nero confunde mandar com governar e o autoritarismo com autoridade.

A História ensina que os militares frustrados são os adversários mais perigosos da democracia. Vide o cabo Adolph Hitler, “il capo” Benito Mussolini e outros nacionalistas fanáticos. O nacionalista Jair Bolsonaro pode ser vulgar, mas tem carisma e sabe usá-lo. Seduziu a metade mal amada dos brasileiros, especialmente as mulheres. Aliás, Leila Diniz já dizia:

“Todos os cafajestes que eu conheci na minha vida era uns anjos de pessoas.”

O anjo que nos toca, aliás Messias, não ataca a imprensa atoa. Ele escolheu o inimigo providencial no Brasil semianalfabeto, carente de educação e cultura. A ignorância favorece aos corruptos e oportunistas encastelados na política graças à imunidade que lhe é concedida. Qualquer pessoa pode ser processada e presa se agir como como presidente em relação à pandemia; obstruir o acesso às vacinas, estimular aglomerações, fazer propaganda de fórmulas condenadas pela medicina. Vide a entrega do Ministério da Saúde, em plena pandemia, ao general que enxovalhou a farda em subordinação pública: 

 “É simples assim. Um manda outro obedece” – Eduardo Pazuello. 

Colar a culpa num incompetente disponível  é simples mesmo. Simples como esparadrapo. A cloroquina gorou e a panaceia do momento é transformar a máscara em venda para conduzir a boiada através da porteira aberta pela propaganda antecipada para as urnas de 2022. A propósito, quase 100% do rebanho bovino nacional está imunizado contra brucelose e febre aftosa, exigência internacional para a exportação da carne inacessível aos brasileiros; e mais de bois no pasto há 20%. O olho do dono engorda o gado; a fobia do presidente mata pessoas. Após um ano e meio de pandeia, apenas 12% da população foi vacinada até com a segunda dose da vacina contra a Covid-19.

Jair Messias Bolsonaro não dá o braço a torcer. Recusa a “vachina” como exemplo da sua proposta de imunização de rebanho. Mas a teimosia profilática, os ataques de pelanca, os surtos histéricos, chiliques, faniquitos, fricotes, porralouquices, pitis, destemperos, desbundes, ofensas, insultos, vulgaridades, cafajestices, etc. tudo isso tem remédio: democracia. Cada voto é uma vacina!   

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O Brasil paralelo; esboço constitucional

PREÂMBULO

Nós, os brasileiros paralelos, obedientes à orientação do Presidente da República Federativa do Brasil –  “chega de frescura e mimimi” – maioria absoluta às margens plácidas do Ipiranga, tiramos a máscara da pandemia que, por enquanto, matou 508 mil pessoas no “Brasil acima de todos”, aderimos ao golpe em gestação no processo eleitoral através do voto impresso, artifício made in Donald Trump para questionar o eventual resultado negativo nas urnas, e propomos um Estado Motoqueiro, autocrático, cloroquímico, charlatão, garantido pelo “meu exército”, aparato militar/miliciano, instrumento de intimidação política do messias executivo, segundo seus preconceitos, natureza reacionária, negacionismo científico; orientação manipulada nos gabinetes extra oficiais palacianos e púlpitos caça níqueis, redutos dos gestores e intesmediários do golpe que se anuncia pela desqualificação das urnas eletrônicas, da compra de apoio no Congresso através distribuição de verbas escandalosas para emendas parlamentares, da corrupção política, evidentes na elaboração e apoio à PEC da impunidade em trâmite na Câmara dos Deputados e na incompetência do ministério mais medíocre da História Republicana Brasileira. Nesse contexto, está aberta a votação para uma Carta Magna adequada à realidade nacional.  

   TÍTULO I – DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS 

Art. 1° – A República Motoqueira Bolsonariana se aglomera pela união precária dos estados que apoiam o capitão presidente, os municípios que bajulam o presidente capitão, o Distrito Federal e a hierarquia às avessas do capitão superior aos generais no exército do presidente, constituindo-se num Estado armamentista e contra o meio ambiente, sob os seguintes fundamentos: 

I – Soberania para insultar a Argentina, a União Europeia, a Índia, a China e o Piauí. Baixar as calças para o ex-presidente americano cúmplice da invasão do Congresso e sabotador dos resultados eleitorais.  

II – Cidadania seletiva. Para os farsantes religiosos e os puxa-saco, tudo. Insultos, deboche e ameaças para o resto, especialmente os usuários de máscaras, os mariquinhas e os jacarés.  

III – Legalização da tortura e resgate do saudável regime ditatorial. Fechar o Supremo Tribunal Federal com um cabo, um soldado.  

V – Preservar a ignorância, combater a ciência e a imprensa. Vacina é o cacete!  Todo vacinado é gay.

VI – Abrir a porteira para a boiada, acabar com essa palhaçada de meio-ambiente e legitimar as rachadinhas. Promover o oportunismo políticos, a desestruturação institucional e amordaçar a porcaria da imprensa. 

§ Único: Todo o poder emana do gabinete paralelo, que manipula o Centrão, barganhado vantagens e privilégios para o legislativo e o desvirtuamento do judiciário. Todos os cidadãos são desiguais, conforme os caprichos de quem manda e a covardia de quem obedece.  

 Em votação: Os que concordam permaneçam como se encontram.

Aprovado! 

P.S. Quem considera esta proposta ofensiva à pátria amada, favor cotejar as condições objetivas do país com os preceitos e dispositivos da Constituição Cidadã de 1988. Em especial o TÍTULO II, DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS… e sustente sua família com um salário mínimo.

             Natal 21 de junho, primeiro dia do longo e tenebroso inverno de 2021

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Brasil: hino ao 1° de maio tupiniquim

O Brasil existe às margens plácidas da História desde 1° de maio de 1500, quando Pêro Vaz de Caminha, escrivão da frota de Pedro Álvarez Cabral, em viagem para as Índias, assinou a carta para o rei de Portugal, Dom Manuel I, informando-o sobre “achamento” por acaso da “Ilha de Santa Cruz”. O heroico brado do Brasil ser uma ilha inaugurou as controvérsias a partir dos seus nomes: Pindorama, Terra dos Papagaios, Terra de Vera Cruz, gigante adormecido, florão da América, impávido colosso, casa da mãe Joana, pais do futebol, país do carnaval etc. e tal.

Poucos festejam o registro civil da pátria amada, idolatrada salvesalve, salve-se quem puder. A maioria celebra a data como Dia Internacional do Trabalhador, em reverência ao sábado 1° de maio de 1886, quando a polícia de Chicago, Illinois, EUA, matou sete e feriu uns 100 preguiçosos que exigiam a redução de 13 para oito horas no expediente da McCormick Harvesting Machines. Dois anos depois, a princesa regente Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bourbon-Duas Sicílias e Bragança, a Redentora, assinou em 13 de maio de 1888 a lei nº 3353, com artigos mais concisos do que o seu nome:

Art. 1.º: É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.

Art. 2.º: Revogam-se as disposições em contrário.

A famosa Lei Áurea é celebrada como um sonho intenso, raio vívido de amor que à terra desce, embora o Brasil tenha sido o último a abolir escravidão entre todos os países ocidente. O Império não indenizou os escravos e muito menos aos seus donos, os quais articularam a proclamação da primeira das seis repúblicas Brasileiras um ano e meio depois. O vínculo nacional mais estridente com o dia mundial do batente ocorreu na Terceira República (o Estado Novo), pela instituição da Consolidação das Leis do Trabalho, CLT, decretada em 1º de maio de 1943 pelo do caudilho gaúcho Getúlio Dorneles Vargas: “Trabalhadores do Brasil…” Quantos? Os números são duvidosos, todavia não admitem mais serem torturados como no milagre econômico da Quinta República, vulga ditadura de 64, regime para o qual esse tal de 1° de maio era coisa de comunista.

A abordagem predominante sobre o emprego no país desafia o nosso peito a própria morte, de fome, drama evidentes em cada esquina. Trata-se dos siviristas, os que se viram; geração flanelinha, de biscateiros, malabaristas existenciais dispostos a qualquer trampo pra descolar o caimbá e comprar o manguti dos curumim. Afinal, quanto são? Os chutes variam entre 40 e 60 milhões de “invisíveis”, dependentes do auxílio emergencial, desempregados que batem as calçadas distribuindo currículos. O governo obstruiu o censo nacional obrigatório de 2020 e sabotou sua realização em 2021 para ocultar a realidade social da nova classe rotulada oficialmente como “invisível”.

A falência social acentuada pela pandemia precisa de ser quantificada para a formulação de estratégias administrativas, porém a supressão do censo outra vez evidencia a camuflagem eternamente em berço esplêndido, às vésperas do ano eleitoral. A prova da sabotagem política do recenseamento foi a dotação orçamentária de R$ 48 bilhões para as emendas parlamentares dos 513 deputados e 81 senadores, todos eles candidatos à continuidade dos seus mandatos no segundo congresso mais caro do mundo. Só no Brasil… diria Macunaíma, o protótipo cultural do caráter deitado eternamente em berço esplêndido. Ai, que preguiça!

escolaeducação.com.br -imagem anônima

Voltando ao registro civil do gigante pela própria natureza, a maioria ouviu dizer que o nome do nosso belo, impávido e forte colosso se deve ao Pau Brasil, Caesalpinia echinata, a primeira riqueza saqueada. A lenha cor de brasa, tão abundante que identificou a espécie e a terra, se extingue no que resta da Mata Atlântica. Os maiores predadores foram os próprios nativos, a troco de bugigangas e machados para abater as árvores. Outra tese para o batismo se refere à Ilha Brasil, suposta parte da Atlântida.

A fonte primária desta versão é o grego Platão (328-348 A.C) discípulo de Sócrates, mestre de Aristóteles, fundadores da filosofia ocidental. No diálogo Timaeus, Platão comenta a tradução feita por Solon de registros egípcios arcaicos sobre a ilha Brasil. A propósito, Solon, um dos sete sábios helênicos, concebeu a democracia, introduzindo o censo como ferramenta administrativa na República de Atenas. Vinte e seis séculos depois, os filhos deste solo, ó mãe gentil, desviaram a verba do censo para as negociatas eleitorais dos cara de pau brasília. Tamanha sacanagem política – que diga o verde louro dessa flâmula – se repete impunemente por excesso de oportunismo, falta de escrúpulos e de educação, que é a base da consciência. Embora Pero Vaz de caminha tenha datado a sua carta uma semana após o “achamento,” o primeiro panfleto só seria iluminado ao sol do novo mundo 308 anos depois. Antes da corte portuguesa vir se refugiar nessa terra mais garrida, cujos risonhos e lindo campos tem mais flores, era proibido imprimir qualquer coisa ao som do mar e à luz do céu profundo.

Carta Caminha, arquivada na Torre do Tombo, em Lisboa

A julgar pela caligrafia de Pero Vaz de Caminha, nós entenderíamos muito mal a algaravia dos lusitanos recém chegados, tal como poucos lêem aquele manuscrito. Eu não consigo, mas sempre que o Brasil faz aniversário a imagem do cruzeiro resplandece e eu me lembro da Dona Edinir, nossa professora de Português no Colégio Paes Leme, em São Paulo, de onde os Jesuítas do padre José de Anchieta, fundadores da cidade, foram banidos por insistirem em educar o gentio. Dona Edinir era canhota e se afastava para a direita das palavras quando escrevia no quadro negro, lendo cada sílaba com sua voz de giz: “Sa-ba-ti-na. Di-ta-do. Va-le pon-to, pa-ra a mé-di-a men-sal.” O assunto do ditado era a famosa carta. Ela disse que que os termos complicados serviriam para mostrar como a língua evoluiu, disse para capricharmos na letra porque depois trocaríamos os cadernos para correção mútua, e ditou:

“Senhor – vírgula (É pra escrever senhor vírgula, professora?) É pra te dar zero se você continuar com gracinhas. Senhor – vírgula – Posto que o capitão-mor desta vossa frota e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra nova – vírgula – que ora nesta navegação se achou-vírgula – não deixarei também de dar disso minha conta a Vossa Alteza – vírgula – assim como eu melhor puder – vírgula – ainda que para o bem contar e falar o saiba pior que todos fazer – ponto – Mas tome Vossa Alteza minha ignorância por boa vontade – vírgula – a qual – vírgula – bem certo – vírgula – creia que por afremosentar…”

Descrição original do dia 22 de abril de 1500: “…Pola nhãa topamos aves aque chamã fura buchos e neeste dia aoras de bespera ouvemos vjsta de tera .s. premeiramente dhuu[m] gramde monte muy alto. rredondo e doutras serras mais baixas ao sul dele e de trra chaã com grandes arvoredos. ao qual monte alto ocapitam pos nome omonte pascoal E aatera atera davera cruz… omde todos lancamos amcoras em dirto daboca dhuu[m] rrio e chegariamos aesta amcorajem aas x oras pouco mais ou menos e daly oovemos vista dhomee[n]s q[ue] andavam pela praya… pardos todos nuus sem nhuu[m]a cousa que lhes cobrisse suas vergonhas…”
O Cabo de Santo Agostinho em detalhe no mapa de Juan de la Cosa, o cartógrafo e piloto da nau Sta. María, outro nauta da expedição de Colombo

Atualizando o português arcaico, na quarta-feira 22 de abril de 1500, o topo redondo de um monte surgiu a oeste do antigo “mar tenebroso.” Os navegantes costearam a suposta ilha e, no dia seguinte, meia dúzia deles desembarcaram numa praia povoada por gente nua, sem nenhuma “vergonha das suas partes”, inocentes como Adão e Eva no paraíso, antes do fruto proibido. Só podia ser na Bahia, diria Dorival Caymmi. Ninguém imaginou ter chegado a um continente, o Cruzeiro do Sul sugeriu o nome do lugar e Pêro Vaz de Caminha mandou a carta para el-rei Don Manuel I, o Venturoso, sem mencionar – por desconhecimento autêntico – que Vicente Yánez Pinzon chegara três meses antes ao Cabo de Santo Agostinho, 35 Km ao Sul de Recife, Pernambuco.

Pinzón sabia com certeza que descobria um continente, vide o mata de Juan de la Cosa, embarcado na sua expedição. Cabral estava errado, sua ilha tinha milhões de quilômetros quadrados, ao som do mar e à luz do céu profundo. A regra na época era a posse de quem chegasse primeiro, mas o lote estava dentro do limite português sacramentado pelo Tratado de Tordesilha, 370 léguas a Oeste da Ilha de Santo Antão, no Cabo Verde. Fernão de Aragão, famoso pela ganância, não questionou o novo domínio porque sua filha com Isabel de Castela, Isabel de Aragão, era a rainha do português Manuel, o Venturoso. Teoricamente a herança agregaria a nova conquista à Espanha.

Daí que até hoje os portugueses reivindicam a descoberta do gigante pela própria natureza, apresentando a escritura de posse lavrada em 25 páginas por Pero Vaz de Caminha, o primeiro tabelião do futuro paraíso dos cartórios. A caligrafia arcaica é tão diferente da atual quanto a paisagem primitiva contrasta com o cenário moderno. E a estima dos filhos deste solo gentil com os conquistadores se avalia pela indiferença no seu aniversário. No dia 22 de abril, os líderes das 40 nações mais importantes se reuniram na Cúpula Mundial Sobre o Clima, inclusive o presidente brasileiro, celebrando o Dia da Terra. Jair Messias Bolsonaro estava acuado pela reação mundial à sua política do boi verde, a que deixa boiada passar enquanto o fogo afina o Mato Grasso, e não mencionou a aventura de Cabral nem a carta de Caminha.

Dona Edinir, o que é inzoneiro? Eu nunca fui bom aluno e ela té me deu o livro Pau Brasil, do Oswald de Andrade, um dos protagonistas da Semana de Arte Moderna (11 a 18 de janeiro) de 1922, o grito primordial do Movimento Modernista, raiz do Manifesto Antropofágico, proclamado Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, a pintora do Abaporu. A busca da nossa identidade, da expressão autêntica e livre da catequese borocochô, o ranço, domínio colonial do pensamento, foi inspirada pela espontaneidade dos “homee[n]s q[ue] andavam pela praya… homee[n]s pardos todos nuus sem nhuu[m]a cousa que lhes cobrisse suas vergonhas…” Eram todos Abaporu, em Tupi, aba é homem, poru gente e ú é comer. Abaporu: homem que come gente.

Capa do manifesto Pau Brasil. Fair copyryght – domíno público

Cunhambebe, o senhor da matas de Angra dos Rei, apontou um índio extraviado para o náufrago alemão Hans Staden e disse: “Olhe, lá vem a nossa comida pulando.” Concordo que a antropofagia do Brasil pré cabralino era monstruosa, mas, na mesma época os mui civilizados cristão assavam as pessoas vivas nas fogueiras da inquisição, após torturas infernais, em nome da fé. Só agora eu percebo o quanto a Dona Edinir confiou na minha capacidade de entender o esforço de Oswald de Andrade para aproximar a literatura da língua falada, da poesia livre, o pensamento brasileiro não catequizado, puro, como os Pataxó pelados de Porto Seguro. E a porcaria dessa lágrima pingou no teclado porque a primeira parte de Pau Brasil, um livro magro, de capa dura, se refere à carta de Pêro Vaz de Caminha. Ela era uma boa professora e isso me comove.

Oscar Pereira da Silva (1867-1939) – Fair copyright

Após dez dias de “refrescos” a frota partiu rumo às Índias deixando aqui dois criminosos para aprenderem a língua, os costumes e prospectar as riquezas. O objetivo era um levantamento para o a providência imediata: a catequese dos nativos para facilitar o saque desta terra mais garrida. Um dos degredados se chamava Afonso Ribeiro. O nome do outro não podia ser mais premonitório: João de Thomar. O Afonso Ribeiro era acusado por “culpas de morte.” Alguns historiadores alegam sua inocência. Se isto foi verídico, estava inaugurada a “justiça” no futuro Brasil. O outro, João de Thomar, foi tão bem sucedido que os seus descendentes evoluíram como políticos, farsantes religiosos, bajuladores palacianos e outros patifes oficiais, especialistas no thomar-láh-dar-cáh. O agá na gíria do esculacho é sinônimo de trambique, mutreta e outras especiarias legislativas, judiciárias e executivas… municipais, estaduais e federais. Ai, meus sais! Chamem os fuzileiros navais e afundem os agáhs.

Os herdeiros mais prósperos dos nossos contraventores primordiais se encastelam nos palácios e gabinetes do Distrito Federal, Brasília, BSB, BR. A última notícia de Afonso Ribeiro e João de Thomar foi registrada por Valentim da Moravia, um impressor germânico contemporâneo da “descoberta”, com oficina em Lisboa. Consta que eles teriam sido resgatados pela expedição de Duarte Coelho, voltando ao reino para receber benesses pela espionagem. A ilha de Vera Cruz mudou um pouco nesses cinco séculos. Suas matas cantadas em prosa e verso viram cinzas, com um governo incendiário ajoelhado no pescoço dos jacarandás. Carta por carta, peço licença a Pêro Vaz de Caminha e escrevo um bilhete sobre algumas consequências da memorável passagem acidental das 13 naus da frota de Cabral pela Bahia, no tempo em que jacarandá se chamava ibirapitanga.

“Caro Dom Manuel, saudações venturtosas neste 1° de maio de 2021.

Vossa majestade gostará de saber que o Todo Poderoso tornou-se súdito do vosso reino, amém. Todos dizem ue Deus é brasileiro, inclusive o Papa. Inventamos a bola o feijão, a farofa, a tapica, o cuscuz, a rede, o gol de placa, o samba, a mulata, o avião, a preguiça, a bunda, o fio dental, o tamborim, o saudável hábito de coçar o saco, o estimulante esporte da paquera, o bolo, o rolo, o mimimi, a caipirinha, a gripezinha, o leite condensado, a puta que o pariu e todos os apelidos do mundo. Patenteamos a mentira, o salário mínimo, o colarinho branco, a inflação, o bujão de gás, o boi verde da cara preta, suja de tisna das queimadas, a seca no pantanal, o auxílio emergencial, a bolsa família, a prestação da casa imprópria, a falta de vergonha, a jabuticaba, os jabutis legislativos, a abobrinha, a CPI, o INPS, o inquérito para não dar em nada, os recursos dos recursos dos recursos da impunidade, o fino da burocracia, os assessores parlamentares, as rachadinhas e os melhores puxa-saco do mundo. Aperfeiçoamos o nepotismo e a corrupção.

A carta de Caminha sobreviverá séculos, ao contrário da minha, que provavelmente será deletada em seguida. Outra diferença fundamental é a que a do escrivão da frota de Cabral começa bajulando el-rei Dom Manuel e termina pedindo-lhe favores… “que por me fazer simgular merçee mã de vijr dajlha de sam thomee jorge dosoiro meu jenrro. o que dela rreceberey em mujta merçee. / beijo as maãos de vosa alteza. /deste porto seguro da vosa jlha de vera cruz oje sesta feira primº dia demayo de 1500.”

Tradução: neste cargo que levo, como em outra qualquer cousa que de vosso serviço for, Vossa Alteza há-de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de S. Tomé Jorge d’Osoiro, meu genro, o que d’Ela receberei em muita mercê. Beijo as mãos de Vossa Alteza. Deste Porto Seguro, da vossa ilha da Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de Maio de 1500. Pêro Vaz de Caminha. Ele bajula e eu quero apenas que você compartilhe esta bula do remédio contra a burrice oficial. Afinal, dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada Brasil.

P.S. A quem interessa possa: as citações em negrito são do Hino Nacional Brasileiro, letra de Joaquim Osório Duque Estrada, música de Francisco Manoel da Silva.

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Ai, o Brasil dói

Dor: 390 797 mortes enlutam aos órfãos, irmãos, parentes, amigos, conhecidos, colegas de trabalho, vizinhos e até aos inimigos. A multidão das vítimas aumenta neste mesmo instante. Mas, cedo ou tarde, os responsáveis e os indiferentes a tanto sofrimento serão julgados. Porém o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, confia na impunidade pelas mortes por Covid no Brasil:

“Quem errou, se errou, cometeu dolos ou falta de boa gestão, será responsabilizado no tempo adequado. Eu encaro com naturalidade e, no tempo adequado e de forma responsável, analisaremos esses pedidos” – Agência Câmara, 26.04.2021

A imunidade constitucional dos parlamentares os isenta de julgamento por covardias como o rateio de R$ 48 bilhões em emendas eleitoreiras, quando a verba emasculada do Orçamento para Censo de 2021 impede que se identifiquem as causas dos 400 mil mortos pela “gripezinha” que devasta o país. A gestão pública precisa de informações atuais para evitar absurdos como submeter 40 milhões de pessoas à miséria, oferecendo esmolas de 250 pratas para uma família, enquanto distribui bilhões entre parasitas às vésperas do ano eleitoral.

Isso é crime de lesa pátria, e, quando se trata de 400 mil mortos, a blindagem de quem comprou a eleição do Sr. Lira para presidir a Câmara, implica em cumplicidade na obstrução da justiça. A insinuação da dúvida … “Quem errou, se errou, cometeu dolos ou falta de boa gestão” … comprova intenção de tumultuar ainda mais o ambiente social para pulverizar responsabilidades políticas. O presidente da Câmara e os aliados do governo no Congresso sabotam a instalação da CPI da Covid, mas o “tempo adequado” de punir os responsáveis e seus cúmplices é agora, ou todos seremos os responsáveis por crises mais dolorosas.

Destaque

Baía dos Porcos, Cuba, 17 de abril,1961: a história secreta da maior lambança de JFK

Girón foi a praia do desembarque dos cubanos treinados pela CIA – bahiadecochinos.weebly.com – Fair copyright

Viva Cuba Libre! Os barbudos da Sierra Maestra tomaram Havana na quinta-feira dia1º de janeiro de 1959, após quatro anos e meio de revolução, com armas, dinheiro, o entusiasmo pan-americano e a cumplicidade ambígua do governo dos Estados Unidos. O presidente Dwight “Ike” Eisenhower havia retirado o país da Guerra da Coreia e delegou ao seu vice, Richard Nixon, coordenar o jogo duplo entre a guerrilha de Fidel Castro e a repressão do general Fulgêncio Batista, o capataz do interesses americanos.

Após “El triunfo de la Revoluciós Libertadora,”os fuzilamentos no paredón, a reforma agrária, as encampações da indústria açucareira, da rede bancária, das concessões públicas e dos cassinos escandalizaram os donos virtuais da ilha. Os Estados Unidos usavam Cuba como seu quintal desde 1898, quando uma guerra incitada pela imprensa expulsou a Espanha do Caribe e América Central, estabelecendo o domínio ianque sobre as Repúblicas de Bananas. A invasão da Bahia dos Porcos ocorreu em plena Guerra Fria, clima que merece um aquecimento histórico antes de entrarmos no tiroteio da Playa Girón.

Harry S. Truman metera o país na Guerra da Coreia após o rendição japonesa na II Guerra Mundial. Ele estava certo de liquidar rápido o assunto com “os amarelos” porque tinha mais bombas atômicas na gaveta além das que havia mandado para arrasar Hiroshima e Nagazaki. Mas Mr. Truman subestimou o adversário, colidiu com o general Douglas MacArthur, o comandante supremo das tropas aliadas na Coreia, e o resumo está gravado no granito do monumento aos veteranos daquela guerra, no Centro de Washington: 54 246 americanos mortos, 103 824, feridos, 8 177 desaparecidos. E a tirania comunista norte coreana, álibi de Truman para ir à guerra, se perpetua na ditadura do “amado líder” Kim-Jong-un.

P’anmunjom: a assinatura parcial da cessação das hostilidades que continua subjacentes entre as Coreias. Foto do Departamento de Defesa USA, documento de domínio público

O general Eisenhower, comandante das Forças Aliadas na Europa durante a II Mundial, se elegeu em 1952 e quando resolveu cumprir sua promessa de campanha, o presidente da Coréia do Sul, Syngman Rhee, não reconheceu o armistício assinado 27 de julho de 1953, em P’anmunjom, e a China, aliada da Coreia Norte, se retirou do acordo. Os boicotes chinês e sul coreano prolongam tecnicamente aquele ensaio macabro para a guerra do Vietnam. E o armistício capenga de P’anmunjom se encaixa à lambança de John Kennedy na Bahia dos Porcos porque a segunda-feira 27 na Coreia correspondeu ao domingo 26 de julho em Santiago, dia do massacre do Regimento Moncada, o primeiro ato da Revolução Cubana. O elo entre os dois episódios foi apenas a data… até o fracasso da contrarrevolução em Cuba empurrar a América para a guerra no Vietnam.

O sacrifício inútil na Coreia congelou ainda mais a Guerra Fria, compelindo o governo Eisenhower/Nixon a mostrar o comprometimento anticomunista no próprio terreiro. John Foster Dulles, o secretário de Estado do governo Eisenhower, e seu irmão, Allen Welsh Dules, diretor da CIA, eram sócios do escritório Sullivan and Cromwell, a cabeça jurídica da United Fruit Company. Além disso, integravam o Conselho de Administração do Pulpo (o Polvo), como o povo apelidou as plantações de bananas, cana e café; as usinas açucareiras, as ferrovias, as linhas telegráficas, os hotéis, os hospitais, os portos; as concessões nos fornecimentos de eletricidade e a empresa de navegação White Fleet, a Frota Branca.

A United Fruit era mais rica do que os países que explorava juntos. A ameaça da reforma agrária na Guatemala pelo coronel Arbens Guzmán veio a calhar para os interesses dos irmãos Dulles. Eles poderiam descartar o coronel Gusmán pelos métodos convencionais: fraude eleitoral, boicote econômico, corrupção e suborno, mas a oportunidade era excelente para empurrar o desastre coreano sob aquele lindo tapete do Gabinete Oval. A rádio clandestina Voz da Liberdade passou a transmitir de Honduras que o coronel Guzmán implantava uma ditadura comunista e a CIA treinou na Nicarágua os 400 mercenários da Operação PBSUCCESS, vanguarda do “Exército de Liberação da Guatemala”.

Protesto em Manágua, Nicarágua, 1° de Maio/1980 Efeito do golpe de 1954 – Foto do autor. Original publicado no meu livro “A revolução das Bananas”

O símbolo dos invasores recrutados pela Agency era uma cruz apunhalada, e o punhal foi cravado no domingo 28 de junho de 1954. Arbenz Guzmán se rendeu rápido ao coronel Carlos Castillo Armas, o testa de ferro da CIA. Por acaso, aquele golpe revolucionou um andarilho argentino em trânsito pela Guatemala. Ernesto Che Guevara era comunista como um tango e se envolveu na resistência por pura indignação. Foi perseguido e fugiu para o México, onde juntou-se aos refugiados cubanos que treinavam para derrubar o general Batista sob a liderança de Fidel Castro. E nunca outro plano tão mal ajambrado deu tão certo quanto a Revolução Cubana. Quiero dizer, certo para os irmãos Raúl e Fidel Castro, .que se locupletaram na maior farsa política do favelão pan-americano.

O sucesso do golpe guatemalteco intimidou todas as pretensões revolucionárias nas américas e os irmãos Dulles projetaram a United Fruit como espectro do imperialismo ianque. Antes dos cubanos chutarem o pau da barraca a maioria das revoltas latino-americanas eram caricaturas tropicais da Revolução Mexicana. Se um camponês atirasse de olhos vendados tinha mais de chances de balear um ladrão do que qualquer patriota honesto.

Esperneie quem quiser, mas a definição dos países da América Central e Caribe como Repúblicas de Bananas colou. O deboche foi concebido por O. Henry em Cabbages and Kings, uma sátira sobre a guerra entre Guatemala e Honduras instigada pela United Fruit Company e a Cuyamel Fruit para expandirem os seus domínios da região. O. Henry era o pseudônimo do escritor William Sidney Potter que escreveu o conto Repolhos e Reis enquanto se escondia em Honduras após ter dado um desfalque no First National Bank, no Texas.

Quando a revolução cubana virou o fio para a esquerda – paredón, reformas, independência, autonomia ideológica e outro insultos – os manda chuva de Washington reduziram a compra de açúcar e o fornecimento de combustíveis. A União Soviética aproveitou a brecha no gelo da guerra aberta em Cuba pelos Estados Unidos, enviando petróleo a preço de banana, em troca de açúcar a peso de ouro. A Shell, a Texaco e a Esso se recusaram a processar o óleo comunista, aí Revolução nacionalizou as refinarias

O vice Richard Nixon presidia o Conselho Nacional de Segurança e ativou a Operação 40, que consistiu em convocar os magnatas prejudicados pelas expropriações e a reforma agrária para financiar a derrubada do novo regime. George Bush (pai) se destacava entre eles e tinha credenciais excelentes. Era membro da seita Skull and Bones (Crâneo e Ossos) fundada em 1832 na Universidade de Yale para garantir a supremacia WASP – White, Anglo-Saxon and Protestant – no topo do poder político.

Bush pai (no círculo) era proeminente na seita macabra. 322 é n° hermético da Skull and Bones

Skull and Bones, também chamada de 322 e Irmandade da Morte, é associada aos Iluminati, a seita que propõe um governo global administrado por seus integrantes bilionários. O 322 se refere ao ano da morte do filósofo Demóstenes, quando a democracia ateniense foi convertida numa plutocracia, sistema cujo poder emana da elite econômica no controle político/social. A Skull and Bonnes venera como relíquia o crânio do chefe apache Geronimo, roubado da tumba no Fort Sill por três sectários, entre eles Prescott Bush, o avô que introduziu o ex-presidente George Bush (pai) na Irmandade da Morte.

Os descendentes de Gerônimo tentam em vão recuperar a caveira ancestral, alegando a profanação dos restos do Apache que simboliza a resistência/extermínio dos nativos americanos e fortes boatos quanto ao envolvimento da Skull and Bonnes na sabotagem do Le Coubre, resultando em 75 mortos e 200 feridos. O navio carregado de armas vindas da Bélgica explodiu no porto de Havana na sexta-feira 4 de março de 1960, episódio idêntico à explosão do cruzador U.S.S Maine, em 15 de fevereiro de 1898, justificando a intromissão ianque na revolta de José Martí pela Independência Cubana. O resultado foram as tomadas de Cuba, de Porto Rico, das Filipinas e de Guam na guerra contra a Espanha, instigada, na verdade exigida, pela imprensa dos Estados Unidos.

El Che, foto de Alberto Korda – Museu Nacional de Havana-domínio público

A foto da sucata dá a impressão do Le Coubre ter sido bombardeado em Pearl Harbor, mas o ícone que sobrevive é o “Guerrilhero Heroico” fotografado por Albert Korda no funeral das vítimas, no dia seguinte à sabotagem. O olhar sombrio, além do horizonte, desvia a atenção da cicatriz na face esquerda, lembrança de uma bala no combate da Baía dos Porcos. E Fidel Castro apontava para o norte quando rugiu:
“Vocês não nos submeterão pela guerra nem pela fome.”
O governo americano negou qualquer envolvimento, mas choveu panfletos sobre a ilha, lançados por aviões vindos da Flórida.

John Kennedy derrotou o vice-presidente Richard Nixon nas eleições de 1960 e assumiu a maior reponsabilidade do mundo na sexta-feira 20 de janeiro de 1961. A política double-face do governo Eisenhower na Revolução Cubana fora executada por Allen Welsh Dulles, o primeiro diretor civil da Central Intelligence Agency, a popular CIA, justamente na fase aguda da Guerra Fria. A CIA fornecera armas para os rebeldes, fingindo ignorar a rede clandestina das operações externas e coleta de fundos baseada em Miami. Dulles ainda desfrutava o prestígio do golpe na Guatemala contra o governo nacionalista de Jacobo Arbens Guzamán e Kennedy herdou do presidente Eisenhower a Operação Mongoose, um esquema para matar Castro como pré requisito na retomada de Cuba.

A CIA havia montado a Operação Pluto para recrutar exilados cubano, treiná-los, invadir Cuba e juntar-se à guerrilha na Serra de Scambray, quando… dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um. Ignição! O cosmos ficou vermelho e a América empalideceu. Os americanos, eu e o resto dos deslumbrados desse planeta acreditávamos na supremacia americana, e, de repente, Yuri Alekseyevich Gagarin subiu como um rojão para informar à humanidade que “a Terra é azul”.
Um russo no cosmos e milhares deles em Cuba agravaram a paranoia da Guerra Fria. Kennedy reagiu à disparada soviética na corrida espacial anunciando o programa “Nova Fronteira”, pelo qual prometeu a Lua aos americanos no prazo de um década. Mas os contribuintes exigiam algo mais concreto do que uma promessa lunática, e a indústria de abrigos atômicos familiares prosperou. Como se isso não bastasse, o desafio cubano à maior potência encantava meio mundo e Kennedy tinha que recuperar Cuba antes da sua primeira reunião com Nikita Khrushchev, agendada para julho, em Viena.

A trama era camuflar a autoria da invasão até que um pedido dos contra revolucionários cubanos justificasse a intervenção dos Estados Unidos, para derrubar Castro restaurar a democracia com carimbo de legitimidade. Daí a ausência de americanos entre os invasores da Operação Zapata, codinome substituto da Operação Pluto, uma homenagem à Zapata Oil, empresa texana que forneceu o apoio logístico devido aos seus interesses prejudicados pela nacionalização das refinarias em Cuba. George Bush (pai) fundara a Zapata Oil em 1953 com quatro sócios, entre eles Thomas J. Devine, um especialista em financiamentos das operações clandestinas da CIA.

Bush desmembrou a empresa e em 1959, criando a Zapata Off-Shore, cujas plataforma de prospecção no Golfo do México e Caribe facilitavam as transferências de armas e suprimentos para os grupos operacionais da CIA na região. A privatização do desembarque na Baía dos Porcos deu um tremendo prejuízo a George Bush pai e ele seria recompensado duplamente, com sua nomeação para dirigir a CIA e a futura eleição presidencial do filho homônimo, também membro da Skull and Bonnes. John Kennedy deu continuidade automática à Operação Zapata e os cubanos treinados pela CIA partiram de Puerto Cabezas, Nicarágua, no dia seguinte à façanha de Yuri Gagarin.

O treinamento da Brigada 2506 na Nicarágua – foto anônima

A numeração dos voluntários havia começado por 2500, mas um morreu e o grupo foi batizado em sua homenagem como Brigada 2506. O ditador Nicaraguense Luis Somoza foi se despedir e encomendou ao comandante Pepe San Roman um tufo da barba de Castro. Espiões e boatos enxameavam entre Miami, Washington, Manágua, Moscou e Havana. A KGB monitorou a invasão, codinome Dia J, restava saber a data e lugar do desembarque.

Os B-25 invasores foram derrubados e a derrota da Brigada 2506 foi irremediável

A primeira onda surgiu em vôo rasante na madrugada do sábado 15 de abril de 1961. Meia dúzia de bombardeiros B-26, tripulados por desertores, danificaram sucatas de aviões expostas como iscas. Sete jatos Sea-Furye T-33 havia sido ocultos, mas os pilotos fiéis ao regime não decolaram. Na segunda-feira, 17 de abril, o casal Kennedy oferecia um banquete ao corpo diplomático, justo na hora da lambança em Cuba.

O presidente, seu irmão Bob, ministro de Justiça, e McGeorge Bundy, do Conselho de Segurança Nacional, haviam detalhado a invasão com Allen Dulles. O porta-aviões U.S.S Essex capitaneava a força-tarefa posicionada ao largo de Cuba, e o plano incluía o apoio aéreo americano. Mas a falta de resistência aos B-26 induziu à suposição de aniquilamento da defesa aérea cubana. Kennedy queria manter a pose democrática e vetou o apoio aéreo na última hora.

Kennedy consolou os cubanos abandonados na Baía dos Porcos, já com a cabeça no Vietnam, para mostrar aos russos que era durão – foto anônima – Fair Copyrighty

Os três dias de luta terminaram com 254 invasores mortos na Praia Girón e 1 146 presos. Guevara levou um tiro no rosto e a baixa mais dramática foi a de Humberto Sorí Marín, ex-guerrilheiro e ministro da Agricultura, autor da Lei da Reforma Agrária. Sorí Marín discordara da guinada comunista do regime, fugiu e voltou para organizar a contrarrevolução. Foi ferido na bunda e preso. Fidel Castro o interrogou no hospital e prometeu aos familiares um julgamento justo. Mas o ex-companheiro, comandante na Sierra Maestra, foi fuzilado depois dos curativos.
O sucesso sideral de Gagárin precipitara o ataque, e os pilotos leais à revolução explodiram o Rio Escondido e o Houston. Outros dois navios avariados buscaram a proteção da força-tarefa americana e os expedicionários da Brigada 2 506 se ferraram na praia, sem pai, sem mãe, sem o Tio Sam nem a tia CIA. Nenhum ianque pisou na ilha. Todos eram cubanos, mas Fidel Castro cantou vitória militar sobre “o império”. Apesar dos desmentidos de Washington, a participação americana era inegável. As bombas explodiram no noticiário,ecoaram na ONU, e Kennedy ditou sua melhor manchete:
As vitórias têm muitos pais. As derrotas são órfãs”.

Pesquisas sobre o episódio registraram o recorde de 83% de apoio ao governo Kennedy, índice oposto à reprovação da comunidade internacional. As evidências sobre a autoria do ataque eram absolutas, e Kennedy demitiu Allen W. Dulles. Vendo a foto do ex-todo poderoso diretor a CIA, ninguém diz que aquele velhote com cara de vovozinho das histórias de carochinha mandara envenenar o milk-shake habitual de Fidel Castro na Sorveteria Copelia, em Havana. O sistema engavetou as responsabilidades sobre a Operação Mongoose e o Relatório Church garante:
Apesar do direito constitucional e das intimações judiciárias, o comitê investigador não teve acesso nem pode analisar por seus próprios meios os arquivos das diversas agências. Tanto a CIA quanto o FBI, NSA, INR, DIA ou a NSC filtraram os documentos e as evidências”.
A censura aos membros do Congresso acobertou o poder subterrâneo da “comunidade de informação” sob a tarja de “privilégio executivo”. Oficialmente, o Dia-J não existiu. A segunda-feira 17 de abril de 1961 foi mais comentada em Washington pelo baile de gala na Casa Branca. Jacqueline Kennedy abalou o corpo diplomático num longo tipo funil, de tafetá cor de rosa, assinado por Oleg Cassini. As longas luvas brancas combinavam com brincos de pérola, em forma gotas.
Jackie sabia ser snob. Gastou uma fortuna federal na reforma da Avenida Pennsylvania, 1600, endereço ao qual se referia como “aquela casa de colunas”. Os registros da festa mostram John Kennedy alheio ao drama da Baía dos Porcos como se Cuba fosse um chiqueiro em outro planeta. O governo fingiu que a arenga fora entre cubanos e os assessores caprichavam na maquiagem. O sorriso sereno de Jackie, as fotos do pequeno John-John sob a escrivaninha do gabinete oval, o flagrante do papai presidente levando a suave Caroline para a escola comoviam a maioria silenciosa.

Os invasores abandonado nas praia pela suspensão do apoio prometido. Ao fundo a silhueta em chamas do Zapata em chamas. Foto coldwarproject.files.wordpress.com

Outras familiaridades passaram em branco devido à insignificância (na época) de personagens agora notórios. Os invasores chegaram à Baía dos Porcos nos cargueiros Rio Escondido, Houston, Blagar, Zapata e Barbara, da Zapata Off-Shore Company e da Zapata Oil Corporation, sediadas em Houston, Texas. O sócio principal de ambas tratava-se do futuro diretor da CIA e presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, casado com Barbara Pierce Bush.
Ninguém tem nada a ver com o nome da patroa na proa do navio do maridão. Mas se a empresa dele disponibiliza sua frota para um golpe de estado, isso autoriza qualquer cucaracho a denunciar a privatização de um golpe do Governo dos Estados Unidos contra um regime latino-americano. Duas semanas depois, no Dia Trabalho, a segunda-feira 1º de maio de 1961, Fidel Castro berrou na Praça da Revolução:


Eu sou e hei de ser marxista-leninista até o dia da minha morte”.


Os cubanos caíram na real e o caudilhismo fantasiado de comunismo se perpetua na ficção ideológica do “Território livre das Américas”.
Os autores sempre reservam o melhor do assunto para o fim, considerando que um bom arremate cativa o público. Lamento decepcionar a quem lê isto, mas o desembarque da Brigada 2506 na Baía dos Porcos terminaria muito pior do que a Guerra da Coreia.

John Kennedy confrontava a disparada soviética na corrida espacial, recuou na Crise dos Mísseis e resolveu desviar a atenção dos seus fracassos elegendo o Vietnam como palco para defender a democracia contra a ameaça comunista. Ele mandou os primeiros contingentes de 16.500 “conselheiro militares” para o Vietnam do Sul, iniciando a escalada da guerra que repetiu fracasso da Coreia.

Os Estados Unidos enviariam 2 707 918 soldados nos rodízio dos recrutamentos, sem contar os civis agregados às Forças Armadas – técnicos, pessoal das agências de segurança, assistentes sociais e burocratas. Os 58 267 mortos em combate foram proporcionalmente inferiores aos 54 246 mortos na Coreia, levando-se conta a duração dos conflitos.

Números podem chocar mas não doem. Apenas registram os 75 000 mutilados; os 23 214 totalmente incapacitados; dois quais 5 283 sem membros e 1 081 com amputações múltiplas. A média de idade dos mortos oscilou em torno os 22 anos, quatros menos que na II Guerra Mundial. O mais velho morreu aos 62 anos; 8 283 tombaram com 19 anos, e 33 103 tinham apenas 18 anos. Entre todos, morreram oito mulheres. Que todos descansem em paz!

P.S. O título desta memória era POR QUEM OS SINOS NÃO DOBRAM. Eu o mudei para não ser acusado de plagiar o romance de Ernest Hemingway sobre a Guerra Civil Espanhola, For Whom the Bell Tolls, escrito em Cuba. O herdeiros de Hemingway poderiam reclamar mas sem direito a reivindicação de originalidade, pois o sino tocou primeiro no réquiem do poeta e reverendo anglicano John Donne, contemporâneo de Shakespeare. Favor enviar as reclamações para hbcomborges@gmail.com

Destaque

A máscara das 361 mil verdades

Eu não sou o medo, o insulto a ameaça

Nunca fui o ódio, o rancor a arrogância.

Jamais xinguei ninguém, sou honesto

Longe de mim zombar do seu sofrimento.

Juro não ser egoísta e acreditar na medicina

Defendo a ciência, aposto tudo na vacina

Sou competente, combati a pandemia

Não aglomerei ninguém, nem sou inconsciente

Muito menos corrupto, covarde, oportunista

Eu não sou autoritário, mentiroso, fascista

Sempre fui humano, igual a você: gente!

Minto um pouco, mas quem não mente?

Tamo junto, vamo adiante. Eu sou o seu presidente!

Arte descartável (papel tolha) e foto do autor: HBy

Destaque

Ordinário, marche… ou vice versa

O cabo 1328, praça de 1964, e o seu fuzil ordinário/1918, FO, tão velho que matava os comunistas de tétano.

Ordem do dia para todos os dias: Atenção, batalhão. Eu, o cabo 1328 da 1ª Companhia de Carros de Combate, a muito bem-feita de corpo e perfumada CCC, do 16º Regimento de Infantaria, RI, da 7ª RM, em Natal, RN/BR, comunico que o presidente Jair Bolsonaro (PQP) afronta a verdade histórica (coisa de comunista) ao negar os termos do glorioso Ato Institucional Nº 1, assinado há exatos 57 anos, em 9 de abril de 1964. Declaro para o devido registro no Regulamento Interno dos Serviços Gerais – RISG – que sou Testemunha Dermatológica do Memorável Evento (TDME). Naquela Data de Saudosa Memória (NDSM) eu estava no alojamento com as calças arriadas, polvilhando NEOCID numa Impertinente Infestação de Chatos Bolcheviques (IICB). De acordo com o meu chapa Paulinho gogó, o fato é venéreo. O regimento inteiro teve CCG: chato, chulé e gonorreia. Talvez o capelão tenha escapado, mas não dou certeza.

General Sizeno Sarmento lê o AI-1. Foto Correio da Manhã – Arquivo Nacional – domínio público

A justificativa do notável dedo duro Francisco Campos no introito do AI-1 conceituou “…O movimento civil e militar que acaba de abrir ao Brasil uma nova perspectiva sobre o seu futuro. O que houve e continuará a haver neste momento, não só no espírito e no comportamento das classes armadas, como na opinião pública nacional, é uma autêntica revolução… Esta é a forma mais expressiva e mais radical do Poder Constituinte. Assim, a revolução vitoriosa, como Poder Constituinte, se legitima por si mesma.” Abaixo assinado: general Artur da Costa e Silva; tenente brigadeiro Francisco de Assim Correia de Melo; almirante Augusto Hamann Rademaker Grümewald; e Ranieri Mazzilli, assinatura inútil. Mazzilli era o presidente da Câmara que foi para o beleléu.

No dia seguinte, 10/4/1964, o Comando Supremo da Revolução suspendeu por dez anos os direitos políticos de 102 agentes de Moscou. Aquela gentalha vermelha obstruía a ordem e o progresso. Foram os artífices da mentalidade nefasta contra baixarmos as calças para o mito do nosso mito, Donald Trump. Resta o consolo de não pulverizar com NEOCID a grana escondida na cueca, e o conforto da salvação nacional pelos cinco atos institucionais que viabilizaram as prisões, as torturas, as cassações, os exílios, o fechamento do Congresso, a censura, a supressão dos direitos políticos e outras providências salvadoras da democracia que o presidente nega ter sido uma ditadura, como a negou a pandemia que mata 4 000 por dia.

Charge de Aroeira – pirateada numa boa do facebook – fair copyright por causa justa

Desmentir o presidente tonou-se fato corriqueiro, como coco ser fruto de coqueiro. A amnésia nacional também nunca foi novidade. Muitos resmungam contra o Ato Institucional nº5 alheios à tragédia da ditadura militar só ter se estabelecido como sequela do AI-1. O presidente desqualifica a “Redentora” mais ou menos como a reduziu pandemia Covid a uma gripezinha, e manipula o medo da contaminação política e epidêmica com ameaças quase explícitas. Parece que o Brasil não se lembra de tido coragem. Ou isso só existe na letra do hino?

Todo mundo também se esqueceu que o 9 de abril é o dia nacional do aço, dura ironia no aniversário da dita dura. Tá na folhinha, pode conferir. Em honra desta magna data e suas efemérides (MDSE), o cabo 1328 complementa sua Ordem do Dia com decisão exemplar: Atenção batalhão, quem está com chatos forma aqui na direita; os chatos por natureza, formam no centrão; e os pentelhos na alinham na esquerda mesmo. A partir deste momento histórico vigora um nova hierarquia nas nossas briosas fileiras:

Do posto de capitão pra baixo, tudo é general. De general pra cima, todos – de cabo a rabo – estão promovidos a cabo. No nosso exército, cabo manda mais do que o bajulador Rodrigo Otávio Soares Pacheco (ROSP) apita na panela do Senado. E o cúmplice sob a panela da Câmara, Artur Lira, vulgo crocodilo das Alagoas (VCA), não pode virar bolsa Lacoste enquanto não desengavetar pelo menos um dos 105 requerimentos de impeachment protocolados contra o seu tutor: o capitão negação.

Atenção, cambada de civis, paisanos, mimimis e outros mariquinhas. O comando para o início de qualquer deslocamento nas fileiras militares é: “ordinário, marche”. E o comando de encerramento dos desfiles é “fora de forma, marche”. A partir desta ordem do dia, o intrépido cabo 1328, da classe de 1964 etc., concorda com a determinação autocrática do STF (Sargento Tô Fodido) e atualiza os comandos. O rompimento (termo técnico) para o fim dos desfiles passa a ser: “fora de forma marche, ordinário.” A rima com bolsonário é por conta do recruta Zero. E haja panelaço.

Favor encaminhar críticas e contribuições para hbcomborges@gmail.com

Destaque

Não confunda o general da banda com a debanda dos generais

Toque de caixa: trtrtrtrtrtrtrtrtrtrtrtrt…Bum! Atenção batalhão para a Ordem do Dia 1º de abril/2021: O Regulamento Disciplinar do Exército, R-4, informa que o negão Otávio Henrique de Oliveira foi um general de araque, mas consagrou a estratégia capaz de derrubar Napoleão Bonaparte com uma pernada:

“Cutuca por baixo que ele cai!”

Passarola”, do padre Bartolomeu de Gusmão, precursora do Passaralho que caiu do galho no Planalto Central – pt.wikipedia.org – fair copyright

O ministro da nossa defesa, Fernando Azevedo e Silva, general de quatro estrelas, não acreditou na cutucada e caiu. O general Edson Leal Pujol, outro quatro estrelas, também não fez fé e desabou do comando do “meu Exército” do capitão Bolsonaro. O almirante de esquadra Ilques Barbosa Júnior, ex-comandante da nossa Marinha, mais quatro estrelas e uma âncora, foi torpedeado abaixo da linha d’água e posto a pique. Virou titanique no Lago de Brasília. E o comandante da sua Aeronáutica, o tenente brigadeiro do ar Antônio Carlos Moretti Bermudez, outro quatro estrelas e um sabre alado, despencou do firmamento federal, como o balão apagado de Bartolomeu de Gusmão. A derrubada conjunta da cúpula militar não tem precedente histórico no Brasil, e os silêncios do Senado e Câmara revelaram outra queda ainda mais constrangedora: a do rabo entre as pernas do Congresso.

O 1º de abril de 2021 caiu numa sexta-feira 13, data fatal, pois as provas anexadas à Ordem do Dia da Mentira negam a suposta convicção direitista do presidente que escolheu o 57º aniversário do golpe militar de ’64 para chutar os traseiros dos quatros milicos mais graduados da nossa pátria amada, salve… salve… salve-se quem puder. Jair Bolsonaro sempre negou a existência da ditadura no Brasil e, neste aniversário bizarro, exigiu do Ministro da Defesa – o qual demitiu em seguida – a redação da a Ordem do Dia para leitura em todos os quarteis, celebrando o golpe que – segundo o presidente apologista da tortura – nunca aconteceu!

Sim meu, capitão: “Como faces de uma mesma moeda, tanto o comunismo quanto o nazi fascismo passaram a constituir as principais ameaças à liberdade e à democracia naqueles anos. Contra esses radicalismos, o povo brasileiro teve que defender a democracia com seus cidadãos fardados… E as Forças Armadas, atendendo ao clamor da ampla maioria da população e da imprensa brasileira, assumiram o papel de estabilização daquele processo, e em estrita observância ao regramento democrático, vêm mantendo o foco na sua missão subordinadas ao poder constitucional”.

Desde a Revolução Bolchevique de outubro1917, na Rússia, quem esculacha o Estado e suas instituições é comunista de carteirinha. Lênin, Trotsky, Kerenky ficariam orgulhosos com a desqualificação institucional deliberada passo a passo – passo de ganso – especialmente através da nomeação de prepostos absurdos, escolhido a dedo – dedo duro – para sabotar setores prioritários, como educação saúde, meio ambiente, etc. O mais recente, relações exteriores, incompatibilizou o Brasil com a União Europeia, Estados Unidos, China e a República da Rudraguiubarriudorudra, a qual ainda não existiu – com a Redentora de ’64 – mas já é nossa inimiga. Todos continuam impunes pelos danos causado à nação, outros são comprados no varejo dos cargos, das emendas parlamentares, das negociatas no tapetão do capitão. Os rabos presos (ou entre as pernas), as ameaças e intimidações acuaram a oposição es nem Il Duce Mussolini chutou o armário de leite condensado de quatro generais sem dar satisfações a ninguém. Bajulado vergonhosamente pelo entrevistador que elegeu como moleque de recados, Jair Bolsonaro minimizou o aparelhamento político das Forças armadas, aplicando a tática de desqualificar coisas sérias, a como pandemia Covid, ou, no caso, a ditadura militar.

Temos de conhecer a verdade. Não quer dizer que foi uma maravilha, não foi uma maravilha de regime. Mas qual casamento é uma maravilha? De vez em quando tem um probleminha, é coisa rara um casal não ter um problema, tá certo?”

O terrorista e o esquema da sabotagem com sua letra atestada por várias perícias – imagem Revista Veja, 4/11/87 – Fair copyright para fins educativos

Bem, eu era cabo e não casei com a Redentora; apenas namorei a neta do coronel. Os meus probleminha foram chulé no coturno e os piolhos das camas nojentas do Corpo da Guarda, nas noite de prontidão. Mas o nosso capitão teve problemões: foi excluído com desonra em 1988 por complô político e sedição terrorista. O Superior Tribunal de Justiça Militar confirmou seu protagonismo na “Operação Beco Sem Saída:” o plano era explodir bombas em banheiros da Vila Militar, da Academia das Agulhas Negras e outros quartéis, além de sabotar a Adutora do Guandu, principal fonte de abastecimento de água do Rio de Janeiro. O réu já fora preso em 1986, também por reivindicar salario publicada na imprensa que agora insulta publicamente como “safada, Filha da Puta.” A justiça militar o absolveu e o Exército nunca justificou a sua reforma remunerada com apenas 11 anos de serviço efetivo.

Foi nesse contexto, em plena ditadura, que o hoje presidente desenvolveu a mentalidade a favor da tortura, da pena de morte, de arrebentar homossexuais na porrada, de armar a população, de obstruir a justiça e acobertar a corrupção dos filhos a até de condecorar miliciano preso por assassinato. Mas não concedeu nem uma medalhinha de São Judas Tadeu para o general Otávio Henrique de Oliveira, o mais democrático, vencedor de muitas batalhas de confete, cérebro da tática infalível que pode consagrar o vice presidente Hamilton Mourão como o Nicoló Machiavel do Planalto Central.

O pleito é urgente, pois o presidente está com o Congresso na gaveta, empilha mutreta sobre mutreta. Derrubou e substituiu seis ministros numa dança de cadeiras, ao som de um hino gospel. O Chefe da Casa Civil, quatro estrelas na reforma, general Walter Braga Neto, caiu para cima, nomeado ministro da defesa. E assumiu puxando o saco do patrão, com a “Ordem do Dia Alusiva ao 31 de Março de 1964” sobre a grandeza das país na salvação nacional das garras de João Goulart, o latifundiário que decretou a reforma agrária paralela ao trilhos do país sem rede ferroviária. O ministro da secretaria de governo – bota quatro estrelas no pijama do general Luís Eduardo Ramos – caiu para o lado. Ele assumiu o puxadinho desocupado pelo general Braga Neto. Mas o queixo do país desabou mesmo com a nomeação da deputa de primeiro mandato Flávia Carolina Pérez, PL-DF, codinome Flávia Arruda, autora de sete propostas legislativas apreciadas em três anos de mandato e zero discursos neste 2021.

As credenciais da nova ministra da Casa Civil são ser cupincha do presidente das Câmara, Arthur Lira, vulgo crocodilo das Alagoas, e mulher do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda. Flávia Carolina caiu do Centrão num gabinete do palácio, provavelmente conduzida pelo marido. O ex governador do DF é notório no cenário salafrário desde 2001, ao adulterar o painel de votação do Senado, em conluio com o falecido Antônio Carlos Magalhães, o Toninho Malvadeza, seu cúmplice no escândalo mensalão do DEM. Arruda também foi preso por participar no rateio da propina de R$ 900 milhões surrupiados do Estádio Mané Garrincha nas obras para a Copa de 2014.

Raposas sempre rondam os galinheiros, e o rebaixamento do comando supremo das Forças Armadas para politizar as Forças Armadas lembra um cabo que fez isso: dividiu o exército desmoralizado pela derrota na Primeira Guerra Mundial e mobilizou milícias de camisas pardas chamadas de Destacamento Tempestade, Sturmabteilungen, ou SA, encarregadas do terror e intimidação. Depois incendiou o Parlamento – Bundestag -, assumiu o poder pelo voto e converteu a Wehrmachct nas Schutztaffel, o exército dos camisas pretas, célebre na história universal da infâmia como Waffen SS. Quem vê alguma semelhança com o projeto das milícias que assediaram o Supremo Tribunal Federal gritando Brasilien über alles levante a mão. Quem não vê, é melhor abrir o olho. O forno já está morno.

O cabo 1328, da CCAC, do 16º Regimento de Infantaria Motorizada, RI da 7ª RM, em Natal, RGN, BR, nome de guerra “Carioca”, este vosso correspondente, se declara chocado pela derrubada do ministro da Defesa e seus subordinados imediatos. Antiguidade é posto nas fileiras militares, vide o palpite em tom de advertência do vice-presidente da República: o general Mourão, notável por suas compressas de panos quentes. Ele tenta desinflamar o esculacho hierárquico, tendo sugerido a nomeação da toque de caixa dos próximos comandantes das Forças Armadas por esse critério. Daí a citação nesta quartelada do cabo 1328, praça de 1964, portanto “herói” do golpe de 1° de abril. Ele mandava mais no 16 RI do que urubu em Manaus, é mais veterano do que os quatros generais derrubados e salienta a perigosa coincidência do cabo Hitler ter servido na 1ª Companhia ( a CCAC) do 16º Regimento Infantaria Bávara.

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Otávio Henrique de Oliveira , Blecaute o famoso General da Banda. Não confunda com a debandada dos generais. Foto anônima.

Está certo que duas tirinhas da divisa não se comparam com as estrelas de um capitão, e o salário é mais mixuruca do que a tanga do Rei Zulu; mas o cabo 1328 nunca sacaneou nenhum general, muito menos quatro de uma vez, como certo capitão terrorista. O chamego com a Dorinha é outra conversa: o avô dela era apenas coronel, e na nova hierarquia do exército o posto mais alto é de capitão, o resto é de general pra baixo. Quanto à Ordem do Dia deste cabo veterano, a intenção é resgatar do esquecimento o general Otávio Henrique de Oliveira, para levantar o astral deste ano sem carnaval; de Páscoa sem coelho e com um auxílio emergencial escalafobético. E animar o povo era a missão do meu general predileto, vencedor de todas as batalhas de confete e serpentina, gente fina, brasileiro como jabuticaba. Seu codinome é Blecaute, o famoso General da Banda, cuja estratégia é um recado que dispensa comentários:

Chegou o general da banda eê. Chegou o general da banda, êa. Mourão, mourão, é vara madura capitão; Mourão, Mourão, cutuca por baixo que ele cai.

Destaque

Filomena leu a bula e deu no pé!

Ema não é jornalista mas ambas as espécies estão ameaçados de extinção. A bula da cloroquina oferecido pelo presidente do Brasil à ema do palácio informa que a panaceia deve ser ingerida pelo lado oposto. A ave recusa pois quem tem aquilo para onde o Sr. Bolsonaro mira a tem medo. Inclusive os jornalistas e a ema Filomena. Imagem Sérgio Lima/Poder 360 – Fair Copyright

Qual é a população do Brasil? Talvez, 212 milhões. A adivinhação se baseia no censo que completou 10 anos. Dados obsoletos induzem, por exemplo, ao diagnóstico de doentes maduros com exames clínicos feitos na sua juventude, induzindo a prescrição de remédios que funcionam como veneno. Mas o orçamento recém aprovado pelo Congresso inviabilizou o recenseamento obrigatório de 2021, desviando 96% da dotação do @Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, para a peste que assola o Brasil há muito: política e suas metástases; oportunismo, corrupção parlamentar e impunidade!

O IBGE se alinha entre os órgão mais confiáveis da administração federal. É responsável pela coleta, processamento, análise e divulgação de estatísticas sócio econômicas e antropológicas do país. Sua diretora, Susana Cordeiro Guerra, demitiu-se imediatamente após a sabotagem do censo. PhD em Ciência Política pelo Massachusetts Institute of Technology, mestre em administração pública e graduada em desenvolvimeto social pela Harvard Kennedy School, ela alegou “motivos pessoais”. Na falta de bom senso e do censo eu também me ofereço para chutar:

Cientistas qualificados amam entender e explicar coisas complexas como um país. A reputação da Doutora Susana mostra que ela nunca abandonaria atoa a pesquisa à qual dedicou-se por por dois anos à frente do IBGE. Outro chute: ele concluiu que o diagnóstico correto do Brasil contraria os interesses políticos do do Congresso, caso contrário viabilizariam o censo. Outros colaboradores graduados do governo também pegaram o boné nesses idos março: o presidente do Banco do Brasil, quatro membros do Conselho da Petrobrás, o ministro da saúde e até Jesus Cristo, inconformado com a exploração da sua imagem na base evangélica presidencial.

J.C. foi crucificado por motivos políticos. Pegou pesado com a imprensa da época (“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que devorais as casas das viúvas, sob pretexto de prolongadas orações; por isso sofrereis mais rigoroso juízo – Mateus – 23-14). O apelido do erário nacional é “a viúva” e o filho de Deus nunca abençoaria um governo que manda os escribas atuais “para a puta que pariu,” com latas de leite condensado “no rabo,” como mandou o falso Messias que nos toca. “Annus horribilis” – comentaria a ema Filomena, plagiando Elizabeth II, rainha bem educada apesar das restrições ornitológicas: ela adora penas no chapéu.

O orçamento que detonou o censo foi aprovado em 25 de março, com três meses de atraso. A alegação dos riscos da segunda onda da pandemia Covid-19 para receber R$ 33.763,00 de salário, mais os puxadinhos, sem trabalhar, insulta as multidões não recenseadas que entopem os transportes públicos de cabo a rabo. Não confunda com o rabo preso dos ficha suja dos cúmplices do Messias que nos insulta: “Ai tô com covid” – voz histérica – “tô com covid…” – gargalhada. O deboche do “mimimi” dos contaminados se encaixa na estratégia de instigar conflitos e escândalos para dispersar a atenção de assuntos estratégicos como o retardo do orçamento.

O vácuo do recesso ocultou as negociatas para as eleições das presidências da Câmara e do Senado, favorecendo as prioridades corporativas dos parlamentares. A primeira providência do presidente recém eleito da Câmara, Arthur Lira, vulgo crocodilo das Alagoas, foi obstruir o direito do público à informação independente, isolando jornalista e deputados. Após 60 anos de vizinhança, a sala de imprensa foi removida das imediações do plenário para o porão da Casa do Povo!

“Me dá uma cloroquina aí que essa me entubou” – reagiu Filomena, a ema do palácio.

O corte de R$ 1.7 bilhão dos R$ 2 bilhões indispensáveis ao recenseamento ressalta os R$ 8 bilhões a mais alocados para o Ministério de Defesa, o corte de R$ 13,5 milhões da Previdência Social e os aumento de R$ 20 bilhões para R$ 48,8 bilhões da dotação para as emendas parlamentares. Esse valor dividido pelos 594 deputados e senadores resulta num rateio cujos algarismos parecem lágrimas: R$ 8.080.808, 08… Esta dízima periódica não inclui os R$ 10.8 bilhões para sustentar o segundo legislativo mais caro do mundo. O primeiro é o dos Estados Unidos mas o orçamento brasileiro ainda não foi sancionado pelo presidente e ainda pode piorar batantes: as despesas previstas ultrapassam o teto de gastos e é possível que o erro grosseiro, ilegal, tenha sido engendrado para justificar o veto presidencial e devolver o pacote ao Congresso, onde as emendas geralmentel são piores do que os sonetos.

O IBGE nunca incluiu a honestidade dos políticos entre os quesitos do censo porque a resposta óbvia contraria os interesses do sistema em que as dotações parlamentares são as moedas de troca por cargos, comissões, concorrências e outras mecanismos da corrupção. As verbas escoam pelas brechas da burocracia e abastecem as campanhas que se perpetuam em mandatos lamentáveis como o corte das 204 307 vagas temporárias oferecidas pelo IBGE a pesquisadores concursados. A alternativa dos barrados no censo será a análise dos currículos de candidatos à reeleição. Podem começar pelo desempenho do relator geral do Orçamento, senador Márcio Bittar (MDB-AC).

Enquanto não nos deixam saber quem, como, quando, onde, quantos e porque somos tão conformados e omissos, os privilégios e injustiças prevalecerão sobre o direito do povo que foi contada pela última vez em 2011. O boicote do censo viabiliza manipulações como o eclipse dos ” 40 milhões de invisíveis” citados pelo ministro da economia, cujo nome eu esqueci como ele esqueceu de mais 20 milhões no total de 60 milhões citados pelo governo para capitalizar a ajuda emergencial na primeira leva da pandemia que nos atrofia os pulmões e mata de tristeza.

O Brasil tem salvação? A resposta depende da saúde, de educação/cultura/consciência cívica e atitude socio/política. O levantamento mais recente do IBGE mostra que 2.374 municípios brasileiros (42,7% do total) contavam com pelo menos uma livraria em 2001. Vinte anos depois elas são 985 nos 5.570 municípios brasileiros (17,7%). Povos mais educados precisam de menos remédios porque educação e saúde andam e mãos dadas. Lave as mãos meu filhos, cuidados com os micróbios. Use máscara. Não cuspa na rua. Respeite as pessoas. Não fale palavbrões. Associação Brasileira das Redes de Farmácia, Abrafarma, informa que há 89.071 farmácias no Brasil. Na sua rua deve haver uma drogaria e nenhuma livraria.

Diário, eu não sabia que as emas eram comunistas - Rede Brasil Atual
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As farmácias não vendem remédios contra a indignação e eu peço emprestado um palavrão à maior autoridade no assunto, o intelectual federal que se pronuncia diante de uma estante de livros. Seu linguajar demonstra que não leu nenhum, mas o deboche contra a vacina, o deboche sobre o uso de máscaras e o insulto aos distanciamento social convenceram a milhões de brasileiros e brasileiras.

Isso demonstra o sucesso da orientação que custou R$ 23,4 milhões à Secretaria de Comunicação da Presidência apara divulgar o “tratamento precoce” que derrubou o 3º dos quatro ministros da saúde em um ano. A verba da palaceia fez falta para o IBGE diagnosticar e o Brasil e a campanha não não convenceu a todos. A ema oficial do Palácio do Planalto, por exemplo não frequenta farmácias e tudo indica que leu a bula. Ela está quase extinta mas não é jornalista. Cantou pneu e Deu no pé.

Destaque

Jânio, o dicionário e o vocabulário bolsonário, porra!

Jânio, o quadro”- Humberto B. 2016 – Escultura sobre tela, acrílico 50 x 30 cm, à venda pela melhor oferta: hbcomborges@gmail.com

Estamos orgulhosos: o senhor presidente da República não manda nenhum jornalista “para a puta que o pariu” desde (27/01), quando insultou a “imprensa de merda” para justificar o gasto de R$ 1,8 bilhão ano passado com o cartão corporativo presidencial.

A culpa do insulto coube aos jornalistas obrigados por dever de ofício a publicar as despesas do governo. No caso, R$15 milhões com leite condensado, R$ 2,2 milhões com chicletes, R$ 32,7 milhões com pizzas, refrigerantes e vinhos. A pizza se explica pela impunidade na falta de decoro da autoridade que personifica o Estado e representa você perante o mundo.

“Quando a imprensa me ataca, dizendo que comprei dois milhões e meio de latas de leite condensado, vai para puta que o pariu. Imprensa de merda essa daí. É para enfiar no rabo de vocês aí.

Meia dúzia cantores, quatro ministros, vários parlamentares e dezenas de outros capachos foram convocados para inflamar a estratégia de confronto que desvia a atenção pública da incompetência oficial. Quatro ministros da saúde e 300 mil mortes em um ano! A imprensa levou a culpa no churrasco de palavrões pago com aquele cartão generoso, mas o evento foi divulgado na plataforma Telegram pelo assessor especial da presidência, Tércio Arnaud Tomaz.

Fake news com fake foto se paga. Tércio e o patrão. Máscara de papel toalha, arte do autor, montada sobre imagem pirateada do Facebook. Fair copyright

Tercio se destacou no núcleo agregado à presidência para atacar adversários e coordenar a comunicação informal. Mas boa parte dos serviços do chamado gabinete do ódio têm sido anulados pelo baixo nível intelectual e falta de educação evidentes no linguajar do presidente. O português truncado do Sr. Jair Bolsonaro evoca por contraste o refinamento de outro doidão presidencial que perdeu tudo, menos a dignidade, a compostura no cargo e a consideração por seu povo.

Jânio da Silva Quadros presidiu os “Estados Unidos do Brasil” entre janeiro e agosto de 1961, pois o país se tornou República Federativa pela Emenda Constitucional n°1, promulgada em 1969 pelo General Artur da Costa e Silva. Jânio Quadros era doido da Silva e renunciou por engano na tentativa de conquistar poder discricionário: a rima não é mera coincidência. Entre os seus desatinos, ele proibiu que as mulheres usassem biquíni. Coisa de doido varrido, tanto que adotou como símbolo uma vassoura, e foi eleito por uma maioria mais desequilibrada do que previdente. Outra coincidência entre tantas diferenças. Porém Jânio tonou-se mais folclórico por seus bilhetes administrativos, o respeito ao nosso idioma e o zelo gramatical. É provável que tivesse ganas de mandar os jornalistas que sabotaram seu mandato para progenitora de má fama que os concebeu, mas tinha sido professor de Português e nunca se rebaixou arrotando palavrões em público.

Na manhã em que eu o entrevistei ele curtia uma ressaca enciclopédica. Só me atendeu porque eu trabalhava na hoje extinta TV Educativa, canal 2, a rede pública que disputava audiência com as emissoras comerciais, trincheira da nossa cultura antes de ser retalhada por políticos sem escrúpulos. Quase fiquei de pileque com o bafo de cana do presidente que cunhou uma frase famosa ao ser questionado sobre sobre gostar de beber uma dose, ou duas, talvez três… enfim, deixa a garrafa e me arranja um limão:

“Bebo-a porque é líquida. Se fosse sólida comê-la-ia.”

O atual presidente é abstêmio, messiânico, e isso talvez influa no seu humor radical. Suspeito que se algum colega desavisado questioná-lo sobre o consumo de álcool ele o mandaria enfiar a garrafa de Pitú no menor de todos os palavrões, aquele que todo mundo tem… e quem tem tem medo. Outra pérola de Jânio da Silva Quadros ocorreu quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, seu adversário à Prefeitura de São em 1968, sentou na cadeira de prefeito às vésperas do eleição. Jânio venceu, foi posar no gabinete e passou uma flanelinha no assento, declarando:

“Desinfeto-a porque nádegas indevidas sentaram nela”.

Jânio: uma foto que interpretou a história — Senado Notícias
Ponte da Amizade, Uruguaiana 21/04/61 Prêmio Esso de Fotografia – Agência Senado Fair Copyright

Outro político desafeto da administração paulista talvez mandasse o professor Cardoso mobiliar algum lugar estranho com a cadeira municipal. Os repórteres amavam Jânio. Seu humor oxigenava a política. Era o próprio oxijânio. Humano, humilde como uma vassoura. Entrevistá-lo garantia a manchete na próxima edição, sem ser chamado de “boiola” em público e não poder a processar a autoridade por assédio moral. O exemplo faz escola e as manifestações orquestradas em apoio ao presidente atacam reputações e a imprensa, exibindo-se sem máscara na esperança de serem reconhecidos para faturar algum favor. As ofensas mais grosseiras se propagaram pelo Congresso, onde paira uma questão de ordem imoral: o país agoniza, carente de vacina, o povo implora para respirar-ar-ar-ar nas filas hospitais super lotados, enquanto demagogos acumulam privilégios, acovardados ante a opção do impeachment para devolver a dignidade ao Brasil. Isto posto, eu também sigo o exemplo do responsável pela rejeição às vacinas, ao uso de máscaras sanitárias, ao distanciamento social e às 300 mil mortes mortes que enlutam o país, oferecendo um palavrão digno do irresponsável pelo colapso no sistema de saúde e aos seus cúmplices que se locupletam no poder. Com todo respeito, que vossas excrecências merecem, vão todos para a…

paraaflavirrachacondensaspadinhamiliciqueirosiawasseduarpulgarigrossuradoowasefilhodumacadesmoralidoideducarlaforavergodemelouquinsanopiramiolobosofusotantarrogadesequilirreaçalitrumpaclorolambebotandolunátizurelédaculucosenoridiorrubacamíacretiadanáticaliemariquinzoadivanadébilalburrúpidignoracretapavagavazigrossimbecidiotanalhatolamascadalermababatetotusautoritlenerglorpavascácionéscibabacoburracomumcoicegenocharlatogantopradopropademiaobstrautoriadvermendatíficareceitaceiinócuaglomeparalocuplevaidementidólatravocadoletaloruscarraproparoxigêniofalpulmopamunizalamentamorféticapicentromundipanderretroputalecidendecompatracorogresivastasonralaiamalafaianarofinedraçogasíduorruimmelcatrevabiltrolíticuecaimpostodevgrejaplaudeologistoturassinomilicidrilhaparlavancargomamatetimopunescapodrevalimpunicertagramutrecutaiadezatênciamoiatretrutassacanamedocovarmescladinterespúriocaradepaudetogadepanopomproteladesqualijustiçacursogonhopulhoculhatifesquizonaro.

Esquisito? Sim. Contraditório? Também, mas humano, cordial, bem ducado. Foto de autor desconhecido – Faceboock – Fair Copyright

Enfim, este país é um hospício. Tem de sobra maluco torto, desengonçado, mas se todos fossem muito retos, donos da verdade, como a extrema direita e a esquerda rançosa, chatear-nos-iam com suas certezas obsessivas. De médico e louco todo mundo tem um pouco, ninguém é perfeito, nem proprietário da verdade gramatical. Todos temos os nossos defeitos, mas ninguém tem o direito de ser tão grosseiro, arrogante e autoritário. Quem sabe porque e a quem se refere este verborragielogio concorre a uma vacina chinesa, uma bolsa de couro de jacaré, um diploma de jornalista, anestésicos, latas de leite condensado e uma consulta paga no psiquiatra.

Recall: a ausência de vírgulas provoca falta de ar. O único “boiola” ansioso que se atreveu a ler o palavrão universal de um só fôlego teve que ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Médico de Urgência, o valente SAMU. As Unidades de Tratamento Intensivo, UTIs, estavam 100% ocupadas, mas o paciente sobrevive aos cuidados dos verdadeiros heróis da pátria nesse instante: o pessoal da linha de frente. A eles todo o nosso respeito e mais uma palavrinha: obrigado!

Destaque

O bundalelê da cloroquina: vacina já, ou nádegas!

O vírus me alucina então fui batalhar por vacina na garupa do Osório general Manoel Luís, ilustre marquês do Herval, herói da guerra Cisplatina, que virou um edifício, na esquina da Avenida Central. A sorte assim quis, montei no corcel de bronze, com decisão sacramentada: basta da negação assassina: vacina…vacina…vacina… ou nada! Mas, lá encima, nu, bunda pelada, um histórico bundalelê, cadê a espada esguia, do patrono da cavalaria? Martelo, talhadeira, serra, lima, a quadrilha do ferro velho roubou o cutelo, a grade, as balas dos canhões, as letras e pedaços dos painéis das fragorosas batalhas de Tuiuti, Passo da Pátria, Itororó, Avaí, Monte Caseros, Riachuelo e Uruguaiana, em parceria com o Uruguai e Argentina, guerra nada bacana, como a falta de vacina.

Quase caí do cavalo, morto de desgosto, galopando com o rabo exposto e medo de ser ser entubado. Já pensou, meu irmão? Latas de leite condensado, sob falsa acusação, empurradas no lugar errado, por ordem do capitão aloprado. Logo eu, patriota radical, direitista, bolsonarista de pedra e cal, que escolhi o monumento, em desagravo general, devido ao chute ingrato, no bundão ministerial. Era como se, em vez da agonia por vacina, eu protagonizasse outra rapina, maracutaia cloroquina, no Congresso Nacional.

Agora preciso de advogado; qualquer um, menos os que escondem na cueca assessores fugitivos, milicianos, políticos, como se fossem peidos ou cocô. Sou ficha limpa, seu delegado! Nunca fui senadô, muito menos deputado. Olha eu lá, descuecado, sem saber com que roupa que vou, para a fila da previdência, dando pulo feito sapo, pra ver se escapo de morrer sem respirar-ar-ar-ar. “Vai comprar vacina na casa da mãe”- ordenou o mandatário. Calma capitão, eu posso ser doidão mas nunca fui otário, só saio armário e for pro STJ, que fica ali na esquina, pertinho da Assembleia carioca, que devia ser carieca, picadeiro das rachadinhas, enfurnadas na cueca.

Na falta da imunização, vou garantir a impunidade, e, desde já, peço desculpas ao celebrado general, ferrenho monarquista, que é praça em Ipanema mas cavalga no logradouro errado: a Praça XV homenageia a Proclamação República. Manoel Luís Osório é um herói enganado. E a quem interessar possa: ainda não roubaram as ferraduras do brioso garanhão. Boa oportunidade para quem distribui coices aos que reivindicam a vacina, como neste protesto febril, contra a sacanagem que nos desanima: o boicote oficial, à saúde do Brasil.

Destaque

O epitáfio da rachadinha

Aqui jaz a reputação vulgar, escandalosa, agressiva, louca, doida, desaforada, demente, insana, mentecapta, pirada, confusa, tantã, desmiolada, biruta, boba, arrogante, desequilibrada, pancada, doidona, lunática, zureta, lelé da cuca, pomba lesa, maluca, desatinada, sem juízo nem rumo, desnorteada, fanática, alienada, mariquinha, zoada, doidivana, débil mental… coitada; além disso, era burra estúpida, ignorante, cretina, tapada, vaga, vazia, grossa, imbecil, idiota, canalha, tola; desmascarada, palerma, babaca, pateta, obtusa, autoritária, lesada, energúmena, lorpa, parva, pascácia, néscia, babaca e burra com um par de coices. É o que consta no epitáfio da falecida, a reputação bizarra, genocida, charlatã, arrogante, aloprada de quem riu do medo dos contaminados, estimulou a propagação da pandemia por obstrução autoritária das advertências e recomendações científicas, receitando panaceias inócuas e aglomerações para locupletar sua vaidade e demonstrar poder, mente doentia, escarnecendo a exposição dos seus idólatras equivocados e inconscientes da letalidade do Sars-Cov, o vírus carrapicho que se propaga no ar, o oxigênio que falta nos pulmões do país que era exemplo de imunização e agora lamenta a fama morfética de epicentro mundial da pandemia. Vá de retro reputação imoral, falecida, em decomposição, patética, rancorosa, agressiva; arrasta consigo a desonra cúmplice de oportunistas da sua laia, a laia da mala, malafaia, que o Novo Dicionário da Didiconário da Língua Potuguesa (Livr. Ed. Tavares Cardoso & Irmão, Lisboa, 1899, vol. II, página 77) define como “Cadraço, bagaço, resíduo dos frutos, cachaça ruim, sinônimos de melcatrefe, vadio, biltre) como os políticos que enfurnam dinheiro roubado na cueca, os que perdoam os impostos devidos das igrejas caça-níquei, aplaudem apologistas de torturadores que condecoram assassinos milicianos mancomunados em quadrilhas parlamentares que compram mandados para faturar vantagens, cargos, mamatas, tetas, cabides, comissões, puxadinhos, verbas e proteção para escaparem dos próprios julgamentos. Suas memórias apodrecem na vala comum da história, posto que a impunidade é quase certa, graças às mutretas, maracutaias, leniência, corrupção, safadeza, incompetência, tramoia, treta, truta, sacanagem, medo, covardia, mescladas aos interesses espúrios, cara de pau, toga de pano, pomposa, oculta na capa preta, imune, protelatória, provedora da impunidade magistral, ministerial, imoral que desqualifica a Justiça pela pela infinidade de recurso e falta de vergonha, pudor; carente de escrúpulos, sem honra ou decência; pulhas, patifes, engavetadores, mesquinhos, daninhos, aproveitadores, incompetentes, imorais que estupram a justiça, sem o mínimo remorso das vantagens e mordomias que acumulam; indiferentes à aflição dos impotentes, assaltados pelos próprios votos; desanimados, desatinados diante dos semelhante na calçada cinzenta; pacotes raquíticos largados no cimento que concreta os corações. Qualquer semelhança neste velório triste, peremptório, cabal, competente, idôneo, certo definitivo, taxativo, inteiro, perfeito e lamentável, com personagens vivos e ativos, muito ativos, que se locupletam em instituições atuais não é mera coincidência nem acusação vazia. A prova disso é verídica, real honesta, clara, irrefutável, evidente, estridente, definitiva, direta, explícita, indubitável, compreensível, clara, cristalina, inequívoca, literal, simples e verdadeira como o rito urgente na apreciação de uma PEC (projeto de emenda à Constituição) apresentada pelos nossos representantes, no cenário rarefeito de pudor dos legisladores em causa própria, nos plenários dos três poderes.

EM VOTAÇÃO: Aqueles que sabem do que e de quem quem estamos falando; os que julgam em sã consciência os responsáveis pela aflição social merecedores das mesmos castigos e ofensas que infligem aos brasileiros mais carentes, desprotegido e indefesos…. permaneçam como se encontram. APROVADO.

P.S. Todo plágio é uma homenagem e o autor agradece a Mariliz Pereira Jorge, articulista da Folha de São Paulo, o aprimoramento do post acima na sua coluna, dois dias depois, porém sem o devido crédito, como exige a ética e a reputação profissional deste valente jornal. Reproduzo o artigo como medida preventiva de um possível interpelação judicial pela identificação explícita do “genocida”.

Este assunto prosperou: Lucia B. Lamberti publicou, “Para quem tem interesse na coluna do Ruy Castro, que é de 18/1. Curiosamente o Ruy diz que está reproduzindo lista do produtor musical João Augusto.” E Maria Cecília Lapertosa publicou hoje (19/03/21) a VERSÃO NORDESTINA dos elogios ao presidente da República Federativa do Brasil: e bota feder-ativa nisso:

Pode ser uma imagem de texto

Maria Cecília Lapertosa se revela uma filóloga enciclopédica muito bem humorada; só não é dicionária pra não rimar com bolsonária, pois é honesta e dá o crédito a quem merece: Maria Cecilia LapertosaHumberto Borges , não são meus. São de @olimpiorocha:

Nenhuma descrição de foto disponível.

E a onda adjetiva se propaga:

Pode ser uma imagem de texto que diz "Luís Fernando Neis Blaschke 7 min Ó o plágio. #Genocida #Poema Me processa, Ruy Castro. Beócio. Ignóbil. Sevandija. Abutre. Obsceno. Biltre. Vil. Soez. Bufão. Labrusco. Atroz. Chorume. Infame. Futre. Sandeu. Sádico. Reles. Mandrião. Oportunista. Escroque. Valdevinos. Néscio. Embusteiro. Ególatra. Canalha. Asqueroso. Energúmeno. Cretino. Repulsivo. Misólogo. Merdalha. Obtuso. Brutamontes. Ímpio. Insano. Parlapatão. Jumento. Pulha. Inculto. Abominoso Estúpido. Tirano. Urubu. Ogro. Mau. Verdugo. Estulto. Nojento. Nauseabundo. Salafrário. Oligofrênico. Maldito. Burro. Calhorda. Abjeto. Parvo. Rude. Otário. Ultra-arrombado. Pífio. Peste. Enxurro."
Os lados opostos dos fatos, aspectos polêmicos e versões conflitantes são fundamentais para um julgamento justo. Mas, por enquanto só os críticos do presidente desafiaram suas ameaças judiciais. Ainda não vi nenhuma relação de elogios autênticos, sem ironias ou vergonha das virtudes do Sr. Jair Bolsonaro.

Destaque

A vaca, a vacina e o BRejo

  A vaca malhada vai bem, obrigada, vacinada; e o boi da cara preta viaja sem medo da careta aduaneira: A carne tem passe livre porque 98,33% dos rebanhos bovino e bubalino estão imunizados, enquanto os brasileiros imploram por vacina, repelidos em todo mundo, devido à agressividade letal da linhagem P.1 do SARS-CoV-2, propagada como “variante da Amazônia”. A saúde vai de mal a pior. Em compensação, a carne exportada alavanca o preço da arroba do boi em pé e a inflação transforma o bife em ficção. Quem achar ruim que espere sentado. A fila é comprida! Até agora – 14:52hs de 10/03/2021 – demorou o resto da vida de 268 568 pessoas no Brasil.

Vaca Malhada: a musa da economia avacalhada. Lápis cera sobre papel cançon – imagem do autor

Proteína meu amor! Proteína é o sonho de consumo na economia avacalhada pelas mordomias oficiais. A massa pé de boi se aglomera na faixa do salário mínimo, R$ 1.100,00 desde janeiro/21, R$ 32 663,00 menos que o ordenado dos senadores e deputados, com direito a carro oficial, jeton e recessos. A lei votada por eles acrescenta R$ 111.675,59 por mês de verba para cada gabinete, podendo contratar 25 assessores – a galera das rachadinhas. Encargos trabalhistas, 13º salário, férias, diárias de viagens, auxílio alimentação, verbas de representação, o elegante auxílio paletó; punhos engomados e colarinho branco. Isso tudo, mais assistência médica, é pago com as dotações orçamentárias da Câmara e do Senado, sem suor, no ar refrigerado!

Brasileiros e brasileiras de todos os sexos sustentam o segundo – depois dos Estados Unidos – parlamento mais caro e notório entre os menos honestos do mundo: um terço dos 594 senadores e deputados respondem a processos judiciais, inclusive o presidente recém eleito, Arthur Lira, indiciado por corrupção, peculato, lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e sonegação de impostos. Suas primeiras providências no cargo foram boicotar a oposição, dificultar o acesso da imprensa, removendo-a das proximidades do plenário, e pautar a toque de berrante uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para garantir a impunidade parlamentar. Os parlamentares retribuíram, elegendo a deputada @Bia Kissis, ultra-bolsonarista indiciada no STF por incitação antidemocrática, para presidir a Comissão de Constituição Justiça. @Arthur Lira, agropecuarista, vulgo “o crocodilo de Alagoas,”  identificado pela Polícia Federal como um político “sem limites para usurpar dinheiro público”, preside a Câmara dos Deputados no toma lá dá cá das negociações do pastor institucional dos currais eleitorais evangélicos, autor desta declaração:

Pretendo beneficiar meu filho sim. Se eu puder dar filé mignom pro meu filho eu dou”–  Jair Bolsonaro, presidente de 252,28 milhões de bois (Projeção @Farmnews / 2021) 

Disse que dava e deu! Além do filé mignon, a influência de papai Bolsonaro deu seis condecorações oficiais a dois dos seus cinco filhos cronologicamente numerados: o “zero um” Flávio, empresário no ramo de chocolates e senador da República, ganhou a Ordem do Rio Branco e a Ordem do Mérito Naval. O “zero três”, Eduardo, deputado federal, recebeu a Ordem do Mérito da Advocacia Geral da União, a Ordem do Mérito da Defesa, a Ordem do Rio Branco e a Ordem do Mérito Naval… honrarias em memória de Rui Barbosa, do Barão do Rio Branco, do Duque de Caxias e do almirante Tamandaré. Nenhum deles se vacinou na vida, e a cambada de jornalistas FDP (filhos da pec) só falam mal do capitão carne de pescoço.

Flávio e Eduardo são políticos profissionais, assim como o “zero dois”, Carlos Bolsonaro, eleito aos 17 anos como o mais jovem vereador da história carioca. Ele exerce o quinto mandato consecutivo sem ter recebido nenhuma medalha, fato que homossexuais verdes, bichas vegetarianas e drag queens crudívoras atribuem à raridade das suas propostas legislativas. Tal omissão lhe valeu um apelido do apelido: “número zero”- zero à direita na ideologia e no contracheque. Isso é questionável, tendo-se em vista sua combatividade fanática em apoio à campanha do pai contra a introdução da educação sexual no currículo estudantil, o kit gay. Cruzes! Enfim, trata-se do único vereador federal no Brasil republicano, pois exerce suas funções em Brasília, zelando pela imagem do capitão mais filé e menos vacina.

Diário do Centro do Mundo - Condecorações. Charge de Jota Camelo  (@jota_camelo_charges). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  #dcm #diariodocentrodomundo #moro #sergiomoro #governobolsonaro | Facebook
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Governos decentes só homenageiam cidadãos à sua altura, no caso, da própria laia, como Adriano Magalhães da Nóbrega, expulso da Polícia Militar e agraciado na cadeia com a maior honraria do Rio de Janeiro, a Medalha Tiradentes. Seu elogio foi ditado pelo pai do então deputado Flávio Bolsonaro, autor do ato legislativo que condecorou o assassino; cabeça da milícia carioca Escritório do Crime. Entre os méritos de Adriano consta as instruções de tiro de Flávio Bolsonaro, a quem apresentou Fabrício Queiróz, o articulador das rachadinhas na Assembleia do RJ. A mulher de Adriano, sua mãe, e a filha de Fabrício, participavam do esquema. Na mosca! Ninguém as via no gabinete. E Fabrício revelou-se um assecla tão discreto que se escondeu sem ser percebido na casa do advogado de defesa da família Bolsonaro. Ele até se esqueceu o nome do sujeito, e @OAB nunca se lembrou do questionar Frederick Wassef.

Eu é que pedi para o meu filho condecorar para que não haja dúvida. Ele era um herói. O meu filho, recém-eleito, eu que determinei, pode trazer para cima de mim isso aí. O meu filho condecorou centenas de policiais. Não tem nenhuma sentença transitada em julgado condenando o capitão Adriano por nada, sem querer defendê-lo. Naquele ano ele era um herói da Polícia Militar. Como qualquer Policial Militar em operação, mata vagabundo, mata traficante e a imprensa em grande parte vai em defesa do marginal e condena o policial” – esbravejou o presidente, uma semana após a polícia baiana executar o “herói” implicado no assassinato da vereadora Marielle Franco… outra insinuação maldosa dos jornalistas “canalhas” que o presidente Mandou para a PEC que os pariu.

Condecoração, meu coração, enalte o decoro, o caráter, a integridade, serviços relevantes, atos heroicos. O mérito do deputado Eduardo Bolsonaro reflete a esperança de 1 843 735 eleitores; o mais votado na História do Brasil!  Que país é este? Mugiu o boi bumbá. A resposta está no noticiário do dia. Este é o país do senador que tem direito a R$ 4.253,00 de auxílio moradia e investiu R$ 5.970.000,00 num puxadinho de 2 400 metros quadrados na beira do lago de Brasília. Contribui patrioticamente na recuperação do mercado imobiliário, setor devastado pela pandemia sem teto. Nesses termos, o filhão mignon do presidente merece o medalhão de ouro, com bastante molho; homenagem ao ponto das instituições ameaçadas por veganos perigosíssimos como o meu primo Paulinho Batata Doce.

Vegetarianos mascarados, comedores de capim, propagam calúnias na moita, mas o Superior Tribunal de Justiça/RJ anulou provas da ficção montada no Coaf – o Conselho de Controle das Atividades Financeiras – para desmoralizar o senador e suas medalhas. Quatro dos cinco juízes da 5ª Tuma do STF sentenciaram que ninguém pode vasculhar o cofrinho do senador. Por meretríssima coincidência, o vendedor do imóvel, Juscelino Sarkis, é noivo da juíza Claudia Silva Andrade Freitas. Macrobióticos inimigos do filé propagam insinuações contra o casal pelo fato irrelevante da doutora Cláudia exercer as funções de juíza auxiliar na presidência do Superior Tribunal Justiça.

Dura lex sed lex, as sentenças do egrégio tribunal presidido pelo ilustre ministro João Otávio Noronha concederam prisão domiciliar a Fabrício Queiroz e a sua mulher, Márcia Aguiar, embora ela estivesse foragida; caso peculiar de benefício prévio. O STJ também proibiu o uso das provas Coaf contra o comprador do imóvel do namorado da doutora Cláudia. Tudo conforme o decreto judiciário nº 1.452/2018, desembargador Gilberto Marques Filho, do Tribunal de Justiça de Goiás, que transferiu a doutora Cláudia Silva Andrade Freitas, titular da 1ª Vara da Comarca Criminal da Comarca de Águas Lindas de Goiás.

Águas Lindas, meu belo, fica 52 Km a Oeste de Brasília e15.6 Km de Brazlandia, onde foi lavrada a escritura, cuja inconsistência constatada das informações configura o crime de falsidade ideológica. E o desembargador do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), Gilberto Marques Filho é investigado por irregularidades durante a recuperação judicial de uma usina em Inhumas, na Região Metropolitana de Goiânia. O Ministério Público Federal (MPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigam os atos do juiz Gilberto Marques Filho, corregedor de Justiça do TJ-GO, na recuperação judicial da usina Centroálcool, afastando todos os magistrados do processo para impingir sua filha, Caroline Ávila Marques Sandre, como interventora.

A aceitação do cargo subalterno de juíza auxiliar no STJ, pode-se explicar por interesses de carreira da doutora Cláudia; ou seu deslumbramento na mudança do serrado goiano para Cidade Maravilhosa. O que deve ser explicado é a blindagem no STF do senador que comprou a propriedade milionária do noivo juíza, e as razões administrativas do do doutor João Otávio Noronha ao acatar a transferência. Ele é apontado entre os candidatos favoritos à sinecura vitalícia do Supremo Tribunal Federal, prerrogativa do presidente que lhe declarou “…Amor à primeira vista.”

Voto de Cabresto: coronelismo na República Velha e as práticas atuais
Fonte: Gazeta do Povo – jornal digital de Curitiba, Paraná – Citação, fair copyright

Ovolactovegetarianos maledicentes acumulam suspeitas contra o filhão mignon condecorado que o presidente mandou condecorar um bandido na cadeia. A iniciativa ressalta a omissão cívica do senador cuja principal atividade é obstruir a justiça, usando a máquina oficial e recursos sobre recursos para burlar a lei, completamente alheio aos milhões que reclamam da falta de vacina para a “gripezinha” e da inflaçãozinha de 34,2% no preço da carne. Essa massa sem paladar nem olfato rumina ressentimentos contra o osso jogado de má vontade no fundo do poço pelo ministro Paulo Guedes. Tem sido assim: os vira-latas latem, a caravana passa, o gado brasileiro pasta votos e alimenta a corrupção (vide JBS/Operação Lava Jato) porque a cotação da arroba do boi em pé abastece as campanhas eleitorais e os medalhões se locupletam.

A boiada engorda no ciclo das águas com a brotação do capim braquiária semeado nas cinzas das queimadas. Adubo mineral. Após as chuvas apagarem os incêndios, e o que era floresta vira pasto devido ao crescimento rápido do capim africano que mata a diversidade silvestre aonde se enraíza. A flora nativa nunca mais se recupera. Adeus pau Brasil. Baibai jatobá. Se ferrou jabuti. Que se dane o sabiá do Tom Jobim.  

“Voto de cabresto”: o autor sem vacina e o boi da cara preta, exemplar do rebanho 98,33% vacinado.

 Não perca os passo. Um boi tem cinco bocas: a que mastiga e quatro patas que compactam o solo. Nas áreas inclinadas a erosão é fatal. Se houvesse interesse político em apurar responsabilidades e punir os incendiários para formar pastos bastava rastrear as sementes de braquiárias vendidas pelas multinacionais que dominam o mercado de insumos agrícolas. Quem as comprou está plantando agora, nas águas de março. O problema é que os políticos adoram o jabá. A Frente Parlamentar Agropecuária, maior bancada no Congresso, reúne uns 250 deputados e senadores. A contagem varia porque os “ruralistas” pulam a cerca do centrão quando lhes convém. Migram para a bancada da bala, a bancada evangélica, a bancada onde de passa boi passa a boiada do ministro pela metade, desculpe, do meio a meio, perdão, do meio ambiente, cumplice das queimadas.

Essa constatação irrefutável caçaria os mandados dos responsáveis por tais circunstâncias em países onde há critério nas atribuições de cargos e respeito às memórias dos próceres da pátria amada, salve, salve! O decoro parlamentar exige que os distribuidores de honrarias se dirijam uns aos outros nos plenários como “vossa excelência”, enquanto o chefe do executivo manda os jornalista para ” a puta que os pariu”, com latas de leite condensado enfiadas “na bunda” e diz para o resto da manada “parar como a frescura e o mimimi… com esse negócio de compra da vacina. Mas não tem vacina pra vender. Vai comprar na casa da mãe.”

Você também refugou a vacina? – Charge pirateada: The New Yorker Cartoons of the Year – legenda apócrifa. Fair Copyright

Neste lábaro estrelado, 4,3% do povo foi parcialmente (uma dose) vacinado até este 10 de março/2021 contra o vírus que matou mais de 268 mil pessoas em confronto com a imunização de 98,33% do rebanho bovino. Repito, filé, todo o rebanho bovino está vacinado contra endemias que possam atrapalhar as exportações & lucros latifundiários e o país bate recordes sucessivos de mortes diárias. Me segura senão eu começo a pastar, pois sou taurino e o gado deste país goza de mais assistência sanitária do que as pessoas. A cobertura vacinal atestada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) se torna mais eloquente porque há 40 milhões de cabeças de gado a mais do que cidadãos à mercê da pior pandemia desde a peste bubônica, na Idade Média. Pior do que a influenza, vulga gripe espanhola, que surgiu nos Estados Unidos, durante a Primeira Guerra Mundial.

Pode-se argumentar que a Covid 19 é recente e o gado vem sendo vacinado há anos, porém o Brasil é pioneiro na vacinação humana; já liderou o planeta nas campanhas de imunização. Erradicou a poliomielite, o sarampo, a varíola e outras epidemias. Agora, 220 milhões de brasileiros afundam no brejo aonde a vaca vacinada atola, implorando pela bendita vacina que o presidente e seus filhos condecorados condenavam como uma gripezinha disseminada pela China para controlar o mundo. E depois dizem que louca é a vaca! Maiores informações com dona Tereza Cristina, a ministra da Agricultura. Ei, isso é uma fábula. Nas fábulas os bichos falam e o arremate tem que ser moral. Com a palavra o boi da cara preta:

É melhor ter a cara preta do que ser cara de pau. Porque não usar a infraestrutura da produção de vacina agropecuária para imunizar o gado humano? Porque em vez de só reclamar da vida, vocês não trocam o general inoperante da saúde por um médico competente e o capitão que é contra a vacina por um veterinário? Ovacionar significa jogar ovos? Taí um boa ideia!”

Destaque

Fábula oficial: Te cuida jacaré!

Caríssimos hackers: seus ataques continuam multiplicando os acessos a este blog anônimo. Por favor, insistam na sabotagem.

        As queimadas de 2020 devastaram a flora de Pindorama, antigo Brasil, e a fauna sobrevivente está condenado pelo decreto presidencial que estimula a compra, a coleção, o porte das armas de fogo e a caça. A lei do tiroteio entrará em vigor no próximo dia 13 de maio, estigmatizando a data comemorativa da Abolição da Escravatura, Lei Áurea.   

Por enquanto, os caçadores, atiradores e colecionadores podem comprar, por ano, 1 000 munições para cada arma de uso restrito (controladas pelo Estado) e 5 000 munições para as de uso permitido. A partir da vigência do decreto Nº 10 629 (dezena da cobra no jogo do bicho) os colecionadores e atiradores poderão ter cinco trabucos  de cada modelo; os caçadores 15 unidades;  e os atiradores esportivos 30 – inclusive armas restritas ao uso militar. A multiplicação do arsenal vai prejudicar ainda mais flora devastada pelo fogo, graças à tolerância incendiária do governo, e, além do extermínio inevitável de espécies indefesas, uma dúzia de “laranjas” podem comprar material bélico suficiente para armar um batalhão de infantaria (500 soldados). 

O presidente escancarou as portas do arsenal para as milícias e o papagaio da piada comentou que a caça só seria esportiva se a cotia tivesse uma matilha de cães, o mesmo número de espingardas e de cartuchos do covarde que atira de tocaia. Eu, no lugar da paca, me esconderia num posto de vacinação, esperando os caçadores, atiradores e colecionadores virarem jacarés para serem caçados no meu lugar. Aí o papo amarelo do planalto e o crocodilo do Capibaribe, presidente do Congresso, trocaram ideias no Lago de Brasília.

Imagem pirata – Wallpaper Access

O crocodilo do Capibaribe, puxa saco profissional, entronizado na presidência da câmara pelo suborno das emendas parlamentares, elogiava a erudição do presidente notável pela verborragia que adornou o idioma nacional, com uma pérola insofismável: 

Não me vão fazer desistir, porque, afinal de contas, eu sou im-bro-chá-vel!” 

          Essa pétala da Flor do Láscio desabrochou na caatinga cearense em 26.2.2021, onde e quando o mandatário mais arrogantes da história deste país foi autorizar a obra  interrompida num viaduto fuleiro, ligando o nada ao que lhe interessa: sua reeleição para escapar do indiciamento na Corte de Strasburgo, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, sob a acusação que brocha até o capitão Marvel: genocídio. O processo tem como bases o boicote à vacinação; disseminação do vírus Covid pelo estímulo às aglomerações sem máscaras; ataques à Organização Mundial da Saúde; charlatanismo na imposição de tratamentos inócuos por Cloroquina; obstrução da saúde pública na troca de dois ministros médicos por um militar tão incapaz quanto subserviente e outras imbrochalidades brochonarianas.. 

         “Eu só queria estar em Porto Seguro no dia 17 de dezembro, para aplaudir o seu discurso tão eloquente que até acordou os baianos. Você é muito corajoso, mas não precisa de se expor tanto” – disse o crocodilo bajulador, repetindo cada palavra do jacaré na Bahia na aglomeração eleitoral de Porto Seguro:  

“Que vacina você tomou, querida?” – Cartoons of the Year , The New Yorker, 2011 – Fair copyright

 “Tá bem claro no contrato (Pfizer): nós não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar um chi… um jacaré, o problema é de você, pô. Não vou falar outro bicho para não falar besteira aqui. Se você virar super homem, se nascer barba em alguma mulher aí; ou algum homem começar a falar fino, eu não tenho nada a ver com issoO que é pior, mexer no sistema imunológico das pessoas…

        A motivo do comício eram os protestos contra o retardo na aprovação das vacinas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa. E a insinuação de sequelas genéticas para desestimular a vacinação evoluiu na ameaça feita na aglomeração sem máscara do veaduto, digo, viaduto capenga do Ceará: cobrar dos governadores e prefeitos o pagamento do auxílio emergencial prometido de R$ 250,00 dos que tomassem providências antieconômicas para conter a propagação do vírus que já caçou as vidas de 255 mil brasileiros. Aí o jacaré enxugou uma lágrima comovida do lírico crocodilo e disse:  

Eu já tive a Covid. Estou imunizado e não vou me vacinar. Mas te cuida com essa vacina chinesa, Crô. Se você virar perereca nunca chegará a ser uma bolsa Lacoste.”  

      “E a flor do Láscio também virou cinza nas queimadas daquele ministro Salles que mandou passar a boiada? – perguntou o crocodilo. 

      “Sei lá, Crô – respondeu o jacaré. Pergunta pro português da padaria, antes que ele vire chinês e comece vender vacina

         P.S. La Fontaine ensinou que a característica desabrochável das  fábulas é o arremate moral. Então vamos lá: bicho de boca grande não entra no céu.    

Destaque

O negócio da China e o troco da Índia

Lágrima não vacina a dor. Imagem HBy

Silêncio! Eis a resposta da China sobre a remessa dos insumos indispensáveis à produção do antídoto contra a Covid-16 no Brasil. Ar, falta até oxigênio. Em vez de respirar, os brasileiros sofrem as consequência dos insultos do presidente da República, Jair Bolsonaro, e do seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro,@ PSP, presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara Federal. O governo politiza a pandemia e o Ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, mente sobre o negócio da China. O vírus do problema é a disputa de poder, a campanha eleitoral antecipada contra o governador de São Paulo, João Doria Júnior, @PSDB. Doria patrocinou a vacina que o presidente e o filho sabotaram acusando a República Popular da China pela criação e transmissão deliberada do “vírus comunista”.

Talvez as desculpas que a China pediu e o Brasil não deu acelerassem o envio da cepa para a produção do antídoto da Sinovac pelo @Intituto Butatan, em São Paulo. Mas a humildade contraria o presidente que governa o país se fosse uma caserna familiar. A não retratação dos Bolsonaro pai & filho indica o prolongamento da nossa exposição à “gripezinha” que mata em média mil brasileiros por dia.

Não fui autorizado a representar nenhum dos 210 mil os mortos, nem os que choram; os desempregados, os desesperados, os que imploram em filas imensas pela ajuda mesquinha de 300 pratas. Porém sofro entre as milhões de vítimas econômicas e sociais da pandemia ridicularizada pelo presidente da República Federativa do Brasil como coisa de mariquinhas; e reclamo o direto de protestar.

A fobia ideológica do governo – agravada pela mediocridade do seu ministério – envergonham o país. Índia também suspendeu a remessa contratada das vacinas que produz. É o troco à oposição brasileira à quebra da patente dos antídotos pleiteada por aquele país nos foros internacionais. Essa postura foi outra impostura da submissão ao nazista enrustido que profanou a Democracia dos Estados Unidos.

Donald Trump sobretaxou as exportações brasileiras e não cedeu nem uma agulha, nem uma seringa ao seu idólatra. Ambos fizeram coro contra a ciência, debocharam da @Organização Mundial da Saúde, esculacharam a comunidade internacional. O único país que socorreu o Brasil até agora foi a Venezuela. O oxigênio enviado para os que morrem sufocados no “pulmão do mundo” é um tapa na cara solitário; demonstra a consideração global ao governo Bolsonaro.

Ok, Messias, não tome a vacina, mas questione (como recomenda o interesse público) porque todos os países mais desenvolvidos batalham para vacinar os próprios cidadãos com urgência. Sua Santidade Francisco Bergoglio tomou a vacina. Elizabeth II, idem. Joe Biden também. Você se revela mais bem informado do que o Papa, a Rainha da Inglaterra, o Presidente eleito dos Estados Unidos e todos os governos responsáveis pela saúde coletiva.

Não tome a vacina, messias da cloroquina, mas lembre-se que as consequências éticas, jurídicas e políticas contaminam os propagadores de alarmes falsos e ameaças autoritárias. E não se esqueça, Jair, você já é rejeitado como “ruim ou péssimo” por 45% do povo, em grande parte pelo boicote oficial à vacinação, o negacionismo científico e a imposição irresponsável da hidroxopanaceia condenada pela medicina como prevenção da Covid-19. O ódio à imprensa, o incitamento social e as ameaças no estilo Trump são intoleráveis, pois contaminam com mais rancor os sectários imunes ao senso comum.

Nosso povo sofrido não merece as sequelas da sua eleição bizarra, graças à facada de um débil mental, prometendo paz, manipulando a violência que nos assola. Vamos removê-lo do poder de acordo com a Lei, dos princípios da democracia. Esse processo depende de superarmos a pandemia o mais rápido possível. Todos os Estados mendigam a vacina, qualquer uma, e essa humilhação me autoriza a pedir, humildemente, desculpas à índia e aos indianos; China e aos chineses. Mandem as vacinas, por favor. Namaste, xie xie, muito obrigado!

Destaque

Yes Sam, somos todos bananas

O “Brasil acima de todos” corre o sério risco de acabar abaixo da democracia.

Uma bagunça típica das repúblicas de bananas profanou o Congresso dos Estados Unidos na quarta- feira 6 de janeiro de 2021. Fanáticos da “America first” de Donald Trump perpetraram em Washington a variante americana da Deutschland über alles de Adolf Hitler.

Carmen Miranda Beneath the Titti Frutti Hat _ 6 of 9 - YouTube
Chiquita bacana e sua alegoria americana

Os brancos que entendam” é uma frase popular do racismo brasileiro, mas os problemas do Tio Sam afetam historicamente todo o bananal pan-americano. Os Estados Unidos da América inventaram as banana republics, inclusive o Brasil, num deboche ilustrado por Carmem Miranda e seu esplendor musas paradisíacas. A penca latina aceitou o deboche como macacas de auditório da potência que acaba de escorregar na casca da própria arrogância.

Fatos: O presidente da quitanda verde amarela, Jair Bolsonaro, vinculou o Brasil à sua idolatria por Trump. Bolsonaro/Brasil insistiu em acusar a fraude alegada por Trump na vitória legítima de Joe Biden e Kamala Harris para incitar a invasão do Congresso dos Estados Unidos. O Brasil/Bolsonaro ofendeu de graça a Primeira Ministra alemã, Angela Merkel; insultou o Presidente francês, Emmanuel Macron; agrediu moral e politicamente a República Popular da China. Sacaneou a Argentina, escarneceu a União Europeia, denunciou o Acordo do Clima. Estimulou o desmatamento da Amazônia, defendeu as queimadas no Pantana, inventando o “boi verde”. Esforçou-se em desmoralizar a Organização Mundial da Saúde e as vacinas, forçando a cloroquina defendida por Trump e condenada pelos médicos. A República Federativa do Brasil violou princípios diplomáticos consagrados devido à sua idolatria e submissão ao gorila louro que rebaixou os Estados Unidos ao nível das repúblicas de bananas.

Fake: o capitão Bolsonaro é um democrata. Condena a tortura, nunca mente nem não manipula o evangelismo em benefício próprio. É competente, coerente. Reprova as milícias, a tortura, a proliferação das armas. Não acoberta as falcatruas e rachadinhas no gabinetes próprio filho. Acabou com o toma lá dá cá na compra de alianças no Congresso. Os bolsonaristas nunca assediaram o Supremo Tribunal Federal, não intimidam ou difamam opositores. O gabinete do ódio nunca existiu. Jair Messias Bolsonaro reprova o desmatamento do “pulmão do mundo”, a Amazônia, onde sobra oxigênio para as vítimas da pandemia inexistente. Não, absolutamente, ele não ataca a imprensa, não desmoraliza as pessoas, não renega a ciência. Defende a vacina e jamais escarneceu da “gripezinha” que matou 210 mil brasileiros até este domingo, 16/01.

Cada gorila tem a banana que merece

Fatos e fakes nos levam a temer a repetição em Brasília da profanação do Capitólio Americano. Ato contínuo, Bolsonaro ameaçou o país com a possibilidade dos fatos se repetirem aqui nas próximas eleições: 2022. O Congresso Nacional já foi invadido no ensaio da derrubada de Dilma Roussef, em 2013. Yes, a direita made in BR ensinou o caminho da rampa para os sectários de Trump. A agressividade do messias Bolsonaro estimula consequências mais graves caso sua ameaça se concretize. A réplica tupiniquim da America first de Donald Trump é tão perigosa quanto o negacionismo científico do presidente na pandemia que dizima os brasileiros. As petições de impeachment mofam na Câmara dos Deputados e devemos mostrar aos nossos big brothers como se descasca uma banana.

Destaque

Mariquinha vota na vacina

Imagem youtube.com – autor anônimo, fair copyright

Mariquinhas do Brasil: o Covid-19, vulgo vírus do Ipiranga, ensaia a segunda onda e contaminará muitos Mários e Marocas pela exposição nas sessões eleitorais neste domingo, 15/11/2020. O voto é obrigatório em todos os armários municipais do país, sob ameaça de multa, da proibição de participar em concursos públicos, de obter passaporte ou a carteira de identidade, de receber bolsas do governo e etcéteras emergenciais. A Maioria esmagadora dos contaminados estará entre os 64 milhões de pobres(nº do IBGE) que elegeram a quem os condena ao inferno social pelo voto obrigatório. O voto obrigatório é atrelado à doença mais fatal que o corona vírus: a ignorância. Um por cento da população brasileira detém 49% de toda a riqueza nacional. Essa turma não paga impostos sobre dividendos de capital mas paga a multa eleitoral numa boa e não tá nem aí pro vereador que promete até cruzar os braços do Cristo Redentor. A vacina é única garantia científica de proteção contra a “gripezinha” que, por enquanto, matou 163 406 maricas no país do capitão machão. Boa parte dos candidatos invoca o Sr. Jair Messias como padrinho político, 100% identificados com suas atitudes. Ipso facto, condenam a ciência e a vacina com a mesma veemência que o presidente do Brasil idolatra Donald Trump, o porra louca americano derrotado. O motivo histórico de negação da ciência tem sido o fanatismo religioso, a distorção ideológica da fé. Se este for ocaso do presidente ao combater a vacinação obrigatória isso é péssimo. Se não for, pior ainda: trata-se da exposição deliberada da população à um agente fatal por interesse político, pessoal. É crime contra a saúde pública, com características genocidas agravadas pela sobrecarga do sistema de saúde e as consequências funestas na economia. O desfile de demagogos nesta campanha revela o grau de infecção política no Brasil. Eu não vi nenhum desses patriotas defenderem a vacinação e, muito menos, a transferência das eleições devido às possibilidades de contaminação dos leitores. Todos parecem muito apressados em faturar o salário de marajá e as oportunidades do cargo. O voto obrigatório é discutível devido à manipulação econômica do processo, mas também é o antídoto para expurgar os parasitas políticos deste país de Mariquinhas e raspadinhas. P.S. Alguém precisa informar ao presidente que raiva também mata, mas o francês Louis Pasteur sintetizou a vacina salvadora em 1886, e funciona!

Destaque

Stars and Stripes

Eu adorei a vitória de Joe Biden, estou feliz pela conquista da Kamala (I Love Harris) e muito mais contente com a derrota do maior farsante da atualidade. Confio que o 46º Presidente dos Estados Unidos honrará a democracia, essa madame venerável. Parabéns Tio Sam, os seus sobrinhos lhe fizeram justiça. As estrelas da América voltam a brilhar.

Destaque

O complexo de Cuba # 4

O Google insiste: “Historyleaks Brasil – Jornalismo, História …  interrompeu a série O Complexo de Cuba…” esta que você lê. A @Word Press.com nega sua responsabilidade sobre a fake new do Google no contexto do ataque hacker aos capítulos sobre racismo nos Estados Unidos… causa da retrospectiva em andamento deste acidentado book blog
   CINCO-CINCO-CINCO

O piloto automático foi demitido antes de ser contratado: faltou verba. A estampagem da logomarca Varig na vela mestra do Lisa atrasou. A instalação do medidor de distância e velocidade teve que ser transferida para a Florida, mas os problemas de última hora também podem ser engraçados. Um gaiato de supermercado viu os nossos carrinhos lotados de conservas para três meses no mar e perguntou se tinha vaga na nossa quadrilha de contrabando de feijão.

Vida de iatista pode ser divertida mas exige disciplina. O Fernando era meticuloso na arrumação do barco, desinfetando tudo. Eu só usava as instalações higiênicas da marina, comia no quiosque mexicano da North Harbour Drive e o meu chapa Pancho Vila servia uma pimenta tão violenta que precisava ter porte de arma. Sobrou tempo para zanzar pela redondezas de Redondo e entrei na Biblioteca Pública de Santa Barbara porque sua porta linda estava aberta e a frequência era grátis.

A gravura do marujo Simbad na edição rara das 1001 Noites exposta no hall me inspirou a escrever um bilhete para lançá-lo ao mar numa das garrafas do vinho branco que eu mergulhava à popa do Lisa, resfriando-as à temperatura exata do Pacífico. A proibição de jogar lixo no mar naufragou a ideia, mas guardei o bilhete: “Favor devolver ao remetente, cheia de Châteauneuf-du-pape, numa bandeja com caviar, torradas e patê. Assinado, Aladim!”

Foto The New York Times – fair copyright

A chance de algum excêntrico pescar a garrafa e atender à encomenda era zero, mas tudo é possível na terra do Popeye, inclusive a madame que pescava no píer de Redondo, vestida com um casaco de peles, sobre saltos mais altos do que a Torre de Babel. O motorista a esperava junto ao big Cadillac negro, de uniforme, luvas brancas e boné. Tem gente que dá comida aos pombos mas a milionária preferia engordar as gaivotas e pelicanos do píer com os peixinhos que fisgava. A bem da verdade, ela não usava as joias como isca.

Simbad fez mais sete viagens enquanto eu esperei a partida, sem navegar nem um palmo. Meu adestramento se resumiu a copiar os nós de um modelo emoldurada na cabine. O Fernando não mencionara outros tripulantes ao oferecer a cobertura para o JB nem me disse nada a esse respeito quando nos conhecemos. O apelo da reportagem era o seu desafio oceânico e eu embarquei empolgado pela aventura, alheio ao perigo que nos esperava. Ele tinha consciência de não dever contar apenas comigo para o sucesso do seu projeto e um piloto sempre pensa em paraquedas, no caso, salva-vidas.

O Crazy Viking do Lisa

Richard Lion e sua mulher, Shannon, vizinhos de marina, tinham um iate cinco metros maior que o Lisa, o Mangareva, de 44 pés. Eles planejavam férias nas ilhas do Pacífico Sul e quando chamo o Fernando de lobo do mar penso no boto sedutor: o casal a trocou de oceano. O Richard era técnico em instalações hidráulicas, tinha olhos azuis, a barba ruiva, cabelos cor de cenoura e braços grossos como o mastro. Ele me apresentou suas ferramentas como “minhas garotas, musas do meu estômago”. Havia lógica nisso, afinal as ferramentas eram o seu “ganha hambúrguer”, considerando que quem ganha pão não tem iate.

A Shannon era dourada, esguia, de olhos verdes, claros ou escuros, conforme a luz. Tinha uma pitada de sardas no seu nariz de atriz e criava um gata negra da qual assimilara o magnatismo. Ela me revelou um segredo público: o pessoal da marina nos considerava malucos devido à fragilidade do Lisa e em relação ao risco da viagem, mas o casal embarcou na loucura e eu os registrei no diário de bordo como Crazy Viking e Nutty Valkyria: um nórdico doido e sua mulher biruta. Era só o que faltava para a lotação do hospício, especialmente pelo raciocínio do Crazy, regulável como uma chave inglesa:

Toda tempestade começa por um pingo d’água. Acumule todos os pingos dentro desta banheira e ela afunda, homem. O porão está seco? Bem vedado? Então vamos navegar!”

A marinheira Shannon

Quanto à profissão da Shannon, em breve ela demonstraria uma habilidade incomum nas mulheres. Os dois sugeriam costearmos o México, mergulhar em Acapulco e beber uns daiquiris no Panamá. Argumentavam que etapa do Pacífico nos daria “pernas de mar”, o preparo indispensável para cruzarmos o Caribe e o Atlântico. Porém os projetos profissionais do Fernando dependiam da sua chegada ao Rio o mais rápido possível e o sonho do Lisa naufragaria na pressa acelerada pelo nosso retardado em Redondo. Ele manteve o roteiro original de cortar caminho rebocando o barco para a Flórida e a Boat Transit agenciou um motorista que furava o movimento dos caminhoneiros contra a inflação nos combustíveis.

O Mad Viking alugara o Mangareva para uns amigos e embarcou no Lisa “garotas” suficientes para vedar os vazamentos da esquadra americana. Todos a bordo, menos a Nutty – que fora deixar sua gata com um tio – desconectamos os terminais de serviço, amarras soltas, bye-bye-bye 555 North Harbor Drive. Nenhum lenço acenou no cais e eu registrei no diário de bordo.
Quinta-feira – 20/12/73, 08:20 hs. Partida da Port Royal Marina, Redondo Beach, Califórnia, USA. Contorno da Ponta Vicente pelo Canal de San Pedro, rumo ao estaleiro em Newport. Vento de proa. Seguimos na força do motor. O Pacífico está no papo”.

O Lisa no estaleiro

Só um novato pretencioso trataria o maior oceano como se fosse uma tigela de sopa. O Mad, sim, entendia do riscado. Pilotava de pé. Parecia mais leve do que em terra. No estaleiro, arrancaram o mastro por causa dos viadutos no caminho e a grua encaixou o Lisa sobre cavaletes, na carreta, atrás de outro barco que seria entregue no Texas. O Fernando mandara reforçar o leme e havia adaptado um hélice de traineira. O ganho de força em mar grosso compensava o arrasto nas velejadas. A troco de curiosidade, hélice é uma palavra bissexual em português. Num barco, é homem. Num avião, é mulher. No inglês, um idioma de substantivos neutros, as coisas são isto ou aquilo, com a exceção das embarcações, todas do gênero feminino: ela.

Tudo pronto, fomos encontrar a Nutty na casa do tio. Um lar americano classe média, com guirlanda natalina na porta, cesta de basquete na parede da garagem, retratos sobre a lareira, sorrisos alvos, cerveja em lata, pipocas e tevê ligada na sala. O Mad disse à priminha da Nutty que nós íamos para uma selva igual à do desenho do Tarzã e ela perguntou se havia gorilas.
Sim, mas eles são verdes – me intrometi.
Como aquela bola da árvore de Natal? – apontou a menina.
Não! Verde-oliva – falei mais para os adultos, ironizando a farda dos militares da ditadura, e ela entendeu que os gorilas brasileiros comiam azeitonas.
Retribuímos a hospitalidade no restaurante havaiano do pier de Redondo. Gaivotas atraídas pelas luzes esvoaçavam diante da vidraça, examinando o bufê com seus olhos de safira. Guitarras hula-hulavam no ambiente florido e as ostras que pedi vieram soterradas em escamas de gelo, tão frescas quanto a Nutty.
Olhe. Ela se encolhe quando você pinga limão. Está viva, coitada! Ponha-se no lugar delas.
Se aquilo fosse possível a ostra me comeria, lamentando não encontrar uma pérola. A conversa escorregou para o cardápio da viagem e o critério no abastecimento do barco fora industrial: flocos, pastas, biscoitos, torradas, chocolates e 450 latas de conservas. A Nutty reclamou que não era uma cabra comedora de latas e eu lembrei que no mar haveria peixes para comermos até criar escamas.
Peixe? Eu adoro – a gata miou.
Ah, o restaurante se chamava Bounty, como a fragata do célebre motim no Pacífico Sul. O capitão William Bligh era tirânico. Punia as intimidades entre as taitianas e os tripulantes que cultivavam mudas de fruta-pão para alimentar escravos nas Bahamas. A tripulação o abandonou num bote e o fantasma do tenente Fletcher Christian, líder do motim, nos mandava um aviso implícito no nome do lugar.
Dormi no Lisa, encaixado nos cavaletes, sobre a carreta, diante do estaleiro, e o Fernando pernoitou com o casal Mad/Nutty. Os três nos acompanhariam de carro. O banheiro do barco não podia ser usado e acordei na manhã gelada para urinar num canto do muro. O motorista verificava a pressão dos pneus e me censurou:

“Da próxima vez, procure um W.C. Mijar nas paredes é intolerável neste país. Você deu àqueles vagabundos o direto de fazer o mesmo no meu caminhão.

De repente, ele chutou uma das rodas, furioso, e apontou para o grupo em torno da fogueira acesa dentro de um latão, no lado oposto do pátio.

Aqueles bastardos esconderam esta merda entre as rodas. Estão esperando o estouro, mas só vão ouvir os próprios peidos. Isso aqui vai feder – grunhiu, guardando um ferro de ponta aguçada no cofre de ferramentas.”
O Fernando voltou em tempo com o Mad, a Nutty e quatro mudas de macieiras que escondeu na caverna, sob o assoalho do barco. Lisa encomendara a variedade golden delicious, rara no Brasil, e biopirataria é caso federal nos Estados Unidos. Mordi a minha língua para não questionar aquela conversa mole sobre nada de aventura e o caminhoneiro avisou que se se houvesse algum problema ele diria que fora enganado:

Eu nunca vi essas plantas. OK?”

Partimos e um sindicalista que prendia cartazes na grade do estaleiro correu para barrar a passagem, então o nosso fura-greve baixou o seu vidro e berrou pela janela um elogio rodoviário: “Meu nome é Jack Bluebird. Lembre-se disso, filho de uma cadela!” O cara respondeu espetando o dedo médio no ozone vivificante da democracia.

Eu conseguiu a carona no frete do Lisa como “exceção jornalística” e babei quando vi a carreta! Era um Dodge 1000, com 300 HP, 26 marchas e 20 pneus, que arrastava 50 toneladas. O motorista, Jack Adams, me pareceu ainda mais pesado: um cara que dorme amargo, acorda azedo e passa o dia travadão. Ele ignorou o meu “bom dia, amigo” e disse que carona só arranjava problemas. Quis saber se eu tinha seguro e resmungou como um gangster de ressaca: “Se não tiver vai descer.”

Eram cinco para as seis do dia 21/12 manhã fria, cor de concreto, a última do outono de 1973. Tínhamos 4 400 Km de estrada pela frente e eu tentei romper o gelo. Acariciei a cachorrinha aninhada no encosto do assento dele, fiz cara de chaminé, ofereci um cigarro e perguntei se Papai Noel tratava bem aos americanos.

Mr. simpatia respondeu jogando o Los Angeles Times no meu colo. Saco! A edição era da véspera e os jornais impressos envelheciam no dia seguinte. O encalhe da edição podia embrulhar lixo, conservar gelo, limpar vidraças… ou ser jogada no seu colo por um caminhoneiro ranzinza. Hoje os “jornais” cabem na palma da mão e envelheçam mais rápido do que os velhos diários, porém continuam patéticos.

Nik Ut mereceu World Press Photo/73 por esta imagem que inflamou o pacifismo mundial

Era o caso da retirada americana do Vietnam. Mais de 57 mil famílias lembravam dos seus mortos nos nove anos daquela guerra nunca declarada. O regresso das tropas derrotadas evocava o fracasso na Coreia, 20 anos antes, um bode editorial em épocas como as festas do fim de ano. A crise do petróleo inflacionava a economia, o racionamento fechava os postos em dias alternados e as filas para abastecimento se esticavam de costa a costa.

O grampo telefônico no Comitê Democrata do Hotel Watergate ofertava a cabeça de Richard Nixon na bandeja da Constituição. E como admitir a sede de vingança é imoral num sociedade puritana, a imprensa descarregava a frustração da maioria silenciosa atiçando o processo de impeachment contra responsável da vez pela maior vergonha militar americana. Eu desejei Merry Cristmas para um jornaleiro e ele perguntou “porque?” Não tive uma respostas pronta, mas os motivos da pergunta estão no próximo capítulo: O Norte da História.

Destaque

O Complexo de Cuba #2

Capítulo restaurado. A supressão de textos & fotos nesta série intercalaram na sequência editorial os questionamentos à plataforma @WordPress, inclusive sobre a ambiguidade do acesso Google ao site: “historyleaksbrasil.home.blog interrompeu a série O Complexo de Cuba para…Então, vamos aos fatos!

EL CONDOR E O ABUTRE

wikimedia commons – fair copyright

Praça da Cidadania, Santiago do Chile, 11 de setembro, 1973. As janelas do Palácio La Moneda choravam labaredas quanto os tanques arremataram o bombardeio aéreo no golpe comandado pelo general Augusto Pinochet. Ele assumira o comando das Forças Armadas 18 dias antes, jurando lealdade ao presidente Salvador Allende Gossens, e o traiu no dia marcado para um plebiscito constitucional. A ditadura dos militares chilenos mutilou o país com torturas e assassinatos de opositores, notabilizando seu chefe, Augusto José Ramón Pinochet Ugarte, como el abutre de los Andes.

fonte: ropercenter.cornell.edu – foto anônima – fair copyright

Padioleiros com as caras sujas de fuligem e culpa removeram o cadáver do presidente Salvador pelos fundos da sede do governo, embrulhado numa manta militar. As emissoras de rádio transmitiam hinos, brados nacionalistas e ameaças contra qualquer resistência. Boletins da “junta provisória de salvação nacional” divulgavam que o presidente se suicidara com um rifle soviético AK 47, presenteado por Fidel Castro, deixando o país à beira do caos.

O golpe chileno replicou a Operação Brother Sam no Brasil, responsável pela derrubada de Jango Goulart, em 1964. Aquela intervenção foram concebido no governo de John Kennedy e executado por Lyndon Johnson, para bloquear a influência soviética na América Latina, propagada pela Revolução Cubana. A conspiração contra Salvador Allende começara em setembro de 1970, quando o presidente Richard Nixon entendeu que o médico socialista ameaçava os interesses dos Estados Unidos, autorizando a “Operação Track I”, montada pela CIA para inviabilizar o seu governo.

Relatório Church a prova da autoria americana – foto HBy

Allende resistiu três anos com apoio soviético via Cuba, e a sua derrubada ocorreu no âmbito Operação Track II. O que parecia ser outra aventura militar localizada era a etapa preparatória da política Americana para ao Cone Sul do continente, a Operação Condor. A natureza da coisa era o terror de Estado, os sequestros, prisões, torturas, assassinatos e sumiços dos corpos, sem direito a defesa. As fardas substituíram as batinas na Inquisição moderna da piedosa América Latina, mas o fundamento era idêntico: terror institucional. O golpe chileno custou US$ 13 milhões na época e as provas estão detalhadas no Relatório Final do Comitê Seleto de Estudos das Operações Governamentais nas Atividades de Inteligência, Report 94 755 da 2ª Sessão do 94° Congresso, Relatório Church para os íntimos.

Eu havia ignorado a censura e o chefe da redação abanou a minha cara com as laudas datilografadas. Todo repórter mente de vez em quando e eu inventei uma matéria sobre radioamadorismo. Disse que o entrevistado sintonizava uma rede clandestina nos Andes quando cheguei à casa dele, e se eu ignorasse a notícia teria que mudar de profissão.

O Chile é assunto da Editoria Internacional. E identificar a fonte da notícia ainda vigora, ou você revogou essa regrinha idiota?

Se eu questionasse quem era idiota, eu ou a regrinha, ele provavelmente diria “os dois”. Então aleguei que omitira o prefixo e a identidade do informante para protegê-lo, tendo que generalizar as informações. As lentes fundo-de-garrafa diminuíam os olhos do chefe, num efeito de binóculo invertido, e ele explodiu:
Quem generaliza é general, porra! A Lei de Segurança Nacional enquadra a divulgação de conteúdo político clandestino, ou você também aboliu a merda da LSN?
Ter iniciativa era um dos fundamento da reportagem, mas a censura havia determinado que o Chile retornara à legalidade e a famosa iniciativa criou um impasse ético. Publicar a matéria bateria de frente com o Departamento de Ordem Política e Social. Não publicar… o chefe esmagou o cigarro que fumava como se o cinzeiro fosse o meu nariz, aliás o dele era amassado na ponta, como o de um boxeur, e decidiu, ali, me despachar para bem longe, onde eu não lhe enchesse o saco.
Falou sobre certo piloto da Varig sediado na Califórnia que morava num iate e oferecia ao JB a cobertura da sua transferência para o Rio, velejando na própria “casa”. Se a ideia era publicar uma aventura sem implicações políticas, bem, Carlos Lemos Leite da Luz (Leite da Luz, que nome!) era mestre do melhor jornalismo, mas nunca esteve tão errado.
Conheci o piloto Fernando de Faria quando ele transferiu a família para o Rio. Era moreno, altura média, físico compacto; tipo ibérico, de olhos negros, úmidos, maiores que o comum. Os pelos do corpo sobravam dos punhos e do colarinho da camisa. Começava a ficar grisalho nas costeletas e tinha uma cicatriz discreta no queixo. O Fernando me apresentou a mulher, Lisa, a quem chamava de “Mãe”. Ela respondia tratando-o de “Pai”. E eu fiz cara de órfão ao saber o tamanho do barco. Caramba, cabia fácil numa piscina infantil.
Relaxa – me tranquilizou o novo amigo. O Lisa é moldado em fibra de vidro e a fibra é menos densa que a água. Não afunda.
Durante o lanche de café com pão-de-ló, uma fadinha sonolenta veio mostrar as pantufas. O irmão engatinhou atrás, de fraldas e chupeta. A mãe comentou na sua voz voz loura que os dois convalesciam de catapora e eu me despedi sem fazer as gracinhas que agradam aos pais e aborrecem as crianças. Na volta ao jornal, comprei num sebo A Arte de Velejar, da Editora Marítimo-Colonial – Lisboa 1945. A poeira veio de brinde e o autor, mestre António Marques Esparteiro, ensina que… “A arte de velejar é o desposto náutico mais são, mais próprio e mais fecundo em imprevist os e e emoções que o mar oferece ao homem.”

Imprevisto emocionante como esta instrução na página 61: “Pinhas são artísticos trabalhos de marinharia feitos nos cabos, quer para os impedir de gornir em olhais, gornes, etc., quer para simples adorno. No caso da pinha-de-balde, usada nas alças dos baldes de baldeação, obtém-se dando-se cus de porco para baixo com os cordões do chicote do cabo (pinha simples), cobrindo os cus de porco a dois pela direita (pinha dobrada), e passando uma falcaça pelo lado de cima e outra pelo lado de baixo dos cus de porco”.
Baldeiem os ouvidos, marujos! “Cu de porco” se trata da abertura num cabo para a passagem das voltas do nó em forma de bola chamado de pinha. Navegar é preciso e aprender também é. Voei para Los Angeles já sabendo que cabo é o nome de toda corda à bordo de um barco, menos as dos relógios e dos sinos, e que falcaça é o arremate na extremidade de um cabo para evitar que desfie.
Ao embarcar, o Lisa gingou sob os meus 68 quilos. Era mais leve e menor do que eu o imaginara. Larguei a mochila na cama, quero dizer, no beliche enfurnado à ré, entre o anteparo da máquina e o costado de boreste, sob o cockpit. O dialeto marítimo disfarça a minha inexperiência, mas a folha de serviço do nosso navio também se resumia ao uso doméstico. A falta do medidor de distância e velocidade evidenciava que nunca se afastara da costa. O instrumento seria instalado na Flórida. Precisaríamos também de um piloto automático ou leme de vento, mas faltava dinheiro e sobraria vento.
Eu estava na metade caminho e fui mandado a Tóquio para cobrir a crise de energia. Antes da “chantagem árabe”, seis barris de petróleo valiam uma tonelada de ferro brasileiro, e a cotação de um barril (159 litros) já ultrapassava o valor de duas toneladas de ferro. Apesar disso, o “milagre econômico” da ditadura brasileira, vulga Redentora, decretou em 1973 o aumento 14% no Produto Interno Bruto, PIB. Deus podia ser brasileiro, mas o Diabo sempre foi multinacional e o apagão capitalista era satânico.
Muito prazer, Lisa. Vou a Tóquio e volto já. Los Angeles ficou embebida na esponja da poluição e as lavouras da colheita de outono forravam o Estado de Washington como mantas quadriculadas. Castanho-marrom-palha-cinza-castanho. Se ainda existissem anjos na América eles fariam seus ninhos nas escarpas nevadas do Monte Shasta, mas os anjos debandaram desde o extermínio do povo cujo último bravo é Skell, o Espírito da Montanha.
Saudações Polares. Um urso branco, empalhado, nos aguardava de braços erguidos na escala em Anchorage, Alaska. Dali até Tóquio eu recapitulei anotações sobre a dependência humana dos combustíveis fósseis como as mentalidades de certos caudilhos caribenhos. O alarme ambiental apenas começava. Pouco tempo depois o desgaste da camada de ozônio pelas emissões de CO² já transformara o Sol numa estrela cancerígena.
A má notícia é ultravioleta e a ingenuidade se perde a jato. No fim de numa longa curva sobre o Pacífico, sobrevoamos meu sonho infantil, a terra onde eu menino queria chegar cavando um buraco no quintal. O sol, escarlate como um tomate, no meio do céu de seda, explicava a bandeira japonesa.
No horizonte, o vulcão Fujiyama simbolizava o império que ressurgiu das cinzas da II Grande Guerra graças à determinação, muita disciplina e suprimentos americanos cotados pelos remorsos atômicos de Hiroshima e Nagasaki. Nos anos 50 a cotação do barril de petróleo variou em torno de U$ 2,50. Em 1960, o Irã, o Iraque, a Arábia Saudita e a Venezuela fundaram a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, OPEP, e o preço subiu U$ 0,50.

JB – 23.11.1973

O Japão encheu o tanque em condições vantajosas até a Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967, quando Israel fulminou o Egito, a Jordânia e a Síria, tomando a Faixa de Gaza, a Península do Sinai, o Banco Oeste, o leste de Jerusalém e as Colinas de Golan. Um sequestro aqui, uma bomba acolá, em outubro de 1973 o Egito e a Síria envolveram o Iraque e Jordânia na Guerra do Yom Kippur. Israel venceu e a OPEP manipulou a frustração islâmica para cambiar o óleo em moeda política, em pleno inferno astral do Tio Sam. A renúncia do vice Apiro Agnew inflamava o inquérito sobre a espionagem no Comitê Democrata do Hotel Watergate, autorizada pelo presidente Nixon, e o derrota no Vietnam impedia ataques a alvos disponíveis para agregar apoio interno, alternativa clássica de governos americanos em colapso de prestígio.
O pior do péssimo era a cláusula secreta do Acordo de Paris, pela qual o secretário de Estado, Henry Kissinger, ofereceu ao Vietnam U$ 3,5 bilhões como reparação por danos da guerra não fora declarada pelos Estados Unidos. Kissinger negociava a saída “honrosa” das tropas americanas e dos seus colaboradores encurralados em Saigon. Simultaneamente, os fundamentalistas islâmicos clamavam pela Jihad, a guerra santa, nos termos da Sura 44-16 do AlcorãoA Fumaça:
Em nome de Alah, o clemente, o misericordioso, juramos pelo livro evidente… Dia virá em que desfecharemos a grande vingança”.
Reduza a produção, corte 30% do fornecimento, triplique o preço do barril de óleo cru e calcule o ânimo do gerente de pesquisas da Tokyo Eletric Power, Takehiro Suzuki. Ele estabeleceu a regra da entrevista em japinglish, um dialeto nipo inglês, com sotaque marciano.
No poritic coments, né?
Depois da entrevista, a sorte me levou a um bar cujo balcão, as prateleiras, o piso, a louça, os uniformes, as perucas das garçonetes e tudo mais era cor-de-rosa. Entrei naquele vidro de esmalte de unhas por causa de um sujeito magro, vestido de preto. Parecia um ponto de exclamação. Eu o fotografei e agradeci com um sorriso Pink Panther. A figura se chamava Nick. Viera de San Francisco atrás da namorada japonesa e sobrevivia dando aulas de inglês.
Comentei a minha dificuldade para entender Mr. Suzuki e o Nick me ajudou a decifrar a gravação. Em resumo, o Japão queimava 300 milhões de toneladas de petróleo por ano, sendo 240 milhões consumidas nos transportes, na indústria e em uso doméstico. As 60 milhões restantes abasteciam usinas termoelétricas. O cartel, árabe fornecedor de 70% do combustível, reduziu 1/3 da cota para envolver o Japão a no isolamento de Israel.
Os japoneses fumavam mais do que o extinto e a produção nacional de petróleo mal dava para abastecer os isqueiros, até porque. As usinas nucleares forneciam 6% da eletricidade e a perspectiva de resguardo dos conflitos internacionais estimulou o país a sublimar o trauma de Hiroshima. As usinas nucleares supririam 30% da demanda quando o tsunami de 2011 rachou a Central Nuclear de Fukushima. A contaminação reverteu a estratégia energética nipônica à dependência do petróleo, e eu volto a Tóquio no tempo de repórter.
A “chantagem árabe” apagou metade da iluminação pública e o primeiro ministro, Kakuei Tanaka, exortava o povo para “fazer da frugalidade uma virtude”. Aliás, o Parlamento japonês se chama Dieta, e me ocorreu que a carência de no arquipélago influiu na culinária. Haja peixe cru! Agradeci ao Nick a ajuda na tradução, paguei a conta e o buraco no quintal da minha infância virou a estação de Shimbashi.

Policiais com luvas brancas comprimiam as pessoas para o interior dos vagões do metrô como quem força mais roupa numa mala cheia. Fiz conexões aleatórias pensando em escrever sobre a volta ao jornal, partindo de onde eu não nem conhecia nada e ninguém, perdido no lugar mais distante e estranho que eu já estivera. O vento cinzento do outono me soprou até a vitrine de um cardápio bilíngue de “comida venenosa”. O sininho da sorte tilintou e deixei os sapatos no vestíbulo do ambiente colorido por lanternas de papel.

Ogata Korin – Sec. XVII imagem
britannica.com – free copyright

Os clientes sentados no tatame, em torno de mesas baixas, pescavam a comida com pauzinhos, igual as garças mariscam na água rasa. Depois do primeiro saquê me veio a ideia de que quem come com o bico é ave, e a analogia foi imediata da alma nipônica com os grous Tsuru, símbolos da fortuna, vida longa e da felicidade, né? Pedi outro saquê e mostrei a minha Nikon ao sushiman que autopsiava um baiacu, numa mímica de permissão para fotografar. Ele apontou o cardápio ilustrado com os pratos e o cliente ao lado traduziu a minha intenção:
Burajiro-jin, jurnarist shibum Burajiro, photograph want very good food Sharaku restaurant.
Um velho que meditava sob o altar de um buda rechonchudo despertou do transe e disse algo. O tradutor, Mr. Wu Shao Pai, sul coreano, informou que Shimizo San, dono do Sharaku, perguntava por um “sobrinho com frutas” no Mercado Público de São Paulo. Pedi desculpas por não conhecer a todos na colônia japonesa de SP, mas as fotos foram permitidas. Depois de vários filmes, Shimizo San ordenou a cágada culinária.

O shushimann Watanabe e o suppon – foto HBy

O sushiman caçou o bicho numa caixa com serragem e colocou-o de costas na prancha. Ao contrário das tartarugas, que retraem a cabeça como um carro entra na garagem, os cágados as encaixam nas laterais dos cascos. Era um cágado de água doce, a criatura mais tímida do oriente. O sushiman esticou-lhe o pescoço e… tsluch. A cabeça decepada abria a boca num pires, com os olhinhos atônitos, enquanto o sangue esguichava num pote de cerâmica. Shimizo San me entregou o pote, inclinando-se com a dignidade dos carvalhos centenário, e o coreano sussurrou que a homenagem era irrecusável. Sangue de cágado é cor de rosa, com coágulos brancos, e tem o sabor de vaselina. Depois a garçonete me entregou o pote embrulhado num lenço de seda, símbolo da gratidão de Shimizo San pela hospitalidade brasileira ao seu “sobrinho com frutas”.

O pote de Shimizo San

O velho quis saber quem indicara o Sharaku. Expliquei que me perdera de propósito para escrever sobre como encontraria o caminho de casa, lá no outro lado do mundo, quando fora atraído pela placa de comida venenosa, e o coreano traduziu o sorrisinho redondinho do velho, como como um sushi: Tem que tirar o veneno, senão mata o cliente, né? A garçonete, delicada como um origami, somou a despesa a calculadora e Shimizo San conferiu num ábaco. O sangue do cágado foi gratuito e a operação eletrônica na tabuada secular explica a convivência entre tradição e tecnologia no país onde o ritual do chá é mais complicado que um circuito impresso na placa mãe.
O tradutor coreano, Mr. Wu Shao Pai, perguntou aonde eu me hospedava. Respondi que me desfizera do mapa de propósito, sabendo apenas o nome do hotel. Ele fez uma cara de sashimi e me levou até a porta para apontar o reflexo verde do letreiro do Hotel Dai-Ishi, três quarteirões adiante. Caminhei na neblina, entre origamis de sombras, sorrindo da incompetência em não conseguir me perder na megalópole samurai. Sayonara, Fujiyama! A missão do Lisa acabou com o meu haikai.

Seguimos o Sol no regresso ao ocidente, com escala em Honolulu, chegando a Los Angeles na data anterior à partida do Japão, com a certeza definitiva de que este mundo é uma bola. Desentortei o fuso horário ao som dos Beatles. A banda havia rompido. John Lennon proclamava o fim do sonho, mas o meu sleeping bag era azul, com forro de cetim dourado.O pesadelo no Chile me proporcionava um sonho oceânico, graças à encrenca com o chefe por causa golpe.

Boletim extra: os asseclas do general Augusto Pinochet mataram 27 183 em 17 anos, e Deus sabe quantos torturaram. Mas o representante divino, o papa João Paulo II, confraternizou com o “carniceiro dos Andes” em visita oficial, posando juntos no dia 1 de abril de 1987, num dos balcões do palácio que havia chorado fogo na morte de Salvador Allende. E o meu informante radioamador morreu do coração yesterday. Agora, posso identificá-lo: Edmilson Tavares era sargento músico da marinha. Tocava trombone.

Leia amanhã o terceiro capítulo restaurado.

Destaque

A rede na corda bamba: assédio hacker ao Complexo de Cuba -V

A www É O HOSPÍCIO ELETRÔNICO DA ALDEIA GLOBAL, MAS ISSO NÃO SIGNIFICA QUE TODOS OS M@LUCOS SEJAM TÃO ESTÚPIDOS QUANTO OS SEUS PROVEDORES DESEJAM: Humberto Borges.

Atualização do post/protesto ratoeira para hackers. E-mails de hbcomborges@gmail.com para a equipe de suporte desta plataforma provedora de problemas – Quarta-feira 09/09/20 – 13:31 hs.

Para Carina P.Happyness Engineer – @WordPress.com Support

Eu encontrei uma solução (SOLUÇO grande) para os “acidentes” sucessivos que mutilam o historyleaksbrasil.home.blog Vou republicar todos os capítulos de O Complexo de Cuba, atualizando-os com as fotos que foram suprimidas dos originais.

Peço-lhe, por favor, instruções para postar as fotos (de domínio públicos, sob fair copyright e minhas) sem que a plataforma as substitua novamente por blocos de atributo vazio. Isto insinua apropriação indébita de direitos autorais e desqualifica o autor com pirata virtual.

Este dano moral é agravado na apresentação do site. O acesso do Google continua a afugentar aos bilhões de leitores que não tenho, e, SURPRESA, eu solicitava, NESTE INSTANTE, a correção da seguinte fake na página de acesso do Google …Historyleaks Brasil – Jornalismo, História …  interrompeu a série O Complexo de Cuba para … Não envio a página porque detonei o editor de imagem nas muitas tentativas … 

Eu respondia à @WordPress. com Support quando aquele o acesso foi substituído, no ar, por este: “Historyleaks Brasil – Jornalismo, História … – Home.bloghistoryleaksbrasil.home.blog Esta prova do “problema não encontrado” foi removida para apagar o rastro da sabotagem, e a restauração do capítulo A Resposta do Vento … RESPOSTA de Humberto B. – Unhappy BloggerCarinaBom diaEu interpretei al a resposta da WordPress aos ataques ao site …”

O Google(?) postou na velocidade da luz esta mensagem pinçada de um e-mail da sexta-feira, 4 de set. 14:52 – cinco dias atrás. No mesmo e-mail, Carina P. informou: “O Google somente indexa o conteúdo do seu site automaticamente, então tudo que você publicar no site ficará disponível nos resultados de pesquisa no Google, e também no serviço de pesquisas Bing da Microsoft. Ao deletar ou alterar um post, o resultado das buscas deverá ser atualizado no Google/Bing de acordo com as novas alterações, isso geralmente demora algumas semanas, até que eles indexem o conteúdo novamente.

É lisonjeiro, formidável, que o Google fure a própria fila que “geralmente demora algumas semanas” para mudar a chamada de acesso ao @historyleaksbrasil.home.blog enquanto eu ainda escrevo este texto, às 14:07 hs deste 09.09 chuvoso aqui em Natal, RN – Brasil.

A @Microsoft/Google inventa o que publica? Interfere na elaboração de e-mails? Agradeço desde já a orientação que também acabo de receber sobre com publicar as fotos sem o risco de serem suprimidas. O curioso é se tratar do procedimento que eu seguia, afinal não inventei um método de postar imagens clandestinas que evaporam dias depois.

Solicito que corrijam a chamada fake para que eu não tenha que incomodar ao pobre @Bill Gates. Basta publicar o nome correto do site e eu dispenso a maldade da especificação “sem categoria”, um legenda que desqualifica o site. No mais, insisto em publicar O Complexo de Cuba, sugerindo que o suporte da WordPress acione ratoeiras eletrônicas contra os hackers infiltrados nesta plataforma. Na falta de outro m@luco, continuo à disposição.                                                                                                   Humberto B. – Unhappy Blogger 

 P.S. Agora são 13:43 hs do dia 10.09. Nessas 24 horas e 12 minutos desde a postagem acima, eu dormi, acordei e, desde então, tento reeditar o O Complexo de Cuba # 1, para honrar o compromisso de atualizar a série, encadeando a cronologia e a compreensão do tema.

Continuação do dossier A REDE NA CORDA BAMBA, sobre a sabotagem do blog book O complexo de Cuba

Segunda feira, 07/09/2020 – 12:25 hs.

Acabo de identificar um hacker sabotador deste site infiltrado na @WordPress.com Support. O rato se camufla como Andrec., à sombra de “Andre c. (Automattic)”, remetente do e-mail “Sep 5, 2020, 14:11 UTC”, um dos diversos engenheiros de suporte que atenderam aos meu pedido de socorro pela invasão e massacre do blog book O Complexo de Cuba, no site historyleaksbrasil.home.blog

Eu descrevia as distorções do acesso ao meu site no Google quando o e-mail em resposta ao fake Andrec foi suprimido (como outros anteriores), sem deixar rascunho. A ratazana eletrônica conectou as plataformas, suprime postagens, replica textos, deleta imagens e inverte o sentido dos acessos através do Google, neste caso, informando que:

…bloghistoryleaksbrasil.home.blog P.S. historyleaksbrasil.home.blog interrompeu a série O Complexo de Cuba para … Não envio a página porque detonei o editor de imagem nas muitas tentativas …” Ou seja: o Google afirma a interrupção disto que você lê.

Na sequência…  Rafael F. (Automattic) Happiness Engineer de @WordPress.com Support  insiste no e-mail de Sep 7, 2020, 19:22 UTC 9   que: “Como explicamos inúmeras vezes anteriormente, não encontramos problemas de segurança em sua conta”. Fake.

 Fato: O Complexo de Cuba #9, suprimido no dia 18.08.2020 teve o rascunho recuperado pela plataforma, porém as duas primeiras páginas foram replicadas 189 vezes para obstruir o site. Esta prova do “problema não encontrado” foi removida para apagar o rastro da sabotagem, e a restauração do capítulo A Resposta do Vento (sobre o racismo que assola os Estados Unidos) também sumiu. Os pedidos de suporte resultaram nas “inúmeras explicações anteriores” e os problemas não encontrados estão expostos no capítulo anterior a este: 

São duas primeiras páginas replicadas, sobre 40 molduras de blocos com a legenda   “Este bloco contém conteúdo inesperado ou inválido” – antes de outras duas páginas iniciais replicadas em letras garrafais, mais 25 molduras de blocos com a legenda de conteúdo inesperado, mais um bloco criptografado, outra moldura com a legenda conteúdo inválido, seis linhas de texto em inglês, mais 33 molduras de blocos com a legendas de conteúdo inválido e a recomendação numas tarja azul: “Tentar restaurar o bloco”. Se os Happiness Engineers não encontram estes problemas, uma explicação está no Google à minha conta:

“Historyleaks Brasil – Jornalismo, História … – Home.blog historyleaksbrasil.home.blog interrompeu a série O Complexo de Cuba…” 

 A @WordPress.com permite (ou orienta) o provedor de acesso a informar a interrupção do site? E se não localiza nem corrige os problemas que lhe cabem, sugiro à plataforma  intermediária de 38% das comunicações na www que corrija os problemas localizados na sua equipe.

Quanto à ” Autenticação em duas etapas como sugerimos há quase 20 dias atrás. Assim sua conta ficará mais segura” … repito que as postagens de  O Complexo de Cuba  foram detonadas outra vez quando eu segui as mesmas instruções. E pergunto: autenticar os sites e protegê-los cabe ao usuário ou é obrigação da plataforma? Para que existem as senhas?

Esta resposta necessária retarda um  dia mais  a recapitulação de O Complexo de Cuba para encadear outra vez e a cronologia e o raciocínio do livro, se possível com as  fotos suprimidas nos nove capítulos. Talvez @WorPress.com Support se refira a elas quando insiste, com a impaciência disfarçada dos oráculos da informática,  não ter encontrado os problemas de segurança em historyleaksbrasil.home.blog …  Será que procurou?                      Atenciosamente,                                                                                                                                                          Humberto Borges  – 08.09.2020

Imediatamente após eu atualizar esta postagem, voltei ao G-Mail e lá estava, no topo da lista, o rascunho do e-mail de AndreC (Automattic) Aug 29, 2020, 2:38 PM UTC que havia evaporado quando eu cliquei no link https://historyleaksbrasilhome.wordpress.com/wp-admin/post.php?post=3970&action=edit

E o remetente (que foi usado como sombra pelo hacker para se ocultar) expõe os problemas de segurança que o suporte agora não encontra no meu site:

“Oi Humberto, como está? Obrigado pelo retorno e contato conosco. A página mutilada do post O Complexo de Cuba 9/A é tudo o que surge na tela quando eu acesso os seu rascunho.”

Após as instruções e oferta de três links para recuperar problema que agora não foi encontrado, o remetente conquistou a minha simpatia, arrematando: “Qualquer coisa é só avisar, estaremos por aqui para ajudar. Obrigado por utilizar o WordPress.com! WordPress.com Andre.c Attachment(s)
PostsComplexoDeCuba.png
ComplexCubA9a.png

Providência anterior da WordPress (05.09.2020) sobre os ataques ao historyleaksbrasil.home.blog por hackers inconformados com a revisão histórica do racismo nos Estados Unidos da América

Andre c (Automattic) – Sep 5, 2020, 14:11 UTC”

“Oi Humberto, tudo bem? Obrigado pelo retorno… Seguindo as orientações que meus colegas enviaram você conseguirá restaurar as modificações feitas pelo seu usuário, é importante também seguir as orientações de segurança que foram informadas anteriormente, como a autenticação em duas etapas.”

“Com ela ativada, sempre que você for se conectar, será solicitado um código de segurança que é enviado ao seu telefone celular o que impossibilita o acesso de terceiros, mesmo que eles possuam sua senha atual.”

“Caso tenha qualquer dúvida para utilizar o Editor e publicar seus posts entre em contato conosco, estaremos por aqui para ajudar. Obrigado por utilizar o WordPress.com!’

WordPress.com
Andre.c”

RESPOSTA:

Caro André.c – WordPress.com Support

Muito obrigado pelo seu atendimento. Desisti recuperar o trabalho perdido e me daria por satisfeito com a correção da página de acesso ao historyleaksbrasil.home.blog no Google, com subsídios da nossa WP. 
“Historyleaks Brasil – Jornalismo, História – Home.bloghistoryleaksbrasil.home.blog
– Eu desencadeei os últimos ataques ao blog clicando nos links oferecidos por… PS. historyleaksbrasil.home.blog interrompeu a série O Complexo de Cuba para … Não envio a página porque detonei o editor de imagem nas muitas tentativas …” (sic)

Esta confissãosobre o ataque ao meu blog ‘clicando nos links oferecido “por…” o Google omite o envio do link pela WordPress.com e inverte a responsabilidade. Convenhamos que seria o cúmulo da estupidez assumir a culpa pelas sabotagens que eu denuncio a meses. Cabe ao Google tomar providências relativas a esta postagem que pode custar-lhe a inclusão num processo por crimes de informática.

A chamada do Google afirma e informa a interrupção da séria O Complexo de Cuba no   historyleaksbrasil.home.blog atribuindo- me a culpa por detonar o editor de imagem. Isso é mentira. Vide todas as postagens anteriores em que fotos de domínio público e várias feitas por mim foram substituídas por legendas  “atributo alt vazio,” com o número do respectivo arquivo.

As supressões de posts em plena edição e as páginas replicadas para obstruir os acessos ao blog só podem acontecer no âmbito da plataforma. Tudo começou pela revisão histórica do racismo nos Estados Unidos e a WordPress tem revezado Happiness Engineers que me delegam a tarefa de recuperar o trabalho perdido. Tentei e a plataforma tornou-se ainda mais instável. Acrescente a este dossier a  repetição no Google de chamadas ambíguas, com a definição pejorativa de “sem categoria”, espantalhos de leitores. 

Rejeito veementemente a censura, a manipulação política/ideológica e o abuso do poder informático que ameaça a democracia na aldeia global. Quanto aos hackers infiltrado na rede e na plataforma, só me resta amaldiçoar esses covardes anônimo e pedir a um super herói digital que os identifique para que eu possa combatê-los e destruí-los.   Atenciosamente,                                                                               Humberto Borges

Carina P. (Automattic) – Sep 4, 2020, 10:21 UTC

Bom dia Humberto,

“Não temos como reaver fotos que foram deletadas, uma vez excluídas, elas são deletadas permanentemente… Verificamos a sua conta e não identificamos nenhum tipo de ataque, por isso seguimos a orientação sobre a configuração da senha forte e autenticação em duas etapas…Verifiquei o seu site novamente e percebi que você menciona que “admitimos os ataques ao post”, vale recordar que em nenhum momento fizemos esta afirmação. Compartilhamos apenas que nas revisões do post constam que o seu próprio usuário fez as ações de alterações no post mencionado, assim como a exclusão das imagens…Não iremos proceder com nenhuma alteração no seu site. Desta forma, sugerimos seguir as instruções que enviamos anteriormente na captura de tela, que envio abaixo novamente:”

https://monosnap.com/file/X5PojrkY9q9Ijsi2wKzkM1a66uaAEb

Qualquer dúvida estamos à disposição.

Abraço,

Carina P. – Happiness Engineer
WordPress.com | https://wordpress.com/support/

RESPOSTA de Humberto B. – Unhappy Blogger

Carina, Bom dia!

Eu interpretei mal a resposta da WordPress aos ataques ao site historyleaksbrasil.home.blog ou a resposta abaixo em  Sep 2, 2020, 7:00 PM UTC admite as “alterações” que eu qualifico como sabotagem?

“Nos testes que realizamos verificamos que há uns 3 dias foi quando a alteração no post foi realizada e o conteúdo duplicado. Pelo o que pudemos perceber, parece que todo o conteúdo depois do primeiro bloco Clássico foi removido, e o bloco Clássico replicado múltiplas vezes no post. Estou enviando os passos abaixo para tentarmos a recuperação deste conteúdo:” 

  Estou certo que “alterações” ocorreram no ambiente virtual da WordPress, mas não condeno a plataforma, afinal os sabotadores invadem até sistemas ultra protegidos de potências eletrônicas. E assino embaixo da sua afirmação abaixo:” 

          “Compartilhamos apenas que nas revisões do post constam que o seu próprio usuário fez as ações de alterações no post mencionado, assim como a exclusão das imagens.” 

          Exato! Eu alterei o post ao clicar no link enviado pela WP, devido à minha incompetência técnica para solucionar problemas que, no meu entender, cabem à plataforma provedora do serviço. Declarei o aumento de 2 600% nos acessos (foram 1400%) pós as denúncias dos ataques sacanear o(s) hacker(s), inclusive o que (enquanto escrevo este e-mail – 13;30 hs. de 04.09) postou na minha página de acesso à WordPress no Google a seguinte chamada editada fora do contexto;   

         “Eu desencadeei os últimos ataques ao blog clicando nos links oferecidos por … P.S. historyleaksbrasil.home.blog interrompeu a série O Complexo de Cuba para … Não envio a página porque detonei o editor de imagem nas muitas tentativas …”  


            Na verdade, suspendi a publicação de O Complexo de Cuba de 23.03 para colaborar com a campanha de conscientização sobre a pandemia Covid-19, voltando em meado de abril. Segundo a postagem do Google “Eu desencadeei os últimos ataques ao blog clicando nos links oferecidos por… ..P.S. historyleaksbrasil.home.blog interrompeu a série O Complexo de Cuba para … Não envio a página porque detonei o editor de imagem nas muitas tentativas ... (sic).

Esta sabotagem implica na conexão hacker e se a Word Press tem interesse real em identificar os responsáveis pela censura e invasão da plataforma sugiro rastrear s publicações no no Google e no Facebook.  Enfim, minha cara Carina P.  li e reli o arremate do seu e-mail:    

          “Não iremos proceder com nenhuma alteração no seu site. Desta forma, sugerimos seguir as instruções que enviamos anteriormente na captura de tela, que envio abaixo novamentehttps://monosnap.com/file/X5PojrkY9q9Ijsi2wKzkM1a66uaAEb 

                Repito que esta confusão começou quando eu cliquei num link semelhante enviado pelo suposto engenheiro de suporte que implodiu, inclusive, os e-mails comprometedores. Pelo que entendi, a WordPress se recusa a restaurar as fotos e textos suprimidos das postagens sob sua guarda e responsabilidade. ESPERO QUE O GOOGLE PUBLIQUE ISTO, vou publicar a partir de segunda-feira, 07.09.20, os nove capítulos de O Complexo de Cuba, um por semana, e não esperem que eu desista de lutar contra a censura.                                                                                                                                                                   Atenciosamente,                                                                                                                                                                  Humberto Borges

POSTAGEM ANTERIOR: 03.09.2020

A WordPress.com Suport FINALMENTE ADMITE OS ATAQUES A ESTE POST. O INTERESSE NA www PELA SABOTAGEM DA REVISÃO HISTÓRICA DO RACISMO NOS ESTADOS UNIDOS MULTIPLICOU EM 2 800% O ACESSO A ESTE BLOG BOOK “PERIGOSO” COMO A TEMPESTADE QUE ME LEVOU À PRISÃO EM CUBA NO VELEIRO LISA.

e-mail de Carina P. – Happiness Engineer
WordPress.com | https://wordpress.com/support/ Sep 2, 2020, 7:00 PM UTC

“Boa tarde Humberto,

Nos testes que realizamos verificamos que há uns 3 dias foi quando a alteração no post foi realizada e o conteúdo duplicado. Pelo o que pudemos perceber, parece que todo o conteúdo depois do primeiro bloco Clássico foi removido, e o bloco Clássico replicado múltiplas vezes no post. Estou enviando os passos abaixo para tentarmos a recuperação deste conteúdo:”

Boa noite, Carina P.

De Humberto B – Unhappy Blogger

Tenho o prazer de informar que a transparência nos procedimentos sobre os ataques a este site produziu uma vacina fatal para os vírus hackers: a curiosidade; 2 800% de aumento nos acessos ao post. Imagine o interesse dos defensores da igualdade dos direitos civis como a melhor estratégia social souberem que o racismo existiu legalmente nos Estados Unidos até 2013, quando Mississippi protocolou no Arquivo Nacional a ratificação da Emenda Constitucional da Abolição.

Isso aconteceu 148 anos depois da guerra da América contra a América, no mês seguinte à posse de Barack Hussein Obama II para o segundo mandato como o primeiro negro na Casa Branca. E como não se pode abstrair o Mississippi do país (aliás causa da Guerra de Secessão) o escravismo tardio daquele estado livra o Brasil de ser o último país das Américas a abolir a escravatura.

Os supremacistas brancos rangeram os dentes e os hackers me fizeram o favor de replicar 189 vezes a mesma página para obstruir o acesso aos capítulos anteriores de O Complexo de Cuba. Por isso resumo os episódios mais recente de confronto aos hackers enquanto restauro o último capítulo sabotado.

29.08.20 – Eu finalizava a restauração de A Resposta do Vento quando e recebi um e-mail da WordPress oferecendo o rascunho recuperado. Seguia a instrução do engenheiro de suporte clicando num link que evaporou texto no final da atualização… inclusive os rascunhos, os e-mails e compartilhamento com o Facebook que eu mantinha como backup. A perícia do provedor de internet, a CaboTelecon, não encontrou nenhum rastro racker na minha conexão.

02.09.2020 – 13:28 hs. – A plataforma WordPress continua infiltrada por hackers. Este capítulo sobre o racismo nos Estados Unidos e o apartheid americano sofre ataques diário. A sabotagem começou pela supressão das fotos e documentos de domínio público de se agravou com remoções sucessivas de textos em plena edição. Há quatro dias este post repete 189 vezes as duas páginas iniciais do capítulo #9 obstruindo a leitura dos oito capítulos anteriores. Suprimiram os e-mails trocados com o atendimento técnico da plataforma e velaram o compartilhamento com o Facebook. A postagem abaixo não corresponde ao rascunho em que todos os blocos foram substituídos pela seguinte legenda de “conteúdo inesperado ou inválido”.

3.09.2020 – 19:59 hs

De Humberto B. Unhappy Blogger

Para Carina P. – Happines Engineer

Boa noite, colega. Agradeço a orientação para recuperar o Capítulo #9, mas considero a tentativa arriscada. Eu desencadeei os últimos ataques ao blog clicando nos links oferecidos por quem suprimiu os mails. Por favor, Carina P., não confunda cautela com suspeita. Apenas o provedor CaboTelecom isenta o meu equipamento de vírus e você confirma … “Pelo o que pudemos perceber, parece que todo o conteúdo depois do primeiro bloco Clássico foi removido, e o bloco Clássico replicado múltiplas vezes no post”.

Eu não tenho capacidade técnica e pergunto se cabe à plataforma republicar as fotos suprimidas dos capítulos anteriores (até porque estão substituídas pela identificação da origem); assim como remover as 189 duplicações e restaurar o capítulo #9. Afinal os danos ocorreram no âmbito da WordPress, a quem cabe investigar a origem dos ataques e garantir a integridade do serviço.  Atenciosamente,                                                                                                                                                     Humberto Borges 

Destaque

O Complexo de Cuba # 9

RESPOSTA DO VENTO

02.09.2020 – 12:28 HS. ATUALIZAÇÃO DA SABOTAGEM DESTE SITE

Boletim de ocorrência: crime cibernético. Agravante: racismo

De: Humberto Borges <hbcomborges@gmail.com>

Para: @WordPress.com

02.09.2020 – 13:28 hs. – A plataforma WordPress continua infiltrada por hackers. Este capítulo sobre o o racismo nos Estados Unidos e o apartheid americano sofre ataques diário. A sabotagem começou pela supressão das fotos e documentos de domínio público e se agravou com remoções sucessivas de textos em plena edição. Há quatro dias este post repete 189 vezes as duas páginas abaixo, obstruindo a leitura dos oito capítulos anteriores. Suprimiram os e-mails trocados com o atendimento técnico da plataforma e velaram o compartilhamento com o Facebook. A postagem abaixo não corresponde ao rascunho em que todos os blocos foram substituídos pela seguinte legenda:

“Este bloco contém conteúdo inesperado ou inválido”

Em 29.08.20, eu finalizava a restauração do capítulo A Resposta do Vento quando e recebi um e-mail da WordPress oferecendo o rascunho recuperado. Eu seguia a instrução do engenheiro de suporte quando o próprio e-mail evaporou, assim como o texto no final da atualização… inclusive os rascunhos.  Idem, desapareceu o compartilhamento com o Facebook daquele capítulo. A perícia do provedor de internet, a CaboTelecon, não encontrou nenhum rastro racker na minha conexão. Aguardo ansioso uma explicação e providências enquanto restauro pela enésima vez o capítulo A Resposta do Vento.   

Abaixo as duas páginas do post repetidas 189 vezes, as quais não consigo remover

              255px-Lynching_of_Redmond,_Roberson_and_AddisonA véspera do Natal de ’73 na Louisiana madrugou como bicho ao relento, pingando orvalho. Folhas molhadas coloriam os galhos dos velhos álamos com retalhos vermelhos, marrons e amarelos, as cores do outono recém hibernado. A Nutty ligou o seu radinho de pilha na mesa do café e Billie Holiday, voz de camurça, cantava o blue Fruta Estranha, denunciando os enforcamentos da Ku Klux Klan.

gettyimages-82091553-612x612

            Nossa meta era Tallahasse, a capital da Florida. De Minden até lá nós teríamos que cruzar a Louisana, o Mississippi e o Alabama, feudos da seita que enforcou a dignidade sulista linchando negros, imigrantes, católicos, judeus e gays, para “purificar a América”. A foto à esquerda é de 1892, na Georgia. À direita, um  fanático KKK avisou em Miami o que esperava os negros nas eleições presidenciais de 1940. Imagens  anônimas, de domínio público.  

           Jack Bluebird pilotava a Big Mamma como se fosse fácil acelerar 50 toneladas de ferro a 110 Km/h na pista escorregadia. Reflexos da água aquarelavam a estrada e a quantidade de indicações para campos de batalhas davam a impressão do Sul ter vencido a Guerra Civil. Comentei este detalhe e o motorista nascido em Guam, que não era confederado nem ianque, me deu outra aula :

             – Toda guerra entre exércitos é militar. Civis lutam com paus e pedras, sem comando, sem disciplina. Naquela matança havia dois exércitos, uns três milhões de soldados e dezenas de generais fumando charutos. Pare de insistir nessa bobagem de guerra civil. O teu Brasil fica lá no meio do mato, cheio de jacarés, e você só fala na guerra que aconteceu bem aqui. Posso saber a razão de tanto interesse?

255px-Lynching_of_Redmond,_Roberson_and_Addison

              A véspera do Natal de ’73 na Louisiana madrugou como bicho ao relento, pingando orvalho. Folhas molhadas coloriam os galhos dos velhos álamos com retalhos vermelhos, marrons e amarelos, as cores do outono recém hibernado. A Nutty ligou o seu radinho de pilha na mesa do café e Billie Holiday, voz de camurça, cantava o blue Fruta Estranha, denunciando os enforcamentos da Ku Klux Klan.

gettyimages-82091553-612x612

            Nossa meta era Tallahasse, a capital da Florida. De Minden até lá nós teríamos que cruzar a Louisana, o Mississippi e o Alabama, feudos da seita que enforcou a dignidade sulista linchando negros, imigrantes, católicos, judeus e gays, para “purificar a América”. A foto à esquerda é de 1892, na Georgia. À direita, um  fanático KKK avisou em Miami o que esperava os negros nas eleições presidenciais de 1940. Imagens  anônimas, de domínio público.  

           Jack Bluebird pilotava a Big Mamma como se fosse fácil acelerar 50 toneladas de ferro a 110 Km/h na pista escorregadia. Reflexos da água aquarelavam a estrada e a quantidade de indicações para campos de batalhas davam a impressão do Sul ter vencido a Guerra Civil. Comentei este detalhe e o motorista nascido em Guam, que não era confederado nem ianque, me deu outra aula :

             – Toda guerra entre exércitos é militar. Civis lutam com paus e pedras, sem comando, sem disciplina. Naquela matança havia dois exércitos, uns três milhões de soldados e dezenas de generais fumando charutos. Pare de insistir nessa bobagem de guerra civil. O teu Brasil fica lá no meio do mato, cheio de jacarés, e você só fala na guerra que aconteceu bem aqui. Posso saber a razão de tanto interesse?

              255px-Lynching_of_Redmond,_Roberson_and_AddisonA véspera do Natal de ’73 na Louisiana madrugou como bicho ao relento, pingando orvalho. Folhas molhadas coloriam os galhos dos velhos álamos com retalhos vermelhos, marrons e amarelos, as cores do outono recém hibernado. A Nutty ligou o seu radinho de pilha na mesa do café e Billie Holiday, voz de camurça, cantava o blue Fruta Estranha, denunciando os enforcamentos da Ku Klux Klan.

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            Nossa meta era Tallahasse, a capital da Florida. De Minden até lá nós teríamos que cruzar a Louisana, o Mississippi e o Alabama, feudos da seita que enforcou a dignidade sulista linchando negros, imigrantes, católicos, judeus e gays, para “purificar a América”. A foto à esquerda é de 1892, na Georgia. À direita, um  fanático KKK avisou em Miami o que esperava os negros nas eleições presidenciais de 1940. Imagens  anônimas, de domínio público.  

           Jack Bluebird pilotava a Big Mamma como se fosse fácil acelerar 50 toneladas de ferro a 110 Km/h na pista escorregadia. Reflexos da água aquarelavam a estrada e a quantidade de indicações para campos de batalhas davam a impressão do Sul ter vencido a Guerra Civil. Comentei este detalhe e o motorista nascido em Guam, que não era confederado nem ianque, me deu outra aula :

             – Toda guerra entre exércitos é militar. Civis lutam com paus e pedras, sem comando, sem disciplina. Naquela matança havia dois exércitos, uns três milhões de soldados e dezenas de generais fumando charutos. Pare de insistir nessa bobagem de guerra civil. O teu Brasil fica lá no meio do mato, cheio de jacarés, e você só fala na guerra que aconteceu bem aqui. Posso saber a razão de tanto interesse?

              255px-Lynching_of_Redmond,_Roberson_and_AddisonA véspera do Natal de ’73 na Louisiana madrugou como bicho ao relento, pingando orvalho. Folhas molhadas coloriam os galhos dos velhos álamos com retalhos vermelhos, marrons e amarelos, as cores do outono recém hibernado. A Nutty ligou o seu radinho de pilha na mesa do café e Billie Holiday, voz de camurça, cantava o blue Fruta Estranha, denunciando os enforcamentos da Ku Klux Klan.

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            Nossa meta era Tallahasse, a capital da Florida. De Minden até lá nós teríamos que cruzar a Louisana, o Mississippi e o Alabama, feudos da seita que enforcou a dignidade sulista linchando negros, imigrantes, católicos, judeus e gays, para “purificar a América”. A foto à esquerda é de 1892, na Georgia. À direita, um  fanático KKK avisou em Miami o que esperava os negros nas eleições presidenciais de 1940. Imagens  anônimas, de domínio público.  

           Jack Bluebird pilotava a Big Mamma como se fosse fácil acelerar 50 toneladas de ferro a 110 Km/h na pista escorregadia. Reflexos da água aquarelavam a estrada e a quantidade de indicações para campos de batalhas davam a impressão do Sul ter vencido a Guerra Civil. Comentei este detalhe e o motorista nascido em Guam, que não era confederado nem ianque, me deu outra aula :

             – Toda guerra entre exércitos é militar. Civis lutam com paus e pedras, sem comando, sem disciplina. Naquela matança havia dois exércitos, uns três milhões de soldados e dezenas de generais fumando charutos. Pare de insistir nessa bobagem de guerra civil. O teu Brasil fica lá no meio do mato, cheio de jacarés, e você só fala na guerra que aconteceu bem aqui. Posso saber a razão de tanto interesse?

              255px-Lynching_of_Redmond,_Roberson_and_AddisonA véspera do Natal de ’73 na Louisiana madrugou como bicho ao relento, pingando orvalho. Folhas molhadas coloriam os galhos dos velhos álamos com retalhos vermelhos, marrons e amarelos, as cores do outono recém hibernado. A Nutty ligou o seu radinho de pilha na mesa do café e Billie Holiday, voz de camurça, cantava o blue Fruta Estranha, denunciando os enforcamentos da Ku Klux Klan.

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            Nossa meta era Tallahasse, a capital da Florida. De Minden até lá nós teríamos que cruzar a Louisana, o Mississippi e o Alabama, feudos da seita que enforcou a dignidade sulista linchando negros, imigrantes, católicos, judeus e gays, para “purificar a América”. A foto à esquerda é de 1892, na Georgia. À direita, um  fanático KKK avisou em Miami o que esperava os negros nas eleições presidenciais de 1940. Imagens  anônimas, de domínio público.  

           Jack Bluebird pilotava a Big Mamma como se fosse fácil acelerar 50 toneladas de ferro a 110 Km/h na pista escorregadia. Reflexos da água aquarelavam a estrada e a quantidade de indicações para campos de batalhas davam a impressão do Sul ter vencido a Guerra Civil. Comentei este detalhe e o motorista nascido em Guam, que não era confederado nem ianque, me deu outra aula :

             – Toda guerra entre exércitos é militar. Civis lutam com paus e pedras, sem comando, sem disciplina. Naquela matança havia dois exércitos, uns três milhões de soldados e dezenas de generais fumando charutos. Pare de insistir nessa bobagem de guerra civil. O teu Brasil fica lá no meio do mato, cheio de jacarés, e você só fala na guerra que aconteceu bem aqui. Posso saber a razão de tanto interesse?

              255px-Lynching_of_Redmond,_Roberson_and_AddisonA véspera do Natal de ’73 na Louisiana madrugou como bicho ao relento, pingando orvalho. Folhas molhadas coloriam os galhos dos velhos álamos com retalhos vermelhos, marrons e amarelos, as cores do outono recém hibernado. A Nutty ligou o seu radinho de pilha na mesa do café e Billie Holiday, voz de camurça, cantava o blue Fruta Estranha, denunciando os enforcamentos da Ku Klux Klan.

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            Nossa meta era Tallahasse, a capital da Florida. De Minden até lá nós teríamos que cruzar a Louisana, o Mississippi e o Alabama, feudos da seita que enforcou a dignidade sulista linchando negros, imigrantes, católicos, judeus e gays, para “purificar a América”. A foto à esquerda é de 1892, na Georgia. À direita, um  fanático KKK avisou em Miami o que esperava os negros nas eleições presidenciais de 1940. Imagens  anônimas, de domínio público.  

           Jack Bluebird pilotava a Big Mamma como se fosse fácil acelerar 50 toneladas de ferro a 110 Km/h na pista escorregadia. Reflexos da água aquarelavam a estrada e a quantidade de indicações para campos de batalhas davam a impressão do Sul ter vencido a Guerra Civil. Comentei este detalhe e o motorista nascido em Guam, que não era confederado nem ianque, me deu outra aula :

             – Toda guerra entre exércitos é militar. Civis lutam com paus e pedras, sem comando, sem disciplina. Naquela matança havia dois exércitos, uns três milhões de soldados e dezenas de generais fumando charutos. Pare de insistir nessa bobagem de guerra civil. O teu Brasil fica lá no meio do mato, cheio de jacarés, e você só fala na guerra que aconteceu bem aqui. Posso saber a razão de tanto interesse?

              255px-Lynching_of_Redmond,_Roberson_and_AddisonA véspera do Natal de ’73 na Louisiana madrugou como bicho ao relento, pingando orvalho. Folhas molhadas coloriam os galhos dos velhos álamos com retalhos vermelhos, marrons e amarelos, as cores do outono recém hibernado. A Nutty ligou o seu radinho de pilha na mesa do café e Billie Holiday, voz de camurça, cantava o blue Fruta Estranha, denunciando os enforcamentos da Ku Klux Klan.

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            Nossa meta era Tallahasse, a capital da Florida. De Minden até lá nós teríamos que cruzar a Louisana, o Mississippi e o Alabama, feudos da seita que enforcou a dignidade sulista linchando negros, imigrantes, católicos, judeus e gays, para “purificar a América”. A foto à esquerda é de 1892, na Georgia. À direita, um  fanático KKK avisou em Miami o que esperava os negros nas eleições presidenciais de 1940. Imagens  anônimas, de domínio público.  

           Jack Bluebird pilotava a Big Mamma como se fosse fácil acelerar 50 toneladas de ferro a 110 Km/h na pista escorregadia. Reflexos da água aquarelavam a estrada e a quantidade de indicações para campos de batalhas davam a impressão do Sul ter vencido a Guerra Civil. Comentei este detalhe e o motorista nascido em Guam, que não era confederado nem ianque, me deu outra aula :

             – Toda guerra entre exércitos é militar. Civis lutam com paus e pedras, sem comando, sem disciplina. Naquela matança havia dois exércitos, uns três milhões de soldados e dezenas de generais fumando charutos. Pare de insistir nessa bobagem de guerra civil. O teu Brasil fica lá no meio do mato, cheio de jacarés, e você só fala na guerra que aconteceu bem aqui. Posso saber a razão de tanto interesse?

              255px-Lynching_of_Redmond,_Roberson_and_AddisonA véspera do Natal de ’73 na Louisiana madrugou como bicho ao relento, pingando orvalho. Folhas molhadas coloriam os galhos dos velhos álamos com retalhos vermelhos, marrons e amarelos, as cores do outono recém hibernado. A Nutty ligou o seu radinho de pilha na mesa do café e Billie Holiday, voz de camurça, cantava o blue Fruta Estranha, denunciando os enforcamentos da Ku Klux Klan.

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            Nossa meta era Tallahasse, a capital da Florida. De Minden até lá nós teríamos que cruzar a Louisana, o Mississippi e o Alabama, feudos da seita que enforcou a dignidade sulista linchando negros, imigrantes, católicos, judeus e gays, para “purificar a América”. A foto à esquerda é de 1892, na Georgia. À direita, um  fanático KKK avisou em Miami o que esperava os negros nas eleições presidenciais de 1940. Imagens  anônimas, de domínio público.  

           Jack Bluebird pilotava a Big Mamma como se fosse fácil acelerar 50 toneladas de ferro a 110 Km/h na pista escorregadia. Reflexos da água aquarelavam a estrada e a quantidade de indicações para campos de batalhas davam a impressão do Sul ter vencido a Guerra Civil. Comentei este detalhe e o motorista nascido em Guam, que não era confederado nem ianque, me deu outra aula :

             – Toda guerra entre exércitos é militar. Civis lutam com paus e pedras, sem comando, sem disciplina. Naquela matança havia dois exércitos, uns três milhões de soldados e dezenas de generais fumando charutos. Pare de insistir nessa bobagem de guerra civil. O teu Brasil fica lá no meio do mato, cheio de jacarés, e você só fala na guerra que aconteceu bem aqui. Posso saber a razão de tanto interesse?

              255px-Lynching_of_Redmond,_Roberson_and_AddisonA véspera do Natal de ’73 na Louisiana madrugou como bicho ao relento, pingando orvalho. Folhas molhadas coloriam os galhos dos velhos álamos com retalhos vermelhos, marrons e amarelos, as cores do outono recém hibernado. A Nutty ligou o seu radinho de pilha na mesa do café e Billie Holiday, voz de camurça, cantava o blue Fruta Estranha, denunciando os enforcamentos da Ku Klux Klan.

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            Nossa meta era Tallahasse, a capital da Florida. De Minden até lá nós teríamos que cruzar a Louisana, o Mississippi e o Alabama, feudos da seita que enforcou a dignidade sulista linchando negros, imigrantes, católicos, judeus e gays, para “purificar a América”. A foto à esquerda é de 1892, na Georgia. À direita, um  fanático KKK avisou em Miami o que esperava os negros nas eleições presidenciais de 1940. Imagens  anônimas, de domínio público.  

           Jack Bluebird pilotava a Big Mamma como se fosse fácil acelerar 50 toneladas de ferro a 110 Km/h na pista escorregadia. Reflexos da água aquarelavam a estrada e a quantidade de indicações para campos de batalhas davam a impressão do Sul ter vencido a Guerra Civil. Comentei este detalhe e o motorista nascido em Guam, que não era confederado nem ianque, me deu outra aula :

             – Toda guerra entre exércitos é militar. Civis lutam com paus e pedras, sem comando, sem disciplina. Naquela matança havia dois exércitos, uns três milhões de soldados e dezenas de generais fumando charutos. Pare de insistir nessa bobagem de guerra civil. O teu Brasil fica lá no meio do mato, cheio de jacarés, e você só fala na guerra que aconteceu bem aqui. Posso saber a razão de tanto interesse?

              255px-Lynching_of_Redmond,_Roberson_and_AddisonA véspera do Natal de ’73 na Louisiana madrugou como bicho ao relento, pingando orvalho. Folhas molhadas coloriam os galhos dos velhos álamos com retalhos vermelhos, marrons e amarelos, as cores do outono recém hibernado. A Nutty ligou o seu radinho de pilha na mesa do café e Billie Holiday, voz de camurça, cantava o blue Fruta Estranha, denunciando os enforcamentos da Ku Klux Klan.

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            Nossa meta era Tallahasse, a capital da Florida. De Minden até lá nós teríamos que cruzar a Louisana, o Mississippi e o Alabama, feudos da seita que enforcou a dignidade sulista linchando negros, imigrantes, católicos, judeus e gays, para “purificar a América”. A foto à esquerda é de 1892, na Georgia. À direita, um  fanático KKK avisou em Miami o que esperava os negros nas eleições presidenciais de 1940. Imagens  anônimas, de domínio público.  

           Jack Bluebird pilotava a Big Mamma como se fosse fácil acelerar 50 toneladas de ferro a 110 Km/h na pista escorregadia. Reflexos da água aquarelavam a estrada e a quantidade de indicações para campos de batalhas davam a impressão do Sul ter vencido a Guerra Civil. Comentei este detalhe e o motorista nascido em Guam, que não era confederado nem ianque, me deu outra aula :

             – Toda guerra entre exércitos é militar. Civis lutam com paus e pedras, sem comando, sem disciplina. Naquela matança havia dois exércitos, uns três milhões de soldados e dezenas de generais fumando charutos. Pare de insistir nessa bobagem de guerra civil. O teu Brasil fica lá no meio do mato, cheio de jacarés, e você só fala na guerra que aconteceu bem aqui. Posso saber a razão de tanto interesse?

              255px-Lynching_of_Redmond,_Roberson_and_AddisonA véspera do Natal de ’73 na Louisiana madrugou como bicho ao relento, pingando orvalho. Folhas molhadas coloriam os galhos dos velhos álamos com retalhos vermelhos, marrons e amarelos, as cores do outono recém hibernado. A Nutty ligou o seu radinho de pilha na mesa do café e Billie Holiday, voz de camurça, cantava o blue Fruta Estranha, denunciando os enforcamentos da Ku Klux Klan.

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            Nossa meta era Tallahasse, a capital da Florida. De Minden até lá nós teríamos que cruzar a Louisana, o Mississippi e o Alabama, feudos da seita que enforcou a dignidade sulista linchando negros, imigrantes, católicos, judeus e gays, para “purificar a América”. A foto à esquerda é de 1892, na Georgia. À direita, um  fanático KKK avisou em Miami o que esperava os negros nas eleições presidenciais de 1940. Imagens  anônimas, de domínio público.  

           Jack Bluebird pilotava a Big Mamma como se fosse fácil acelerar 50 toneladas de ferro a 110 Km/h na pista escorregadia. Reflexos da água aquarelavam a estrada e a quantidade de indicações para campos de batalhas davam a impressão do Sul ter vencido a Guerra Civil. Comentei este detalhe e o motorista nascido em Guam, que não era confederado nem ianque, me deu outra aula :

             – Toda guerra entre exércitos é militar. Civis lutam com paus e pedras, sem comando, sem disciplina. Naquela matança havia dois exércitos, uns três milhões de soldados e dezenas de generais fumando charutos. Pare de insistir nessa bobagem de guerra civil. O teu Brasil fica lá no meio do mato, cheio de jacarés, e você só fala na guerra que aconteceu bem aqui. Posso saber a razão de tanto interesse?

              255px-Lynching_of_Redmond,_Roberson_and_AddisonA véspera do Natal de ’73 na Louisiana madrugou como bicho ao relento, pingando orvalho. Folhas molhadas coloriam os galhos dos velhos álamos com retalhos vermelhos, marrons e amarelos, as cores do outono recém hibernado. A Nutty ligou o seu radinho de pilha na mesa do café e Billie Holiday, voz de camurça, cantava o blue Fruta Estranha, denunciando os enforcamentos da Ku Klux Klan.

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            Nossa meta era Tallahasse, a capital da Florida. De Minden até lá nós teríamos que cruzar a Louisana, o Mississippi e o Alabama, feudos da seita que enforcou a dignidade sulista linchando negros, imigrantes, católicos, judeus e gays, para “purificar a América”. A foto à esquerda é de 1892, na Georgia. À direita, um  fanático KKK avisou em Miami o que esperava os negros nas eleições presidenciais de 1940. Imagens  anônimas, de domínio público.  

           Jack Bluebird pilotava a Big Mamma como se fosse fácil acelerar 50 toneladas de ferro a 110 Km/h na pista escorregadia. Reflexos da água aquarelavam a estrada e a quantidade de indicações para campos de batalhas davam a impressão do Sul ter vencido a Guerra Civil. Comentei este detalhe e o motorista nascido em Guam, que não era confederado nem ianque, me deu outra aula :

             – Toda guerra entre exércitos é militar. Civis lutam com paus e pedras, sem comando, sem disciplina. Naquela matança havia dois exércitos, uns três milhões de soldados e dezenas de generais fumando charutos. Pare de insistir nessa bobagem de guerra civil. O teu Brasil fica lá no meio do mato, cheio de jacarés, e você só fala na guerra que aconteceu bem aqui. Posso saber a razão de tanto interesse?

              255px-Lynching_of_Redmond,_Roberson_and_AddisonA véspera do Natal de ’73 na Louisiana madrugou como bicho ao relento, pingando orvalho. Folhas molhadas coloriam os galhos dos velhos álamos com retalhos vermelhos, marrons e amarelos, as cores do outono recém hibernado. A Nutty ligou o seu radinho de pilha na mesa do café e Billie Holiday, voz de camurça, cantava o blue Fruta Estranha, denunciando os enforcamentos da Ku Klux Klan.

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            Nossa meta era Tallahasse, a capital da Florida. De Minden até lá nós teríamos que cruzar a Louisana, o Mississippi e o Alabama, feudos da seita que enforcou a dignidade sulista linchando negros, imigrantes, católicos, judeus e gays, para “purificar a América”. A foto à esquerda é de 1892, na Georgia. À direita, um  fanático KKK avisou em Miami o que esperava os negros nas eleições presidenciais de 1940. Imagens  anônimas, de domínio público.  

           Jack Bluebird pilotava a Big Mamma como se fosse fácil acelerar 50 toneladas de ferro a 110 Km/h na pista escorregadia. Reflexos da água aquarelavam a estrada e a quantidade de indicações para campos de batalhas davam a impressão do Sul ter vencido a Gue